Resumo da nona aula do curso NOVA HUMANIDADE proferida por HUBERTO ROHDEN em 24 de maio de 1.977.

 

 Vocês não vão compreender o Gênesis se não se basearem sobre o que Moisés quer dizer no Gênesis. É o seguinte: Ele acha possível que haja uma humanidade tão perfeita como ele. Porque ele era um homem sem nenhum defeito. Primeiro nunca teve doença em toda sua vida. Viveu 120 anos sem ter uma doença. A Bíblia insiste neste ponto, que ele nunca esteve doente. E insiste num segundo ponto, que ele nunca envelheceu. Podem ler o texto da Bíblia: “E quando ele tinha 40 anos, estava em plena juventude”. Quando saiu do Egito tinha 40 anos e quando voltou da Arábia tinha 80 anos, estava em plena juventude. E quando ele terminou a peregrinação entre a África e a Ásia, na Palestina, quando ele não entrou na terra santa, tinha 120 anos e estava em plena juventude[i].

            Moisés se indagava: “qual o segredo desta minha eterna juventude?” E descobriu que nascendo do modo como nasceu, não há doença e não há morte compulsória e, ao final, pode transformar o corpo material em corpo astral. Esta ideia vai por todo o Gênesis. Através de seus escritos apresenta a humanidade do passado, do presente e visualiza a humanidade do futuro. Faz ver que uma procriação puramente material, como dos animais, não gera corpos perfeitos, mas se houvesse outra forma de concepção, não haveria doenças ou morte compulsória.

Aprendemos que Moisés era filho de uma mulher hebreia que o escondeu nas águas do Nilo, porque havia uma ordem do Faraó para que todos os meninos hebreus fossem afogados quando nascessem. Isto porque eram os hebreus imigrantes no Egito e, por outro lado, se multiplicavam como coelhos e poderiam, se não contidos, superar em número os egípcios e dominá-los. Conta a Bíblia que uma hebreia colocou seu rebento em uma cestinha e o colocou nas águas do Nilo. Uma filha do Faraó, quando se banhava, o encontrou e o adotou como filho, dando-lhe o nome de Moshe, que quer dizer FILHO. Alguns entendem que Moshe significa “tirado das águas”. Pura ilusão. Moisés quer dizer filho, nada mais…- muitos nomes egípcios acabam em moses, Tutmoses e outros moses. Moisés e Moses são a mesma coisa.

            Escutem bem: Madame Blavatsky[ii], uma das grandes iniciadas do nosso século, ensina que “água”, em sentido esotérico, quer dizer “astral”. Então, quando a princesa egípcia diz  “eu o tirei das águas”, não estava se referindo às águas do Nilo, mas, como diriam os esotéricos: ”da Potência Creadora do Universo”, “do mundo das puras energias cósmicas”, como diria Einstein.

Tales de Mileto, 600 anos AC, o primeiro filósofo grego, começou a filosofia dele assim: “Toda a vida vem da água”. O que Tales de Mileto quis dizer que toda a vida nasce na água? Ele também se refere à água astral que não é água física. Aqui temos a mesma linguagem de Tales de Mileto, que os esotéricos usam.

Jesus ensina a Nicodemos: “Se alguém não nascer de novo, da água e do espírito, não pode ver o reino de Deus”. Isto quer significar o “batismo”? Não. Jesus se refere a um outro nascimento, não físico.          Nós não nascemos de água e espírito, nós nascemos de matéria e de espírito. Mas ele exige nascimento de água e de espírito para ver o reino de Deus. Evidentemente ele fala de um outro corpo que não é concebido materialmente como corpo animal, mas que é concebido astralmente como o corpo de Jesus. Ele fala de seu próprio corpo, de Jesus, porque ele tinha nascido de água e de espírito. Água em linguagem esotérica quer dizer, a energia astral do Universo. Isto ele chama água.

Jesus fala à Samaritana: “Se conhecesses o dom de Deus e aquele que te está falando, tu lhe pedirias água, e ele te daria água viva… e esta água se tornaria uma fonte, dentro de ti, jorrando para a vida eterna”. Outra vez a alusão a outro nascimento.

Lucas tenta explicar como se formou o corpo de Jesus: “Foi anunciado a Maria que um sopro sagrado virá sobre ti, e a Potência Suprema te envolverá em sua aura”. Isto está no evangelho grego. Alguns teólogos traduzem por “Espírito Santo”, mas não foi isto que Lucas disse. É muito misterioso para nós, mas é o mesmo modo de concepção de que fala o Gênesis. Moisés foi talvez o único homem, ou um dos poucos que antes de Jesus nasceu de concepção astral.

