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Resumo da 15ª aula (segunda parte) do CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden em 16/08/1977.

 

Jesus, um dos maiores representantes da nova humanidade… Ele falava a um doente e o doente não estava mais doente. Ele falava até a um morto de três ou quatro dias, e a vida voltava para o morto. Ele curava a qualquer distância porque para a essência divina não há distâncias. A distância é para a existência, Mas a distância não é para a essência.

Isto é um tipo avançado da humanidade, em indivíduos, mas não nas massas. A massa nunca será da nova humanidade.

Eu não sou tão otimista que possa acreditar que dentro de mil anos, 2.000 ou de 10.000 anos os analfabetos espirituais de hoje, embora doutores em letras, sejam capazes de enxergar Deus em tudo. Não é fácil. Isto supõe uma evolução de milhões e milhões de anos. E talvez uma evolução apenas parcial. Não uma evolução total da humanidade. A massa não passa por evolução rápida. O indivíduo às vezes passa por uma evolução rápida, mas as grandes massas… – milhões e milhões vão com passos mínimos em espaços máximos. A evolução progride um milímetro em mil anos. Nem tanto, às vezes até atrasa e em vez de evolução sofremos uma estagnação, parando – ou uma involução, regredindo.

É possível uma evolução para cima. Apenas uns poucos corajosos estão na evolução, porque a subida é a única coisa difícil.

É possível uma involução para baixo e muitos estão na involução, isto é, em piores situações. Deixar-se cair não é difícil; a gente cai por si mesmo, sem nenhum esforço.

Ou uma estagnação – no meio. O grosso da humanidade está na estagnação. É o “deixa como está para ver como fica”, é não fazer nada.

Em resumo, há poucos que fazem evolução; há muitos que vivem na estagnação; e há muitíssimos que vivem na involução. E o grosso da humanidade é isto.

É difícil encontrar uma pessoa que goste das coisas difíceis. Milhões gostam das coisas fáceis. Um ou dois têm a coragem de fazer as coisas difíceis. O fácil é para os covardes. O difícil é para os heróis. Mas será que há muitos heróis por ai?

Quantas vezes eu ouço dizer: “Ah! Mas isto é muito difícil, fazer meditação de meia hora cada dia e entrar na cosmo-consciência, sair da egoconsciência. Isto é muito difícil”. Ou como diz o nosso caipira: “isto puxa muito pela ideia”.

Nós gostamos do fácil e não gostamos do difícil, por isso não saímos da horizontal e não subimos para a vertical, nem sequer para a ascensional. Subir da horizontal para a vertical são 90 graus – segundo a geometria. Para se chegar do ponto zero, que está na  horizontal, para o ponto 90, é necessário se passar por muitos pontos intermediários: 10º,  20º…45º – isto é ascensional – até 90º, que já está na vertical.

Mas enquanto eu não estou na vertical, a prumo, portanto, eu não estou seguro. Enquanto eu estou na ascensional, eu posso recair para horizontal. Quando eu estou na vertical, acabou o perigo da recaída. Porque todo engenheiro sabe, se coloco um poste na vertical, não há perigo de cair, mas se o poste, ou o edifício, está meio inclinado – se não está bem a prumo, bem na vertical – ele vai cair pouco a pouco, vira torre de Pisa.

Então, quando o indivíduo subiu todos os degraus, já está bem na vertical – é o que  chamamos “iniciação” e enquanto alguém não chegou à iniciação, ele está sempre em perigo de recair. Sem esforço ele recai, com esforço ele sobe. É evidente! É pura geometria.

Quando alguém chega à iniciação, então vê a essência divina, a essência infinita, em todas as existências finitas. Ou, em linguagem comum, ele vê Deus em todas as creaturas. Nós usamos esta linguagem de teologia. Dizemos: “ele vê o infinito em todos os finitos”. O infinito está presente em todos os finitos e todos os finitos estão dentro do infinito. Isto é absolutamente certo. Isto é um fato, é uma realidade, mas isto não é a nossa experiência. A nossa experiência é muito vagarosa. A realidade já existe. A presença de Deus é um fato certo em todas as creaturas, mas até eu enxergar a presença de Deus em todas as creaturas, quanto tempo eu levo?

