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Segunda parte da décima sétima aula do CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden, em 30/08/1977.

Coexistência de Inteligência e Espírito

Só existem no universo inteiro duas potências grandiosas: a inteligência e o espírito. Ambos são do universo. A inteligência é o polo negativo, e o espírito é o polo positivo do universo. Elas são contrárias uma à outra? Não. Tanto a inteligência vem da Divindade como o espírito também vem da Divindade. Vamos tentar usar a linguagem dos filósofos para explicar isto: Diremos que a Divindade é a tese. Em contraposição à Tese temos duas Antíteses (anti = contra): uma contraposição positiva – o Espírito; e uma contraposição negativa – a Inteligência. E estas duas podem se unir em uma composição, ou seja, em uma síntese.

Quando consideramos o Espírito (antítese positiva) e a Inteligência (antítese negativa), separadamente, nós temos a impressão de que uma é contrária à outra. Que não há compatibilidade entre Inteligência e Espírito.

A Bhagavad Gita afirma que a Inteligência é a pior inimiga do Espírito, mas o Espírito é o melhor amigo da Inteligência. Inteligência também se chama Ego (Antítese negativa), e Espírito se chama EU (Antítese positiva), a nossa alma.

Então, a Bhagavad Gita diz: “o Ego intelectual é o pior inimigo do Eu espiritual”. E isto é verdade. “Mas, por outro lado, o Eu espiritual não é inimigo do Ego intelectual”. E por causa disto pode haver um tratado de paz entre as duas antíteses. O tratado de paz não pode partir da Inteligência. O Ego não vai fazer tratado de paz com o Eu. Mas o Eu, o Espírito, que é amigo da Inteligência (embora a Inteligência seja inimiga do Espírito), pode influenciar a Inteligência ao ponto desta se conciliar com o Espírito. Esta é a única esperança. O menor não pode fazer as pazes com o maior, mas o maior pode convidar o menor para fazer as pazes.

E quando os dois fazem a paz, então, se dá a Síntese.

Quando nós olhamos como míopes, só por um lado, dizemos: “Inteligência e Espírito são irreconciliáveis, não há possibilidade de Síntese”. Mas não é verdade. A divindade não creou coisas incompatíveis. Os dois polos são sempre polos complementares.

 

A bipolaridade no universo

Toda a natureza está cheia de bipolaridade. Toda a natureza é feita na base de bipolaridade. Não existe nada na natureza que não tenham dois polos: polo positivo e polo negativo. Nem no mundo físico, nem no mundo orgânico, nem na metafísica, nem no mundo espiritual. Um átomo tem dois polos: o positivo que denominamos próton, e o polo negativo que denominamos elétron. Os astros têm dois polos: atração e repulsão. Não pode haver atração sem repulsão, nem repulsão sem atração. A atração é positiva e a repulsão é negativa. O universo é todo baseado em atração e repulsão. Toda a eletricidade é positiva e negativa – a luz é bipolar, é uma síntese entre o positivo e o negativo. E toda natureza é assim.

E na humanidade, em todos os seres vivos também há positivos e negativos: a um se chama masculino e ao outro se chama feminino. Existem as amebas, mas que não são organismos, são células; as bactérias que não são organismo são células isoladas: aí não há dois polos. Não, neste sentido. Talvez em outro sentido haja, mas neste não. Mas se vocês vão ao plano superior dos vegetais… – todo vegetal se multiplica por dois polos, pelo masculino e feminino. Pelos órgãos masculinos e femininos, em síntese.

 

A não síntese entre Inteligência e Espírito

Onde não há síntese entre as antíteses, não acontece nada. Esta mesma regra também vale para o nosso caso. Aqui está o Espírito – um polo da antítese. E aqui está a Inteligência que é outro polo da antítese. Nós pensamos sempre que sejam eternamente incompatíveis. Mas, isto é miopia nossa. A tese, que é a Divindade, não iria crear duas coisas eternamente incompatíveis. Temporariamente incompatíveis sim – porque isto é necessário para a evolução. Eternamente incompatíveis – não existe nada no mundo.

Tudo é temporariamente contrário, mas realmente complementar. O polo positivo e o polo negativo da luz são polos complementares. Não são polos contrários. O masculino e o feminino são polos complementares. Não são polos contrários. O Próton (positivo) e o elétron (negativo) são polos complementares para formar o átomo completo. A atração e repulsão na astronomia são polos complementares para formar o universo. E assim também é aqui no mundo metafísico. Estamos aqui falando do mundo metafísico, fora da física.

Há uma possibilidade de síntese entre o positivo do Espírito e o negativo da Inteligência, porém, não é fácil de acontecer. E o primeiro casal, de que fala o Gênesis, não fez a síntese, ficou na antítese, estagnando. A inteligência cometeu uma sabotagem quando disse: ‘não vos deveis sintetizar com o Espírito’. O Espírito se chama o sopro de Deus, no Gênesis – é polo positivo, a antítese positiva. Deus aplicou o seu “sopro” no homem para que ele se tornasse a imagem e semelhança de Deus. O sibilo da serpente, a fala da serpente é a antítese negativa. A serpente é a Inteligência transcendente, que falou a Eva disse: “não, vós sois somente inteligência, não tendes nada que ver com o espírito”. Quer dizer, isolou a Inteligência do Espírito. Esta é a sabotagem e não é um ato individual, é uma tentativa de sabotagem cósmica.

O corpo do homem é animal – imagine isto como uma linha horizontal.

Mas, recebeu o espírito, o sopro de Deus. Imagine o sopro de Deus como uma linha vertical descendo perpendicular sobre a linha horizontal que significa o corpo animal do homem. É o sopro de Deus penetrando no corpo animal para iniciar uma evolução. Se a vertical se une à horizontal deve acontecer o início da evolução.

Só na horizontal não há evolução. Aqui há zero. Na linha vertical teremos 90º, que é o ângulo reto. Na horizontal do animal, grau zero. Mas entre 90º e zero, há muitos outros graus. A evolução começa então com 1º; depois sobe um pouco mais… 2º; sobe um pouco mais, 3º. vai subindo… rumo ao espiritual, ao vertical. O espiritual é o vertical. Isto é a trajetória da evolução do animal para o homem sob o impacto do espírito. Vocês podem representar isto geometricamente com muita facilidade. Se aqui está o espírito de Deus, que exerceu o seu impacto sob o corpo animal, deu ao corpo animal a possibilidade de sair do zero, que é pura animalidade e subir 1º grau, pelo menos, eu chamo isto hominal, em vez de humano.

Animal é zero. Deixando o zero e subindo até 90º na vertical, é o Hominal. Se um homem ainda tem 89º de animalidade e apenas um grau de hominalidade é um homem muito primitivo, apenas um pouquinho acima do animal. Mas existe a possibilidade dele chegar aos 90º de Espiritualidade; porque a evolução pode ir até vertical – O homem perfeito, o homem integral, vamos dizer, o homem cósmico.

Na horizontal está o homem animal. Quando atinge 45º de Espiritualidade já está a meio caminho da sua evolução definitiva. 45º é a metade de 90º. Então a evolução veio do zero, passou pelos 45º, e continuou subindo até chegar aos 90º. Este é o plano cósmico da divindade: o animal recebeu o sopro divino e deve começar a sua homificação, a sua humanização – se quiserem. Esta foi a ordem de Deus.

 

A Sabotagem

O que fez a inteligência? A inteligência em vez de fazer evolução, fez involução, para baixo. É evidente pelo texto do Gênesis. Todo o pecado da inteligência é que ela frustrou, sabotou a evolução espiritual e preferiu a involução, não animal, mas infra-animal. Se fosse apenas animal não seria involução, seria estagnação. Se o homem ficasse no plano do animal, então, estaria estagnado, ficaria parado na horizontal. Se ele fosse acima do animal ele faria uma evolução – a evolução é para cima. Mas se ele caísse debaixo do animal, então seria uma involução. E se o homem começa a fazer uma involução, quando é que ele vai começar a evolução?

E a inteligência quis barrar e frustrar a evolução humana. Convidou os homens a involver em vez de evolver. Involver é para baixo. Evolver é para cima. Estagnar é no meio. Tudo que está no Gênesis é uma tentativa de involução. Isto é o grande crime cometido pela inteligência, seja inteligência transcendente, seja inteligência imanente, não vamos decidir isto agora. O certo é que um poder muito grande que é a inteligência se opôs à evolução espiritual e induziu os homens a uma involução infra-animal

Por que infra-animal e não estagnação animal? Porque se a inteligência aconselhasse a ficar apenas no plano animal, ainda havia perigo de poder subir para a evolução. Mas se a inteligência convida o homem a descer abaixo do plano animal, portanto, não estagnação, mas involução… (o Gênesis supõe uma involução) – então, não há nenhuma esperança do homem alcançar uma evolução. Se a inteligência apenas deixasse o homem na estagnação e dissesse: ‘vocês não precisam ser seres espirituais, não precisam ir rumo à vertical. Fiquem paradinhos aqui no plano animal, puro animal’. Isto já seria um crime. Seria uma rebeldia contra os poderes espirituais. Mas isto não aconteceu. Pelo que o Gênesis diz, a inteligência não convidou o homem para estagnar no ponto zero, no ponto do animal.

Convidou os homens a regredir, a decair. Ir abaixo de zero, abaixo da animalidade, para garantir a impossibilidade de subir até a espiritualidade. Ele dificilmente chegará aos 90º da Espiritualidade.

Quem começa uma involução dificilmente vai chegar à evolução. Porque entre a involução e a estagnação já há um espaço muito grande, e entre a estagnação zero e a evolução espiritual, há mais uma distância enorme. Então, o que a inteligência transcendente fez foi conduzir – ou seduzir, propriamente – o primeiro casal a passar da animalidade para a infra-animalidade, da estagnação para a involução, para que ele nunca chegasse à evolução.

Este é o tal crime. É a sabotagem, uma sabotagem luciférica.

 

O poder das trevas

A humanidade foi sabotada desde o princípio por um poder misterioso chamado serpente, de se afastar de seu verdadeiro destino; e regredir para baixo. Agora não pensem que eu tenha inventado isto. Vou citar as palavras do Cristo para comprovar isto.

O maior homem da história, Jesus o Cristo denomina a inteligência de ‘o dominador deste mundo’ e depois ele acrescenta, a inteligência é ‘o poder das trevas’. Porque o espírito é o poder da luz. O positivo é o poder da luz: “Eu sou a luz do mundo.” E o contrário de luz é as trevas. O contrário de positivo é negativo. Como a inteligência é treva, a inteligência domina o mundo, mas é o poder das trevas.

Jesus disse a seus discípulos: “O dominador deste mundo, que é o poder das trevas, tem poder sobre vós”. Ele declara que o poder das trevas que é o dominador deste mundo, que é a inteligência antiespiritual, tem poder sobre seus discípulos e sobre todo o mundo. Imaginem, no tempo de Jesus ainda o mundo está sobre o poder das trevas. Toda a humanidade está escravizada pelo poder da inteligência e não do espírito.

Depois Jesus acrescenta: “O poder das trevas tem poder sobre vós, mas sobre mim ele não tem poder, porque eu já venci este mundo”. Isto ele podia dizer, nós não podemos dizer isto. Nenhum de nós pode dizer que o poder das trevas que é a inteligência, contrária ao espírito, não tem poder sobre nós, porque nós somos todos escravizados pelo poder das trevas. A humanidade toda.

 

Nova tentativa de sabotagem

Depois, na tentação a que todos os Evangelhos se referem – a tentação de Jesus -outra vez o conflito entre as duas potências. Entre a inteligência e o espírito. Depois de 40 dias de jejum no deserto Jesus enfrenta o poder intelectual, que se chama satanás, que também se chama diabo. Diabo, satanás, inteligência, serpente, tudo isto é a mesma coisa. No Apocalipse se chama o dragão, que é a antiga serpente.

Então, na tentação aparecem as duas maiores potências do universo: a inteligência tentadora e o espírito tentado. Cristo é o espírito. E o anticristo, que o tenta, é a inteligência. Então, o que é que diz a inteligência ao espírito. O que é que, na tentação, a inteligência diz ao espírito; o que é que o intelectual diz ao espiritual. O que é que o poder das trevas diz à luz do mundo. Diz o seguinte: eu te darei todos os reinos do mundo e sua glória – é a inteligência que fala, talvez a inteligência transcendente. Eu te darei, Jesus, todos os reinos do mundo e sua glória, (porque a inteligência se interessa por isto) porque são meus. Vejam bem, quando eu ouvi isto pela primeira vez eu disse: ‘mas que mentira é esta. A inteligência afirmar que todos os reinos do mundo e sua glória são da inteligência’. Mas, é claro que são, quem fez tudo isto?

Não foi a inteligência que fez todos os reinos do mundo e sua glória? Não foi o espírito que fez. A inteligência é que faz isto. Então, a inteligência oferece ao espírito. O anticristo oferece ao Cristo todos os reinos do mundo e sua glória porque são meus, diz a inteligência. O tentador é a inteligência. E o tentado é o espírito. Todos os reinos do mundo e glória são meus e eu os dou a quem eu quero. Eu sou o dono do mundo. Eu dou o reino do mundo a quem eu quero. Portanto, é a inteligência que confirma o que Jesus tinha dito: “O dominador deste mundo, que é o poder das trevas, tem poder sobre vós”.

Mas, pela primeira vez a inteligência encontrou um homem sobre o qual ele não tinha poder. A inteligência não tinha poder sobre o Cristo, porque o Cristo já havia vencido o mundo. Lá estava um homem 100% espiritual. Um homem que está na vertical de Espiritualidade – o Cristo, sob o domínio absoluto do Espírito. Pela primeira vez a inteligência encontrou um homem que não a quis obedecer.

A inteligência convidou o espírito do Cristo: “prostra-te em terra e adora-me”. Porque a inteligência prometeu todos os reinos do mundo e sua glória, mas não de graça. A inteligência não dá nada de graça. Isto não é bom. Isto é impossível para a inteligência. A inteligência cobra caro. Se ela promete coisas grandes ela cobra muito e ela cobrou o maior preço que ela podia cobrar. “Jesus, tu estás de pé, faça o favor de ajoelhar diante de mim e dizer, inteligência, tu és a minha divindade”. Isto é o que ele queria. Que Jesus caísse de joelhos diante do tentador e adorasse o tentador como seu Deus. E pela primeira vez ela se enganou.

Quando ela faz isto conosco, nós aceitamos. Se a inteligência nos promete todos os reinos do mundo e sua glória, será que nós não vamos aceitar um negócio destes? Nós aceitamos um negócio muito menor. Não precisa ser todos os mundos e sua glória. Basta um farrapinho qualquer. Um farrapinho qualquer chega. Um pouquinho só. Não 100%, 10% chega, 1% chega. A nossa inteligência capitula com armas e bagagens diante de qualquer farrapinho deste mundo. É porque nós somos fracos. Estamos muito perto da animalidade.

Eu explico isto para vocês verem que eu não estou inventando que a sabotagem foi desde o princípio feito pela inteligência. Ela sabotou o primeiro casal, não conseguiu sabotar o Cristo. Porque já era outra coisa, Adão e Eva não eram homens altamente espirituais. Eles estavam rastejando próximos ao ponto zero da animalidade. Talvez tivessem 1º de evolução, talvez 2º de evolução. Mas, estavam perto da animalidade. Não estavam muito acima da animalidade.