A princesa egípcia Hat-Shep-Sut, segundo a Bíblia, adotou Moisés, mas temos outra mensagem extrabíblica muito conhecida, segundo a qual a princesa concebeu Moisés de um modo astral, na ausência de homem físico. Educado como príncipe por 40 anos na corte egípcia, foi Moshe finalmente enxotado, pois era um subversivo. Queria libertar os escravos hebreus, que eram ótimos trabalhadores. Os demais príncipes do Egito queriam a sua morte, mas, não se sabe a razão, o Faraó decretou: “Eu te condeno não para a morte, mas para a vida; eu te condeno para a vida em solidão”. Foi o maior favor que o Faraó fez a Moisés. Peregrinou até a Arábia e se tornou pastor de seu futuro sogro. Permaneceu aí por mais 40 anos.

O conhecimento adquirido no Egito fora enorme, até de magia mental. Os egípcios conheciam até a eletricidade. Vejam em Êxodos 25 como Moisés construiu uma verdadeira pilha elétrica – a arca da aliança. “As tábuas devem ser de madeira seca (madeira úmida conduz eletricidade, mas não madeira seca) e de cada lado da caixa deve haver um varal recoberto de ouro, para carregá-la, mas nunca devem se tirados (Por quê? Porque eram as antenas da caixa destinadas a conduzir a eletricidade). Em certos dias a caixa se tornava luminosa e havia uma nuvem luminosa por cima dela. Por quê? Porque em cima da arca estavam 2 querubins de ouro, com asas voltadas para dentro, mas sem contato. Nós sabemos que a eletricidade em certo tempo forma eletricidade estática, galvânica, que dá luminosidade. Eu vi isto muitas vezes; nos Alpes isto é comum.

Moisés adquirira todo conhecimento do Egito, inclusive a magia mental. Na Arábia, em 40 anos de solidão como pastor de ovelhas, adquiriu a experiência espiritual.  Voltou para o Egito aos 80 anos, armado de umas tremendas forças mágicas e místicas. A magia ele recebeu no Egito. A mística lhe veio no deserto, na solidão. E com estes poderes extraordinários ele exigiu do faraó que soltasse o povo, que era quase um milhão de pessoas, os hebreus. Estiveram no Egito 430 anos, escravos. Tinha cerca de um milhão de pessoas escravizadas.

Moisés pediu ao Faraó que deixasse ir o povo hebreu. Foi-lhe negado. Então vieram as 9 pragas que Moisés lançou mão, utilizando a magia mental. Mas foram todas combatidas, pois os sábios do Egito também conheciam a magia mental. Então, como última cartada, Moisés anunciou a morte de todos os primogênitos no Egito, também com o uso de seus conhecimentos de magia mental. Esperou o plenilúnio do mês de abril (Nisan) – lua cheia (a lua cheia é mental e a lua nova é espiritual). Concentrou-se profundamente e criou uma entidade astral de pura energia a quem ordenou que fosse por todo o Egito e matasse a todos os primogênitos, com exceção dos hebreus que se identificariam com o sangue de cordeiro pintado nos batentes e vegas de suas portas. E o anjo exterminador percorreu todo o Egito numa noite e quando encontrava uma porta pintada com sangue fresco não entravam. Mas matou todos os outros primogênitos. Isto está lá na Bíblia. Quer dizer, um poder sinistro que este Moisés tinha, matando milhares de pessoas numa noite.

Então o Faraó mandou que o povo hebreu saísse de suas terras. O resto da história está na Bíblia.

Depois ele peregrinou para a terra santa com todo o povo. Imagine! Ele mandando 1 milhão de pessoas, sem armas, sem nada, só com a tremenda magia mental dele. E mandou afogar todo o exército do faraó no Mar Vermelho. Deu água ao povo batendo no rochedo. É tudo magia mental. Porque quando a gente entra na zona da magia mental todas as leis da natureza nos obedecem. Não precisa nem mística espiritual para isto. Jesus fazia isto, talvez com mística espiritual. Mas Moisés faz em grande parte com magia mental.

Mas esta multidão não entrou na Terra prometida. Seria uma caminhada de uma semana, mas peregrinaram pelo deserto por 40 anos. Por que? Porque deveriam morrer todos os amigos da escravidão e somente os filhos da liberdade entrariam na terra santa. O povo que tinha saudades das panelas cheias de carne e cebola não conheceria a terra prometida.

