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Primeira parte da décima sétima aula do CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden, em 30/08/1977.

 

SABOTAGEM LUCIFÉRICA

Considero Moisés e Jesus como os maiores homens da história. Moisés no Antigo Testamento e Jesus no Novo. Dois homens que deixaram grandes mensagens, mas todas elas completamente deturpadas por nós: O Evangelho e o Gênesis. Completamente deturpadas! O que nós fazemos do Gênesis é uma vergonha. O que nós fazemos do Evangelho é outra vergonha. Então, vamos retificar um pouco os erros que estamos comete

Todo o mundo sabe que Jesus deixou a maior mensagem da humanidade. Ele não escreveu, mas alguns discípulos escreveram, e nós sabemos pelos Evangelhos o que Jesus disse. O que é que nós fizemos dos Evangelhos? E o que é que nós fizemos do Gênesis? Dois livros magníficos, mas completamente deturpados. Por isto eu estou tentando aqui retificar pelo menos o que se ensina sobre Gênesis. Quanto aos Evangelhos já tratei de retificar também, anteriormente.

É uma verdadeira temeridade da minha parte, talvez uma presunção, querer retificar as coisas sobre o Gênesis, depois de 2000 anos de deturpação – mas eu tenho que fazer isto.

 

Interpretações infantis do Gênesis

Uma vez um doutor da lei perguntou a Jesus: “Mestre, qual é o maior mandamento da lei”, isto é, “qual é a coisa mais importante da vida humana?” O doutor da lei naquele tempo não era advogado, era um teólogo da Sinagoga. Era chamado doutor da lei de Moisés.

O que é que nós teríamos respondido? Uns teriam respondido: “a coisa mais importante da vida humana é confissão, comunhão e missa”. Outros: “a coisa mais importante da vida humana é ler a Bíblia e crer na redenção pelo sangue” ou a coisa mais importante na vida humana é fazer caridade e crer na reencarnação”.

Mas, Jesus não respondeu isto. Respondeu coisa muito diferente.

Se perguntado, Moisés também diria coisa completamente diferente do Gênesis, em relação aquilo que falamos hoje. Por exemplo: o que entendemos sobre o sentido do Gênesis? Duas opiniões:

1) O Gênesis é uma fábula mitológica. Havia uma maçã muito bonita no Paraíso e Deus disse: “Olhe, esta maçã é minha, vocês façam o favor de não comer”. E, contudo eles comeram e então foi amaldiçoada toda humanidade por causa disto. Deus foi tão rigoroso por causa duma maçã que havia reservado para si que lançou três maldições terríveis, que ainda nos afligem. Esta é uma interpretação do Gênesis, a mais ridícula de todas, uma mitologia infantil que continuamos a repetir.

2) Outra interpretação: o primeiro casal tinha ordem de não se acasalar, mas eles se acasalaram, e Deus disse: “Maldição sobre vocês”. Por isto Adão e Eva e todos os seus filhos, que somos nós, entram no mundo escravos de Satanás – filhos do Diabo. Somente quando recebem na cabeça um copo de água, então se tornam filhos de Deus.

Imaginem, que absurdidade! Nós entramos todos no mundo como filhos do Diabo. No ritual do batismo está: “sai desta criança, Satanás e dá lugar ao Cristo”. E por que o Satanás está dentro da criança? É porque um casal, ele se chamava Adão e ela Eva, há muitos milhares de anos, lá do outro lado do mar, tiveram ordem de Deus de não se acasalar – mas se acasalaram – e Deus disse: “Agora se acabou a minha paciência, malditos sejam vocês dois e todos os seus descendentes”.

Deus tinha dito, “multiplicai-vos” – mas, depois se arrependeu, parece. E viram que deram o primeiro passo para se multiplicar, acasalaram e Deus disse: “Não, não, isto é porcaria, vamos acabar com isto”. E lançou a maldição.

Isto nós ensinamos até hoje. Vocês têm alguma outra interpretação? Eu não conheço outra, nem no catecismo, nem na escola dominical.