 

A vitória final

Os nossos bons teólogos, nos querem fazer crer que Deus fez o homem perfeito. Fez um Cristo. Adão era um Cristo para eles – perfeitíssimo. E, contudo foi derrubado. Um homem que fosse da perfeição do Cristo, nunca podia ser derrubado pelo tentador.

Mas, Adão foi derrubado. Primeiro a mulher, e depois ele – o homem – através da mulher. Caíram os dois. Quer dizer que capitularam diante da inteligência antiespiritual. Isto eu chamo a sabotagem luciférica, que a inteligência quer fazer em todos os tempos e que ela conseguiu fazer no Gênesis, com os primeiros homens. Ela tentou pela segunda vez fazer isto com o Cristo, mas ela não conseguiu.

Jesus não caiu de joelhos diante da inteligência e disse: “Eu te adorar? Eu o Espírito, te adorar, Inteligência?”. Não, ficou de pé e disse: “Vai à minha retaguarda, tu pões-te na vanguarda? Na vanguarda vou eu, o Espírito. A Inteligência tem que ir à retaguarda”. A tradução é muito infeliz, eles dizem: “Vai-te embora”. O espírito não pode mandar a inteligência embora. Ele só pode mandar a inteligência para a retaguarda. “Vá de retro” – em latim. Retro é o radical de retaguarda. Inteligência põe-te na retaguarda e não te ponhas na vanguarda. Na vanguarda vou eu. Esta foi a resposta do Cristo.

Mas, a resposta do primeiro casal não foi esta. O primeiro casal adorou a inteligência e se deixou derrotar pela inteligência antiespiritual. “Porei inimizade entre ti e a mulher” – disseram os Elohim. Entre ti serpente e a mulher. Não esta mulher que agora caiu vítima da inteligência. A mulher futura. “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre teu descendente e o descendente dela”.

Ele – a Vulgata diz “ela”, mas em grego está “ele”, Ele, o descendente da mulher, Ele, o descendente da futura mulher, não desta mulher Eva, mas da futura mulher, é o Cristo. “Ele te esmagará a cabeça”. Isto está na Vulgata, mas no texto grego não tem. Em toda Vulgata está – ele, o Espírito sujeitará a Inteligência. Ele esmagará a cabeça, o Espírito será mais poderoso que a Inteligência. O Espírito não vai adorar a Inteligência; a Inteligência tem que adorar o Espírito.

Estou explicando isto para vocês verem que a razão das 3 maldições terríveis não é uma razão ridícula. É uma razão muito séria. Porque a tentativa que se fez é estragar toda a história da humanidade. O tentador não queria que o homem chegasse a sua evolução, mas o convidou para fazer o contrário, a involução.

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Primeira parte da décima sétima aula do CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden, em 30/08/1977.

 

SABOTAGEM LUCIFÉRICA

Considero Moisés e Jesus como os maiores homens da história. Moisés no Antigo Testamento e Jesus no Novo. Dois homens que deixaram grandes mensagens, mas todas elas completamente deturpadas por nós: O Evangelho e o Gênesis. Completamente deturpadas! O que nós fazemos do Gênesis é uma vergonha. O que nós fazemos do Evangelho é outra vergonha. Então, vamos retificar um pouco os erros que estamos comete

Todo o mundo sabe que Jesus deixou a maior mensagem da humanidade. Ele não escreveu, mas alguns discípulos escreveram, e nós sabemos pelos Evangelhos o que Jesus disse. O que é que nós fizemos dos Evangelhos? E o que é que nós fizemos do Gênesis? Dois livros magníficos, mas completamente deturpados. Por isto eu estou tentando aqui retificar pelo menos o que se ensina sobre Gênesis. Quanto aos Evangelhos já tratei de retificar também, anteriormente.

É uma verdadeira temeridade da minha parte, talvez uma presunção, querer retificar as coisas sobre o Gênesis, depois de 2000 anos de deturpação – mas eu tenho que fazer isto.

 

Interpretações infantis do Gênesis

Uma vez um doutor da lei perguntou a Jesus: “Mestre, qual é o maior mandamento da lei”, isto é, “qual é a coisa mais importante da vida humana?” O doutor da lei naquele tempo não era advogado, era um teólogo da Sinagoga. Era chamado doutor da lei de Moisés.

O que é que nós teríamos respondido? Uns teriam respondido: “a coisa mais importante da vida humana é confissão, comunhão e missa”. Outros: “a coisa mais importante da vida humana é ler a Bíblia e crer na redenção pelo sangue” ou a coisa mais importante na vida humana é fazer caridade e crer na reencarnação”.

Mas, Jesus não respondeu isto. Respondeu coisa muito diferente.

Se perguntado, Moisés também diria coisa completamente diferente do Gênesis, em relação aquilo que falamos hoje. Por exemplo: o que entendemos sobre o sentido do Gênesis? Duas opiniões:

1) O Gênesis é uma fábula mitológica. Havia uma maçã muito bonita no Paraíso e Deus disse: “Olhe, esta maçã é minha, vocês façam o favor de não comer”. E, contudo eles comeram e então foi amaldiçoada toda humanidade por causa disto. Deus foi tão rigoroso por causa duma maçã que havia reservado para si que lançou três maldições terríveis, que ainda nos afligem. Esta é uma interpretação do Gênesis, a mais ridícula de todas, uma mitologia infantil que continuamos a repetir.

2) Outra interpretação: o primeiro casal tinha ordem de não se acasalar, mas eles se acasalaram, e Deus disse: “Maldição sobre vocês”. Por isto Adão e Eva e todos os seus filhos, que somos nós, entram no mundo escravos de Satanás – filhos do Diabo. Somente quando recebem na cabeça um copo de água, então se tornam filhos de Deus.

Imaginem, que absurdidade! Nós entramos todos no mundo como filhos do Diabo. No ritual do batismo está: “sai desta criança, Satanás e dá lugar ao Cristo”. E por que o Satanás está dentro da criança? É porque um casal, ele se chamava Adão e ela Eva, há muitos milhares de anos, lá do outro lado do mar, tiveram ordem de Deus de não se acasalar – mas se acasalaram – e Deus disse: “Agora se acabou a minha paciência, malditos sejam vocês dois e todos os seus descendentes”.

Deus tinha dito, “multiplicai-vos” – mas, depois se arrependeu, parece. E viram que deram o primeiro passo para se multiplicar, acasalaram e Deus disse: “Não, não, isto é porcaria, vamos acabar com isto”. E lançou a maldição.

Isto nós ensinamos até hoje. Vocês têm alguma outra interpretação? Eu não conheço outra, nem no catecismo, nem na escola dominical.

Nós podemos aceitar em plena era atômica, no fim do século XX, estas infantilidades, estas coisas ridículas! Se Moisés soubesse o que nós estamos dizendo, se revoltaria contra todos nós. Jesus também se revoltaria contra nós, se ele soubesse o que nós estamos fazendo do Evangelho.

 

As três maldições

O Gênesis afirma de fato que as forças creadoras, os Elohim, como está lá, lançaram três maldições, mas, não por causa destas infantilidades. Não por causa duma maçã, e não por causa dum casamento ou acasalamento. Não havia casamento, mas havia acasalamento, naquele tempo. Hoje em dia há os dois – há acasalamento sem casamentos. Mas, naquele tempo não tinha casamentos legais. Havia acasalamento que é da natureza humana e de todos os animais também.

Então vieram três maldições terríveis. Vou citá-las. Estão lá no Gênesis. Três maldições terríveis, de uma insólita veemência. A maldição à serpente, a maldição à mulher e a maldição ao homem. A primeira maldição é em relação à serpente porque ela começou toda a história. A segunda maldição é à mulher, porque ela recebeu a mensagem da serpente. E a terceira maldição é sobre o homem, porque atendeu à mensagem da mulher. Assim está na ordem do Gênesis: serpente, mulher, homem.

A maldição à serpente é a seguinte: Os Elohim disseram, (quer dizer Deus, que Moisés chama ‘as forças creadoras’), Os Elohim disseram à serpente, ‘porque tu fizeste isto maldita sejas entre todo o animal da terra. Sobre o teu peito e sobre o teu ventre rastejarás e comerás do pó da terra a vida inteira’. Uma maldição terrível lançada a alguém que se chamava serpente, mas não a uma cobra. A cobra naturalmente não podia ser maldita. Não se tratava de nenhuma cobra, nós vamos ver isto depois. Mas a maldição é esta: “Maldita serás entre todos os seres vivos da terra e rastejarás sobre o teu peito e sobre o teu ventre, e comerás do pó da terra a vida inteira”.

A maldição lançada à mulher foi a seguinte: “Em dores darás a luz a teus filhos e terás muitos incômodos com a gravidez. Serás dominada pelo homem e apesar disto tens desejos dele”. Está lá, a maldição à mulher.

A maldição lançada ao homem é a seguinte: “porque atendeste a voz de tua mulher (porque ele não falou diretamente com a serpente, ele só ouviu através da mulher) maldita seja a terra por tua causa. Se a cultivares, só te produzirás espinhos e abrolhos, e comerás o teu pão no suor do teu rosto, até que voltes à terra, porque tu és pó e em pó te hás de tornar”.

Vocês podem imaginar maldições mais terríveis do que estas? Estão lá no Gênesis, e Moisés afirma que a maldição foi dada por Deus, à serpente, à mulher e ao homem.

Ninguém compreende a veemência destas maldições sobre aquele casal e sobre toda a humanidade.

Acabou com toda humanidade. Por quê? Não por causa de uma maçã, não por causa de um acasalamento. Isto é bobagem. Por causa de coisa muito séria.

Se tivessem comido uma maçã teriam sido amaldiçoado deste modo? Não, não é por causa de uma maçã.

E não é em razão de um ato sexual. Ele tinha mandado: “multiplicai-vos”. De que modo haviam de multiplicar-se? Não há nenhum outro modo de multiplicar até hoje, a não ser pelo sexo. Fizeram isto e acabou-se a história. O que eles fizeram? Deve ter sido uma coisa muito grave, muitíssimo grave, para merecer maldições desse teor tão terríveis. Havia outra coisa, coisa muito diferente e é sobre esta coisa diferente que nós nunca ouvimos nas igrejas. Eu nunca ouvi isto em nenhuma igreja, seja católica romana, ortodoxa, grega, nem igreja evangélica, nem sequer no espiritismo. Nunca ouvi uma explicação razoável sobre isto.

Por que não? Em 2000 anos? O que aconteceu? Deve ter acontecido uma coisa horrível para virem estas três maldições. Maldição sobre a serpente – que representa a inteligência, porque a inteligência sempre é representada pela serpente. Maldição à inteligência, maldição à mulher e maldição ao homem. E a terra inteira está maldita por causa daquilo que o homem fez. O que é que ele fez? Vamos ver se descobrimos o segredo.

Trata-se, na realidade, de uma sabotagem. Duma sabotagem luciférica que envolve toda a humanidade presente e futura. Uma sabotagem, quer dizer, uma adulteração das ordens de Deus, pela inteligência. É disto que se trata. E por isto é tão grave a situação. A inteligência luciférica inventou uma sabotagem, uma frustração, uma adulteração de toda obra de Deus quanto ao homem.

O homem foi creado no fim do sexto período da creação. Quando já todo o resto do mundo estava pronto, o Gênesis diz: e no fim do sexto período, (não ‘do dia’ – mas ‘período’ de milhões de anos) os Elohim disseram: ‘agora façamos o homem, segundo a nossa imagem e semelhança.’ Isto era o plano de Deus, que o homem fosse feito segundo a imagem e semelhança de Deus.


O saboteador

E agora vem a sabotagem da inteligência. A inteligência serpentina, a serpente intelectual se revolta contra esta mensagem de Deus. O homem deve ser feito segundo a imagem e semelhança de Deus, mas, eu, disse a inteligência, vou frustrar esta obra. O homem não vai ser imagem e semelhança de Deus.

Esta é a sabotagem da inteligência, que é representada pela serpente. A inteligência de quem? A inteligência de Eva? Não. A inteligência de Adão? Não. A inteligência cósmica. A inteligência astral.

Porque vocês devem saber, a inteligência existe em forma transcendente e também existe em forma imanente, assim como o espírito. O espírito também existe em forma transcendente e também existe em forma imanente. Cada um de nós tem espírito. A alma é o espírito. Mas, também existe espírito fora de nós. O que existe fora de nós se chama transcendente, além. O que existe dentro de nós se chama imanente.

Quer dizer, assim como o espírito de Deus existe em forma transcendente, também existe em forma imanente. Do mesmo modo, a inteligência que é outra faculdade, existe em forma transcendente, cósmica, univérsica, ou astral talvez. Existe fora de nós. Existe uma entidade cósmica chamada inteligência e esta entidade cósmica chamada inteligência pode contaminar o homem. Nós recebemos a inteligência, mas, nós não somos a inteligência. Assim como nós recebemos o espírito, mas nós não somos o espírito.

Ser o espírito é transcendente. Ter o espírito é imanente. Ser inteligência é transcendente, ter inteligência é imanente.

Aqui no Gênesis se trata de uma inteligência transcendente que contaminou o primeiro casal. Eles se deixaram contaminar. E quem foi contaminado em primeiro lugar foi a mulher. Porque a inteligência transcendente viu que o lugar mais fácil para atacar a humanidade era através da mulher. Ela se serviu da mulher para transmitir as suas ordens.

A inteligência transcendente se torna imanente primeiro na mulher. E depois a mulher passou para o homem. Então, a primeira maldição é lançada à inteligência, à inteligência transcendente e também à inteligência imanente.

A creatura humana não devia deixar-se contaminar pela inteligência. Podia e devia resistir à inteligência transcendente e não se deixar contaminar por esta.

Quando os Elohim se dirigem à mulher e lançam a maldição sobre ela, eis o que diz: “Eu fui enganada pela serpente. Eu fui enganada pela inteligência”. Ela foi enganada pela inteligência transcendente e por isso a inteligência transcendente se tornou imanente nela.

Logo, aqui há uma sabotagem. A inteligência transcendente que se tornou imanente em Eva e depois em Adão, sabotou o plano de Deus. Fez uma tentativa de suborno, uma tentativa de frustração, uma tentativa de adulteração.

Em vez de aceitarem a mensagem de Deus, aceitaram a mensagem da inteligência. E esta inteligência transcendente existe em toda parte e por todos os tempos. É paralela ao espírito.

 

 

 

Gandhi

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Segunda parte da aula 16 – CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden em 23 de agosto de 1977

 

O EGO e EU

Vamos falar das maldades morais agora, e não dos males físicos por enquanto. Eu me posso redimir das maldades morais, dos meus pecados. Repetindo: de todas as maldades não físicas, mas morais.

Mas, quem é que faz isto? O meu Ego ou o meu Eu?

Na época de Agostinho e Pelágio não se sabia distinguir nitidamente entre os dois polos da nossa natureza. Era conhecido melhor o Ego do que o EU.

