Category: Comentário de Eclesiastes


Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

Eclesiastes 11:

Bíblia de Jerusalém

  1. 1.       Joga o teu pão sobre as águas e depois de muitos dias, haverás de encontrá-lo[i].
  2. 2.       Reparte entre sete ou oito, porque não sabes que calamidade poderá sobrevir à terra.
  3. 3.       Se as nuvens vão cheias, descarregam a chuva sobre a terra. Caia para o sul ou para o norte, a árvore fica onde caiu.
  4. 4.       Quem observa o vento não poderá semear, quem examina as nuvens não poderá segar.
  5. 5.       Como não conheces o curso do vento ou como se formam os membros no seio da mulher grávida[ii], também não conheces as obras que Deus realiza.
  6. 6.       De manhã semeia tua semente, e até a tarde não cruzes os braços; pois não sabes qual delas dará bom resultado e se todas terão igual êxito.

 

Nova Tradução na Linguagem de Hoje
11.1   Empregue o seu dinheiro em bons negócios e com o tempo você terá o seu lucro.

11.2   Aplique-o em vários lugares e em negócios diferentes porque você não sabe que crise poderá acontecer no mundo.

11.3   Quando as nuvens ficam cheias, a chuva cai. Uma árvore pode cair em qualquer direção, mas, no lugar em que cair, aí ficará.

11.4   Quem fica esperando que o vento mude e que o tempo fique bom nunca plantará, nem colherá nada.

11.5   Deus faz todas as coisas. E, como você não pode entender como começa uma nova vida dentro da barriga de uma mulher, assim também não pode entender as coisas que Deus faz.

11.6   Semeie de manhã e também de tarde porque você não sabe se todas as sementes crescerão bem, nem se uma crescerá melhor do que a outra.

Este texto, especialmente o verso primeiro, sempre me pareceu cristalino, visto as muitas vezes que ouvi sua exposição. De forma que até me assustei quando li o que disse um comentarista (e não foi um só):

 Esse texto que tem lançado muita dúvida sobre sua interpretação, com certeza nos tem algo a passar da parte de Deus. A chave para o entendimento dessa passagem está na palavra “pão”. A palavra hebraica traduzida aqui por pão, tem também outros sentidos, um deles é “grão”, usado em panificação, dessa forma o texto parece se referir a um antigo costume egípcio que os judeus conheciam bem, que era lançar a semente (grão) sobre as águas do rio Nilo, quando ele transbordava anualmente, dessa forma a semente ficava soterrada no local da cheia, quando as águas do Nilo recuavam àquelas sementes brotavam e davam a colheita devida.

http://marcosandreclubdateologia.blogspot.com.br/2011/03/interpretacao-biblica-lanca-teu-pao.html

Por que lançar o pão na água: ele estraga. Eu nunca havia pensado nisto. No “frigir dos ovos” a lição será a mesma, mas não atinava que a interpretação era figurada e não conhecia o possível evento que a originou, ou seja a semeadura sobre as águas do Nilo.

O que será que as Escrituras Sagradas estão nos ensinando aqui?

A palavra “pão” sempre foi figura daquilo que ganhamos no dia-a-dia. As pessoas nos indagam:

– “Você está indo pra onde?”

– Vou ganhar o pão de cada dia (trabalho).

Os estudiosos do AT, nos dizem que aqui há duas figuras:

1ª Figura: AS CHEIAS DO RIO NILO – Eles jogavam as sementes quando a enchente estava baixando, no final da baixa, as sementes do trigo e da cevada, floresciam.

2ª Figura: O COMERCIANTE – O comerciante pegava o seu barco, carregava com os bens que havia produzido e sai para comercializar em outras terras. “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”.

http://joaodeca.blogspot.com.br/2007/08/lana-o-teu-sobre-as-guas-eclesiastes-11.html

 

 Pr. Olavo Feijó
Eclesiastes 11:1 –  Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás.
Salomão quis escrever sobre generosidade na distribuição daquilo que temos. Aí, ele usou uma imagem que os leitores da época entenderam bem: “Atire seu pão sobre as águas: depois de muitos dias você tornará a encontrá-lo” (Eclesiastes 11:1).
O natural, na atitude neurótica das pessoas, é a possessividade: quanto mais tem, mais quer. Aliás, para muitos de nós, tudo deveria ser nosso: o dinheiro, as vantagens, as bênçãos e, até, as pessoas. Quem chega a este ponto, realmente acredita que doar é uma postura de amputação de si mesmo, de desfiguração…
A Bíblia é anti – neurose. Ela ensina que “dar é melhor do que receber”. Por isso, ela diz que necessitamos da reforma interior que Cristo realiza. O amor do Cristo, que é doador na sua essência, é o único poder capaz de transformar pessoas possessivas em pessoas generosas. Fomos salvos para ter o dom de compartilhar, tipo “vai faze o mesmo”, da parábola do Bom Samaritano. O negócio é acreditar na promessa bíblica e, corajosamente, atirar nosso pão sobre as águas.

http://devocionais.amoremcristo.com/devocionais_texto.asp?id=738

 

Daí o lúcido comentário encontrado na Bíblia on-line da Sociedade Bíblica do Brasil:

Bíblia on-line:

Lança o teu pão sobre as águas. O Bispo Lowth diz que isto significa: “Semeia a tua semente ou milho sobre a face das águas.” Em termos claros, semeia sem esperar pela colheita; faze o bem até mesmo a quem os teus préstimos parecem inúteis. O Dr. Jebb ilustrou isto muito bem nos seguintes textos: “Os favores feitos a homens maus são vãos; não menos vão é semear nas profundezas espumantes. A profundidade não proporciona colheita agradável; assim o perverso nunca dará retorno.” “Favorecer os perversos é semelhante a semear no mar.”

Outra ênfase que dão alguns comentaristas é que a semeadura, ou seja, a prestação dos benefícios, tem em mira “os pobres”, pois eles representam a “multidão” – no versículo simbolizada pelas “águas”. Estas outras porções bíblicas poderiam justificar esta tese:

Deuteronômio

15.7   — Se houver um israelita pobre em qualquer cidade da terra que o SENHOR, nosso Deus, vai dar a vocês, tenham pena dele e o ajudem.

15.8   Sejam generosos e emprestem todo o dinheiro que ele precisar.

15.10   Não dê com tristeza no coração, mas seja generoso com ele; assim o SENHOR, nosso Deus, abençoará tudo o que você planejar e tudo o que fizer.

 

Provérbios

22.9   Quem é bondoso será abençoado porque reparte a sua comida com os pobres.

 

Salmos
41.1  Felizes são aqueles que ajudam os pobres, pois o SENHOR Deus os ajudará quando estiverem em dificuldades!

41.2   O SENHOR os protegerá, guardará a vida deles e lhes dará felicidade na Terra Prometida. Ele não os abandonará nas garras dos inimigos.

 

Mateus
25.40   — Aí o Rei responderá: “Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram.”

De minha parte prefiro o entendimento do Bispo Lowth, acima transcrito. O agir corretamente, com justiça, com integridade, com generosidade, deve ser cometido a todo momento, com quaisquer pessoas, pouco importando se haverá recompensa ou não. Os versos abaixo apoiam este entendimento. Isaias vai mais longe – a nossa bondade deve se estender ao boi e ao jumento (humano, ou não, naturalmente).

