Olá pessoal,

Desculpem ter ficado tanto tempo longe de vocês. É que ando meio doentinho. Mas esta aula de Rohden já estava meio preparada, então não tive como não posta-lá. Aproveitem.

Resumo da Aula 12 do CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden em 14/06/1977.

EVOLUÇÃO INTEGRAL

Todos os finitos têm que vir ultimamente do infinito. Todos os canais têm que fluir ultimamente de uma fonte. Não é evidente? Isto é lógico, é matemático. Se há um canal que tem água, e o canal não produz água, nós perguntamos, donde é que veio a água? A água não veio do encanamento. A água vem através do encanamento. E assim os canais são os finitos e a fonte nós chamamos simplesmente, o infinito.

O grande monista luso-holandês (sec. XVII) Benedito Spinoza diz que, “o infinito é a alma do universo, e os finitos são o corpo do universo. O que nós vemos é só o corpo do universo. Nós podemos imaginar, pensar a alma do universo, mas nós vemos somente o corpo, os finitos. A palavra uni-verso, que é a mais maravilhosa palavra que temos. O uno representa o infinito. O verso representa os finitos. Os dois juntos dão universo. O infinito manifestando-se constantemente em finitos.

 A fonte manifesta-se permanentemente em canais, porque o infinito não creou, mas está creando diariamente, a cada momento, os finitos. Os finitos não foram creados no passado, eles estão sendo creados permanentemente a cada momento.

 No que chamamos finito cabe o mundo mineral, cabe o mundo vegetal, cabe o mundo animal, o mundo hominal e muitos outros mundos finitos. Todos fluíram da fonte do infinito. Isto é lógico.

O finito hominal somos nós, vem do infinito; todos vêm do infinito, atravessa o finito mineral, atravessa o finito vegetal, atravessa o finito animal e vai além de tudo. Assim podemos imaginar razoavelmente, logicamente, matematicamente, a nossa origem. A nossa origem evidentemente vem com todas as outras coisas do infinito, da alma do universo, da vida universal. Alguns chamam o infinito, a vida universal. Nós somos vida individual.

A vida individual só pode vir da vida universal. O corpo do universo, que são os finitos, segundo Spinoza, só pode vir da alma do universo. Mas esta alma não quer dizer uma alma como nós entendemos, isto é apenas uma palavra significando o infinito – podemos chamar o espírito universal, e nós somos os espíritos individuais.

Até determinado ponto da evolução dos finitos não havia homem. Havia sim, potencialidade, mas não havia atualidade. Potencialmente quer dizer em incubação. Quando uma coisa está incubada, mas ainda não eclodiu, isto nós chamamos potência ou potencialidade. Até certo ponto da evolução dos finitos nós estávamos em pura potencialidade, dentro de outros organismos, já anteriores a nós, talvez dentro do mundo mineral, do mundo vegetal e do mundo animal. E aqui começou a nossa eclosão.

Eclodir quer dizer, sair da casca. Como um pintinho, incubado na casca do ovo: o pintinho já existe, mas ele não eclodiu. Quando, depois de 21 dias, a casca se rompe e o pintinho sai da casca, então ele não começou a existir, propriamente. Ele começou a existir no momento da fecundação do ovo, que foi muito antes. A fecundação seria a saída do infinito. E então a nossa eclosão se deu quando nós nos separamos do mundo animal. Isto é, nós em parte, não quanto ao corpo. Quanto ao nosso corpo nós não nos separamos nunca do mundo animal. O nosso corpo continua a ser igual ao corpo dos mamíferos superiores[1].

Mas em determinado momento aconteceu que a nossa humanidade, a nossa hominalidade, o nosso ser hominal que já estava contido nos seres anteriores, eclodiu. E é aí que começa o Gênesis. Moisés começa falando da creação do homem, do sopro divino que foi insuflado no rosto de Adão (do homem) – o momento da Eclosão. Começamos a ser, separadamente, homens. O mundo animal continua como antes, não eclodiu em hominalidade.

Falando deste momento, da eclosão do homem, isto não é uma creação no sentido em que os teólogos entendem. Os teólogos entendem que a totalidade da nossa natureza humana começou aí, corpo e alma. A alma já estava contida, incubada potencialmente, nisto que está entre o infinito e todos estes finitos. Mas a creação é a eclosão. Aquilo que estava incubado em nós desde milhões e milhões de anos provavelmente eclodiu. Porque isto estava previsto pelo próprio infinito; que depois de tantos e tantos milhões de anos, eclodisse um ser superior aos outros seres que continuaram na horizontal.