A totalidade da natureza humana pode ser representada por uma cruzinha no centro de uma ou várias circunferências. As circunferências, que chamaremos de periferia, representa o Ego. E a cruzinha, no centro, representa o Eu. Não havia uma noção clara sobre os dois polos da natureza humana, isto é, sobre o polo Ego – a periferia, e o polo Eu – o centro. Por isso nunca chegaram a um acordo.  Pelágio dizia “eu me posso salvar”; agora, se ele chamava “eu” a cruzinha no centro ou a periferia, nós não sabemos. Não sabemos se Pelágio tinha entendimento sobre o Ego ou Eu…

Agostinho só conhecia o Ego. Tinha sido muito derrotado pelo seu ego na juventude, até os trinta e tantos anos, e devido às derrotas sofridas pelo poder do seu ego, não acreditava que o homem pudesse salvar-se a si mesmo. Identificava o homem com o seu ego.

Eu creio que Pelágio não falava do Ego, mas ele nunca afirmou isto. Creio que se referia ao Eu verdadeiro. E dizia: “eu, pelo meu Eu divino – interno –  (pelo meu Cristo interno,diríamos hoje), me posso redimir e salvar de todas as maldades”.

Naturalmente, Agostinho não conhecia este Eu central, ele conhecia muito bem o Ego periférico. Tinha sido derrotado por ele. E quando se converteu, atribuiu a conversão a Deus e não a si mesmo. “Eu não me converti, dizia, Deus me converteu”. Ele nunca aceitou que ele mesmo se pudesse converter; que se pudesse fazer bom. “Eu só me posso fazer ‘mau’, só Deus me faz bom”.

Agostinho só entendia da natureza humana o ego. E Pelágio parece que entendia tanto o Eu central positivo, como também o Ego. Por isso dizia: “sim, eu posso ser mau por minha conta e risco, mas eu também posso ser bom, posso fazer-me bom. Posso redimir-me dos meus pecados e das minhas maldades”. E neste caso ele não se referia ao seu Ego externo, porque o Ego é muito negativo.

O Ego, de fato, é o nosso pecador – o Ego é o que nos perde. O Eu é quem nos salva.

Hoje em dia a humanidade já abriu os olhos para os dois sentidos da palavra Eu, mas muitos ainda entendem por Eu, o Ego. O grosso da humanidade ainda pensa como Santo Agostinho. E nós também, hoje em dia, em pleno século XX, repetimos: ‘eu estou doente’. Eu, o quê? O meu Eu central está doente? Não, o Espírito de Deus em mim não pode estar doente. Isto não é possível. O meu Cristo interno não pode estar doente. Repetimos a palavra Eu – sem distinguirmos o que é que entendemos por Eu. Nós nos referimos geralmente ao nosso corpo, ao nosso Ego.

Chamamos o nosso corpo – Eu, o que é um modo de falar muito inexato. Mas, não temos outro modo. Não podemos dizer Ego, como em latim. Em latim, ‘Eu’ é ‘Ego’, mas só usamos o Ego latino para a parte negativa da nossa natureza. Dizemos: ‘eu vou morrer’ – eu quem? Não o Eu verdadeiro, o nosso centro, não vai morrer – este não vai morrer. O que vai morrer é o nosso corpo, a nossa periferia. O nosso EU central não está sujeito à morte. O nosso Eu central não tem câncer, não tem tuberculose, não pode sofrer acidentes e não morre.

Quando dizemos: ‘eu sou inteligente’, o ‘eu’ a que nos referimos faz parte do nosso Ego. A inteligência é uma faculdade do nosso Ego, relacionada com o Eu, é verdade. Mas ainda tem sede no ego. Quando dizemos: ‘eu fui ofendido; fui tratado com ingratidão; fui vilipendiado’, a que “eu” nos referimos? Ao nosso Ego emocional, ao nosso Ego afetivo, que sofre com ingratidão ou injustiças. É claro – é o nosso Ego que sofre. O nosso Eu não sabe nada disto.

Às vezes aparece um homem que não se identifica mais com o seu ego. Mahatma Gandhi, em nosso tempo, chegou a este ponto. É o máximo a que um homem pode chegar. Ele tinha esquecido o seu ego e só se lembrava do seu Eu. Os homens avançados fazem do seu Eu uma coisa muito maior do que seu Ego. E o seu ego vai desaparecendo pouco a pouco.

Quando perguntaram a Gandhi se perdoava as ofensas que havia recebido em grande quantidade em toda a sua vida, respondia: “eu não perdoei nenhuma ofensa porque nunca ninguém me ofendeu”.

O homem, quando é mau, procura vingança. O homem quando é bom, perdoa as injustiças. Mas os dois são imperfeitos. Também aquele que perdoa não é perfeito – é melhor do que aquele que vinga, é claro. É melhor perdoar do que vingar, não há dúvida nenhuma. Mas por que ele perdoa? Porque se sente ofendido. E por que se sente ofendido? Porque ainda está na zona do seu Ego.

O nosso Eu não pode ser ofendido. O nosso Eu é inofendível. O nosso Eu é absolutamente inofendível. A minha alma não pode ser ofendida por ninguém. O meu Cristo interno não pode ser ofendido por ninguém. Deus em mim, o Pai em mim, que é o meu Eu, não pode ser ofendido. Logo, o meu Eu não tem que perdoar nada a ninguém. Porque o meu Eu não foi ofendido, o meu Eu é invulnerável, inatingível.

Mas, não temos a consciência da nossa invulnerabilidade.

Gandhi chegou à consciência da sua completa invulnerabilidade. O meu Eu não pode ser atingido pelos outros. Ninguém pode fazer mal ao meu Eu central. Todos podem fazer mal ao meu Ego periférico. E de fato fizeram. No fim o mataram. Um hindu o matou com 3 tiros de revólver. Mas, as últimas palavras de Gandhi ao cair ferido, baleado, foram: Namastê. Ainda fez a saudação ao seu assassino. Deus esteja contigo. O Deus em mim saúda o Deus em ti, como os hindus interpretam esta saudação bonita.

E foram as últimas palavras de Gandhi ao seu assassino. Meu querido inimigo, o Deus em mim saúda o Deus em ti. Isto está além da ofendibilidade. Não pôde ser ofendido nem com 3 tiros de revolver, nem com a morte. E ele ainda pediu, quando já estava morrendo, que não permitissem que seu assassino fosse punido. Eu não sei, mas o governo da Índia provavelmente o enforcou, como era costume lá. Mas Gandhi pediu que não o punissem porque o que ele necessitava era instrução e não punição. Porque ele tinha agido por ignorância. É claro, é pura verdade. Ele ignorava o seu Eu verdadeiro. Não ignorava o seu ego que agiu e matou. Mas, a verdadeira sabedoria não é do ego. Então Gandhi disse: é preciso instruir este homem porque ele agiu por ignorância, matando-me.

Quer dizer, hoje em dia aqui no ocidente, nós já estamos em grande parte passando da velha ideia da alorredenção para a nova ideia da autorredenção. Aliás, não é nova esta ideia. Está no Evangelho, 2000 anos atrás. As obras que eu faço, diz o Cristo, Jesus – naturalmente as obras boas, porque ele não fazia obras más – as obras que eu faço, não sou eu que as faço, é o Pai que está em mim que faz as obras. Porque de mim mesmo eu nada posso fazer.

Quando falava assim, se referia a isto: ao seu Eu positivo, ao seu Eu central. As obras que eu faço através do meu ego, mas, nascidas do meu Eu divino, as obras que eu faço não sou eu, o meu ego que faz estas obras, mas o meu Eu divino que faz estas obras. E o seu Eu divino ele sempre chama o Pai. O Pai está em mim e eu estou no Pai. O Pai também está em vós, ele diz a seus discípulos. O Pai também está em vós, e vós estais no Pai.  Quer dizer, Pai, ele chama isto: o Deus interno, o Cristo interno, muito mais poderoso que o seu ego. O ego nunca desaparece completamente porque faz parte da natureza humana. Mas, o ego pode ser menor que o Eu. Eu posso aumentar a tal ponto a consciência do meu Eu real, do meu Eu divino, do meu Eu espiritual, do meu Cristo interno, que praticamente esqueço do meu ego humano. E quando alguém tem 99% de consciência do seu Eu verdadeiro e apenas 1% de consciência do seu ego ilusório, então, ele se sente completamente liberto. Ninguém o pode ofender porque ele não é mais ego, deixou de ser ego praticamente e se identificou com seu Eu. E por isto Gandhi podia dizer: eu não preciso perdoar a ninguém porque ninguém me ofendeu.

Nós falamos muito autorredenção hoje em dia, mas os dogmas, as teologias, ainda não entraram nesta zona de conhecimento. Ainda pensam que há um fator externo que me faz mau, a que chamam de diabo. E também há um fator externo que me faz bom, ao que chamam de Cristo. Mas não entendem o Cristo interno do Eu. Entendem do Cristo lá do outro lado do Mediterrâneo, que viveu há 2000 anos. Entendem que a salvação vem de longe, vem de fora para dentro.

Pouco a pouco nós nos convencemos: Toda a redenção, toda a salvação, todo o melhoramento moral, espiritual não vem de fora de mim. Também as maldades não vêm de fora. A bondade vem de dentro e a maldade vem de dentro. Pergunta-se: ‘dentro de quê?’ Dentro de minha natureza. Mas eu sou tanto ego como Eu. Na minha periferia eu sou ego e daí podem vir os males, as maldades, os crimes, os pecados; todos vêm do meu ego, mas fazem parte de mim; fazem parte da minha natureza, do meu ego.

Mas se eu cultivar o meu Eu central, então o meu ego praticamente fica eclipsado. Ele continua a existir, é claro, faz parte de mim, mas ele não pode dar ordens, ele não pode dominar a minha vida. E então eu posso dizer: eu me faço bom porque eu quero e o ego não me faz ‘mau’, porque o meu Eu não deixa o meu ego funcionar. Ele dá ordens ao meu ego e o meu ego não dá ordens ao meu Eu. É uma grande vantagem.

Suponha que alguém tenha 90% no seu Eu central e apenas 10% no seu Ego. Se ele está com 90% de consciência do seu Eu, sobra apenas 10% de consciência do seu ego. Então, praticamente ele está livre. Ele não tem mais obrigação de ser mau porque 90 dominam 10. Mas, se o contrário acontece, se ele é 90% no ego e apenas 10% no Eu – então o seu ego dá ordens ao ego e ele se torna ‘mau’. Mas, a culpa não é do diabo, é minha. A culpa é do meu ego humano. Mas o contrário também acontece e o merecimento é da minha natureza humana, do meu Eu humano; também faz parte da minha natureza.

Estamos chegando pouco a pouco a esclarecer as nossas ideias. Mas as igrejas e as teologias, geralmente não aceitam ainda que o homem possa passar por uma autorredenção. Ainda se aferram na alorredenção. E quando dizemos que a autorredenção é possível, entendem que nos referimos a uma ego-redenção.

Não há ego-redenção, só há ego-perdição. Mas há Eu-redenção. O Eu é autos, em grego. Há autorredenção, mas também há ego-perdição. Mas nós somos responsáveis pelos dois. Porque quem disse que o meu ego devia ser mais forte que o meu Eu? A culpa é minha. Se eu não desenvolvi o meu Eu bom, e desenvolvi por demais o meu ego negativo a culpa é minha, porque eu não me eduquei devidamente para ser bom.

Mas é claro, estamos entrando numa nova zona de compreensão pouco a pouco, de  que tudo está dentro de nós, tanto o bem como o mal; tanto o positivo como o negativo; tanto a redenção como também a perdição. Está tudo dentro de cada um de nós e nós somos responsáveis por isto.

Real e Irreal

 

Primeira parte da aula 16 – CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden em 23 de agosto de 1977

 

Realidade e facticidade

O marido de uma das nossas alunas perguntou à esposa o que acontece na meditação:

– “Não acontece nada”.

“Bem”, ele disse, “se não acontece nada então vocês perdem o seu tempo”.

“Não”, disse ela, “nós não perdemos nosso tempo na meditação, porque há experiências íntimas, acontecimentos dentro de nós, em nossa consciência, de que não se podem fazer estatística”.

-“Bem”, ele insistiu, “estes ‘acontecimentos íntimos’, podem ser verificados, podem ser controlados, podem ser provados cientificamente?”

“Não”, ela disse, “isto não se pode, porque não pode chamar o computador e dizer: faça o favor de computar a que grau de espiritualidade eu estou. Isto o computador não pode fazer”.

Então aquele senhor disse:

“Bem, então não é real aquilo que acontece”.

“É real, mas não são fatos” – ela completou.

Ele não entendeu nada, porque muitos confundem a realidade com as facticidades. O homem profano só considera como real aquilo que se pode ver, ouvir e apalpar. Mas as experiências espirituais não se podem ver, nem ouvir, nem apalpar. Ele diz, “então não é real”.

Muitos pensam assim. Mas temos que distinguir nitidamente entre realidade e fatos externos. Os fatos podem ser verificados pelos sentidos. São facticidades. O conjunto dos fatos é as facticidades, mas os fatos não são reais.

Joel Goldsmith, no livro ‘A arte de curar pelo espírito’, faz uma nítida distinção entre realidades e facticidades. Ele pergunta: “as nossas doenças são fatos ou não são?” E responde – “doenças, infelizmente, são fatos”. Depois pergunta: “Então, as doenças são reais ou não são reais?” Ele mesmo responde,”não são reais mas foram realizadas”.

O que é realizado é um fato, mas não é real. “Real”, diz Goldsmith, “é somente aquilo que foi creado por Deus. Aquilo que nós fazemos é ‘realizado’, mas não é real”.

Os fatos são realizados. A doença é um fato – o câncer, a tuberculose, são fatos, fatos realizados – por quem? Deus não fez câncer, Deus não creou tuberculose. Quer dizer, estas coisas não são reais. Vamos chamar real só aquilo que o Creador fez.

O Creador não creou câncer, não creou tuberculose, não creou nenhuma doença, mas se estas doenças existem, quem as creou? É claro, alguém as creou. Será que nós também não somos creadores?

 

Os homens são creadores[i]

É claro que somos! Somos como dizem os gregos, demiurgos: Demi quer dizer meio; urgo quer dizer creador. Demiurgo = semicriador. O nosso ego humano é semicreador, é um demiurgo. Quer dizer que nós podemos produzir coisas – negativas, via de regra – pelo nosso ego, mas, as coisas positivas, benéficas são creações de Deus.

“Tudo era bom”, diz o Gênesis. No Gênesis, no fim do 1º período da creação, os Elohim viram que “era bom”; no fim do 2º período viram que “era bom”. E no 6º período, quando apareceu o homem, viram que era “muito bom”. A creação do homem era “coisa muito boa”. As outras coisas eram todas boas, e nenhuma vez se diz que Deus creou o câncer, a tuberculose… – isto seria o mal. Mas estas coisas ruins não foram creadas.

 

O que é REAL e o que é IRREAL

Vamos distinguir nitidamente entre aquilo que é real, creado por Deus (todas as coisas boas são reais e são creadas por Deus). E vamos distinguir entre aquilo que é apenas realizado pelo nosso ego humano, mas não são iguais às coisas reais que são positivamente boas. As coisas realizadas às vezes são boas. Mas nós realizamos, pelo poder do nosso ego humano, muitas coisas negativas. Portanto, não são reais.

