RESUMO DA 10ª AULA DO CURSO “A NOVA HUMANIDADE”, MINISTRADO POR HUBERTO ROHDEN EM 31 DE MAIO DE 1.977.

Nós, humanos, somos diferentes de todas as demais criações aqui da terra por um ponto – somos inteligentes. Como apareceu aqui um ser inteligente ninguém explicou até hoje. Há três probabilidades que se discute, são elas:

1º – Teoria teológica

2º – Hipótese científica

3º – Tese filosófica

Eu acho mais provável a tese filosófica da origem do homem, menos provável a hipótese cientifica. E nada provável a teoria teológica.

Ultimamente apareceu uma 4ª teoria: que nós não somos cidadãos da terra; somos imigrantes. Disse isto aquele fantasioso escritor suíço Erich Von Daniken, autor de “Eram os deuses astronautas” e “De volta às estrelas” – best Sellers, renderam muito dinheiro para o autor e o editor. Mas os milhões não nos interessa; Interessa-nos a probabilidade. O que disse o Sr. Erich Von Daniken é pura fantasia e não se fala mais nisto – não pode ser aceito cientificamente.

Vamos falar das outras três teorias que já têm séculos e milênios. A mais antiga é a teoria teológica. A mais recente é a hipótese cientifica que começou no século passado com Charles Darwin. É a teoria darwinista.

 

Vamos primeiro tratar da teoria teológica, que é da Bíblia. Aliás, a Bíblia não diz isto, mas, a interpretação que nós costumamos dar do texto do Gênesis, originou esta teoria. A teoria teológica, então, em poucas palavras é o seguinte: Este mundo já estava povoado de muitos seres vivos; plantas e animais já existiam muito antes de nós, no 1º, no 2º, no 3º, no 4º, e no 5º período de creação – no yom, como dizem os hebreus – que nós traduzimos erradamente por dia. Yom, quer dizer período cósmico. . . Vamos então traduzir que houve seis períodos sucessivos de creação.

Diz a Bíblia que no fim do 6º yom, no fim de tudo, os Elohim, as forças creadoras resolveram crear o homem. Então, para a teologia somos as últimas creaturas que apareceram aqui na terra. As mais recentes, portanto, porém as mais importantes, porque temos alguma coisa que os outros não têm. Então, os teólogos entendem que no 6º período de creação Deus resolveu crear o homem, separadamente de todo o resto. Entendem que as forças creadoras resolveram fabricar de terra, de barro, um corpo especial, não um corpo animal, mas um corpo diferente, e insuflaram neste boneco de barro o espírito de Deus. Isto é em poucas palavras, a teoria teológica até hoje. Isto não está no Gênesis, mas isto é uma interpretação que os teólogos dão destas palavras.

Se isso fosse verdade, nós nunca poderíamos explicar porque é que o nosso corpo é inteiramente igual ao corpo dos mamíferos superiores, dos primatas, que são os mamíferos mais aperfeiçoados que tem neste planeta terra… Todos os órgãos dos animais superiores estão em nós. Funcionam do mesmo modo. Isto torna muito improvável a explicação dos teólogos de que o nosso corpo não veio dos animais, mas que foi fabricado especialmente para nós. Por que não fizeram os Elohim um corpo muito mais perfeito para insuflar o espírito? Copiaram o corpo animal que, em muitos aspectos, é superior ao corpo humano: há animais com olfato maravilhoso que distingue cheiros a longas distâncias – o olfato humano está atrofiado; o nosso olhar não é tão penetrante como o de uma águia; o nosso ouvido não é tão aperfeiçoado como o de um cão.

Se a intenção dos Elohim era criar um corpo perfeito nos deveriam ter dado outro corpo muito melhor. Esta teoria é muito improvável.

Em segundo lugar, no Apocalipse, que é o último livro da Bíblia, está claramente declarado que o nosso corpo é do animal. Veio o animal do mar, diz o texto do Apocalipse, e foram lhe dados os dons do dragão. No Apocalipse, a serpente sempre é o dragão. O dragão ou a serpente sempre representa a inteligência. Foram nos dados os dons da inteligência ao animal, está lá. No Apocalipse está claramente que era um animal vivo.

E Teilhard de Chardin, o grande cientista do nosso século também diz: “Nós passamos através da biosfera e chegamos até a noosfera e vamos chegar futuramente até a logosfera”. Primeiro vem a hilosfera da matéria, depois vem a biosfera da vida animal e agora estamos na noosfera da inteligência e futuramente chegaremos até a logosfera da razão espiritual. Este é o itinerário evolutivo de um dos grandes cientistas no nosso século, que também era teólogo.