Nós podemos aceitar em plena era atômica, no fim do século XX, estas infantilidades, estas coisas ridículas! Se Moisés soubesse o que nós estamos dizendo, se revoltaria contra todos nós. Jesus também se revoltaria contra nós, se ele soubesse o que nós estamos fazendo do Evangelho.

 

As três maldições

O Gênesis afirma de fato que as forças creadoras, os Elohim, como está lá, lançaram três maldições, mas, não por causa destas infantilidades. Não por causa duma maçã, e não por causa dum casamento ou acasalamento. Não havia casamento, mas havia acasalamento, naquele tempo. Hoje em dia há os dois – há acasalamento sem casamentos. Mas, naquele tempo não tinha casamentos legais. Havia acasalamento que é da natureza humana e de todos os animais também.

Então vieram três maldições terríveis. Vou citá-las. Estão lá no Gênesis. Três maldições terríveis, de uma insólita veemência. A maldição à serpente, a maldição à mulher e a maldição ao homem. A primeira maldição é em relação à serpente porque ela começou toda a história. A segunda maldição é à mulher, porque ela recebeu a mensagem da serpente. E a terceira maldição é sobre o homem, porque atendeu à mensagem da mulher. Assim está na ordem do Gênesis: serpente, mulher, homem.

A maldição à serpente é a seguinte: Os Elohim disseram, (quer dizer Deus, que Moisés chama ‘as forças creadoras’), Os Elohim disseram à serpente, ‘porque tu fizeste isto maldita sejas entre todo o animal da terra. Sobre o teu peito e sobre o teu ventre rastejarás e comerás do pó da terra a vida inteira’. Uma maldição terrível lançada a alguém que se chamava serpente, mas não a uma cobra. A cobra naturalmente não podia ser maldita. Não se tratava de nenhuma cobra, nós vamos ver isto depois. Mas a maldição é esta: “Maldita serás entre todos os seres vivos da terra e rastejarás sobre o teu peito e sobre o teu ventre, e comerás do pó da terra a vida inteira”.

A maldição lançada à mulher foi a seguinte: “Em dores darás a luz a teus filhos e terás muitos incômodos com a gravidez. Serás dominada pelo homem e apesar disto tens desejos dele”. Está lá, a maldição à mulher.

A maldição lançada ao homem é a seguinte: “porque atendeste a voz de tua mulher (porque ele não falou diretamente com a serpente, ele só ouviu através da mulher) maldita seja a terra por tua causa. Se a cultivares, só te produzirás espinhos e abrolhos, e comerás o teu pão no suor do teu rosto, até que voltes à terra, porque tu és pó e em pó te hás de tornar”.

Vocês podem imaginar maldições mais terríveis do que estas? Estão lá no Gênesis, e Moisés afirma que a maldição foi dada por Deus, à serpente, à mulher e ao homem.

Ninguém compreende a veemência destas maldições sobre aquele casal e sobre toda a humanidade.

Acabou com toda humanidade. Por quê? Não por causa de uma maçã, não por causa de um acasalamento. Isto é bobagem. Por causa de coisa muito séria.

Se tivessem comido uma maçã teriam sido amaldiçoado deste modo? Não, não é por causa de uma maçã.

E não é em razão de um ato sexual. Ele tinha mandado: “multiplicai-vos”. De que modo haviam de multiplicar-se? Não há nenhum outro modo de multiplicar até hoje, a não ser pelo sexo. Fizeram isto e acabou-se a história. O que eles fizeram? Deve ter sido uma coisa muito grave, muitíssimo grave, para merecer maldições desse teor tão terríveis. Havia outra coisa, coisa muito diferente e é sobre esta coisa diferente que nós nunca ouvimos nas igrejas. Eu nunca ouvi isto em nenhuma igreja, seja católica romana, ortodoxa, grega, nem igreja evangélica, nem sequer no espiritismo. Nunca ouvi uma explicação razoável sobre isto.