Provérbios

11.18   O ímpio recebe um salário enganoso, mas, para o que semeia justiça, haverá galardão certo.

11.25   Quem é generoso progride na vida; quem ajuda será ajudado.

Isaías
32.20   Bem-aventurados vós, que semeais sobre todas as águas e que dais liberdade ao pé do boi e do jumento.

 

2 Coríntios
9.6   Lembrem disto: quem planta pouco colhe pouco; quem planta muito colhe muito.

Gálatas

6.9   Não nos cansemos de fazer o bem. Pois, se não desanimarmos, chegará o tempo certo em que faremos a colheita.

Os versos de Eclesiastes 11:3-6 também dão suporte a esta forma de pensar. Até o verso 3, que parece meio deslocado, será que não está enfatizando: age corretamente, não importa quem se beneficiará; o justo agir existe para ser praticado, não importa em que banda aportará.

E não pare de agir com correção, não pare de semear – não é você quem escolhe onde a colheita será fértil. Nós não estamos aqui no planeta Terra para aprendermos a nos relacionarmos uns com os outros? Afinal, somos uma só alma. E a regra básica de nosso viver é “amar ao próximo como a si mesmo”, e como diz Yehuda Berg: “o resto é comentário”.

ESPERO CONTINUAR.


[i] Rodapé BJ: Alguns intérpretes pensam na isca lançada ao mar pelo pescador, que a retira na boca do peixe; outros pensam no comércio marítimo. Nesta série de sentenças sobre o risco, pode-se perceber a atitude que Coélet deseja a seu discípulo. Ele não quer desencoraja-lo na busca da felicidade, mas, ao preveni-lo dos imprevistos, quer tirar-lhe as ilusões. A conclusão do Coélet é positiva: deve-se trabalhar e enfrentar os riscos.

[ii] Rodapé BJ: Lit,: “como os ossos no seio da mulher grávida.”

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Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

SOBRE REIS E PRÍNCIPES

Eclesiastes 10:

Bíblia de Jerusalém

16 Ai do país cujo rei é um menino e cujos príncipes madrugam para suas comezainas.

17 Ditoso o país cujo rei é nobre e cujos príncipes comem quando é hora, e não põem sua valentia no beber.

Almeida, revista e corrigida
 10.16   Ai de ti, ó terra, cujo rei é criança e cujos príncipes comem de manhã.
10.17   Bem-aventurada, tu, ó terra cujo rei é filho dos nobres e cujos príncipes comem a tempo, para refazerem as forças e não para bebedice.

Nova Tradução na Linguagem de Hoje

10.16   Um país vai mal quando aquele que o governa se deixa levar pela opinião dos outros, e quando as autoridades começam a se divertir logo de manhã.
10.17   Mas um país vai bem quando quem o governa toma as suas próprias decisões, e as autoridades sabem se controlar, comem na hora certa e não bebem demais.

Aí do país cujo rei é um menino… Certamente Eclesiastes não está se referindo a um “menino” na idade cronológica. Nós, brasileiros, temos a experiência de um rei, ou melhor, um IMPERADOR que deixou saudades. Estou falando de D. Pedro II (1825-1891), segundo e último Imperador do Brasil. Perdeu a mãe, D. Maria Leopoldina da Áustria, quando contava 1 ano de vida; o pai, D. Pedro I, faleceu quando estava com 9 anos. Com apenas 6 anos de idade tornou-se Imperador na nova pátria BRASIL, com a abdicação de seu pai; aos 15 anos (menino ainda) é declarado maior e assume a espinhosa posição de IMPERADOR DO BRASIL.  Algumas referências a respeito deste nobre ORLEANS E BRAGANÇA:

… dedica-se aos estudos sob a orientação da camareira-mor D. Maria Carlota de Verna Magalhães, mais tarde condessa de Belmonte. D. Pedro II, mantém na corte os hábitos simples e sem formalidades, adotado antes por seu pai. Lê muito e acompanha as novidades científicas e literárias que surgem no mundo. Dedicava-se a estudar, com mestres ilustres do seu tempo, português, latim, francês, alemão, ciências naturais, música, pintura, esgrima e equitação.

http://www.e-biografias.net/dompedro_ii/

Tendo herdado um Império no limiar da desintegração, Pedro II transformou o Brasil numa potência emergente na arena internacional. A nação cresceu para distinguir-se de seus vizinhos hispano-americanos devido a sua estabilidade política, a liberdade de expressão zelosamente mantida, respeito aos direitos civis, a seu crescimento econômico vibrante e especialmente por sua forma de governo: uma funcional monarquia parlamentar constitucional. O Brasil também foi vitorioso em três conflitos internacionais (a Guerra do Prata, a Guerra do Uruguai e a Guerra do Paraguai) sob seu reinado, assim como prevaleceu em outras disputas internacionais e tensões domésticas. Pedro II impôs com firmeza a abolição da escravidão apesar da oposição poderosa de interesses políticos e econômicos. Um erudito, o Imperador estabeleceu uma reputação como um vigoroso patrocinador do conhecimento, cultura e ciências. Ele ganhou o respeito e admiração de estudiosos como Charles Darwin, Victor Hugo e Friedrich Nietzsche, e foi amigo de Richard Wagner, Louis Pasteur e Henry Wadsworth Longfellow, dentre outros.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_II_do_Brasil

A propósito,  alcunhavam-no o Magnânimo.

Infelizmente, nós brasileiros, temos também experiências – e quantas – com os governantes que nunca alcançaram a maioridade. Basta uma corrida de olhos nestas brevíssimas informações biográficas de D. Pedro II e entenderemos por quantos “meninos” morais temos sido governados.

Os nossos versículos, além da referência ao “rei menino”, fala também de seus “príncipes”, de suas comilanças e bebedices. Eu não tenho absolutamente nada contra Príncipes, muito menos contra a comida e a bebida; vou “jurar de pés juntos” que Coélet também não. Quando fala em ‘príncipes’ se refere aos amigos do ‘rei’, seus assistentes, seus conselheiros.

Comida e bebida… A cria nasce, não importa de que animal – o tigre, o macaco, o humano -, o que procura? Leite materno – alimento, comida, e bebida (tudo junto). À medida que passam os dias, as semanas, os meses, os anos, a cria saudável desenvolve outros interesses. A cria humana, como bem se infere das concisas informações sobre nosso Imperador, torna-se ávida por conhecimento, por relacionamentos sociais frutíferos, por assumir as responsabilidades que a vida lhe proporciona…

Triste é constatar humanos com muitos anos vividos cujo empenho é empanturrar-se da carne de seus semelhantes e embriagar-se no sangue de seu povo. Estou exagerando? Corrupção, apropriação de patrimônio público, desvio de verbas e todas as consequências que o conluio com o “mal feito”, de que são mestres nossos políticos, não levam exatamente à morte? Qual a consequência com o descaso com a saúde da população?  O que significa trabalharmos 4 ou 5 meses ao ano para pagar os impostos de “pessoa física’ para sustento da máquina pública? O que significa a exaustão das empresas nacionais com a maior carga de impostos do mundo? O que significa uma classe política que se concedem a maior remuneração do Planeta Terra? Atribui-se a Oscar Niemeyer, 104 (?) anos, comunista, ateu,  uma frase contundente que tem corrido o mundo através da Internet e que tem o apoio de milhões de brasileiros:

“Projetar Brasília para os políticos que vocês colocaram lá, foi como criar um lindo vaso de flores para vocês usarem como penico. Brasília nunca deveria ter sido projetada em forma de avião e sim, de camburão”.