Paramahansa Yogananda (ele era um grande iniciado), no livro “Autobiografia de um yogue”, diz: “muitos me perguntam quanto tempo eu levo para chegar à consciência cósmica, ou para intuição cósmica – será que vou alcançar isto em 50 anos, em 100 anos, em 200 anos ou em 1000 anos?” E ele respondia: “isto não é questão de tempo, é questão de intensidade e não de tempo”. Porque o homem comum pensa que ele tem que levar tanto tempo e tantas reencarnações para alcançar isto. Mas os iniciados sabem que não depende de tempo. Não depende de 1 século, nem de 2 séculos, nem de 1 milênio. Depende de quê? Do esforço de consciência.

Intensificar a consciência pode levar muito mais do que mil anos. Daqui a mil anos, ou um milhão de anos, quem não intensifica a consciência não está iniciado. Mas, ele pode estar iniciado hoje, amanhã ou daqui a uma semana, se ele intensificar a sua consciência.

Paramahansa Yogananda diz: “nós podemos fazer em 20 anos aqui na terra o que outros não fazem em 20 séculos”.

Nós podemos fazer … mas depende da intensidade da consciência. Logo, não é questão de extensidade. É questão de intensidade. Extensidade é tempo – uma enorme extensão de séculos ou de milênios. Com o extenso nós não podemos alcançar nada. Com o intenso nós podemos abreviar a nossa evolução por milhares e milhões de anos. É questão de intensidade.

Que quer dizer intensidade? Chegar até o ponto central da sua própria consciência. Porque geralmente andamos na periferia da nossa consciência. E é difícil entrar para o centro. E custa um esforço muito grande – uma meditação prolongada e intensa para chegar até o centro do ser.

No centro do meu ser eu me encontro com a essência divina. Na periferia do meu ser eu só me encontro com as minhas existências humanas, cheias de misérias, cheias de doenças, de maldades … Está tudo na periferia. Se eu chegar até o centro, eu não saberia nada destas maldades, nem desses males, porque na essência não há maldades e não há males. Não há doença, também não há morte. Tudo isto: doenças, maldades, morte, são da periferia, são da existência finita.

As existências finitas podem ser más, podem ser doentes, podem ser infelizes. Podem sofrer morte. Tudo isto é da existência.

Agora, quando alguém chega em contato com a sua própria essência, que está em cada um de nós, adeus. Adeus a tudo isto que me atormentava na existência. E o interessante é que a própria existência muitas vezes melhora com a consciência da essência.

Por que é que Jesus nunca esteve doente? Porque a existência humana dele estava permeada pela consciência da essência divina. E quando alguém está plenamente permeado, completamente permeado pela luz da essência divina, como um cristal é permeado pela luz, então acabou tudo isto.

Por isto ele nunca precisou de médico e nunca esteve doente – porque a existência humana de Jesus estava permeada pela consciência da essência divina do seu Cristo.

Com Moisés aconteceu uma coisa parecida Creio que Moisés foi o maior iniciado antes de Jesus: viveu 1500 anos antes de Jesus, no Egito e na Arábia. Nunca se fala numa doença de Moisés. Ele viveu 120 anos. E a Bíblia diz que quando tinha 80 anos estava em plena juventude. Como é que está em plena juventude com 80 anos?

Depois, antes de contar o fim de Moisés diz: e Moisés, quando tinha 120 anos estava ainda em plena juventude – e não morreu. Transformou o seu corpo material num corpo astral. E o corpo astral se vai embora, não se vê. Isto é sinal de grande iniciação e de grande consciência cósmica.