Quer dizer que a teoria teológica não pode ser defendida em pleno século XX, em que nós queremos coisa muito mais séria e não coisa mitológica…  Deus nos deu uma coisa, por enquanto, que nos distingue do animal: é unicamente a inteligência. No resto nós não mudamos nada.

A inteligência é do pescoço para cima, quer dizer, a nossa única coisa diferente do animal é do pescoço para cima; do pescoço para baixo, nós não mudamos nada. O nosso andar ereto, é verdade, começou com a inteligência. Quando nós recebemos inteligência nós não podíamos mais andar horizontalmente como o animal, porque a nossa cabeça é a nossa grande antena. Está ligada à coluna vertebral que também é uma antena. Cérebro e coluna vertebral são as nossas antenas. Toda a nossa consciência passa através da coluna vertebral, onde estão uns feixes de nervos e termina no cérebro. E uma antena tem que estar em posição vertical e não deve estar em posição horizontal, porque horizontal é do animal que funciona entre os dois polos: entre o polo norte e o polo sul onde tem as ondas elétricas, ondas magnéticas, que vão de norte a sul. Mas, nós precisamos mais do que ondas magnéticas – precisamos receber ondas mentais e espirituais. Por isso a nossa cabeça voltou para cima, foi uma necessidade da nossa evolução intelectual.

Vocês sabem que a planta está virada de cabeça para baixo. As raízes da planta são a cabeça da planta. Elas se nutrem pelas raízes. Toda nutrição da planta vem da terra e os órgãos de reprodução da planta são as flores que estão para cima. Quer dizer, a planta é exatamente vertical invertida. Quanto ao animal está com a coluna vertical em linha horizontal porque ele precisa das irradiações da terra. Nós voltamos a cabeça para cima e a coluna vertebral para cima também. Esta, a nossa perfeição.

Mas, pergunta-se: a inteligência nos melhorou, ou não? Bem, nos melhorou intelectualmente, mas não nos melhorou moralmente, nem espiritualmente. Humanamente, não melhorou… Porque pela inteligência nós exploramos nossos semelhantes. A inteligência explora o mais possível a seu favor, os outros. Quer dizer, a inteligência é terrivelmente exploradora. E mais: a inteligência é terrivelmente possessiva. Pela inteligência queremos apoderar-nos de tudo: quanto mais, tanto melhor. A inteligência é exploradora, egoísta e agressiva. Agredimos os semelhantes sem necessidade alguma: o animal só agride porque está com fome, para defesa pessoal ou da ninhada. O homem mata milhares brincando. Na última guerra Hitler matou mais de seis milhões de inocentes – não soldados, mas homens, mulheres, crianças indefesas, só porque eram de outra raça. E na sexualidade, a inteligência não nos piorou? Nenhum animal é tão libidinoso como o homem. Os animais têm o seu período de cio, sexualidade controlada, conforme as necessidades da espécie. Os homens? O homem civilizado vive no cio sexual 360 dias por ano. Ou seja, a inteligência hipertrofiou a sexualidade.

E as doenças? O animal selvagem não tem doenças. O animal doméstico tem, porque já foi contaminado por nós. Pastos, estábulos, gaiolas… são o ambiente natural para o animal? Uma vaca, na natureza, precisa produzir tão somente 5 litros de leite para sustentar seu bezerro – as vacas holandesas têm que dar 30 litros de leite por dia; uma galinha, em ambiente natural, põe 5 ovos por ano – em nossas granjas, por força da ração que lhes impingimos, põem 200 ovos por ano. A nossa inteligência cria os meios para desvirtuar, falsificar a natureza, em benefício de nossa ganância, nosso egoísmo. Ou seja, a nossa inteligência não trouxe benefícios para o universo. Em muitos pontos, a inteligência nos piorou: piorou-nos no sexo, na possessividade, nos piorou na agressividade, nos piorou nas doenças, nas enfermidades. Porque nós só melhoramos da cabeça, do pescoço para cima. Só este pedacinho é melhor do que os animais. O resto ficou tudo pior.

 

Bem, agora vamos a outra teoria. Aliás, nem é uma teoria, é uma hipótese científica. Pseudocientífica, talvez. A hipótese científica diz: “O homem não veio de Deus, nem o seu espírito, nem o seu corpo. O homem veio integralmente do animal. O animal através de milhares e milhões de anos se foi aperfeiçoando – mas no princípio nós éramos simples animais. Nada mais… nada de inteligência. Pouco a pouco, criamos, transformamos o instinto em inteligência muito primitiva. Do tempo dos trogloditas, aí não havia muita diferença entre instinto e inteligência. Pouco a pouco a nossa inteligência foi aperfeiçoando, porque via vantagem de seu aperfeiçoamento. Porque é vantajoso a gente ser inteligente, porque pode derrotar os outros, pode explorar os outros, e quem não tem muita inteligência não tem muita capacidade para exploração e para se apoderar das coisas dos outros. Então, o homem aperfeiçoa a sua inteligência porque viu a necessidade de derrotar seus colegas mais atrasados”.