Por que não? Em 2000 anos? O que aconteceu? Deve ter acontecido uma coisa horrível para virem estas três maldições. Maldição sobre a serpente – que representa a inteligência, porque a inteligência sempre é representada pela serpente. Maldição à inteligência, maldição à mulher e maldição ao homem. E a terra inteira está maldita por causa daquilo que o homem fez. O que é que ele fez? Vamos ver se descobrimos o segredo.

Trata-se, na realidade, de uma sabotagem. Duma sabotagem luciférica que envolve toda a humanidade presente e futura. Uma sabotagem, quer dizer, uma adulteração das ordens de Deus, pela inteligência. É disto que se trata. E por isto é tão grave a situação. A inteligência luciférica inventou uma sabotagem, uma frustração, uma adulteração de toda obra de Deus quanto ao homem.

O homem foi creado no fim do sexto período da creação. Quando já todo o resto do mundo estava pronto, o Gênesis diz: e no fim do sexto período, (não ‘do dia’ – mas ‘período’ de milhões de anos) os Elohim disseram: ‘agora façamos o homem, segundo a nossa imagem e semelhança.’ Isto era o plano de Deus, que o homem fosse feito segundo a imagem e semelhança de Deus.


O saboteador

E agora vem a sabotagem da inteligência. A inteligência serpentina, a serpente intelectual se revolta contra esta mensagem de Deus. O homem deve ser feito segundo a imagem e semelhança de Deus, mas, eu, disse a inteligência, vou frustrar esta obra. O homem não vai ser imagem e semelhança de Deus.

Esta é a sabotagem da inteligência, que é representada pela serpente. A inteligência de quem? A inteligência de Eva? Não. A inteligência de Adão? Não. A inteligência cósmica. A inteligência astral.

Porque vocês devem saber, a inteligência existe em forma transcendente e também existe em forma imanente, assim como o espírito. O espírito também existe em forma transcendente e também existe em forma imanente. Cada um de nós tem espírito. A alma é o espírito. Mas, também existe espírito fora de nós. O que existe fora de nós se chama transcendente, além. O que existe dentro de nós se chama imanente.

Quer dizer, assim como o espírito de Deus existe em forma transcendente, também existe em forma imanente. Do mesmo modo, a inteligência que é outra faculdade, existe em forma transcendente, cósmica, univérsica, ou astral talvez. Existe fora de nós. Existe uma entidade cósmica chamada inteligência e esta entidade cósmica chamada inteligência pode contaminar o homem. Nós recebemos a inteligência, mas, nós não somos a inteligência. Assim como nós recebemos o espírito, mas nós não somos o espírito.

Ser o espírito é transcendente. Ter o espírito é imanente. Ser inteligência é transcendente, ter inteligência é imanente.

Aqui no Gênesis se trata de uma inteligência transcendente que contaminou o primeiro casal. Eles se deixaram contaminar. E quem foi contaminado em primeiro lugar foi a mulher. Porque a inteligência transcendente viu que o lugar mais fácil para atacar a humanidade era através da mulher. Ela se serviu da mulher para transmitir as suas ordens.

A inteligência transcendente se torna imanente primeiro na mulher. E depois a mulher passou para o homem. Então, a primeira maldição é lançada à inteligência, à inteligência transcendente e também à inteligência imanente.

A creatura humana não devia deixar-se contaminar pela inteligência. Podia e devia resistir à inteligência transcendente e não se deixar contaminar por esta.

Quando os Elohim se dirigem à mulher e lançam a maldição sobre ela, eis o que diz: “Eu fui enganada pela serpente. Eu fui enganada pela inteligência”. Ela foi enganada pela inteligência transcendente e por isso a inteligência transcendente se tornou imanente nela.

Logo, aqui há uma sabotagem. A inteligência transcendente que se tornou imanente em Eva e depois em Adão, sabotou o plano de Deus. Fez uma tentativa de suborno, uma tentativa de frustração, uma tentativa de adulteração.

Em vez de aceitarem a mensagem de Deus, aceitaram a mensagem da inteligência. E esta inteligência transcendente existe em toda parte e por todos os tempos. É paralela ao espírito.