Há certas orientações – também nos Estados Unidos isto é difundido – que dizem que as doenças são irreais. Que é simples ilusão. Não existe nenhum câncer, não existe nenhuma lepra, não existe tuberculose. Isto não é verdade.

Estas coisas não são irreais. Não vamos chegar a este ponto de dizer que não existe nenhum câncer, que não existe tuberculose, que não há lepra, que não há nem dor de cabeça. Estas coisas não são reais, mas também não são irreais. Há uma 3ª coisa que não é nem real, nem irreal. Isto é o que nós fazemos. O poder da nossa mente humana é demiurgo. É semicriadora. Nós, pelo poder do pensamento, podemos criar coisas negativas. Infelizmente nós criamos muitas doenças porque as mentalizamos, sem saber.

Alguém está doente, então, nós temos a impressão que nós também temos que estar doentes algum dia. E temos que envelhecer antes do tempo porque acreditamos que isto é regra geral: então, entramos na regra geral e mentalizamos coisas negativas. Se nos habituássemos a nunca mentalizar coisas negativas, moral ou fisicamente negativas… As maldades são moralmente negativas. Crimes são moralmente negativos. Doenças são fisicamente negativas. Se nós nunca mentalizássemos coisas negativas nem na zona moral, nem na zona material – o mundo seria completamente diferente. Mas o nosso ego tem a mania de inventar coisas negativas. E pela força da mentalização nós realizamos coisas negativas.

Então, os fatos nem sempre são realizados por Deus… Fatos positivos são realizados por Deus, mas fatos negativos são realizados por nós. Não são irreais, mas também não são reais. São apenas “realizados”.

O que realizamos na meditação é real, mas não é uma facticidade, que se possa provar por meio de computador ou de que se possa fazer estatística.

 

Fatos e Valores – Ciência e Consciência

A humanidade está começando a fazer a distinção entre fatos e valores.

Essa distinção é de Einstein: “o mundo dos fatos não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores, porque os valores vêm de outra região”.

Que são valores? Os valores são creações da nossa consciência. A nossa consciência pode crear valores positivos.

A ciência pode apenas descobrir fatos. A ciência não pode crear valores porque a ciência não crea nada. Ela somente descobre coisas que já existem. As leis da natureza podem ser descobertas pela inteligência através da ciência. Isto a ciência pode fazer. Agora, o que não pode fazer é crear valores.

Valores são da consciência[ii]. Fatos são da ciência.

A ciência é transitiva, a consciência é reflexiva.

Isto é o melhor meio de exprimir a diferença entre ciência e consciência: Na ciência eu estou ciente do objeto, duma pedra, duma planta dum átomo, dum astro (Eu tenho ciência disto, mas isto não é consciência); Consciência sempre é partir do sujeito e faz do próprio sujeito o seu objeto. Na consciência o sujeito é o seu próprio objeto.

Na ciência há diferença entre sujeito e objeto.

A consciência pode crear valores[iii], a ciência não crea valores, mas descobre fatos.

Do mundo dos fatos, diz Einstein, não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores – porque os valores vêm de outra região. Os valores são creados por nós. Onde não há consciência não há creação de valores. Existem valores positivos e existem valores negativos. Verdade, amor, justiça são valores positivos. Mas também existe o contrário: existe o erro em vez da verdade, injustiça em vez de justiça e maldade em vez de bondade. Então, há valores positivos creados pela consciência e há valores negativos, também creados pela consciência.

Somente uma creatura consciente pode ser boa ou pode ser má. Aqui na terra nós, os chamados humanos, somos as únicas creaturas que podem ser boas ou podem ser más. O animal não pode ser bom nem mau. A planta não pode ser boa nem má, uma pedra não pode ser boa nem má. Moralmente falando, é claro.

Os valores não existem na natureza. Só existem fatos, facticidades. Mas, é interessante, a palavra latina para fato, é “factum”, com ct, e o adjetivo de factum é factício… Pouco a pouco o ‘a’ passou para ‘i’, e deu fictício. Quando uma coisa é ilusória dizemos, isto é fictício. Isto não é real. Enfatizando: o adjetivo derivado de facto (ou fato) é factício. E factício quer dizer fictício. Ou seja, os fatos não são reais.

A própria palavra, a etimologia da palavra em latim prova que os fatos não são coisas reais. De ‘facto’  nós derivamos ‘fictício’. O radical é ‘facto’. Quer dizer, todos os fatos são fictícios. Os fatos não são reais.

Real não é fictício. Somente os valores são reais. Os valores são creações reais da nossa consciência ou da consciência cósmica.

A consciência infinita crea valores. Mas, a nossa consciência humana também pode crear valores.  Pela creação de valores positivos nós nos tornamos bons, e pela creação de valores negativos nós nos tornamos maus. Somos os creadores das nossas bondades e somos os creadores das nossas maldades.

Isto é único no ser humano. O animal não pode crear valores positivos, nem negativos. Um animal é apenas um facto, mas não é um valor. Valores são creações da consciência. Fatos são descobrimentos da inteligência.

 

Alorredenção e Autorredenção

Ultimamente nesta humanidade ocidental – mesmo na velha humanidade (estou fazendo distinção entre a velha humanidade, do EGO, e a nova humanidade, do EU) – está diminuindo cada vez mais a ideia de alorredenção. Alo, quer dizer o outro. Que o outro me possa redimir… Que o outro me possa salvar. Nas elites humanas – não nas massas. Está desaparecendo a ideia de que alguém me possa salvar. Isto está desaparecendo, graças a Deus. É um grande progresso.

E está aumentando cada vez mais o conceito de autorredenção. Autos quer dizer eu mesmo. E está aumentando o conceito, em todo o ocidente, na Europa e nas Américas, que eu sou o meu redentor. Eu sou o meu salvador, não existe um salvador fora de mim. O salvador está dentro de mim.

Esta questão de alorredenção e autorredenção já começou no princípio do cristianismo.

No século V dois grandes pensadores, um africano e outro inglês – Agostinho era africano, e o monge britânico Pelágio, que vivia em Roma – mantiveram acirrado certame.  Escreviam cartas um ao outro e publicavam livros. Santo Agostinho escreveu 103 livros dos quais 20 falam de autorredenção e de alorredenção. E estes livros argumentavam contra as teses de Pelágio, que afirmava que o homem pode redimir-se a si mesmo. O homem pode salvar-se por forças próprias, dizia Pelágio, e Santo Agostinho contrapunha-se “Não… só Deus me pode salvar. Eu não me posso salvar, eu só me posso perder”, e completavaeu posso cair no poço, mas não posso sair do poço”.

“Eu me posso perde”, dizia Santo Agostinho, “eu posso ser mau, crear valores negativos, não preciso de Deus para isto – isto eu faço por minha conta e risco”. E Pelágio dizia, “não, o homem tem o poder de crear valores positivos (salvação, redenção), e tem também o poder de crear valores negativos”.  Brigaram por mais de meio século. Nunca chegaram a um acordo.

Porque era tão difícil chegar a uma compreensão de autorredenção e alorredenção? Porque naquele tempo, no século V, não havia uma noção exata da natureza humana. Esta noção nós temos hoje. A psicologia nos deu grandes progressos para conhecermos melhor a nossa própria natureza. Dizem os cientistas que continuamos a ser um homem desconhecido. E Pascal diz que somos um misto de grandezas e de misérias. E Teilhard de Chardin diz que o homem é um fenômeno paradoxal. Isto é verdade. Porque nós não conhecemos ainda o nosso centro. Conhecemos as nossas periferias. O nosso ego é conhecido, mas o nosso EU ainda continua um X, uma incógnita.

Então, como Pelágio e Agostinho não tinham conhecimento exato da bipolaridade da natureza humana, eles não chegaram a um acordo. Pelágio afirmando autorredenção e Santo Agostinho afirmando alorredenção, Cristo-redenção: redenção pelo Cristo é uma alorredenção. A questão era se eu, dentro da minha natureza humana, eu me posso redimir, ou, se eu somente me posso perder. E Pelágio afirmava: “Eu me posso perder pela minha própria natureza humana, mas Eu também me posso salvar. Eu tenho o poder negativo de me perder, e tenho o poder positivo de me salvar”.

Hoje em dia a coisa é mais fácil e a humanidade, depois de mais de um século de psicologia, já aceita a ideia de autorredenção: Eu me posso redimir dos meus males e das minhas maldades.

[i] Na filosofia temos que distinguir entre crear e criar.
Crear é a transição da essência para a existência e criar é a transição de uma existência para outra existência.
Eu não posso crear pela inteligência, mas posso descobrir pela inteligência.
Eu posso crear pela consciência. Posso crear valores dentro de mim mesmo, e também posso crear desvalores, (valores negativos). Posso crear maldades, que é um desvalor, como posso crear bondade.
[ii] Etimologia – Lat. conscientia de consciens p.pres. de conscire = estar cientes (cum = com, partícula de intensidade e scire = sei)[1] .Também encontramos uma possível raiz formada de junção de duas palavras do latim; conscius+sciens :conscius(que sabe bem o que deve fazer) e sciens(conhecimento que se obtêm através de leituras; de estudos; instrução e erudição[2] .
Este esclarecimento foi encontrado em https://www.wikiwand.com/pt/Consciência. O texto sobre o assunto é bastante interessante. 
[iii] Encontrei interessante reflexão sobre “fatos e valores”
https://www.wikiwand.com/pt/Consciência
Um pequeno trecho:
Se dissermos: “Está chovendo”, estaremos enunciando um acontecimento constatado por nós e o juízo proferido é um juízo de fato. Se, porém, falarmos: “A chuva é boa para as plantas” ou “A chuva é bela”, estaremos interpretando e avaliando o acontecimento. Nesse caso, proferimos um juízo de valor.
Juízos de fato são aqueles que dizem o que as coisas são, como são e por que são. Em nossa vida cotidiana, mas também na metafísica e nas ciências, os juízos de fato estão presentes. Diferentemente deles, os juízos de valor – avaliações sobre coisas, pessoas e situações – são proferidos na moral, nas artes, na política, na religião.
Juízos de valor avaliam coisas, pessoas, ações, experiências, acontecimentos, sentimentos, estados de espírito, intenções e decisões como bons ou maus, desejáveis ou indesejáveis.

 

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www.colegiomistico.com.br

Resumo da 15ª aula (segunda parte) do CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden em 16/08/1977.

 

Jesus, um dos maiores representantes da nova humanidade… Ele falava a um doente e o doente não estava mais doente. Ele falava até a um morto de três ou quatro dias, e a vida voltava para o morto. Ele curava a qualquer distância porque para a essência divina não há distâncias. A distância é para a existência, Mas a distância não é para a essência.

Isto é um tipo avançado da humanidade, em indivíduos, mas não nas massas. A massa nunca será da nova humanidade.

Eu não sou tão otimista que possa acreditar que dentro de mil anos, 2.000 ou de 10.000 anos os analfabetos espirituais de hoje, embora doutores em letras, sejam capazes de enxergar Deus em tudo. Não é fácil. Isto supõe uma evolução de milhões e milhões de anos. E talvez uma evolução apenas parcial. Não uma evolução total da humanidade. A massa não passa por evolução rápida. O indivíduo às vezes passa por uma evolução rápida, mas as grandes massas… – milhões e milhões vão com passos mínimos em espaços máximos. A evolução progride um milímetro em mil anos. Nem tanto, às vezes até atrasa e em vez de evolução sofremos uma estagnação, parando – ou uma involução, regredindo.

É possível uma evolução para cima. Apenas uns poucos corajosos estão na evolução, porque a subida é a única coisa difícil.

É possível uma involução para baixo e muitos estão na involução, isto é, em piores situações. Deixar-se cair não é difícil; a gente cai por si mesmo, sem nenhum esforço.

Ou uma estagnação – no meio. O grosso da humanidade está na estagnação. É o “deixa como está para ver como fica”, é não fazer nada.

Em resumo, há poucos que fazem evolução; há muitos que vivem na estagnação; e há muitíssimos que vivem na involução. E o grosso da humanidade é isto.

É difícil encontrar uma pessoa que goste das coisas difíceis. Milhões gostam das coisas fáceis. Um ou dois têm a coragem de fazer as coisas difíceis. O fácil é para os covardes. O difícil é para os heróis. Mas será que há muitos heróis por ai?

Quantas vezes eu ouço dizer: “Ah! Mas isto é muito difícil, fazer meditação de meia hora cada dia e entrar na cosmo-consciência, sair da egoconsciência. Isto é muito difícil”. Ou como diz o nosso caipira: “isto puxa muito pela ideia”.

Nós gostamos do fácil e não gostamos do difícil, por isso não saímos da horizontal e não subimos para a vertical, nem sequer para a ascensional. Subir da horizontal para a vertical são 90 graus – segundo a geometria. Para se chegar do ponto zero, que está na  horizontal, para o ponto 90, é necessário se passar por muitos pontos intermediários: 10º,  20º…45º – isto é ascensional – até 90º, que já está na vertical.

Mas enquanto eu não estou na vertical, a prumo, portanto, eu não estou seguro. Enquanto eu estou na ascensional, eu posso recair para horizontal. Quando eu estou na vertical, acabou o perigo da recaída. Porque todo engenheiro sabe, se coloco um poste na vertical, não há perigo de cair, mas se o poste, ou o edifício, está meio inclinado – se não está bem a prumo, bem na vertical – ele vai cair pouco a pouco, vira torre de Pisa.

Então, quando o indivíduo subiu todos os degraus, já está bem na vertical – é o que  chamamos “iniciação” e enquanto alguém não chegou à iniciação, ele está sempre em perigo de recair. Sem esforço ele recai, com esforço ele sobe. É evidente! É pura geometria.

Quando alguém chega à iniciação, então vê a essência divina, a essência infinita, em todas as existências finitas. Ou, em linguagem comum, ele vê Deus em todas as creaturas. Nós usamos esta linguagem de teologia. Dizemos: “ele vê o infinito em todos os finitos”. O infinito está presente em todos os finitos e todos os finitos estão dentro do infinito. Isto é absolutamente certo. Isto é um fato, é uma realidade, mas isto não é a nossa experiência. A nossa experiência é muito vagarosa. A realidade já existe. A presença de Deus é um fato certo em todas as creaturas, mas até eu enxergar a presença de Deus em todas as creaturas, quanto tempo eu levo?

Paramahansa Yogananda (ele era um grande iniciado), no livro “Autobiografia de um yogue”, diz: “muitos me perguntam quanto tempo eu levo para chegar à consciência cósmica, ou para intuição cósmica – será que vou alcançar isto em 50 anos, em 100 anos, em 200 anos ou em 1000 anos?” E ele respondia: “isto não é questão de tempo, é questão de intensidade e não de tempo”. Porque o homem comum pensa que ele tem que levar tanto tempo e tantas reencarnações para alcançar isto. Mas os iniciados sabem que não depende de tempo. Não depende de 1 século, nem de 2 séculos, nem de 1 milênio. Depende de quê? Do esforço de consciência.

Intensificar a consciência pode levar muito mais do que mil anos. Daqui a mil anos, ou um milhão de anos, quem não intensifica a consciência não está iniciado. Mas, ele pode estar iniciado hoje, amanhã ou daqui a uma semana, se ele intensificar a sua consciência.

Paramahansa Yogananda diz: “nós podemos fazer em 20 anos aqui na terra o que outros não fazem em 20 séculos”.