Chega de falar destas coisas ruins.

Felizmente o verso 17 traz uma esperança:

Mas um país vai bem quando quem o governa toma as suas próprias decisões, e as autoridades sabem se controlar, comem na hora certa e não bebem demais.

Gostei! Vamos lembrar outra versão?

Bem-aventurada, tu, ó terra cujo rei é filho dos nobres e cujos príncipes comem a tempo, para refazerem as forças e não para bebedice.

Vamos sonhar com um Brasil assim? Somente sonhar não resolve nada? Eu já tomei algumas decisões: por exemplo, vou votar em branco na próxima eleição, ou seja, se depender de mim provocarei um rebu em nossa política; já manifestei meu apoio ao Partido Federalista – talvez não traga todas as mudanças que desejamos, mas seria um começo (AINDA tenho ESPERAÇA). A título de ilustração, transcrevo o item oitavo dos Fundamentos Gerais do Federalismo que, particularmente, muito me agrada:

8) Autonomia municipal em matéria de autogoverno – Os municípios terão total autonomia para determinarem sua forma de administração, seja através de prefeito e vereadores escolhidos pelo voto facultativo, ou, substitutivamente,  pela eleição de conselho municipal, companhia de desenvolvimento ou administrador urbano contratado, ou qualquer outra forma não autocrática que fira os princípios constitucionais das garantias individuais.

http://www.federalista.org.br/view.php?cod=31

Já perguntei a um vereador de minha minúscula cidade, por que os vereadores daqui têm que receber polpudos salários; quanto ao prefeito, se contratado pelo município, não teria “rabo preso” com outros políticos ou partidos: escolheria melhor seus assessores (pela competência e não por indicação); se cometesse falcatruas, seria posto na rua; focaria sua administração no atendimento da população e não em sua carreira política…

Será que alguém vai reclamar que estou usando um texto bíblico para falar de política? Mas o texto fala de “reis” e “príncipes” – governantes políticos. Lembro-me de um ditado judaico que se expressa mais ou menos assim: “se faltar farinha, não se fala em Torá”. Sábio, ou não?

Mas vamos encerrar esta digressão com texto de Salmos (67.1) que fará muito bem às nossas almas:

Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe; e faça resplandecer o seu rosto sobre nós.

ESPERO CONTINUAR


Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

O FALAR DOS TOLOS

ECLESIASTES 10:

João Ferreira de Almeida, Ed. Revista e Corrigida, 1969

                2 O coração do sábio está à sua mão direita mas o coração do tolo está à sua esquerda.

                3 E até quando o tolo vai pelo caminho, lhe falta entendimento e diz a todos que é tolo.

                …

12 Nas palavras do sábio há favor, mas ao tolo os seus lábios devoram.

13  As primeiras palavras da boca do tolo são estultícia, e as últimas, loucura perversa.

14  O estulto multiplica as palavras, ainda que o homem não sabe o que sucederá; e quem lhe manifestará o que será depois dele?

15  O trabalho do tolo o fatiga, pois nem sabe ir à cidade.

Bíblia de Jerusalém

2.O coração do sábio vai para a direita, o coração do néscio vai para a esquerda[i].

3.Mesmo saindo para a rua, o néscio anda sem juízo, mostrando a todos que é um néscio.

12.O sábio ganha estima com suas palavras, o néscio se arruína pelo que fala;

13.seu exórdio é uma tolice, sua conclusão um terrível absurdo.

14.O néscio tagarela sem medida; o homem não sabe o que trará o futuro nem o que acontecerá depois: quem o informaria?

15.O trabalho do néscio abate-o, porque não acerta o caminho para a cidade.

Edição Ecumênica (Padre Antonio Pereira de Figueiredo) – Barsa

2.O coração do sábio está na sua mão direita, e o coração do insensato na sua esquerda.

3.Mas até o insensato que vai pelo seu caminho, sendo ele um insipiente, a todos reputa por insensatos.

12.As palavras que saem da boca do sábio são cheias de graça: e os lábios do insensato precipitá-lo-ão.

13.As suas primeiras palavras são uma parvoíce, e as últimas que lhe saem da boca, são um erro péssimo.

14.O insensato todo se espraia em falar. O homem não sabe que é o que foi antes dele: e quem lhe poderá indicar que é o que será depois?

15.O trabalho dos insensatos afligirá aqueles que não sabem ir à cidade.

Almeida Revista e Atualizada 

10.2   O coração do sábio se inclina para o lado direito, mas o do estulto, para o da esquerda.

10.3   Quando o tolo vai pelo caminho, falta-lhe o entendimento; e, assim, a todos mostra que é estulto.

10.12   Nas palavras do sábio há favor, mas ao tolo os seus lábios devoram.

10.13   As primeiras palavras da boca do tolo são estultícia, e as últimas, loucura perversa.

10.14   O estulto multiplica as palavras, ainda que o homem não sabe o que sucederá; e quem lhe manifestará o que será depois dele?

10.15   O trabalho do tolo o fatiga, pois nem sabe ir à cidade.

Nova Tradução na Linguagem de Hoje 

10.2   Para quem é sábio, é muito natural fazer o que é certo, mas para o tolo o natural é fazer o que é errado.

10.3   Todos percebem que ele é tolo; até os que não o conhecem notam a sua falta de juízo.

10.12   Quem é sábio recebe elogios pelas coisas que diz, mas o tolo é destruído pelas suas próprias palavras.

10.13   Ele começa dizendo tolices e acaba falando coisas absurdas e más.

10.14   O tolo não para de falar. Ninguém sabe o que vai acontecer amanhã, nem pode dizer o que acontecerá depois da sua morte.

10.15   Somente um homem muito tolo, tão tolo, que nem consegue encontrar o caminho de casa, se esgota de tanto trabalhar.

Consideremos agora, como um só bloco, os versos 2, 3 e 12 a 15, pois todos, ainda que mencionem o sábio, colocam o foco no tolo e seu papaguear.

Exagero um pouquinho deixando com vocês cinco versões do mesmo texto bíblico para que se deliciem com as pequenas diferenças de traduções.

Já se disse que a “a palavra (é) a senha de entrada (do homem) no mundo humano”

  http://filipebh.sites.uol.com.br/antropologia/linguagem.html

O falar, para os humanos, é de fundamental importância, pois é um bicho social. Uma olhada na Internet oferece inúmeros estudos a respeito. Por exemplo:

1)     A Dra. Suzane Schmidlin Löhr discorre sobre a Importância da fala na comunicação humana:

http://curitiba.jovempanfm.virgula.uol.com.br/musica/especial/index.php?especial=1147&page=1505

2)     O Site

http://www.bororo25.com.br/index.php/curso-a-importancia-da-fala-nas-relacoes-cotidianas/

oferece um curso sobre A Importância da fala nas relações cotidianas.