Conduzi-os até a fronteira de Canaã, de onde corria leite e mel. Moisés subiu até o Monte Nebo, olhou a Terra Prometida e transformou-se, astralizou o seu corpo. Ele tinha vindo do astral, passando pelo material e voltou ao mundo astral. O mundo astral é o mundo de pura energia.

Então Moisés, depois de feito tudo isto… – enquanto fazia isto pensou: “Por que o resto da humanidade não pode viver como eu vivia, em perfeita saúde e sem velhice nem morte?” Ele descobriu que havendo uma procriação material de corpo a corpo, como o animal, não há corpo imortal. Mas, se houvesse uma procriação energética, não material, astral portanto (energia quer dizer astral), então haveria corpo sem doença e sem morte.

Então ele escreveu o Gênesis insistindo sempre na necessidade do homem não se procriar fisicamente como o animal, mas de se procriar astralmente como tinha acontecido com ele. Isto vocês precisam não esquecer. Ele quer crear uma eugenia humana perfeita. Uma eugenia como nós chamamos hoje em dia. Uma vida perfeita. É uma eugenia (em grego). Uma eugenia seria um corpo sem doença. Um corpo em eterna juventude, isto seria uma perfeita eugenia. E isto Moisés acha possível.

A Zoé foi enxertada na psiché”. Está lá no Gênesis. Zoé em grego quer dizer vida espiritual; psiché quer dizer vida animal. A vida animal já existia, mas esta vida recebeu o sopro dos Elohim, ou seja, foi-lhe enxertada a espiritualidade. Logo, a sua reprodução deveria ser hominal.  Temos agora duas vidas, a psiché, a vida material, o nosso corpo, e a Zoé, a vida espiritual. E há conflito entre estas vidas. E a luta recrudesce com o aparecimento da vida intelectual.  Agora a vida animal não luta propriamente contra a vida espiritual, mas se entra no animal a vida intelectual, então começa a luta. Porque sempre a nossa inteligência luta contra o espírito. A Bhagavad Gita sabia disto. A inteligência é o nosso ego e o espírito é o nosso Eu.

É preciso sair da linha horizontal da animalidade e entrar, pouco a pouco, na linha vertical da espiritualidade”. Nisto insiste Moisés. Como isto não se faz de um dia para outro, era necessário formar uma série de linhas ascensionais. Isto Moisés chama “a árvore do conhecimento do bem e o do mal”. A espiritualidade, a linha vertical, chama de “árvore da vida”. Aquela dá um corpo cheio de doenças e de morte, e esta dá um corpo sem doença e sem morte. Ele experimentou isto e, mais tarde, Jesus fez a mesma coisa.

Quando os Elohim interpelaram a mulher, acusada por Adão de tê-lo induzido a desobedecer as ordens a respeito da árvore do conhecimento do bem e do mal, ela respondeu: “A serpente me enganou” – nós diríamos: “a inteligência me enganou”. Vieram então a maldição à serpente, a maldição à mulher e a maldição ao homem. Em seguida, e isto é importante, a reabilitação da mulher. Então, reaparecem os Elohim, chamam Eva e a serpente e vêm estas palavras gloriosas: “Nós vamos pôr inimizade entre a serpente e seu descendente; e entre a mulher e seu descendente”. Agora já vem a inimizade entre Eva e a serpente. No princípio era a amizade. Se ela se deixou derrotar pela serpente, pela inteligência, é porque ela era muito amiga da inteligência serpentina. Agora vem a inimizade. “Havemos de pôr inimizade entre ti, a mulher, e a serpente – entre teu descendente e o descendente da serpente.” Aqui aparecem as duas humanidades. A humanidade animal e a humanidade espiritual. Aqui já vem separação entre isto e aquilo. Agora eles vão colocar inimizade, incompatibilidade entre a velha humanidade e a nova humanidade. Aqui começam as duas humanidades. A velha humanidade é da serpente. A nova humanidade é da mulher. Esta é a sublime reabilitação de Eva.