Nós podemos fazer … mas depende da intensidade da consciência. Logo, não é questão de extensidade. É questão de intensidade. Extensidade é tempo – uma enorme extensão de séculos ou de milênios. Com o extenso nós não podemos alcançar nada. Com o intenso nós podemos abreviar a nossa evolução por milhares e milhões de anos. É questão de intensidade.

Que quer dizer intensidade? Chegar até o ponto central da sua própria consciência. Porque geralmente andamos na periferia da nossa consciência. E é difícil entrar para o centro. E custa um esforço muito grande – uma meditação prolongada e intensa para chegar até o centro do ser.

No centro do meu ser eu me encontro com a essência divina. Na periferia do meu ser eu só me encontro com as minhas existências humanas, cheias de misérias, cheias de doenças, de maldades … Está tudo na periferia. Se eu chegar até o centro, eu não saberia nada destas maldades, nem desses males, porque na essência não há maldades e não há males. Não há doença, também não há morte. Tudo isto: doenças, maldades, morte, são da periferia, são da existência finita.

As existências finitas podem ser más, podem ser doentes, podem ser infelizes. Podem sofrer morte. Tudo isto é da existência.

Agora, quando alguém chega em contato com a sua própria essência, que está em cada um de nós, adeus. Adeus a tudo isto que me atormentava na existência. E o interessante é que a própria existência muitas vezes melhora com a consciência da essência.

Por que é que Jesus nunca esteve doente? Porque a existência humana dele estava permeada pela consciência da essência divina. E quando alguém está plenamente permeado, completamente permeado pela luz da essência divina, como um cristal é permeado pela luz, então acabou tudo isto.

Por isto ele nunca precisou de médico e nunca esteve doente – porque a existência humana de Jesus estava permeada pela consciência da essência divina do seu Cristo.

Com Moisés aconteceu uma coisa parecida Creio que Moisés foi o maior iniciado antes de Jesus: viveu 1500 anos antes de Jesus, no Egito e na Arábia. Nunca se fala numa doença de Moisés. Ele viveu 120 anos. E a Bíblia diz que quando tinha 80 anos estava em plena juventude. Como é que está em plena juventude com 80 anos?

Depois, antes de contar o fim de Moisés diz: e Moisés, quando tinha 120 anos estava ainda em plena juventude – e não morreu. Transformou o seu corpo material num corpo astral. E o corpo astral se vai embora, não se vê. Isto é sinal de grande iniciação e de grande consciência cósmica.

Mas isto supõe intensidade, intensificação da consciência.

Nós temos uma consciência extensa pelos sentidos e pela inteligência, mas não temos uma consciência intensificada pelo espírito. Se conseguíssemos intensificar a nossa consciência, a nossa essência divina – porque a consciência é a essência divina em nós – então, nós veríamos o mundo com outros olhos. Teríamos mais medo de ser maus do que de sofrer o mal. Hoje em dia todo mundo tem medo de sofrer males mas não tem muito medo de ser mau.

Uma vez encontrei um homem que parecia já estar iniciado. Ele me contou: “Olhe,esta noite eu fui roubado, um ladrão arrombou a minha porta e roubou tudo que eu tinha em casa,mas quem saiu pior foi ele”. Indaguei: “Por que ele saiu pior?” Respondeu: “Porque ele roubou, eu só fui roubado”.

Quem pode falar assim já deve estar perto da iniciação. “Ele roubou e eu só fui roubado.” Roubar é ser mau. Ser roubado é apenas sofrer o mal.

Ser mau é muito pior do que sofrer o mal – para quem tem intuição cósmica, não para os outros. Para o homem comum sofrer o mal é muito pior do que ser mau. Isto é muito atraso e muito analfabetismo espiritual, é claro.

Quer dizer, nós estamos sempre num jogo de duas coisas: essência e existência – a realidade invisível e as facticidades visíveis. O infinito invisível e os finitos visíveis. O absoluto eterno e os relativos temporários. Depende o que vai prevalecer. Vai prevalecer o finito ou infinito em nós.

Mas quem enxerga o infinito dentro de todos os finitos já está bem avançado. Não precisa ser dentro de si mesmo. Também pode ser dentro de outros. Quem enxerga o infinito dentro de qualquer creatura, dentro de uma pedra, dentro de uma planta, dentro dum animal e dentro de seus companheiros já está com uma visão cósmica. Já ultrapassou a miopia da egoconsciência e entrou na visão larga da cosmoconsciência.

Isto depende do nosso livre arbítrio. Isto não nos vai acontecer. Isto nós temos que fazer. Outras coisas nos acontecem sem nosso merecimento, nem nossa culpa. Mas ninguém pode ser iniciado por alguém.

Não acredite nestas histórias de iniciação que andam por aí: “Fulano iniciou sicrano”. Bobagem! Ninguém pode iniciar alguém. Ninguém me pode iniciar, e eu não posso iniciar ninguém.

Eu me posso auto-iniciar e cada um pode se auto-iniciar. Isto está certo. Só existe autoiniciação. Não existe alo-iniciação.

O guru pode mostrar o caminho para o outro. Isto pode. E deve até.

O mestre que pensa que pode iniciar alguém é um contrabandista. Nenhum mestre pode iniciar alguém. O mestre pode mostrar o caminho para alguém se auto-iniciar.

Jesus mostrou o caminho aos seus discípulos. Mas não iniciou ninguém. É fantástico: no Evangelho nunca lemos que Jesus tenha iniciado um só dos seus discípulos. Nunca. Ele mostrou o caminho do reino de Deus. “Vai por este caminho e te iniciarás”. E eles se iniciaram no dia do Pentecostes, quando veio o Espírito Santo sobre eles. 120 pessoas, diz Lucas nos atos dos apóstolos, naquela manhã de domingo foram auto-iniciadas.

Não havia nenhum guru por ali, mas 120 pessoas, homens e mulheres, foram auto-iniciadas no Cenáculo de Jerusalém, no dia de Pentecostes. Por quê? Porque durante três anos tinham andado com o maior dos mestres e tinham ouvido e observado o que ele dizia para se iniciarem. Percorreram o caminho mostrado por Jesus – e se auto-iniciaram. Isto se pode fazer.

Outros podem nos mostrar o caminho, mas outros não nos podem iniciar.

A minha consciência me inicia se eu a intensificar bastante.

Rohden                                                                             eu-maior.blogspot.com

Resumo da 15ª aula (primeira parte) do CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden em 16/08/1977.

 

Existem coisas difíceis em toda filosofia, mas, sobretudo na filosofia Univérsica.

Ver a unidade em toda a pluralidade. É um problema.

            Ver o monismo absoluto no pluralismo relativo.

Ver a essência única nas existências múltiplas. Quem não consegue isto vai rastejando eternamente e ciscando aí como as galinhas, mas não vai voar como as águias.  Mas, se alguém consegue compreender a unidade em toda a pluralidade, ou o monismo absoluto – como nós diríamos – então todo o resto é café pequeno.

As facticidades são concretas e nós estamos habituados a elas, aos fatos. Os sentidos só percebem os fatos. A inteligência só analisa os fatos. Mas nós não podemos chegar à realidade pelos sentidos, nem pela inteligência. Como é que vamos chegar lá? Só pela intuição. Mas a intuição não está desenvolvida na maior parte das pessoas. A intuição existe em cada um de nós, mas é uma criança nascitura, que ainda não nasceu. É preciso fazer nascer esta criança da intuição cósmica.

Bem, pela meditação a gente favorece um pouco o nascimento desta criancinha: a intuição cósmica. Somente pela intuição cósmica vocês podem ver a unidade da essência na pluralidade de todas as existências. É fácil dizer isto, mas não é fácil realizar.

Vamos tentar concretizar um pouco esta coisa abstrata, que é a realidade.

Imaginemos um desenho em cujo centro está uma cruz – a cruz é a essência; ao redor da cruz coloquemos diversos círculos, de diversas cores e diversos tamanhos. Os círculos representam as existências. Temos aí o diagrama do monismo. Termos uma única essência e, ao seu redor, inúmeros círculos – são as existências. A essência é infinita, é a unidade, o Criador.  As existências são as pluralidades, são finitas, são as creaturas.

É fácil imaginar isto, mas não é fácil ter a experiência do monismo absoluto, da realidade, porque os nossos sentidos não sabem nada da essência. Para os nossos sentidos a essência é um puro nada – quando, de fato, é a própria realidade. Mesmo pela inteligência nós não chegamos até lá – ela para no meio do caminho, vai mais longe do que os sentidos – mas não vai até o fim, porque ela está baseada nos sentidos.

Então, quando nós só trabalhamos com a inteligência e com os cinco sentidos, nós nada sabemos da realidade. Nós confundimos as facticidades com a realidade e dizemos que isto é real, aquilo é real. Na filosofia isto é heresia pura. Nós não sabemos nada da realidade, a não ser por uma intuição cósmica. A intuição cósmica, a qual sabe da realidade, vai infinitamente além dos sentidos e além da mente. Na mística chamam-na de Realidade – Deus. E esta experiência se chama consciência cósmica. A intuição, como a chamamos na filosofia, em termos religiosos se chama consciência cósmica.

Nunca se chegara até a consciência cósmica pelos sentidos, nem pela inteligência. Somente esvaziando-se completamente do conteúdo dos sentidos e também do conteúdo da mente se chegará à consciência cósmica – aí se terá a experiência da realidade – antes, não.

Imaginem agora a ESSÊNCIA, a REALIDADE, a DIVINDADE – se preferirem BRAHMAN, TAO, YAHVÉ. Mas isto não é objeto dos sentidos. Isto é da intuição cósmica, isto é da experiência mística, se preferirem.

O que nós sabemos é sobre as existências, do mundo mineral, do mundo vegetal, do mundo animal e do mundo hominal. É o que vemos todos os dias. Mas, as existências não estão em um vácuo. As existências só existem com a essência dentro. Mas nós não temos consciência disto. Nós só temos consciência das existências; os sentidos nos apontam as existências; a inteligência analisa as existências – existências minerais, vegetais, animais, hominais.

A não ser pela intuição cósmica ou experiência mística, a essência não existe. Mas dentro de cada existência está a essência. Em outras palavras, dentro de cada creatura está o Creador. A creatura eu vejo, eu sinto, e dentro de cada creatura está o Creador, mas para mim este Creador é inconsciente.

Há poucos anos atrás eu recebi a visita de dois estudantes luteranos, dos Estados Unidos, que estudavam teologia em Campinas. E falamos muito em filosofia e chegamos a isto: que Deus está presente em todas as creaturas.

-“O que?” disseram os dois, “Deus está presente nas creaturas?” “Deus está no céu. Deus não está aqui”.

Eram completamente ignorantes em matéria de filosofia. E achavam que Deus mora do outro lado da via Láctea, e nunca esteve aqui e não está presente na terra, segundo eles.

Eu disse: “Mas Deus está onipresente, Deus é isto aqui. Está onipresente em qualquer lugar e em qualquer creatura.”

– “Vocês admitem onipresença de Deus ou não?”

-“Admitimos.”

-“Está bem, em palavras, vocês admitem.” “Na realidade vocês negam.” “Porque se Deus está ausente desta pedra, já tem um buraco lá, um buraco da presença dele”.

-“E se Deus está ausente duma barata, ausente duma aranha e ausente duma galinha e ausente de um porco – então Deus não está onipresente.” “Porque vocês estão dizendo que está onipresente”.

-“Eu vou dizer mais ainda. Deus não está presente na pedra. Deus é a própria pedra, em forma de pedra”.

-“Mas isto é panteísmo puro.”

É pena que naquele tempo eu não houvesse ainda lido o livro de Joel Goldsmith: “A arte de curar pelo espírito”. Lá ele insiste na unidade da realidade. O poder único, é como ele chama a unidade da realidade. E ele curou todos os doentes durante trinta e tantos anos pela consciência da presença de Deus em tudo. Em tudo, não só em nós. Também nas plantas, também nas pedras.

Então, Joel Goldsmith em seu livro diz:

“Eu tomo nas mãos uma planta e digo: isto é Deus, com aparência de planta.” “Eu tomo na mão uma pedra e digo: isto é Deus em forma duma pedra. A essência é Deus, a existência é pedra”.

“Em mim, a essência é Deus e a existência é esta pessoa humana.”

É um ótimo tratado de filosofia monista, porque ele tem uma certeza absoluta da onipresença de Deus. Seja aonde for, a essência está presente em todas as existências.

Nós não devíamos dizer: a essência está presente em todas as existências. Nós devíamos dizer: todas as existências são a própria essência. Isto estaria certo. Todas as existências, todas as creaturas são a própria essência divina, mas não é visível para nós.

Francisco de Assis (século XIII) nunca estudou filosofia, mas por natureza tinha uma intuição cósmica. Eu não sei como alguns homens são tão felizes e veem Deus em tudo. Veem Deus numa planta, num peixinho, num passarinho, veem Deus em tudo. Até no irmão lobo, como dizia Francisco de Assis… Até na morte, em tudo. No sol e na lua… Em tudo. Eles têm uma visão cósmica. Eles veem através dos invólucros existenciais e enxergam a realidade essencial.

É interessante! Alguns são tão felizes como Francisco de Assis (e muitos outros) que já

nascem com uma tremenda facilidade de intuição cósmica. Eles veem os invólucros duma pedra, mas não dizem que isto é uma pedra. Eles dizem: isto é Deus em forma duma pedra. Depois veem uma flor e dizem: isto não é uma flor – isto é Deus em forma duma flor. E veem um passarinho e dizem: isto é Deus em forma dum passarinho. E veem um peixinho e dizem: isto é Deus em forma de um peixe.

Por isso Francisco de Assis falava com os passarinhos. E os passarinhos o entendiam. Os peixes o entendiam. E uma vez falou com o irmão lobo que estava matando ovelhas[i]. E disseram: estes lobos estão matando todas as ovelhas aqui embaixo, Francisco, pode matar este lobo? – “Matar?” Ele disse, “não vão matar o lobo, não”. “Vou falar com ele, que ele não faça estas bobagens. Deixe-me subir o morro onde ele mora.”

Finalmente chegou diante de uma caverna e disse: “irmão lobo, parece que tu moras aqui”. O lobo saiu da caverna e ficou diante de Francisco de Assis que lhe disse:

– “Irmão lobo, eu vi dizer muitas maldades de você. Você está matando as ovelhas dos aldeões. Olha, há tantos animais selvagens aqui no mato que não fazem falta a ninguém, por que você não os caça  e deixa de lado as ovelhas? Tenha um pouco mais de trabalho e vá caçar uma coisa aqui no mato!…”

E irmão lobo fez “Uh!” E foi-se embora. E desde então ele nunca mais matou nada.

Para um homem que chegou à consciência cósmica de ver Deus em tudo, é claro que ele falou com Deus em forma dum lobo. Deus não fazia estas maldades. A essência não fazia estas coisas, mas a existência do lobo é que fazia estas coisas que ele não devia fazer. Então ele falou com a existência do lobo, mas sabia que a essência divina estava nesta existência visível.

Empenhemo-nos em chegar à visão cósmica, enxergar a realidade ou a essência, ou a Divindade em todas as facticidades, em todas as existências, em todas as creaturas. Isto seria o nascimento da nova humanidade.