3)     MÁRCIA GLEICE TRACAIOLY DA SILVA e ROSICLENE BATISTA RODRIGUES dissertam sobre FALA E ESCRITA: A IMPORTANCIA DA COMUNICAÇÃO CONTEMPORÂNEA:

http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3011521.

E por aí vai.

Mas, quanto aos que abusam deste poder, os evangelhos informam este dito do Nazareno:

Mt 6:7  E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.

E o apóstolo Tiago faz lúcida preleção:

Tiago 3

2  Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo.

3  Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro.

4  Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro.

5  Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva!

6  Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno.

7  Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano;

8  a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero.

9  Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.

10  De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim.

11  Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?

12  Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce.

 

Milton Roberto Sales Lagoa Nova, no artigo A IMPORTÂNCIA DE FALAR BEM, afirma:

Falar bem e de maneira clara, deixou de ser um talento pessoal e passou a ser uma necessidade fundamental a todos os funcionários que desejam continuar na corrida corporativa.

http://www.rh.com.br/Portal/Comunicacao/Artigo/4373/a-importancia-de-falar-bem.html

Algumas afirmações:

As pessoas que falam muito mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades.

Millôr Fernandes

http://pensador.uol.com.br/tag/falar-demais/

Os mais arrojados em falar são ordinariamente os menos profundos em saber. 

Marquês de Maricá

O sábio, para falar, antes medita o que dizer, ou a quem dizer, em que lugar e tempo.

Santo Ambrósio

http://www.webfrases.com/mostrar_frases.php?id_frases=121

E, embora eu mesmo não tenha falado nada, vamos parar por aqui antes que alguém me acuse de falar demais.

ESPERO CONTINUAR


[i] BJ: Lit.: “o coração do sábio para a direita, o coração do néscio para a esquerda”, i.e., a mente do sábio leva-o ao sucesso (bem), a do néscio ao malogro (mal).


Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

Mosca morta no perfume

ECLESIASTES 10:

Bíblia de Jerusalém

1.A mosca morta corrompe o unguento do perfumista, uma pitada de tolice conta mais que muita sabedoria.

Edição Ecumênica (Padre Antonio Pereira de Figueiredo) – Barsa

1.As moscas que morrem no bálsamo falem-lhe perder a suavidade do cheiro. Uma loucura, ainda que pequena e de pouca dura, dá ocasião a não se fazer caso da sabedoria nem da glória.

 Almeida, Revista e Corrigida

10.1. Assim como a mosca morta faz exalar mau cheiro e inutiliza o unguento do perfumador, assim é para o famoso em sabedoria e em honra uma pouca de estultícia.

Almeida Revista e Atualizada 

10.1   Qual a mosca morta faz o unguento do perfumador exalar mau cheiro, assim é para a sabedoria e a honra um pouco de estultícia.

Nova Tradução na Linguagem de Hoje 

10.1   Assim como algumas moscas mortas podem estragar um frasco inteiro de perfume, assim também uma pequena tolice pode fazer a sabedoria perder todo o valor.

A comparação chocante (ou nojenta) da mosca morta no unguento com a tolice – estultícia, estupidez – cometida pelo sábio, melhor do que isto, pelo ‘famoso em sabedoria e em honra’, deixa claro o esforço de linguagem do Coélet para expressar aos seus pupilos o ensinamento deste (possível) ‘dito popular’ mencionado no primeiro verso do décimo capítulo de Eclesiastes.

E a advertência tem caráter quase que eterno, pois até hoje continua sendo de plena oportunidade. Na história do Antigo Testamento, os relatos notáveis de pisada na bola são inúmeros. Um deles é o de Davi, que caiu na besteira de se engraçar por Bate-Seba, mulher de Urias (II Samuel 11). Outro caso trágico foi o voto de Jefté se lograsse derrotar seus opositores: “quem primeiro da porta da minha casa me sair ao encontro, voltando eu vitorioso dos filhos de Amom, esse será do SENHOR, e eu o oferecerei em holocausto”; por azar (??) foi sua filha única que, festivamente, veio recebê-lo em primeiro lugar (Juízes 11). Sempre me impressionou a narrativa de Gênesis 12:10-20, quando Abrão pede a Sarai que se passe por sua irmã, resultando que ela foi “tomada para a casa do Faraó”; as pragas advindas ao Faraó fizeram levantar seu ‘desconfiômetro’, que o fizeram pedir explicações ao temeroso hóspede, devolver-lhe a esposa e botá-lo pra correr.

Quanto aos casos da atualidade, vamos pedir, PRIMEIRO, que cada um relembre os próprios. Por quê? Pelo simples fato de que o recado do Pregador não se destina (ou não se destinava) aos sábios de hoje (ou de sua época), mas a cada um de nós, nos dias de hoje, consideremo-nos sábios ou não. A ênfase dada em ‘sabedoria’ e especialmente em ‘famoso em sabedoria e em honra’ (Almeida Revista e Corrigida) é recurso gramatical para chamar a atenção e deixar claro que até os próprios sábios estão sujeitos às suas escorregadelas. Lembre-se que autor de Eclesiastes era possivelmente professor de jovens de sua época (século III a.C.) e sua intenção era enfiar nas cabeças em formação,  de seu povo, um pouco da cultura tradicional judaica. É válida para nós hoje por que, gostemos ou não, não evoluímos muito, de lá para cá, em sabedoria. Em conhecimento sim, mas em sabedoria nem tanto.

Mas se querem alguns exemplos a gente menciona – de gente mais famosa, é claro. São tantos que os confundimos com a normalidade, são fatos corriqueiros.

Ilustremos com um causo atual. O Senador Sarney é bastante conhecido, pois não? Ele e seu clã são os donos de um Estado brasileiro – o Maranhão. Mas hoje esta figura é Senador pelo Estado do Amapá; não pode se candidatar pelo seu Estado (Maranhão):

Candidatou-se ao Senado. Mas tinha um problema: pelo Maranhão dificilmente seria eleito. Acabou escolhendo um estado recém-criado: o Amapá. Lá, eram 3 vagas em jogo – no Maranhão, era somente uma. Não tinha qualquer ligação com o novo estado. Era puro oportunismo. Rasgou a lei que determina que o representante estadual no Senado tenha residência no estado. Todo mundo sabe que ele mora em São Luís e não em Macapá. E dá para contar nos dedos de uma das mãos suas visitas ao estado que “representa”. O endereço do registro da candidatura é fictício? É um caso de falsidade ideológica? Por que será que o TRE do Amapá não abre uma sindicância (um processo ou algo que o valha) sobre o “domicílio eleitoral” do senador?

Quem explica isto é o historiador MARCO ANTONIO VILLA em matéria publicada em O GLOBO em 29/11/2011:

http://www.marcovilla.com.br/2011/11/face-do-poder-um-retrato-de-sarney.html

Quem escorregou? O próprio José Ribamar, em primeiro lugar, SEM DÚVIDA NENHUMA; os ilustres membros do TER, pois fecharam os olhos para o fato do domicílio do cara de pau; o partido que emprestou sua legenda para a candidatura do homem que até de nome já mudou; os demais partidos e todos os seus colegas do Congresso Nacional que nunca pensaram em impugnar seu nome e o fizeram Presidente do Senado. E os citados não são todos pessoas proeminentes em nosso Brasil; não se poderia chamá-los de ‘sábios’? Não deveriam zelar pelas leis (eles as fazem)? Ainda que as moscas de toda a nação estivessem mortas no perfume aqui produzido se obteria o mau cheiro deste único malfeito do Senador. E este é só um deles, têm muitos outros – a Internet pode mostrá-los, não irei perder meu tempo em mencioná-los.

