Enquanto eu coletava as bagas de prata da estrela lacrimejante, demorei-me no caminho, procurando descansar.

O vale derramou o vento perfumado sobre o campo, e eu quase não percebi.

Saíra fascinado pela noite, buscando a paz; e, embora a quietude, eu sentia minha agitação, sacudindo o panorama deslumbrante

Antes, eu supunha que a felicidade fosse uma donzela adornada de gemas e, desejando-a, fiz-me ladrão. Reuni moedas, guardei pedrarias, e minha ansiedade roubou-me a paz.

Pensei que a ventura viesse com o amor, e quando lhe fruí os anelos, descobri que perdera a serenidade

Desejei o monte, sem vencer a várzea.

A fortuna escorregou pelos meus dedos, como as águas do rio pelas frinchas das rochas, e o amor partiu, ligeiro, buscando novas emoções.

Fiquei só, dentro da noite, com a noite dentro de mim. . .

Peço à estrela solitária que me entenda, e ela, com lágrimas de prata, me diz:

– Segue adiante. . . Segue adiante. . .

Enamoro-me da esperança, tomo o arnês do trabalho, e sigo adiante, buscando no silêncio do dever a paz que eu perdi. . .

 

FILIGRANAS DE LUZ – TAGORE, Rabindranath (pelo espírito de), FRANCO, Divaldo Pereira, Salvador, Livraria Espírita Alvorada Editora, 1986, 3ª edição, pg 70.