A nova humanidade não vai aparecer no 3º milênio, nem no 4º , nem no 10º milênio…

A nova humanidade é fenômeno individual. E Francisco estava na nova humanidade.

 

[i] Veja isto: http://muralanimal.blogspot.com.br/2013/10/sao-francisco-de-assis-e-o-lobo.html

Verdade

                                                                                                              http://www.gruporuah.com

Segunda parte da aula 14ª ministrada por Huberto Rohden em 9/ago/1977.

 

Eu sou o caminho a verdade e a vida.” “Eu vim para dar testemunho à verdade”.

E Pilatos ouviu aquela palavra “verdade” – veritas, em latim – encolheu os ombros e disse: ‘que história é esta, verdade… Será que alguém pode ter certeza da verdade’?

Pilatos era um grande cético, como vocês veem. ‘Este homem fala em verdade, mas verdade é uma utopia, ninguém pode ter certeza da verdade. A verdade não é uma coisa atingível por nós – diria Pilatos.

E nós todos somos Pilatos. No nosso ego todos somos Pilatos, porque o nosso ego é feito de sentido e de inteligência e fora disto não tem nada.

Quem não ultrapassa o seu ego humano, o seu ego sensorial e o seu ego mental, adeus verdade. Vamos desesperar. Vamos ser Pilatos e dizer, ‘Que história é esta, verdade? Eu conheço as facticidades’ – diria Pilatos. ‘Eu sei sobre o império romano da Europa, da Ásia e da África’ – mas, isto não é a verdade. Isto são apenas fatos, facticidades.

Então, quem não ultrapassou o seu querido ego de cada dia, o seu ego sensorial, o seu ego mental e o seu ego emocional, todos o conjunto do  ego humano, nunca vai chegar ao conhecimento da verdade.

E o maior dos iluminados e iniciados que este mundo conhece disse:

 “Conhecereis a verdade”.

Ele supõe que a gente possa conhecer a verdade. E nós dizemos que não é possível conhecer a verdade. Ele acrescentou:

conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Quer dizer, enquanto nós não conhecermos a verdade nós não estamos libertos. Nós somos escravos.

Quem não está liberto está escravizado. Estamos na cadeia. Não numa cadeia de ferro, mas em uma cadeia mental – muito pior que uma cadeia de grades de ferro. E todo ego vive na cadeia, 50 anos na sua vida, 80 anos de sua vida – e você pode morrer na cadeia. Nunca saiu da cadeia, da cadeia das aparências, da cadeia dos sentidos, da cadeia da inteligência. Eterna cadeia!… 50, 80 anos de cadeia terrestre.

Você anda na rua e vai para onde quiser e diz que é livre; pode fazer as viagens que quiser. Mas está escravizado. E não conhece a verdade.

 Disse o Nazareno, ‘conhecereis a verdade e quando conhecerdes a verdade,sereis livres. Enquanto não conhecerdes a verdade, sereis escravos’. Logo, o maior dos homens supõe que a gente possa conhecer a verdade. E nós estamos desanimados, pois não temos nenhuma esperança de conhecermos a verdade. Mas, esse homem que disse: “conhecereis a verdade” não falava dos sentidos e não falava da inteligência. Apelava para outra faculdade. Apelava para algo além dos sentidos. Algo além da própria inteligência analítica.

Como é que vamos chamar aquela faculdade que está para além dos sentidos e para além da nossa mente? Bem, é difícil dar um nome a esta faculdade.

E como é que ela funciona? Como é que a gente pode saber algo para além dos sentidos e da inteligência? Não é pelo ver, não é pelo ouvir, não é pelo tanger que podemos alcançar a verdade. Não é nem pelo pensar. Então, devemos ter alguma outra faculdade que esteja além dos sentidos, além do mundo sensorial, e além do mundo mental. E onde é que está esta faculdade que nos revela a verdade?

Está dentro de cada um de nós. Mas, é uma luz debaixo do velador, como diz o mesmo homem. É uma luz debaixo dum invólucro opaco, é uma pérola no fundo do mar, é um tesouro oculto num campo. Tudo isto ele diz há 2000 anos. Em nós existe a luz, existe a pérola preciosa, existe o tesouro oculto – e ele chamava o conhecimento da verdade – o reino de Deus. A verdade ele chama o reino de Deus.

Mas, mestre, tu falas sempre no reino de Deus, mas aonde é que está ele? Onde é que ele está? Eu nunca vi o reino de Deus. Abri os olhos por todos os lados, escutei por todos os lados, pensei tanto, estudei tanto, não descobri nada da verdade do reino de Deus – que ele chama isto; onde é que ele está?

E aquele homem que tinha a sabedoria dentro de si disse: ‘o reino de Deus não vem com observâncias externas’, quer dizer, não vem dos sentidos com o qual observamos os objetos; nem pelo pensamento. Nem se pode dizer: eis aqui está a verdade; acolá está a verdade, aqui está o reino de Deus, lá está o reino de Deus.

Ele diz que a verdade não tem nenhuma localização. Ela não está no norte, não está no sul, não está no leste, não está no oeste, não está no céu e não está na terra. Não tem lugar nenhum onde ela esteja. Depois ele acrescenta: “o reino de Deus está dentro de vós. Está dentro de cada um de vós, mas, é um tesouro oculto. É um tesouro que está dentro de vós e vós não sabeis nada deste tesouro”. Depois ele diz: “é uma pérola preciosa no fundo do mar, mas ninguém mergulhou bastante fundo para descobrir a pérola que cresce no fundo do mar, nas conchas”. Depois diz: a verdade é uma luz, mas está debaixo de um velador opaco’.

Quando vocês emborcam uma coisa opaca por cima de uma luz e ela não apaga, ao redor fica tudo escuro. Não ha mais luz lá fora. A verdade é assim, a verdade está dentro de cada um de nós, mas nós não descobrimos aquilo que está dentro de nós. “Nós descobrimos o que está fora”. Os fatos estão fora de nós. A realidade está dentro de nós’.

E quando alguém descobre a realidade dentro de si, então, ele se liberta de toda escravidão. Quer dizer, o único modo da gente se libertar realmente é pelo descobrimento da realidade. Isto se chama verdade.

Cuidado! Não confundais verdade com realidade – todo o mundo confunde. A realidade é eterna, infinita, absoluta. A realidade que não tem nada que ver conosco – nós não fizemos a realidade. Ela existe desde o princípio do mundo. Mas, a verdade é a consciência que eu tenho da realidade. Quando eu conscientizo a realidade dentro de mim, desperta a consciência da realidade, então, eu estou na verdade. Portanto não vamos confundir verdade que é uma relação entre a nossa consciência da realidade e a própria realidade. Nós não podemos fazer a realidade. Mas nós podemos conscientizar a verdade. Nós somos autores da verdade, não somos autores da realidade. Podemos somente ser autores da verdade.

E quando é que eu sou autor da verdade? Quando eu tenho uma noção direta e imediata da realidade que não está do outro lado das nuvens, mas que está dentro de mim mesmo. Em mim, no meu centro existe a própria realidade. Em mim existe o eterno, em mim existe o infinito, em mim existe o absoluto, mas nós não enxergamos. Quer dizer, não é por não estar presente que nós não enxergamos a realidade. É porque nós não abrimos os olhos da consciência para enxergar a realidade.

Então, o importante é abrirmos os olhos da consciência. Mas, que coisa é a consciência? A consciência é a realidade dentro de nós mesmos. A consciência em nós é o Eterno, é o Infinito, é o Absoluto. A consciência em nós é Brahman, é Tao, é Yahve, é a Divindade. Isto é a consciência. Quando então a nossa consciência começa a funcionar e nós não vemos só com os olhos, e nem ouvimos só com os ouvidos, nem tangemos só com as mãos, nem só analisamos pela inteligência… – mas quando temos uma revelação, uma intuição, uma inspiração, então, nós entramos em contato com a realidade. Quando somos inspirados, quando temos intuição e quando recebemos uma revelação do Infinito, do Eterno, do Transcendente – então, nós conhecemos a realidade, estamos na verdade.

E por que quase ninguém recebe a intuição e quase ninguém tem a revelação da realidade e quase ninguém está na verdade?

Porque o grosso da humanidade não consegue a consciência da realidade que se chama verdade. A verdade é a consciência que eu tenho da realidade – isto se chama verdade. Porque é que quase ninguém chega à consciência da realidade… Sabeis por quê? Porque nós estamos saturados, supersaturados, hipertrofiados de facticidades. As facticidades são dos sentidos, dos olhos, dos ouvidos, do tato e da inteligência que são fatos. Enquanto nós estamos hipertrofiados de facticidades estamos vazios da realidade. Quer dizer, onde há muitas facticidades dos sentidos e da inteligência, nós não chegaremos ao conhecimento da realidade.

Se nós conseguíssemos esquecer por 5 minutos, por 10 minutos, por 20 minutos, por meia hora, todas as facticidades e não tivéssemos mais nenhum pensamento, nenhuma visão, nenhuma audição, nenhum tato e nenhum desejo; então estaríamos livres das facticidades. Mas isto é uma coisa impossível para o homem comum. Entre 1 milhão de homens não há 1 que consiga isto. Mas se ele consegue libertar-se das facticidades por algum tempo, ao menos meia hora por dia, ele vai ter a maior revelação da realidade.

A realidade é  a Divindade. A realidade é o infinito. Mas, só se pode ser plenificado pela realidade quando se é esvaziado das facticidades. O nosso ego é entupido de facticidades e por isso ele não chega ao conhecimento da realidade. É um processo muito difícil, a gente se deixar invadir pela realidade. Nós não podemos invadir o infinito, mas o infinito nos pode invadir.

Eu não posso invadir a Divindade, mas a Divindade me pode invadir. Eu não posso invadir o Absoluto, mas o Absoluto me pode invadir. Eu posso ser invadido pela realidade, mas eu não posso invadir a realidade

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Aqui está o diagrama. O centro é a realidade; os raios que vão para todos os lados são as facticidades. Fiz alguns raios reversivos – são a conscientização da realidade.

Os outros seres que vão para fora, mas não voltam são as creaturas fora de nós, o mundo mineral, o mundo vegetal, o mundo animal. Mas nós temos esta possibilidade: viemos do centro da realidade e podemos voltar para o centro da realidade.

Quando alguém só vem da realidade ele não tem consciência da realidade, mas se alguém sai da realidade e volta conscientemente para a realidade – então ele está na verdade. Só nós podemos estar na verdade. Os outros seres não têm a faculdade de conhecer a realidade. Portanto os outros seres não podem atingir a verdade e por isto os outros seres não se podem libertar. Só nós podemos libertar-nos da ilusão das facticidades. Os outros seres vivem na mesma ilusão, mas não sabem.

O mineral também vive nas facticidades. O vegetal vive nas facticidades. O animal vive nas facticidades. Estão escravizados, mas não sabem nada da sua escravidão, porque nos outros seres acontece tudo automaticamente. Nós somos os únicos seres, aqui na terra pelo menos, que podemos conhecer o que somos, isto é, eu sou esta realidade. Aqui eu estou nas minhas facticidades. Mas dentro das minhas facticidades do meu ego eu conheço que eu tenho a minha origem na Realidade. Então, eu volto para a Realidade donde vim. É ida e volta, os outros só têm ida, não têm volta. Eu venho da realidade e eu volto conscientemente para a realidade. Isto se chama autoconhecimento e autorrealização, palavras tão usadas atualmente. Se eu faço este movimento eu tenho a consciência, a minha origem é também o meu destino. A minha origem tem que ser o meu destino final.

Mas, os outros seres não podem conhecer, eles não sabem que vieram da realidade. Vieram da realidade inconscientemente. O animal também veio da realidade, a planta veio da realidade, o mineral também veio da realidade – mas não podem saber; porque não têm consciência suficiente para saber isto. Nós somos os únicos seres que depois de terem emanado da realidade podem ter a consciência da sua fonte. Podem ter a consciência e dizer, eu vim da Infinita Realidade. Agora estou aqui, aparentemente fora da Realidade, mas eu descobri que eu posso conscientemente, livremente, voltar para donde eu vim. Isto se chama autoconhecimento, autorrealização que produz imortalidade.

A imortalidade não é possível sem isto. Quem apenas sai do Infinito como os animais, não se imortaliza. Mas quem saiu do Infinito como nós e está aqui nos finitos, e nele desperta a consciência: eu vim do Infinito e eu posso conscientemente voltar para o Infinito… Ele se imortaliza. Isto então é a nova humanidade.

Os supraterrestres, os terrestres e os infraterrestres – é a divisão que São Paulo faz dos seres conscientemente livres. Ele chama isto as creaturas celestes, terrestres e infraterrestres. Ele atribui livre arbítrio e consciência os três grupos de seres conscientes: os supraterrestres que ele chama os celestes, os terrestres que somos nós e os infraterrestres as outras humanidades abaixo de nós, que não sabemos, mas eles podem ter autoconhecimento.

Os seres celestes – vamos dizer, os anjos – nós sabemos o que são – podem ter conhecimento de si mesmos. E os terrestres, que somos nós, podem ter autoconhecimento e autorrealização. E os infraterrestres, talvez muito atrasados, mas ainda podem ter autoconhecimento e autorrealização. Uns mais cedo, outros mais tarde, mas isto é questão de tempo.

Onde existe uma potencialidade creadora existe a possibilidade de autoconhecimento e autorrealização. Em qualquer ser livre dotado de livre arbítrio e consciência existe a possibilidade do autoconhecimento e de autorrealização. E os mestres atribuem isto à libertação.

Conhecereis a verdade sobre vós mesmos e o conhecimento da verdade vos libertará de toda ilusão.

 

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                                                                                                                           ideafixa.com

Primeira parte da aula 14ª ministrada por Huberto Rohden em 9/ago/1977, esclarecendo alguns importantes conceitos filosóficos.

 

Hoje, depois da televisão, alguém me disse: O senhor anunciou na televisão que ia dar aula de Filosofia sobre autoconhecimento e auto-realização. Não vai continuar sobre a Nova Humanidade?”

 Eu disse: “Exatamente, tanto uma como a outra coisa – porque é o mesmo. Não existe nenhuma Nova Humanidade sem autoconhecimento e sem autorrealização, porque a Nova Humanidade não é massa, é apenas elite. A Nova Humanidade não vai começar com o 3º milênio, como alguns disseram por aí. Nem com o 4º milênio. Nem com o 10º milênio ou no 20°. Isto nada tem que ver com massa, massificação. Cada um de nós pode iniciar a Nova Humanidade dentro de si, porque a Nova Humanidade nunca existirá como massa. Nunca existirá 50% da Nova Humanidade, nem sequer 20%, nem talvez 10% – porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos.”

Traduz assim: Muitos são os vocados e poucos os evocados. Os vocados são massas, os evocados, uma elite. Portanto, autoconhecimento e autorrealização são a mesma coisa que  Nova Humanidade, a qual começa dentro de cada um de nós. Mas se houver muitas pessoas autorrealizadas, então também se vai notar uma diferença na humanidade coletiva, lá fora, na massa; mas isto depende dos indivíduos. Não depende da massa. Os indivíduos produzem a massa, mas a massa não produz os indivíduos. Não se pode inverter a frase.