E nós, o povão? Somos vitimas? Não, somos partícipes:

Segundo o sociólogo, os eleitores do país têm cinco critérios de escolha na hora de votar (confiram os critérios no link acima). Votamos, segundo o estudo, quanto mais pobres e sem escolaridade somos, conforme nossas necessidades imediatas. O raciocínio é simples e nefasto: se todo político é corrupto, é ladrão, vou tratar de conseguir umas migalhas. Se esse administrador público desvia dinheiro, mente, mas me garante algum tipo de benefício, não há porque tirá-lo do poder.

http://zecostajr.blogspot.com.br/2008/05/como-vota-o-brasileiro.html

Tá, não somos o povo mais culto do planeta, mas também não somos tão xucros. Sabemos o que é correto fazer, mas não o fazemos. Aja mosca morta!

Um texto tão bonito (?) e eu falando em política. Mas para que não fiquem muito chateados comigo, indico um escrito de Patrícia Ballare que trata do mesmo assunto de forma teologicamente correta:

http://patriciaballare.blogspot.com.br/2010/02/sabedoria-x-tolice.html

Aqui, só uma pitadinha:

Exemplo de tolices é o que não nos falta. Por isso, temos que aprender com os que já erraram e com nossos próprios erros, e pensar muito antes de tomar uma decisão, de falar, de brincar,de fazer qualquer coisa, para que o pouco de sabedoria que temos não perca o seu valor. É um desperdício deixar que uma mosca morta estrague um frasco de perfume inteiro.

ESPERO CONTINUAR


Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

SABEDORIA E TOLICE

Eclesiastes 9:

Bíblia de Jerusalém

13 – Outra coisa observei debaixo do sol e foi para mim uma grande lição:

14 – havia numa pequena cidade, de poucos habitantes; veio um rei poderoso que a cercou e montou contra ela grandes obras de assédio.

15 – Havia na cidade um homem pobre, porém sábio, que salvou a cidade com sua sabedoria; mas ninguém se lembrou mais dele.

16 – Por isso eu digo: mais vale a sabedoria que a força, mesmo que a sabedoria do pobre seja desprezada e ninguém faça caso de suas palavras.

17 – Escutam-se antes as palavras calmas dos sábios que os gritos de um capitão de néscios.

18 – Mais vale a sabedoria que armas de guerra. Um só pecado anula muitos bens.

Nova Tradução na Linguagem de Hoje

9.13   Há mais uma coisa que eu vi e que é um bom exemplo de como neste mundo não se dá valor à sabedoria.

9.14   Havia uma pequena cidade onde morava pouca gente. Com o seu exército, um rei poderoso atacou a cidade, construiu rampas de ataque em redor dela e se preparou para derrubar as suas muralhas.

9.15   Morava ali um homem que era pobre, mas muito inteligente; era tão inteligente, que poderia ter salvado a cidade. Acontece que ninguém lembrou dele.

9.16   Eu sempre achei que a sabedoria é melhor do que a força; mas ninguém acredita que uma pessoa pobre pode ser sábia e ninguém presta atenção no que ela diz.

9.17   É melhor ouvir as palavras calmas de uma pessoa sábia do que os gritos de um líder numa reunião de tolos.

9.18   A sabedoria vale mais do que armas de guerra, mas uma decisão errada pode estragar os melhores planos.

Outros textos bíblicos concordes com Coélet.

Eclesiastes
7.19   A sabedoria pode fazer mais por uma pessoa do que dez prefeitos juntos podem fazer por uma cidade.

Provérbios
21.22   Uma pessoa inteligente pode conquistar uma cidade defendida por homens fortes e destruir as muralhas em que eles confiavam.

Provérbios
24.5   Ser sábio é melhor do que ser forte; o conhecimento é mais importante do que a força.

Lembro ainda que no SERMÃO XLIV, também comentando sobre a sabedoria, publiquei o texto de II Samuel 20:16-22 relativo a um caso parecido no qual uma mulher salvou sua cidade da destruição por Joabe, general de Davi, que perseguia Seba, acusado de tentar contra a vida do Rei.

E falando do assombro causado pela sabedoria de gente humilde…

Marcos
6.2   Chegando o sábado, passou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se maravilhavam, dizendo: Donde vêm a este estas coisas? Que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos?

6.3   Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele.

Mas falemos sobre o nosso texto. Verificaram que as versões bíblicas contam histórias ligeiramente diferentes? A Bíblia de Jerusalém está mais conforme com as versões de Almeida, mas confesso acreditar que a Nova Tradução na Linguagem de Hoje está mais coerente. O importante, contudo, é que o cerne da questão não foi alterado: a sabedoria, especialmente a de um homem humilde, foi preterida pela maioria, a multidão, que preferiu dar ouvido aos violentos, que gritavam mais.

Será que o relato expressa uma tendência, ou seja, a multidão, a ‘maioria’ é, via de regra, irracional? Há quem pense assim.

Assim que muitos homens se encontram juntos, perdem-se. A multidão transporta as suas unidades do presente para o passado e precipita-as de cima para baixo: trata-se de um recuo e uma decadência. 

Todo o homem, lá dentro, converte-se noutro – mas pior. Nas multidões, a união é constituída pelos inferiores e fundada nas partes inferiores de todas as almas. São florestas em que os ramos altos não se entrelaçam, mas apenas, em baixo na escuridão, as raízes terrosas. Todos perdem o que os torna diferentes e melhores, enquanto o antigo rústico – que, entre obstáculos, mordaças e açaimos[i], parecia aniquilado – acorda e muge. Em todas as multidões, como em toda a Humanidade, os medíocres são infinitamente mais que os grandes, os calmos que os violentos, os simples que os profundos, os primitivos que os civilizados, e é a maioria que cria a alma comum que imbrica[ii] e nivela todo o agrupamento de homens.

 Giovanni Papini (Escritor – 1881 – 1956), in ‘Relatório Sobre os Homens’

E mais isto do mesmo autor:

A multidão que se chama parlamento nunca se sente tão feliz como quando pode calar com gritos um orador e derrubar um ministro; a multidão que se chama comício agita-se e exalta-se, mal um grito a incita a bradar «Abaixo!» sob as janelas de um inimigo ou a reclamar a cabeça de um indivíduo odiado ou ainda a queimar qualquer símbolo do poder, quer se trate de um panfleto, quer de um palácio de justiça; a multidão reunida num teatro que dá pelo nome de público pode aplaudir uma peça nova, mas, quando estimulada, não hesita em condenar e precipitar à força de uivos e assobios quem supunha tê-lo conquistado e ser-lhe, pelo engenho, superior.

No fundo, toda a multidão é um público, que não quer dispersar sem ter assistido a um espetáculo. No entanto, selvagem como é, prefere os espetáculos trágicos; sente o circo dos gladiadores ou o torneio, mais do que a fábula pastoral. Quando se animaliza, quer sangue – pelo menos, vê-lo.
Estar entre muito incute a sensação de força, ou seja, da prepotência e, ao mesmo tempo, a certeza da irresponsabilidade e da absolvição. 