Mas isto supõe intensidade, intensificação da consciência.

Nós temos uma consciência extensa pelos sentidos e pela inteligência, mas não temos uma consciência intensificada pelo espírito. Se conseguíssemos intensificar a nossa consciência, a nossa essência divina – porque a consciência é a essência divina em nós – então, nós veríamos o mundo com outros olhos. Teríamos mais medo de ser maus do que de sofrer o mal. Hoje em dia todo mundo tem medo de sofrer males mas não tem muito medo de ser mau.

Uma vez encontrei um homem que parecia já estar iniciado. Ele me contou: “Olhe,esta noite eu fui roubado, um ladrão arrombou a minha porta e roubou tudo que eu tinha em casa,mas quem saiu pior foi ele”. Indaguei: “Por que ele saiu pior?” Respondeu: “Porque ele roubou, eu só fui roubado”.

Quem pode falar assim já deve estar perto da iniciação. “Ele roubou e eu só fui roubado.” Roubar é ser mau. Ser roubado é apenas sofrer o mal.

Ser mau é muito pior do que sofrer o mal – para quem tem intuição cósmica, não para os outros. Para o homem comum sofrer o mal é muito pior do que ser mau. Isto é muito atraso e muito analfabetismo espiritual, é claro.

Quer dizer, nós estamos sempre num jogo de duas coisas: essência e existência – a realidade invisível e as facticidades visíveis. O infinito invisível e os finitos visíveis. O absoluto eterno e os relativos temporários. Depende o que vai prevalecer. Vai prevalecer o finito ou infinito em nós.

Mas quem enxerga o infinito dentro de todos os finitos já está bem avançado. Não precisa ser dentro de si mesmo. Também pode ser dentro de outros. Quem enxerga o infinito dentro de qualquer creatura, dentro de uma pedra, dentro de uma planta, dentro dum animal e dentro de seus companheiros já está com uma visão cósmica. Já ultrapassou a miopia da egoconsciência e entrou na visão larga da cosmoconsciência.

Isto depende do nosso livre arbítrio. Isto não nos vai acontecer. Isto nós temos que fazer. Outras coisas nos acontecem sem nosso merecimento, nem nossa culpa. Mas ninguém pode ser iniciado por alguém.

Não acredite nestas histórias de iniciação que andam por aí: “Fulano iniciou sicrano”. Bobagem! Ninguém pode iniciar alguém. Ninguém me pode iniciar, e eu não posso iniciar ninguém.

Eu me posso auto-iniciar e cada um pode se auto-iniciar. Isto está certo. Só existe autoiniciação. Não existe alo-iniciação.

O guru pode mostrar o caminho para o outro. Isto pode. E deve até.

O mestre que pensa que pode iniciar alguém é um contrabandista. Nenhum mestre pode iniciar alguém. O mestre pode mostrar o caminho para alguém se auto-iniciar.

Jesus mostrou o caminho aos seus discípulos. Mas não iniciou ninguém. É fantástico: no Evangelho nunca lemos que Jesus tenha iniciado um só dos seus discípulos. Nunca. Ele mostrou o caminho do reino de Deus. “Vai por este caminho e te iniciarás”. E eles se iniciaram no dia do Pentecostes, quando veio o Espírito Santo sobre eles. 120 pessoas, diz Lucas nos atos dos apóstolos, naquela manhã de domingo foram auto-iniciadas.

Não havia nenhum guru por ali, mas 120 pessoas, homens e mulheres, foram auto-iniciadas no Cenáculo de Jerusalém, no dia de Pentecostes. Por quê? Porque durante três anos tinham andado com o maior dos mestres e tinham ouvido e observado o que ele dizia para se iniciarem. Percorreram o caminho mostrado por Jesus – e se auto-iniciaram. Isto se pode fazer.

Outros podem nos mostrar o caminho, mas outros não nos podem iniciar.

A minha consciência me inicia se eu a intensificar bastante.