Hoje na televisão eu falei sobre Einstein… sobre a sabedoria de Einstein. Não a sabedoria das palavras dele, mas a sabedoria da vida dele. E no fim eu citei uma frase dele que diz assim. “A matemática é absolutamente certa enquanto ela ficar no abstrato. Mas ela perde da sua certeza na razão direta que ela se concretiza”.

E D. Xênia que estava ao meu lado disse: “É…, já fundiu a minha cuca”.

Por que ela disse isso?

Quer dizer que ela não compreendeu nada. Eu creio que com vocês  vai acontecer a mesma coisa. Muitos vão fundir a cuca; porque nós usamos uma linguagem muito exata, matematicamente certa, lógica de alta precisão, e muitos não estão habituados a esta linguagem. Confundem ser com existir. Confundem Deus com a Divindade, confundem o ego com Eu. Confundem tudo. E por isso vão fundir a cuca quando eu falo em termos de alta precisão.

Então, o principal, em um curso de filosofia, não é saber uma porção de coisas. O principal é saber pouquíssima coisa, mas com absoluta clareza. É melhor saber 10 coisas com clareza do que 100 com confusão. E é difícil para quem não está habituado a pensar corretamente, compreender uma linguagem de precisão matemática como nós usamos aqui.

As revistas (são muito superficiais) a cada momento questionam se o universo é finito ou infinito. Então discutem que alguém descobriu que o universo é finito; outro descobriu que o universo é infinito. Assim discutem nas revistas,mas não tem nenhum sentido. Pura confusão! Outros querem saber se o homem é mortal ou se é imortal. Não tem nenhum fundamento discutir isto. Outros querem saber se a vida neste mundo é eterna ou não é eterna. Tudo isto é bobagem. Isto é linguagem de jornal, é linguagem de revista ilustrada que não usa uma linguagem de precisão. Usa a linguagem bagunceira de cada dia.

Se alguém me perguntasse: “o Sr aceita que o universo é eterno?” Ou, “se é infinito ou finito?” Eu diria: “ele é finito e também é infinito. Não é ou – é finito E infinito.” Se alguém me pergunta, “o Sr aceita que o homem é mortal ou imortal?” Eu digo, “ele é tanto mortal como imortal.

Como é que pode ser as duas coisas ao mesmo tempo? É claro que pode ser. E se alguém me perguntasse: “a vida neste mundo é eterna ou temporária?” Eu diria “ela é eterna e também é temporária.

Por quê? Porque na essência tudo é eterno, na existência tudo é temporário.

Agora, quem não sabe distinguir entre essência e existência, ou afirma que é eterno, ou afirma que é temporário; ou afirma que é infinito ou afirma que é finito. Ou afirma que é mortal ou afirma que é imortal. Por causa da confusão.

Na filosofia temos que compreender que todas as coisas deste mundo – não somente os homens – são eternos e também são temporários. Em que sentido? A essência é uma só em todos os seres. Nas pedras, nos vegetais, nos animais, nos homens, nos anjos, em outras entidades. É a essência do ser – não existem essências, no plural.

No vidros de cosméticos existem “essências”, no plural. Este é o significado físico da palavra “essência”. Mas não existe “essências”, no plural, na filosofia. Na filosofia usamos a palavra “essência” no seu sentido metafísico. O ser é a essência. O ser é absoluto. Não tem plural, não há seres. O ser é eterno. Em resumo: todas as coisas são eternas no seu ser, na sua essência, no seu absoluto; mas não são eternos na sua existência.

Agora já temos a célebre divisão entre essência e existência, entre ser e existir, entre realidade e facticidade. É preciso fazer esta acrobacia mental.

Eu chamo isto acrobacia mental. Fazer uma ginástica mental até chegar a uma perfeita clareza. D. Xênia hoje fundiu a cuca porque eu disse: Einstein disse que “a matemática é absolutamente certa enquanto ela ficar no abstrato.

Na linguagem comum, quando dizem “abstrato”, pensam em algo que é irreal. É só uma coisa pensada, imaginada, mas que não é real. Isto geralmente se considera “abstrato”. Concreto e o que julgam ser real é aquilo que se pode ver, pode-se ouvir, e até pode-se tanger. E pensam que este concreto é a realidade. O abstrato, neste caso, é mais ou menos irreal – é utópico, longínquo, mas não é muito sólido; é muito vaporoso e muito aéreo.

Mas Einstein usa a palavra ‘abstrato’ no sentido de puríssima realidade.

Quando dizemos que o homem é ao mesmo tempo abstrato e também é concreto, entendemos que abstrato é a realidade, eterna, infinita, absoluta do homem. E por concreto entendemos o seu corpo, as suas facticidades, o seu ego. O seu ego é concreto, mas o seu eu é absolutamente abstrato. Por isso, na nossa linguagem, abstrato é a puríssima realidade. E concreto não é a realidade. As coisas físicas são concretas, mas a metafísica é absolutamente abstrata. As coisas físicas não são reais. As coisas metafísicas são reais.

Usamos linguagem matematicamente certa. A mesma linguagem que se usa na matemática, usamos na filosofia. Afirmamos, pois, que o nosso ser, a nossa essência, o nosso eu, é abstrato… Ou seja, não podemos ver, não podemos ouvir, não podemos tanger, nem podemos analisar o nosso EU verdadeiro. O nosso eu verdadeiro é transcendental, é além da física, metafísico. Mas o transcendental, o abstrato, o metafísico é que é a realidade.

Temos que inverter completamente os nossos conceitos diários.

A madeira é real, para o homem comum; o papel é real… Esta é a linguagem comum. Mas nada disto é real. Porque o que se pode perceber pelos cinco sentidos, ou por um dos cinco sentidos, e o que se pode analisar mentalmente não é real. Também não é irreal. Então, o que ele é? Apenas realizado. Realizado é muito menos que o real, mas não é irreal. Nós não podemos dizer que esta madeira é irreal. Este metal é irreal. Não é verdade, mas também não é real. Veja como é necessário clarificar os conceitos: as coisas que podemos perceber com os 5 sentidos e analisar com a nossa inteligência, não são coisas reais. Mas também não são irreais.

A filosofia oriental chama isto maia, quando quer dizer que é realizado, mas que não é real. Real, a filosofia oriental diz, é somente Brahman. Brahman eles chamam a essência, a realidade infinita, a realidade absoluta, a realidade eterna. Na filosofia da China, o Eterno, o Infinito, a Realidade, o Absoluto se chama Tao. Entre os hebreus, a Realidade Infinita se chamava Yahve, falsamente pronunciada Jave, ou Jeová. Mas a pronúncia hebraica é Yahve, com y no princípio. Isto eles chamavam a realidade.

Alguns pensam que se pode chamar a Realidade de Deus, mas não está muito certo. Devemos chamar a Realidade de Divindade. A Divindade é abstrata. A Divindade é realidade, a Divindade é absoluta, é infinita, é eterna. Isto nós podemos substituir por Realidade. Mas na filosofia nós não usamos muito o termo “Divindade” – usamos os termos Realidade, Absoluto. O contrário de absoluto é relativo. O contrário de eterno é temporário. O contrário de infinito é finito.

Logo: Todas as coisas que nós podemos ver, ouvir, tanger, analisar mentalmente, são coisas finitas, são coisas temporárias e são coisas relativas; Mas não podemos ver o Absoluto – nem ouvir, nem tanger. Os nossos cinco sentidos não atingem a realidade, atingem as facticidades.

Aquilo que é derivado da realidade chamamos as facticidades, os fatos. As coisas concretas são os fatos. A coisa abstrata é a realidade. Podemos até dizer que a alma do universo é a realidade e o corpo do universo é as facticidades. Esta é a linguagem de Spinoza, o grande pensador do século XVII. Ele chama Deus a Alma do universo – e isto que nós vemos, ela chama o corpo de Deus. Deus como Deus ninguém pode ver. Nunca ninguém viu Deus com os olhos. Nunca ninguém ouviu a Divindade. Nunca ninguém tangeu a realidade, porque isto não é objeto dos sentidos. Isto não é objeto nem do pensamento. Isto é além de todos os sentidos e além de todos os pensamentos. Isto é a realidade.

Portanto, na vida comum nós nunca chegamos à realidade. Na vida de cada dia nós só lidamos com fatos, com facticidades. Lidamos com derivados, com relativos, com coisas temporárias. Lidamos com coisas finitas e erradamente chamamos isto de “ real”. Nada disto é real. Tudo isto é apenas realizado. O efeito da realidade se chama o realizado. A causa é a realidade. Os efeitos são o realizado. Quando uma coisa sai da realidade invisível, eterna, absoluta, transcendental e entra na zona dos realizados, então se torna perceptível para nós e analisável. Podemos, então, perceber, ver, ouvir, tanger e até analisar cientificamente as coisas realizadas. Toda ciência trata disto. A ciência não trata da realidade.

É claro que os cientistas não gostam que se diga isto. Mas é pura verdade. Nenhuma física, nenhuma química, nenhuma biologia, nenhuma eletrônica, nenhuma ciência atômica trata da realidade. Tratam de fatos, tratam de facticidades, tratam de derivados, tratam de efeitos, mas não tratam da causa. Não tratam da realidade.

Então, na filosofia nós temos que ver qual é a relação entre a realidade e as facticidades. Alguma ponte que possa unir a realidade com as facticidades, que possa unir o Absoluto com os relativos, que possa unir o infinito com os finitos, que possa unir o eterno com os temporários, que possa unir o Creador com as creaturas.

Aqui estão os dois polos. O polo da realidade e o outro, o polo das facticidades. E estes 2 polos juntos se chama universo – Uni – verso.

Neste diagrama, há um ponto central, e muitos raios que partem dele. O ponto central seria o que chamamos de “Realidade”. E os raios são as facticidades. O centro seria o Eterno, o Infinito, o Absoluto, a Divindade, Brahman, Tao, Yahve, a alma do universo.

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O ‘UNIVERSO’ seria o todo. Os raios seriam os VERSOS e o centro seria UNO.

É claro que isto é um símbolo, muito imperfeito. Mas dá mais ou menos uma ideia. Tudo vem do centro, tudo vem da Alma do universo, mas a Alma do universo não é visível. A Alma do universo nunca foi vista. E nunca foi ouvida e nunca foi tangida por ninguém. Nem foi pensada. Ninguém pode pensar a realidade. Ninguém pode pensar o infinito. Então, praticamente parece que estamos eternamente separados da realidade; que  nunca podemos saber o que é a realidade. No princípio a gente entra em desespero – tem vontade de jogar tudo fora e não fazer mais nada; porque se não posso atingir a realidade, eu vivo eternamente nas facticidades, eu vivo numa eterna ilusão. Porque os fatos, as facticidades não são a realidade.

Estamos, assim, numa espécie de pessimismo universal. Mas graças a Deus podemos nos salvar do pessimismo universal. Apesar de não podermos ver, nem ouvir, nem tanger, nem sequer pensar a realidade – contudo podemos ter plena certeza da realidade.

De que modo? Porque o homem comum pensa que a certeza vem do ver, do ouvir, vem do tanger – para o homem comum… Para o cientista, a certeza vem do analisar, do demonstrar na física, na química, na eletrônica. A certeza é do laboratório.

Mas, para a filosofia a certeza não é dos sentidos, a certeza não é dos ouvidos, a certeza não é do tato, a certeza não é da inteligência, e apesar disto podemos ter certeza.

Existe alguma coisa em nós além dos sentidos, além da inteligência? Aparentemente não; realmente, sim. Se fôssemos apenas sentidos e inteligências, viveríamos eternamente na ilusão e nunca chegaríamos a perceber a realidade. Mas podemos ter plena certeza da realidade, não através dos sentidos, não através da visão, não através da audição, não através do tato, não através do pensamento, da inteligência. Estes caminhos não nos levam à realidade. São preliminares, provisórios, mas não chegam até o fim.

Então, estamos diante deste estranho impasse: Se os sentidos e a inteligência não nos revelam a Realidade, o Absoluto, o Eterno, a Divindade, Brahman, Tao, Yahve, como é que vamos descobrir a realidade? Estamos diante deste impasse. E no princípio nos tornamos pessimistas e céticos universais. Dizemos: Bem, é inútil querer ter certeza sobre a realidade, porque a realidade não é um objeto dos sentidos, e não é nem sequer um objeto da inteligência. De que coisa a realidade é objeto?

Aparentemente de nada, porque o homem comum não sabe nada fora dos seus sentidos e fora da sua inteligência. Ele pensa que o mundo todo é do sentido e da inteligência. E nós negamos que a Alma do universo possa ser descoberta pelos sentidos, nem sequer pela inteligência. Ela não pode ser descoberta fisicamente, nem mentalmente. Se não pudermos ultrapassar os sentidos e a mente, estamos perdidos. Nunca teremos certeza de coisa nenhuma. Tudo é duvidoso. Tudo que os sentidos nos dizem não é a verdade. O que a inteligência nos diz não é a verdade.

E nós queremos a verdade.Novo Universo

 

images                                                                                        notícias.gospelmais.com.br

Cá estou eu para falar deste espinhoso assunto.

De início devo declarar que, como Sr. Aécio e Sra. Dilma, entendo que a desigualdade social no País deve ser reduzida e a pobreza eliminada. A minha formação é cristã e, consequentemente, tenho um respeito enorme pelo ser humano de sorte que ver uma pessoa passar por necessidades básicas é inaceitável; também não aceito a exploração de uma pessoa por outra, em quaisquer circunstâncias. Pobreza e desigualdade social sempre existiram no Brasil, desde a chegada por cá do Sr. Cabral. Sempre foram, desde que me conheço por gente (e faz tempo!), plataforma política de nossos políticos – uns, quem sabe, com boas intenções, outros simplesmente para enfeitar seus objetivos. Getúlio Vargas abordou o tema quando instituiu o Salário Mínimo, pensando em reduzir a exploração de trabalhadores por seus patrões. Recentemente o PSDB no poder iniciou o enfrentamento do problema mas, a meu ver, pode fazer muito pouco, certamente em razão das circunstâncias vigentes. A eliminação da inflação galopante ajudou, sem dúvida, a população mais pobre, mas considero que tenha sido mais uma imposição econômica. O PT, navegando em mar calmo graças ao excelente governo de FHC, pode trazer outros benefícios à gente carente, mas o fez de forma totalmente descontrolada, visando tão somente a solução do problema imediato, sem qualquer objetivo de médio/longo prazo, como, por exemplo, permitir/exigir/dar condições para esta gente superasse, pelo próprio esforço/compromisso, a sua situação degradante. Foi, a meu ver, mais um dos golpes baixos deste partido comunista, islâmico, totalitário, para permanecer no poder, por enquanto legalmente, para lançar as seus alicerces de poder total.