Giovanni Papini (Escritor – 1881 – 1956), in ‘Relatório Sobre os Homens’

Preocupa-me a racionalidade de um agrupamento de pessoas. O que sempre me vem à cabeça é a própria condenação de Jesus de Nazaré, apesar de que ela própria já havia se ‘maravilhado’ de sua sabedoria (veja Mc 6:2-3 acima). Parece que, reunidas, as gentes são muito suscetíveis ao entusiasmo de oradores, especialmente os mais violentos. É o que diz Papini. Isto talvez fosse muito útil para as batalhas corpo-a-corpo de antigamente, quando a bravura do comandante influenciava decididamente os comandados.

Já Sêneca dá a entender que não está considerando ‘multidão’ como uma reunião de pessoas, mas simplesmente ‘a maioria’ das pessoas.

Se nós nada fizermos senão de acordo com os ditames da razão, também nada evitaremos senão de acordo com os ditames da razão. Se quiseres escutar a razão, eis o que ela te dirá: deixa de uma vez por todas tudo quanto seduz a multidão! Deixa a riqueza, deixa os perigos e os fardos de ser rico; deixa os prazeres, do corpo e do espírito, que só servem para amolecer as energias; deixa a ambição que não passa de uma coisa artificialmente empolada, inútil, inconsciente, incapaz de reconhecer limites, tão interessada em não ter superiores como em evitar até os iguais, sempre torturada pela inveja, e uma inveja ainda por cima dupla. Vê como de fato é infeliz quem, objeto de inveja ele próprio, tem inveja por outros.

Lucius Annaeus Sêneca, filósofo, -4 – 65, in ‘Cartas a Lucilio’

É o que diz também Gustave Le Bon (psicólogo/sociólogo – 1841 – 1931):

A alma popular (…) tem, como principal característica, a circunstância de ser inteiramente dominada por elementos afetivos e místicos. Não podendo nenhum argumento racional refrear nela as impulsões criadas por esses elementos, ela obedece-lhes imediatamente. 

OBS: textos obtidos em

http://www.citador.pt/textos/a-irresponsabilidade-da-multidao-giovanni-papini

Mas para que não me condenem por não olhar o ‘outro lado’, reporto-me a uma resenha de Ruy Flávio de Oliveira sobre o livro A SABEDORIA DAS MULTIDÕES:

O jornalista norte-americano James Surowiecki, no entanto, desafia esta noção em sua obra A Sabedoria das Multidões – Por que os muitos são mais inteligentes que os poucos.

http://www.playit.com.br/leia.asp?id=30

A ‘noção’ desafiada por Surowiecki é justamente a que mencionamos acima, que Ruy Flávio de Oliveira exemplifica com outros eventos, naturalmente. Porém… Para se chegar ao entendimento do Sr. Surowiecki devem ser observadas pelo menos quatro condições:

1.Diversidade – Os indivíduos que compõem a multidão devem ser díspares em suas raízes, formações, opiniões, etc. Aqui o objetivo não é o consenso, mas justamente o contrário: o dissenso.

2. Independência – Os indivíduos devem formar e manter suas opiniões de maneira independente das opiniões dos demais integrantes do grupo, o que contribui para que a diversidade crie o efeito de soma das informações e cancelamento dos ruídos.

3. Descentralização – As decisões que um grupo produz são mais inteligentes quando não há uma força centralizadora coordenando os esforços (e de quebra influenciando o resultado desses esforços).

4. Agregação – Uma vez produzidas (e nem um segundo antes), as opiniões dos componentes do grupo devem ser agregadas, de forma a produzirem uma opinião coletiva.

Tá. Mais aí a ‘multidão’ passa a ser de indivíduos isolados e não fortemente influenciados. Já estamos falando de outra coisa. E com isto até se pode defender entusiasticamente a democracia – pena que os demagogos se aproveitam disto.

Os cabalistas, pelo menos a facção defendida pelo Rabino Michael Laitman defendem que será necessário que apenas 1% da população alcance a espiritualidade para que toda a Natureza seja corrigida. Podemos entender, de outra forma, que também o Sr. Laitman defende que 99% da população é problemática. Apesar disto eu insisto em ser um sonhador, um democrata. É só pensar que a fonte das dificuldades são os sistemas e não as pessoas. É um entendimento antibudista, mas que importa – nós somos cristãos e não budistas (isto é de doer, pois não?). Ou podemos pensar ainda que a ação de 99% da população é para que, pelo sofrimento, a minoria de 1% chegue à iluminação. Piorou? Não tem importância, valho-me da teimosia ítalo-lusitana e continuo democrata.

Concluindo: É lamentável que as maiorias não saibam, com uma frequência assustadora, aproveitar as melhores, as mais prudentes, mais sábias ideias. Mas quem as tiver, por favor, não parem de apresentá-las – algumas poderão vir a lume: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

ESPERO CONTINUAR


[i] Aurélio: Cabrestilho que se põe no focinho dos animais para não morderem ou não comerem.

[ii] Aurélio: .Dispor (coisas) de maneira que só em parte se sobreponham umas às outras, como as telhas do telhado ou as escamas do peixe.


Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

A SORTE

Bíblia de Jerusalém

Eclesiastes

1 – A tudo isto apliquei meu coração e experimentei tudo isto: os justos, os sábios e suas obras estão nas mãos de Deus[i]. Amor e ódio estão diante do homem, e o homem não sabe escolher[ii].

2 – Tudo é vaidade! Uma mesma sorte toca a todos: ao justo e ao ímpio, ao bom e ao malvado[iii], ao puro e ao impuro, ao que oferece sacrifícios e ao que não os oferece, ao íntegro e ao pecador, ao que faz um juramento e ao que evita fazê-lo.

3 – Eis o mal de tudo o que acontece debaixo do sol: uma mesma sorte toca a todos. O coração dos homens está cheio de maldade: enquanto vivem, pensam loucuras e, depois disso, vão para a companhia dos mortos[iv].

4 – Para quem estiver ligado aos vivos, ainda há esperança[v], pois mais vale um cachorro vivo que um leão morto.

5 – Os vivos ao menos sabem que vão morrer, enquanto os mortos não sabem nada, nem recebem salário, pois sua lembrança cai no esquecimento.

6 – Acabaram-se seus amores, ódios e paixões, e jamais tomarão parte no que se faz debaixo do sol[vi].

7 – Vai, come teu pão com alegria e bebe contente teu vinho, porque, desde há muito tempo, Deus aprecia tuas obras.

8 – Em todo o tempo sejam brancas as tuas vestes, e não falte perfume em tua cabeça.

9 – Desfruta a vida com a mulher que amas, todos os dias que dure tua vida fugaz que ele te concedeu debaixo do sol, os anos todos da sua vida efêmera; pois essa é a tua porção na vida e no trabalho com que te afadigas debaixo do sol.

10 – Tudo o que está ao teu alcance faze-o com esmero, pois não se trabalha nem se planeja, não há conhecer nem saber no Xeol para onde vais.