Assim podemos imaginar a origem do homem, em forma de eclosão e uma potencialidade já existente e que tudo veio em última análise do infinito. Não só o homem veio do infinito, também os animais, as plantas, os minerais também vieram do infinito. Porque não se pode imaginar um canal com água sem que haja uma nascente para além do canal da água. Isto é lógico. Então nós estamos tratando do homem daqui em diante. O homem hominal, não mais o homem animal, nem homem vegetal, nem homem mineral, mas o homem hominal – daqui por diante. Mas, a animalidade continua aqui.

Bem, agora vou dizer o seguinte: nós temos 5 livros atribuídos a Moisés: o Pentateuco –  Gênesis, Êxodo, Números, Levítico e Deuteronômio. Neles vocês encontrão, a cada momento, preceitos e proibições sobre alimentos. Moisés estava terrivelmente interessado na forma como o homem deveria se alimentar para ter um corpo perfeito e uma mente perfeita; porque a nossa mente também depende muito do corpo. Mens sans in corpore sano – a mente sã num corpo são – seria o ideal da humanidade.

O homem devia ser perfeitamente são na mente e no corpo. Em tudo. Por esta razão os livros de Moisés estão cheio de prescrições… O que é que a gente deve comer, e o que não se deve comer. Certas coisas são absolutamente proibidas por Moisés. Carne de porco para ele era veneno; não se deve misturar certas comidas porque Moisés sabia muito bem o que os antigos chineses chamam, yang e yin. Quer dizer, comidas positivas e comidas negativas. E a mistura exata destas duas dá o perfeito equilíbrio no corpo.

Tudo isto sabiam os antigos por intuição. Mas, Moisés foi muito mais longe. Ele estava interessado na nossa saúde e sanidade, a nossa saúde corporal e a nossa sanidade mental e até a nossa santidade espiritual…(são os 3 esses: saúde, sanidade e santidade: a saúde é do corpo, a sanidade é da mente e a santidade é do espírito). Moisés insiste em que haja saúde, sanidade e santidade em qualquer homem – porque isto estava dentro dele. Ele nunca esteve doente, era um homem terrivelmente inteligente e um homem altamente espiritual. Então, ele tinha saúde, sanidade e santidade, em alto grau. E ele não quer isto só para si. Ele acha que toda humanidade pode ter perfeita saúde, perfeita sanidade mental e perfeita santidade espiritual. E isto começa antes do nascimento. Moisés entende que a coisa começa com os pais, com os progenitores, a saúde, a sanidade e a santidade.

Os progenitores – pai e mãe – já devem dar início a estes 3 esses, para seus filhos. Isto nós chamamos hoje em dia, eugenia. Quer dizer, vida perfeita. Eu em grego quer dizer bom. Genia vem de gens – quer dizer, uma geração perfeita. Eugenia – geração perfeita. Moisés está terrivelmente interessado em Eugenia. Não se compreende os livros dele sem esta base.

Não só desde o nascimento, que é 9 meses depois, mas, desde a concepção, os pais já devem tratar da eugenia, física, mental e espiritual dos seus filhos. Isto está através de todos os livros de Moisés. E como é que os genitores vão tratar da eugenia tríplice, do seu futuro filho? Moisés sabia perfeitamente o seguinte: Nós temos um corpo animal. Mas acima do corpo animal nós temos o sopro divino, como está no Gênesis. O sopro divino ele chama o nosso espírito, a nossa alma. O que nos distingue dos animais é precisamente o nosso sopro divino.

E a nossa verdadeira essência humana é o nosso sopro divino. Nós somos o espírito, para ele, e nós temos um corpo. Moisés nunca pensou que nós fôssemos o corpo. O animal é o corpo, mas nós não somos o corpo. Porque o mais alto é aquilo que nós somos e o mais baixo é aquilo que nós temos. Nós somos homens e temos um corpo animal. O Espírito deve mandar sobre o corpo. O superior deve dar ordens e o inferior deve receber ordens. Isto é a pura lógica e matemática de Moisés.

Então, quando começou a aparecer o homem, ele põe na boca das forças creadoras do universo – que ele chama os Elohim (Spinoza diria “a alma do universo”) – certas ordens dadas ao homem: “Não vos identifiqueis com esta linha do animal; identificai-vos com a linha hominal. Esta linha já é muito antiga, mas é muito baixa. Vós sois uma linha superior”.