Até aqui o texto grego da Septuaginta e a Vulgata latina estão de perfeito acordo. Na Vulgata Latina vem agora o seguinte texto: “Poremos inimizade entre ti e a serpente, entre teu descendente e o descendente da serpente.” Agora a Vulgata diz: “Tu Eva esmagarás a cabeça da serpente e a serpente armará ciladas ao teu calcanhar.” A Vulgata foi elaborada 300 anos depois de Cristo; o texto grego 300 anos antes de Cristo. O texto grego não diz: “Ela te esmagará a cabeça e tu armarás ciladas ao seu calcanhar.” Isto não está lá… Em grego está…, primeiro não está ela, mas ele. Autos e não Auté. Na Vulgata está ela, a mulher esmagará a tua cabeça. No grego está ele, o descendente dela. Ele no masculino. Ele… também não diz esmagará a cabeça. O que está lá? “Ele espreitará a tua cabeça e tu espreitarás o seu calcanhar.” Que quer dizer? A nova humanidade espreita a cabeça da velha humanidade e a velha humanidade espreita o calcanhar, isto é, os passos da nova humanidade. Isto está no texto grego que é o texto verdadeiro.

            Entendendo: Haverá duas humanidades no futuro. Nenhuma será vencedora e nenhuma será derrotada. Ambas correrão paralelas. Uma humanidade nova e a outra humanidade velha. A humanidade animal e a humanidade espiritual correrão paralelas até o fim dos tempos. Ninguém vai esmagar a cabeça de alguém. Se a mulher esmagar a cabeça da serpente, como esta armará ciladas ao calcanhar da mulher? A Vulgata está em contradição. Não está no texto grego “que ela te esmagará a cabeça”. Ele te espreitará a cabeça. Vai observar quais são os pensamentos da velha humanidade. A nova humanidade vai vigiar o que a velha humanidade está pensando. Vai vigiar a cabeça, e a velha humanidade vai vigiar os passos da nova humanidade. Para onde é que esta nova humanidade vai? São duas humanidades paralelas.

É a mesma ideia explícita no Evangelho, na história do joio e do trigo. Os servos queriam arrancar o joio, mas o dono da plantação os impediu: “deixai crescer os dois conjuntamente, (o trigo juntamente com o joio) até o fim dos tempos e só no fim dos tempos se fará a separação”. O joio (a evolução para o mal) e o trigo (a evolução para  o bem) têm direito à evolução.

Se os bons e os maus são creaturas creadoras, cada um é responsável pelos seus atos. Ninguém precisa exterminar os maus. Os maus se exterminarão a si mesmos. Algum dia os maus farão a sua autodestruição e os bons farão a sua vida eterna. Isto é que está lá. Então, aqui temos uma grandiosa reabilitação de Eva. Porque Eva tinha sucumbido à sugestão da serpente, no princípio, e logo depois os Elohim declaram: “mas, agora acabou isto. Eva não vai ser mais amiga da serpente, não vai ser enganada pela serpente”.

Nunca o mal vai ser exterminado. Por que não? Porque onde não há resistência não há evolução.

“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre teu descendente e o descendente dela.” Mas os dois sempre andam paralelos, vigiando um ao outro. Nós estamos vendo. Até hoje assim aconteceu. Cada um é responsável pelo fato se ele pertence à nova humanidade que vai progredindo rumo ao espírito, ou, se ele permanece na velha humanidade que se contenta com as suas animalidades e intelectualidades, muito cômodas.

Isto, cada um tem que resolver por si. Mas, em resumo, esta visão de Moisés é uma visão grandiosa sobre a evolução da humanidade, na sua derrota, na sua separação e talvez finalmente na sua vitória. Não se sabe. Moisés não fala de uma vitória final. Só fala no paralelismo das duas humanidades.

 

 

OBS.: em negrito e itálico os textos transcritos da apostila de transcrição da aula.

Reiterando: APROVEITO PARA INFORMAR QUE ESTE – E OUTROS CURSOS DE ROHDEN – PODEM SER OBTIDOS COM A SRA. IRIS GOMES, TANTO EM ÁUDIO (MP3), COMO TRANSCRITOS EM APOSTILAS (por inteiro, naturalmente). DOU A SEGUIR O E_MAIL DE CONTATO DA SRA. IRIS, BEM COMO DE SEU BLOG, ONDE PODERÃO APRECIAR MUITOS OUTROS TEXTOS DE ROHDEN:

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[i] Deut. 34:7 – “Era Moisés da idade de cento e vinte anos quando morreu; os seus olhos nunca se escureceram, nem perdeu o seu vigor.” Na versão de Figueiredo: “…nem os dentes se lhe abalaram.”

[ii] Autora de A doutrina secreta, A voz do silêncio, e outros livros.