Bom dia!

Bom dia, Pai.

Vamos tomar juntos o café da manhã?

Temos pendentes tantos assuntos!

(O pão está fresquinho,

o café bem quente).

Ainda que só um minutinho,

nós precisamos conversar:

o mundo desandou de tal jeito,

que nada mais parece ter efeito.

Nem ciência, nem teoria,

nem fórmula, nem maestria

conseguem colaborar.

Cada qual briga pelo seu bocado

sem nenhuma decência, sem qualquer restrição.

Perdeu-se nas cinzas o espírito cristão.

Por isso, a minha ideia

(por favor, passe a geleia)

de recorrer a uma ajuda;

sem você, a situação não muda.

A ambição vem engolindo a Terra;

a sociedade, cada vez mais dissoluta.

E fique atento, pois andam procurando uma fé substituta.

Os governantes estão cegos;

que tal devolver-lhes a visão?

Carregam pregos nas mãos, crucificam o povo.

Não quero que Você morra de novo!

Meus Jesus, multiplique o pão.

Perdoe esse bate-papo,

(à sua frente tem um guardanapo)

é que estou aflita!

Que bom receber Sua visita logo de manhã

Devo Lhe contar um segredo:

quero sair de casa, mas tenho medo,

preciso segurar a Sua mão.

Ainda falta agradecer tanta graça!

O girassol que nasce na calçada,

o rosa amarelo da alvorada,

o pedaço de céu que pinga na vidraça,

na gota de orvalho que cai.

Daqui pra frente, eu sigo meu caminho

e Lhe entrego todo meu afeto.

Você é mesmo meu amigo predileto!

Bom dia, Pai.

Flora Figueiredo

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