Então ele inventa certos nomes: ele chama “a árvore do conhecimento do bem e do mal” toda a evolução animal: “não comais do fruto do conhecimento do bem e do mal, porque do contrário, sereis mortais”. Porque o corpo do animal é mortal, não existe corpo animal imortal. Vós não deveis comer do fruto do conhecimento do bem e do mal, para não seres mortais, vós deveis comer do fruto da árvore da vida”. A árvore da vida... é guardada pelos Querubins.  A árvore do conhecimento do bem e do mal é guardada pela serpente.

Os Querubins na tradição antiga são os anjos da imortalidade. E a árvore do conhecimento do bem e do mal é apenas o corpo mortal, guardado pela serpente. Serpente é o símbolo da inteligência como já expliquei em diversas aulas. É comum o uso do símbolo da inteligência como serpente. Quando a Bíblia fala em serpente, refere-se à inteligência: “Sede inteligentes como a serpente”, diz Jesus aos apóstolos: “Mas sede também simples como as pombas”. “Assim como Moisés ergueu às alturas a serpente, assim deve também o filho do homem ser erguido às alturas”. Sempre serpente.

As nossas farmácias e drogarias também usam o símbolo da serpente: diante das nossas drogarias está uma serpente, olhando para um cálice cheio de um líquido rubro… O sangue humano. Com isto querem dizer: “Nós, nestas drogarias e farmácias, a nossa inteligência, vos vendemos os medicamentos para conservardes a vida e a saúde.” Isto está simbolizado nas farmácias. Quer dizer, todo mundo usa a serpente como a inteligência.

Moisés também usou a serpente como a inteligência. Sendo que o homem já era um animal intelectualizado, além disto, era um homem espiritualizado (o espírito é mais alto que a inteligência) ele diz: “Não vos guieis pela serpente da inteligência, mas, guiai-vos pelo sopro divino do espírito.” Esta ordem está lá no Gênesis. Então, o sopro divino do espírito era tipicamente humano e a orientação da serpente, ainda mesmo quanto a um  corpo intelectualizado, ainda se referia ao animal. E ele diz: “Se vos multiplicardes(ele mandou que se multiplicasse, não proibiu nunca que houvesse procriação, porque senão nós não existiríamos) – ele mandou: “multiplicai-vos, mas antes de vos multiplicar, crescei”. Multiplicar é aqui, no plano do corpo, porque são os corpos que se multiplicam, mas o crescei... “antes de multiplicardes, crescei rumo à vossa humanidade, tende uma consciência de que vós sois seres humanos, e não simplesmente seres animais”.

O crescer não se refere ao corpo no Gênesis, refere-se ao espírito. Crescei espiritualmente e depois multiplicai fisicamente, mas não vos multipliqueis fisicamente sem primeiro crescerdes espiritualmente. Não precisavam crescer fisicamente – Adão e Eva -, pois eles não eram crianças, estavam em plena puberdade, em plena idade de reprodução. Então, o crescer não se refere ao corpo. O crescer se refere à natureza humana e não à natureza animal. Porque o corpo é animal, mas o espírito não é animal. Então, crescei espiritualmente e depois de crescerdes, multiplicai-vos. Isto é que está lá. Muito razoável… Porque Moisés não quer que eles continuem no plano da animalidade, mas como eram seres diferentes, superiores ao animal, também deveriam agir de acordo com a sua nova natureza. O nosso agir deve combinar com o nosso ser. Se eu sou animal, eu ajo como animal, mas, se eu sou humano, eu ajo humanamente. O agir deve seguir ao ser, diz a filosofia: Agere sequitur esset.

Quer dizer, mesmo na reprodução e mesmo na fecundação, o homem já devia agir diferentemente do animal. De que modo? O animal só pode agir pelo instinto – pelo instinto automático, cego da libido animal, que é necessário para que haja procriação. Todo animal é dotado de um prazer libidinoso; porque sem este prazer ele não ia se multiplicar. O prazer sempre está a serviço do dever. O dever é a multiplicação, mas o dever não vai acontecer se não houver uma isca gostosa. O prazer é uma isca, e o dever é uma obrigação. Então para os animais, o único dever é a multiplicação, e o prazer que precede o dever é aquilo que Freud chama a libido.