11 – Outra coisa observei debaixo do sol: a corrida não depende dos ágeis, nem a batalha dos valentes, nem o ganha pão dos sábios, nem a riqueza dos entendidos, nem a estima dos que sabem, mas o tempo e o acaso ocorrem a todos eles.

12 – O homem não advinha seu tempo: como peixes colhidos numa rede funesta, como pássaros presos na armadilha, assim os homens são presos, quando o tempo nefasto lhes cai em cima de repente.

Inicialmente vamos ver outros versículos bíblicos relacionados com os do Coélet.

Ecl 9:1

Provérbios
16.1   O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR.

Sabedoria

7.16 nas tuas mãos estamos nós, nossas palavras, toda a inteligência e perícia do agir.

Ecl 9:2 (Veja também Ecl 7:15 e 8:14)


21.7   Como é, pois, que vivem os perversos, envelhecem e ainda se tornam mais poderosos?

Ecl 9:7

Eclesiastes
2.24   Nada há melhor para o homem do que comer, beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto, vi também que isto vem da mão de Deus,

Ecl 9:12

Lucas
12.20   Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

Vou abusar de vocês e reproduzir os comentários de Matthew Henry’s Concise Comentary, obtidos da Bíblia “On Line” da Sociedade Bíblica do Brasil. A tradução foi feita por mim, de sorte que podem reclamar ‘alto e bom som’ se não gostarem dela.

 Os homens bons e ruins saem-se da mesma forma neste mundo.

Eclesiastes1-3: Nós não estamos pensando que a nossa busca pela palavra ou pelas obras de Deus são inúteis, em razão de não podermos explicar todas as dificuldades.  Podemos aprender muitas coisas boas para nós mesmos e úteis para os outros. Mas o homem não pode sempre decidir quem será objeto do amor especial de Deus, ou que estará sob a sua ira, e Deus, no outro mundo, certamente vai notar a diferença entre o que é precioso e o que é vil. A diferença de como se apresenta a felicidade, surge a partir dos suportes interiores e consolações que o justo aprecia, e os benefícios derivam dos variados estudos e atos de misericórdia. Quanto aos filhos dos homens são deixados a si mesmos, seus corações estão cheios de maldade e prosperam no pecado, fazendo com que eles, até mesmo para falar de Deus, o fazem com atitude de desafio e ousada maldade. Ainda que, neste lado da morte, o justo e o ímpio muitas vezes parecem saírem-se de igual maneira, do outro lado haverá uma grande diferença entre eles.

Creio que a Cabala diria que todos os atos praticados pelos homens aqui na Terra estão contaminados pelo egoísmo e, por esta razão, não trazem significado para as questões espirituais. Mas o comentarista segue uma linha cristã mais tradicional e aceita a distinção entre justos e impiedosos, acrescentando que a paga de cada um se dará em um estágio posterior. Entendo que os nossos atos tidos como ‘bons’ ou ‘misericordiosos’, independente da paga que receberão agora ou no além, irão beneficiar muitas pessoas aqui e, certamente, aos que o praticaram, visto que vivemos em um mundo interligado e “o bater de asas de uma borboleta em nosso jardim terá repercussão do outro lado do Planeta”.

Apreciei a expressão “o homem não pode sempre decidir quem será objeto do amor especial de Deus, ou que estará sob a sua ira, e Deus”, o que nos leva e reavaliarmos a nossa “humildade” – será que realmente as coisas que faço são melhores, mais agradáveis ao Criador, do que a de meu amigo (ou inimigo)?

Mas que mania terrível nós temos de julgar os outros e nos preocuparmos (deveria dizer nos deliciarmos) com os castigos que receberão. Já temos a nossa vida, vamos ser gratos por ela e colaborar, tanto quanto possível, com o bem estar e a felicidade do outro.

Todos os homens devem morrer, é a sua parte nesta vida.

Eclesiastes 4-10: A mais desprezível condição humana de vida é preferível ao viver do homem mais nobre que venha a morrer na impiedade.

Salomão exorta o sábio e piedoso a terem uma alegre confiança em Deus, quaisquer que sejam suas condições na vida. O mais insignificante bocado, vindo de amor de seu pai, em resposta à oração, terá um gosto peculiar. Não que possamos configurar nossos corações com base nas delícias dos sentidos, mas o que Deus nos deu, podemos usar com sabedoria. O gozo aqui descrito, é a alegria do coração que brota de um sentimento do favor Divino; Este é o mundo de serviço,para que venha o mundo da recompensa. Todos em seus postos, podem encontrar algum trabalho a fazer. E acima de tudo, os pecadores têm de correr atrás da salvação de suas almas, os crentes têm de provar sua fé, adornar o evangelho, glorificar a Deus e servir a sua geração.

No início destes SERMÕES… foi esclarecido que o Coélet era uma pessoa designada para dar instrução aos jovens. Eu ficaria feliz em saber que meus filhos e netos estariam absorvendo os ensinos contidos especialmente nos versos 7 a 10 deste capítulo:

9.7   Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das tuas obras.

9.8   Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e jamais falte o óleo sobre a tua cabeça.

9.9   Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol.

9.10   Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.

Fomos colocados neste mundo por alguma razão. Este mundo foi feito com sabedoria e, pois, nos oferece muitas coisas boas. Gozemos delas também com sabedoria, embora a nossa seja limitada e de forma alguma se compara com a do Criador. Apenas faço restrição à última parte do verso 10, pois a entendo como especulação desnecessária.

Decepções comuns.

 Eclesiastes 11,12: O sucesso dos homens dificilmente coincide com a suas expectativas. Devemos nos utilizar dos meios dos quais dispomos, mas não convém confiar neles: se conseguirmos, vamos dar glória a Deus, se falharmos, devemos nos submeter a vontade Divina. Aqueles que rejeitam as grandes preocupações que se relacionam com suas almas, serão apanhados na rede de Satanás, que usa objetos materiais como iscas, para que desprezem ou negligenciem o evangelho, e continuem no pecado, até que, de repente, caiam em destruição.

Vamos viver cada dia com agradecimento e alegria no coração, sem nos preocuparmos com o reconhecimento, a recompensa. Já estamos vivendo – quem bom! Será este o último dia de minha estada na Terra? Talvez sim, mais um motivo para aproveitá-lo com humildade e sabedoria, pois corremos o risco de sermos ‘eternos’.

Esta porção do livro do Pregador está encimada, na Bíblia de Jerusalém, com o título SORTE. Talvez uma referência à expressão “uma mesma sorte toca a todos” contida no verso 3 e que, de certa forma, dá um resumo do texto. Na primeira acepção do Aurélio, SORTE é “Força que determina ou regula tudo quanto ocorre, e cuja causa se atribui ao acaso das circunstâncias ou a uma suposta predestinação”. Confesso que não sou fã desta expressão, pois, no meu entender, retira do homem qualquer liberdade de ação, isentando-o de responsabilidades pelo que pensa e pelo que faz. Não sei se erro ao afirmar que esta posição pode ser válida para a Cabala, pois entende que as ações humanas são, via de regra, isentas de livre arbítrio e, mais, como já foi dito acima, consideram sem qualquer validade para a espiritualidade quase tudo o que praticamos na materialidade. Não é assim para o cristianismo, uma vez que a criatura deve voltar-se ao Criador e andar nos seus caminhos por livre e espontânea vontade. O espiritismo e o budismo também advogam esta posição, daí as sucessivas reencarnações para o aprimoramento da alma.