… o argumento principal contra a teoria darwinista é o seguinte: O darwinismo científico diz: o homem foi causado pelo animal. A ciência não aceita a creação, só a evolução. Então nós aduzimos contra o darwinismo: ele é contra a lógica e contra a matemática. Diz a lógica e a matemática: nenhum efeito pode ser maior que sua causa. Se a causa é 10, o efeito não pode ser maior que 10. E agora? O homem é mais perfeito que o animal, nem tanto pelo seu corpo, mas pela sua inteligência. Os darwinistas admitem que eles são mais inteligentes que os animais. E isto ninguém nega porque nenhum animal conseguiu fazer o que nós temos feito. Se dermos ao animal, pelo seu instinto mais apurado, o grau de perfeição 50, poderemos dar ao homem (o efeito), pela sua inteligência, o grau de perfeição 100, se aceitarmos que a causa (animal) é 50?

Está nos livros escolares que uma potencialidade pequena pode desenvolver uma potencialidade grande depois de longos períodos evolutivos. Quase todo mundo aceitou isto, mas é uma camuflagem. Por quê? Porque nunca uma potencialidade maior está dentro de uma potencialidade menor. O maior nunca cabe no menor. Se vocês têm um recipiente de 1 litro, e ao lado têm uma tonelada que são 1000 litros, eu quero ver de que modo vocês vão pôr a tonelada de água dentro dum litro. Mas, o litro não pode expandir-se para caber 1000 litros… Mas, os darwinistas admitem isto.

“Aí tem um coqueiro de 20 m de altura, qual foi a causa deste coqueiro? Foi um coquinho pequenino assim… Uma causa pequenina produziu um efeito muito maior? Então coloque este coquinho sobre esta mesa e daqui a 100 anos venha ver o tamanho do coqueiro. Não, o coquinho não é a causa do coqueiro. Ele é apenas uma condição, uma espécie de canal. Pense nisto: se você tem um longo canal, mas não tem a fonte, poderá obter água? Se colocar o coquinho na terra úmida depois de algum tempo nascerá o coqueiro. E o que aconteceu? Na terra ele está em contato com as infinitas potências da natureza, que são água e luz. Água e luz são causa de uma planta. A semente é a condição, água e luz a fonte… então aparece o efeito, a planta.

Em toda natureza é assim. É preciso que haja duas coisas. A causa e a condição.

Aplicando isto ao nosso caso: o animal pode ser uma condição, um canal, para o aparecimento do homem. O animal não pode ser a causa, pois no homem há uma coisa que o animal não tem: a inteligência.

 

A ciência só conhece evolução. A filosofia conhece evolução e creação. A única explicação exata que nós podemos dar da origem do homem é afirmar creação e evolução juntas. A teologia não gosta muito da palavra evolução. Termo assim meio materialista…. Então, a teologia insiste na creação. O homem foi creado… E não tem nada de evolução. A ciência não gosta da creação, mas gosta muito da evolução. Eles dizem: “nós somos evolucionistas”. A filosofia tem que fazer uma síntese entre creação e evolução e dizemos: “É evidente que todo o finito veio do infinito, isto ninguém pode negar. O finito não começou com o finito. O finito começou com o infinito. O finito é uma manifestação parcial do infinito. Isto é lógico. Isto é matemático”. O primeiro passo da filosofia é: o início do homem é a creação. Depois de creado o homem continua sua evolução, é uma continuação ascensional.

Juntando creação com evolução nós podemos defender perfeitamente a origem do homem. Todo finito veio do infinito, mas, todos os finitos fluem através de outros finitos. Assim é evidente que o nosso corpo fluiu através de outros corpos orgânicos. Finito para um finito maior. Mas, seja qual for o organismo, seja qual for a creatura, toda creatura finita necessita duma fonte; porque, se eu não tenho fonte e apenas canais, os canais não funcionam. Serão eternamente vazios. Eu preciso tanto duma fonte infinita, como também de canais finitos.

 

OBS.: em negrito e itálico os textos transcritos da apostila de transcrição da aula.

Reiterando: APROVEITO PARA INFORMAR QUE ESTE – E OUTROS CURSOS DE ROHDEN – PODEM SER OBTIDOS COM A SRA. IRIS GOMES, TANTO EM ÁUDIO (MP3), COMO TRANSCRITOS EM APOSTILAS (por inteiro, naturalmente). DOU A SEGUIR O E_MAIL DE CONTATO DA SRA. IRIS, BEM COMO DE SEU BLOG, ONDE PODERÃO APRECIAR MUITOS OUTROS TEXTOS DE ROHDEN:

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