Moisés é um grande evolucionista e quer que o homem, sendo já de uma categoria superior ao animal, use também o motivo superior ao motivo do animal. Que não faça união sexual simplesmente inspirado pela libido animal. Inspirado por quê? Por um amor humano, que corresponde à natureza humana. O animal não pode ter amor. O animal só pode ter instinto erótico, instinto libidinoso. Não é culpa do animal; o animal não é culpado, porque faz isto. E quem não pode, não deve, mas, quem pode, deve e se o homem pode procriar-se por outro motivo que não seja libido, ele deve fazer isto, e não faz, cria débito, e todo débito gera sofrimento. Já repeti muitas vezes estas palavras importantíssimas.

Então a ordem dos Elohim é: “Multiplicai-vos, mas não façais a vossa procriação como o animal faz, porque vós não sois mais animais. Vós tendes um corpo como o animal, mas vós tendes um espírito humano. O motivo do espírito é amor, e o motivo do corpo é simples libido”. Aí se vê todo espírito de eugenia de evolução de Moisés. “Sois seres superiores e não deveis agir como seres inferiores”.

Moisés não proibiu a procriação. Proibiu que o homem se procriasse pelo mesmo motivo pelo qual o animal se procria. E o animal só conhece libido física (masculino e feminino) e o homem já pode ter outros motivos de procriação. Já pode ter amor humano. Naturalmente este amor humano não precisa estar isolado da libido porque isto provavelmente nunca vai acontecer. Mas pode haver um misto, por exemplo: pode ser uma mistura, pode ter 80% de libido em vez de 100% e então, aqui já tem 20% de amor. E pode progredir na evolução. E quando chegar à plenitude da sua evolução, então haveria zero de libido e 100% de amor. Esta é a história da evolução humana. Moisés está terrivelmente interessado na evolução do homem integral, do homem corporal, do homem mental e do homem espiritual.

No dramático episódio conhecido como “queda do homem”[2] Adão e Eva são levados a uma união de 100% de libido, daí nascendo Caim. A Bíblia diz claramente quem foi Caim – foi o primeiro assassino da humanidade. Caim assassinou seu irmão Abel, por motivos fúteis. Eles tinham feito dois sacrifícios a Deus – faziam sacrifícios em forma de holocaustos; queimavam corpos de animais para oferecer a Deus, como era costume da época. E a fumaça do sacrifício de Caim desceu pela terra, mas a fumaça do sacrifício de Abel subiu para o céu. Caim enraivecido porque Deus não aceitou o sacrifício dele e aceitou o sacrifício de Abel, pegou um pau e quebrou a cabeça de seu irmão. Quer dizer que já era um homem de maus instintos. Porque um homem que se irrita com tal coisa já devia ter um subconsciente muito negativo. Quer dizer, a primeira prole que nasceu desta primeira união sexual entre o primeiro casal, foi um homem animal. O homem mau não só porque matou, mas porque já tinha inveja, que já é sinal de maldade.

Quer dizer, Moisés quer mostrar que quando se faz união sexual só por um imperativo de libido, como animal, isto é uma adulteração da natureza humana. E a prole que daí nasce não pode sair coisa boa. Isto pelo menos é o que fica aí demonstrado: o primeiro filho do primeiro casal já foi um assassino. Mas o homem devia ser imagem e semelhança de Deus. E onde é que está isto em Caim? Não tem nenhuma centelha de imagem e semelhança de Deus. Quer dizer, aqui já tem falta de eugenia, falta de normalidade humana, falta de saúde física, provavelmente falta de saúde mental, saúde emocional e espiritual. Com isto Moisés mostra a falta de eugenia, a falta de saúde, de um ser humano – que não é concebido corretamente, já por culpa de seus pais. Aqui não há propriamente culpa de Caim, em primeiro lugar. Ao nascer ele já era tarado. Já estava com vibrações negativas, animalescas no sangue. E depois se desenvolveu esta animalidade nascente numa animalidade adulta até ele chegar a ser assassino. Fratricida! A conversa de Eva com a serpente mostra a vitória da animalidade sobre a hominalidade.

 

Reiterando: APROVEITO PARA INFORMAR QUE ESTE – E OUTROS CURSOS DE ROHDEN – PODEM SER OBTIDOS COM A SRA. IRIS GOMES, TANTO EM ÁUDIO (MP3), COMO TRANSCRITOS EM APOSTILAS (por inteiro, naturalmente). DOU A SEGUIR O E_MAIL DE CONTATO DA SRA. IRIS, BEM COMO DE SEU BLOG, ONDE PODERÃO APRECIAR MUITOS OUTROS TEXTOS DE ROHDEN:

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I Sobre o assunto veja a aula 10

[2] Que será objeto de outra lição, inclusive quanto ao papel da mulher e sua magnífica reabilitação.