 

Aqui tenho que falar alguma coisa do PT e seus mentores. Tudo leva a crer que este partido hoje está nas mãos da ala mais radical do comunismo, estreitamente associado ao maoismo chinês, tendo por elo o Foro de São Paulo (por que os investimentos em Cuba, Venezuela…). Sentem-se muito à vontade com o Socialismo já vigente (veja Olavo de Carvalho) e se preparam para o golpe de misericórdia para a transição do comunismo (veja a proposta dos Conselhos Populares e a lei que acaba com a propriedade privada). Desejam uma “democracia” do tipo cubana, venezuelana, ou chinesa. Os grandes chefes do partido, entre eles José Dirceu, Genuíno, Delúbio etc. e outros talvez mais importantes mas que preferem o ostracismo político, e que dizem que lutaram pela “democracia”, na verdade, como a Dilma, participaram de movimentos guerrilheiros altamente belicosos que assaltaram bancos, o cofre do Ademar, praticaram sequestros, colocaram bombas em locais públicos etc., etc. e se chegassem ao poder eliminariam todos os “inimigos”, como fez Fidel em Cuba. A sua atuação pregressa demonstra que, de forma alguma, receberam qualquer influência da cultura cristã brasileira. São ateus da pior espécie, que não têm qualquer consideração pelo ser humano – aliás, o namoro com o Islamismo radical seria para erradicar o cristianismo, depois…

Vitimas do terror vermelho 2                                                                                    imagohistoria.blogspot.com

O que já acontece na educação, por exemplo, demonstra o que pretendem. Os textos para nossas crianças que a partir de 3 nos serão obrigadas a ir para a escola, acabam com os valores da família – as constituídas de pai e mãe (macho e fêmea) serão excreções; desde cedo são incentivadas ao homossexualismo. Qualquer menção à religião será proibida na escola, pois estamos em um estado laico. Os vultos de nossa história pátria serão substituídos por Che Guevara, Fidel Castro, Zé Dirceu… Todo este trabalho é só para acabar com as resistências sociais – não existem valores, não existe história, só existe o Estado. As ideias socialistas/comunistas serão introduzidas de forma que a nova geração seja absolutamente concorde com o novo regime.

Crianças robô                               apaginavermelha.blogspot.com

As dificuldades econômicas atuais são apenas passos para a transição. Ainda necessitam de algum capitalismo para sobreviver. Depois é só distribuir cupons de alimentação para se buscar o que ainda existir. Vale lembrar que o comunismo stalinista não deu certo na Rússia, o comunismo acabou com Cuba e está acabando com a Venezuela (e com o Brasil). Os países “não alinhados” (Colômbia e Peru) da América do Sul estão hoje em muito melhores condições que o Brasil.

Fome na Venezuela                                                                                                    homemculto.com

Você há de concordar que o PT sempre reclamou da mídia. Ultimamente sente-se perseguido pela imprensa que relata os depoimentos dos réus das Petrobras, reclamaram (e reclamam) quando se fala do Mensalão. Dilma jura que irá punir quem tiver praticado “mal-feitos”, mas não tomou ainda qualquer providência contra denunciados que continuam como chefes do partido e ocupando cargos em sua administração. Se eleita, dirá que “tudo é mentira”, punirá o juiz que cuida do caso, tchau e bênção… Afinal, eles trabalhavam para o partido e o dinheiro desviado era necessário para os seus objetivos. Jornalistas que ousam falar contra o PT já são ameaçados de morte.

cale-a-boca
                                                                 andradetalis.wordpress.com

Se me perguntarem se considero o capitalismo um sistema econômico justo – direi que não e, como tudo que existe, precisa de muita revisão e muito melhoramento. Gostaria de ter encontrado algo que o substitua. Segundo Karl Marx, o socialismo será a transição para um comunismo sem classes e sem governos. Tentaram praticá-lo, mas não funcionou – deturparam-no. Seus defensores se dizem cientistas e, como tal, rejeitam qualquer forma de religião. Mas eu ainda entendo que a sociedade ideal só surgirá com a transformação do homem em “humanos” (na definição de Rohden) – aí, qualquer regime econômico serve – servirá à sociedade. Se o PT continuar no poder, você acredita que terá liberdade de falar qualquer coisa parecida com isto?

Somos humanos                                                                  pensamentoslucena.blogs.sapo.pt

Gostei quando Aécio botou o dedo no nariz da Dilma e a chamou, inúmeras vezes, de MENTIROSA. Há 4 anos atrás eu já dizia que ela o era. Mas não foi especificado ainda o perigo que representa o PT no poder por mais tempo – o comunismo stalinista no Brasil. Este problema, você há de concordar, é maior que a corrupção perpetrada pelo PT.

Já estou com 77 anos. Não sei quantos anos de existência ainda tenho. Mas e os filhos, os netos? Vou ficar feliz em deixá-los em mãos erradas?

E você?

 

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                                                          luterano-religar.blogspot.com

ESTA É A PARTE FINAL DA Décima Terceira aula do curso NOVA HUMANIDADE, ministrado por HUBERTO ROHDEN em 21 de junho de 1977. Refere-se a Moisés e nos dá informações valiosas, muitas das quais desconhecia, sobre este grande vulto bíblico. Ao final, retorna ao tema das duas árvores do Jardim do Éden para enfatizar, com a própria história de Moisés, o objetivo da evolução da humanidade de concepção pela hominalidade. 

Escutem! O que é que vocês pensam de Moisés? Quem foi ele? O que sabemos pela Bíblia e por outras fontes de Moisés? Onde é que ele nasceu?

– No Egito, no tempo dos faraós.

Sabemos que nasceu no Egito, e durante os primeiros 40 anos, onde ele esteve?

Foi educado na corte real do Faraó – um dos faraós, não sabemos quem foi – educado, segundo a Bíblia, pela princesa real que o teria tirado das águas. Isto é o texto bíblico, e todos pensam que é das águas do Nilo. Mas há outra mensagem muito esotérica que não é da Bíblia, mas, muito profunda, diz que Moisés nasceu no Egito, mas, nasceu das águas astrais. Não nasceu das águas físicas. Não foi encontrado no Nilo, porque os livros sacros usam a palavra astral em vez de água. Muitas vezes usam água quando quer dizer, no mundo astral. Nascer de água e espírito – palavra de Jesus a Nicodemos – “deveis nascer de água e de espírito”. Ele fala do nascimento não material, mas do nascimento humano. De água e espírito. E quando ele fala com a samaritana, da água viva, outra vez se refere ao mundo astral. Se considerarmos isto, podíamos dizer que Moisés possivelmente também nasceu do astral. Porque nada sabemos de um pai de Moisés, nada sabemos duma mãe de Moisés.

Bem, isto são hipóteses que eu não quero afirmar, nem negar – mas é bom saber que tais suposições são possíveis. No corpo de Jesus nós sabemos que isto aconteceu. Lá está claramente, em Mateus, em Lucas e na profecia de Isaías. Que não foi concebido de um modo material e físico, mas, humanamente. O corpo de Jesus, como veremos mais tarde, era um corpo perfeitamente humano. O corpo humano precisa de pai e de mãe, senão ele não é humano. Se o corpo tem só mãe, não é humano. Se ele não tivesse pai verdadeiro, não seria um homem completo. Mas, é claro que Jesus era um homem completo, verdadeiro como nós. Então, ele tinha um verdadeiro pai humano, mas Isaias nega, Mateus nega e Lucas nega que tenha tido um pai físico. Que não foi concebido fisicamente, mas foi concebido humanamente. Logo, ele supõe a possibilidade duma concepção humana astral, que na humanidade atual, praticamente é desconhecida, mas que é possível numa humanidade mais aperfeiçoada.

De Moisés não sabemos nada realmente, como ele nasceu. Sabemos apenas que foi encontrado e educado na corte do faraó. Lá esteve 40 anos, e foi educado em toda sabedoria dos egípcios, que era sobretudo magia mental, em alto grau. Os egípcios faziam coisas que nós hoje nem sabemos. Como eles construíram as pirâmides, ninguém compreende hoje em dia. Com nossos maiores guindastes modernos, nós não somos capazes de fazer, de levantar aqueles pesos, aquelas pedras que estão nas pirâmides. E o cálculo matemático que eles fizeram na posição relativamente ao sol, é uma coisa fantástica. O que estes homens sabiam sobre matemática e mecânica, e tudo isto. E como é que carregaram aquelas pedras lá para cima. É provável que eles não tenham carregado as pedras lá para cima. Eles tenham materializado aquelas pedras, porque os egípcios conheciam o segredo da materialização do mundo astral e da desmaterialização também.

Quando Josué, que foi o sucessor de Moisés, entrou na Fortaleza terrível de Jericó (na fronteira da Terra Santa havia uma fortaleza, Jericó) – não se podia tomar pelas armas, aquela fortaleza. Josué disse: “Nós não podemos destruir a fortaleza e sem destruir a fortaleza, não podemos entrar”. Como é que eles destruíram a fortaleza de Jericó? Está escrito no livro de Josué. Diz que mandou tocar hinos rodeando a Fortaleza uma semana inteira, produzindo vibrações aéreas pela música. E no sétimo dia ele mandou tocar o hino do Jubileu – nós não sabemos que hino era este. E quando tocaram o hino do Jubileu, com a banda de música deles, todas as fortalezas de Jericó ruíram por terra e virou areia pura. Ficou só areia, não tinha mais pedra. A pedra se transformou em areia!.. Como é que vamos explicar este fenômeno? Uma desmaterialização molecular, não atômica, mas molecular. Uma alta vibração pode produzir uma destruição material. Uma alta vibração de certo tipo pode quebrar vidros, pode desmoronar um muro. A matéria pode ser desmaterializada pelo som. Sobra areia. Parece que eles já conheciam esta magia mental de destruir pedras transformando-as em areia.

Se, podiam destruir, também podiam construir. É uma suposição que as pedras das pirâmides, que são de um peso enorme, não tenham sido carregadas lá para cima, mas tenham sido materializadas lá em cima. Primeiro, não eram pedras visíveis… Pedras astrais – e o astral não tem peso. Materializaram. Há documentos antigos que fazem crer que os egípcios conheciam materialização e desmaterialização. E Moisés foi instruído em tudo isto. Quando ele lançou as pragas sobre o Egito, nove falharam. Produziu doenças horríveis, que os magos do Egito neutralizaram todas. Mago contra mago. Mas, quando ele fez a décima praga da morte dos primogênitos, ninguém conseguiu neutralizar.

Quer dizer, 40 anos ele foi um mago, poderoso. Nos outros 40 anos ele virou místico. 40 anos no deserto, na solidão, teve muito tempo para escrever, para pensar. E provavelmente escreveu o Gênesis no deserto da Arábia, porque no Egito ele não estava em condições de fazer tais coisas.

Agora, no deserto da Arábia, entre 40 anos e 80 anos, ele tinha muita oportunidade, um ótimo ambiente para meditar, para intuir e para escrever. Isto foi nos últimos anos. Isto deve ter sido mais ou menos 1500 aC. Mais ou menos 1500 AC deve ter sido escrito o Gênesis no deserto da Arábia, onde Moisés viveu 40 anos. Nos últimos 40 anos ele andou peregrinando entre o Egito e Canaã. Isto tem que ser devidamente compreendido porque são discussões que se fazem em toda parte.

 

Voltando à ideia do homem… então havia no paraíso 2 árvores. A arvore do conhecimento do bem e do mal, quer dizer, as coisas puramente físicas não deviam ser usadas pelos primeiros homens. Eles deviam iniciar uma evolução do mundo físico, horizontal, rumo ao mundo mais espiritual.

 

EspiritualFísico

 

Vamos representar o físico pela linha horizontal, e vamos representar o espiritual pela linha vertical. Entre a linha horizontal e a vertical há muitos graus, segundo a nossa geometria há 90 graus . Quer dizer, a evolução partiu daqui e foi subindo, subindo, lentamente… – chegou até o meio – 45o aqui, e podia finalmente atingir o máximo da vertical. Quando o homem ainda está pertinho aqui, ainda quase 90% animal e apenas 10% homem, então ele tem apenas 10%, humano. Ainda é 90 graus animal, aqui ele vai diminuindo a sua animalidade e aumentando a sua hominalidade. Aqui ele já está no meio. Ainda é meio animal e já meio hominal.

E se ele avançasse na sua evolução rumo a vertical e se ele aproximasse aqui da vertical ele seria 80 hominal e apenas 10 animal. Já seria um homem de alta perfeição. Isto deve ter sido João Batista, porque Jesus diz: “Dentre os filhos de mulher ele é o maior de todos”. Tudo que está entre zero e 90. Pode haver mais graus ou menos graus de animalidade ou hominalidade, mas ele chama isto, filho de mulher, quer dizer, de uma concepção física, que á igual à do animal. Isto ele chama filho de mulher. Concepção humana, mas de corpo a corpo.

Quando alguém chega aos 90, superou tudo que é de filho de mulher. Então ele diz, filho do homem. Filho do homem é para ele o máximo da hominalidade e o mínimo da animalidade. Porque se eu chegar 90 – aqui a animalidade é zero e hominalidade é 100%. Esta a terminologia que se usa. Então os homens começaram aqui, no grau mais baixo. Foram subindo, subindo… e estão subindo. E onde a humanidade está agora nós não sabemos. Alguns estão aqui, alguns talvez estejam aqui; é muita coisa. Pouca animalidade e muita hominalidade.

Quem sabe se alguém está pertinho, aqui. Então, acontece como alguns destes que desmaterializam o seu corpo; têm o poder de desmaterializar o seu corpo, astralizar o seu corpo. Porque chegaram ao máximo da hominalidade, embora não tenham chegado até 90 graus. Vamos dizer, aqui já se pode desmaterializar o corpo material e substituí-lo por um corpo imaterial, que é o mesmo, mas em outra forma: Corpo astral.

A Bíblia conta que Enoc, Elias, Moisés…se desmaterializaram, não morreram. Moisés subiu ao Monte Nebo e nunca voltou. Foram procurá-lo, nunca encontraram seu cadáver, e nunca o enterraram. Diz o livro do Deuteronômio, no fim. Subiu ao Monte Nebo aos 120 anos, em perfeita juventude, olhou para a Terra Santa e não entrou e nunca voltou. Foram lá – nunca foi encontrado o corpo dele, e nunca ninguém o enterrou. Provavelmente ele é um dos astralizados.

Também em nossos dias ainda acontecem. Na Índia há diversos casos em que um yogue se desmaterializa, se astraliza e de vez em quando ele volta para se materializar temporariamente. Reúne seus discípulos, desaparece outra vez. Isto deve ser um alto grau de evolução humana. Um afastamento muito grande da animalidade. Pode ser neste setor aqui, a astralização. E quando alguém chega ao ponto 90, pode fazer mais do que astralizar-se.

Pode-se dizer: “Bem, eu estou aqui, tenho 33 anos. Vocês me podem matar, se quiserem”. Ele não se matou, não se suicidou, mas permitiu que outros o matassem, “mas não adianta nada. Eu vou ressuscitar o meu corpo morto. Destruí este templo do meu corpo, que em 3 dias eu vou reconstruir”. Ele o fez. Isto é o máximo. Só o filho do homem, talvez possa fazer isto. É mais do que transformar o corpo. Porque transformar é um poder muito grande, mas deixar se matar em plena vida, aos 33 anos, e dizer, “não adianta nada, eu vou ressuscitar depois de três dias, eu vou continuar a viver…” e ele o fez – durante 40 dias aparecia em corpo material para poder ser visto e apalpado. Aparecia em corpo astral quando não queria.

Quer dizer, materializar, desmaterializar, astralizar, desastralizar – é tudo um problema da evolução humana. Todo o Gênesis focaliza este problema. A evolução começa no ponto zero e pode culminar no ponto 90, que é o ângulo reto.