Mas, sem dúvida, o texto apresenta alguns eventos a que todos os humanos, indistintamente, estão sujeitos. As religiões procuram, cada uma a seu modo, entender o porquê destes acontecimentos. Se vivermos amando o próximo como a nós mesmos teremos, talvez, oportunidade de entender, no momento oportuno, as razões de tudo o que nos sucedeu.

ESPERO CONTINUAR


[i] Rodapé da Bíblia de Jerusalém (BJ): “apliquei todo o meu coração”, conj. (cf. 1, 13. 17); “coloquei no coração”, hebr.; talvez seja preciso suprimir o primeiro “tudo isso” e ler: “Apliquei todo o meu coração a experimentar tudo isto”. – “suas obras” : ‘abadêhem, corresponde a uma palavra aramaica; o termo geralmente usado é ma’aseh, “obra, ação”. É preciso talvez corrigir para ‘ahabêhem’ , “seus amores”.

[ii] Rodapé da BJ: Esses sentimentos da experiência humana constituem um mistério para o homem. O amor é cego e fatal como a morte e o destino.

[iii] Rodapé BJ: “vaidade”, versões; “ao malvado”, omitido pelo hebr., mas deve ser inserido aqui de acordo com as versões e o contexto.

[iv] Rodapé BJ: “depois disso”: ‘aharayw, hebr.; “ao fim deles”: ‘aharítam, Simaco e a Peshita; “vão para a companhia dos mortos”; em hebr., apenas “para os mortos”.

[v] Rodapé BJ: “estiver ligado”, qerê, versões; “ser escolhido”, hebr. Ketib.

[vi] Rodapé BJ: A certeza da morte torna mais discreto o convite à alegria (VV. 7.8, cf. 2.24), o qual termina com o conselho de fidelidade ao amor de toda uma vida, até a separação definitiva, a respeito da qual não se entrevê nenhuma consolação.


Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

Conclusão

Bíblia de Jerusalém:

8:15 Faço o elogio da alegria, porque o único bem do homem é comer e beber e alegrar-se; isto o acompanhará durante os dias da vida que Deus lhe concede viver debaixo do sol.

8:16 Quando me dediquei a obter sabedoria, observando as tarefas que se realizam na terra – pois os olhos do homem não conhecem o sono nem de dia nem de noite -,

8:17 observei todas as obras de Deus: o homem não pode averiguar o que se faz debaixo do sol. Por mais que o homem se afadigue investigando, não o averiguará; ainda que o sábio pretenda sabê-lo, não o averiguará.

Nova Tradução na Linguagem de Hoje:

8.15   Por isso, estou convencido de que devemos nos divertir porque o único prazer que temos nesta vida é comer, beber e nos divertir. Podemos fazer pelo menos isso enquanto trabalhamos durante a vida que Deus nos deu neste mundo.

8.16   Todas as vezes que tentei me tornar sábio e entender o que acontece neste mundo, compreendi que a gente pode ficar acordado dia e noite

8.17   e mesmo assim nunca será capaz de entender o que Deus faz. Por mais que a gente se esforce, nunca entende. Os sábios podem dizer que conseguem compreender, mas na verdade eles também não entendem.

Lembro que lá no SERMÃO….XLI informei que a Bíblia de Jerusalém dava aos versos de Eclesiastes 7:8 a 8:17 o título A SANÇÃO e informava que o trecho era uma refutação da tese dominante, ao seu tempo, da retribuição individual segundo o mérito. Novamente transcrevo o rodapé a que me referi.

A Lei tinha formulado o princípio da retribuição coletiva: se Israel for fiel, será feliz; se for infiel, será infeliz (cf. Dt. 7:12s; 11:26-28; 28:1-68; Lv. 26). Os Sábios aplicaram esse princípio ao destino individual de cada pessoa: Deus retribui a cada um segundo as suas obras (Pr. 24:12; Sl. 62:13; Jó 34:11). Disso tiraram a conclusão de que a situação presente do homem era proporcional ao seu mérito. Se, pelo contrário, a experiência desmentia a validade desse princípio, afirmava-se que a felicidade do ímpio é efêmera, e passageira a infelicidade do justo (cf. Sl. 37 e os amigos de Jó).

Coélet refuta essa tese. À doutrina tradicional (7:8) Coélet responde com ceticismo (7:9-12).

Tudo o que acontece deve ser aceito, sem procurar uma explicação (7:13-15).  Embora a vida e a morte estejam mal distribuídas (7:15), é inútil fazer esforços sobre-humanos (7:16-18).

Quanto à reputação, já não tem significado algum (7:19-22). Os fatos são inexplicáveis, e a realidade é um mistério insondável (7:23s, seguido por um aparte misógino, 7:25-28).  O destino é cego e implacável (nem o rei lhe poderá escapar) (8:1-9), e é motivo de revolta (8:10-14). Conclusão (8:15).

A afirmação do verso 15 repete o que já fora dito em 2:24, 3:12-13, 3:22 e 5:17, comentados respectivamente nos SERMÕES…XIV, XVI, XVII e XXXII.

Relembrando os motivos de “revolta” apresentados nos versículos anteriores, principalmente a distribuição desigual de riquezas, a boa vida dos ímpios e a opressão dos justos, fatos incompreensíveis aos sábios, quanto mais aos leigos, não deixa de ser um bom conselho que comam, bebam e se alegrem. Porém, na justa medida e na expressão Paulina “com ações de graças”. O comentarista John Gill’s Expositor, obtido na Bíblia “online” da Sociedade Bíblica do Brasil, assim se expressa:

“…mas é o bom e saudável conselho  do homem sábio, para que os homens se coloquem humildemente sob toda a providência, satisfeitos com o sua presente condição e circunstâncias, e sejam alegres e agradáveis, e não se estressem sobre coisas que não podem alterar.”

E, posta assim a questão, têm-se uma resposta, a meu ver adequada, à questão que deixei ao final do último SERMÃO: o “alívio” do homem bom só se completa com a desgraça do homem “mau”?

E viver alegre, hoje se sabe, é absolutamente indispensável.

Viver, e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar (e cantar e cantar) a beleza de ser um eterno
aprendiz
Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isso não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita

Gonzaguinha

Sorria! Sorrir abre caminhos, desarma os mal-humorados, contamina. Mas sorria com a alma, não apenas com os lábios.
http://www.frasescurtas.com.br/2009/08/viver-feliz.html

Ser feliz é uma benção em nossas vidas …:

1) Acorde todas as manhãs com um sorriso. Esta é mais uma oportunidade que você tem para ser feliz.

2) Seja seu próprio motor de ignição. O dia de hoje jamais voltará. Não o desperdice, pois você nasceu para ser feliz!

3) Enumere as boas coisas que você tem na vida. Ao tomar consciência do seu valor, você será capaz de ir em frente com muita força, coragem e confiança para ser feliz!

http://site.suamente.com.br/a-arte-de-ser-feliz/

Não é suficiente reconhecer sua alma, você deve efetivá-la tornando-a parceira do corpo para ajudar o próximo em caso de necessidade, para ouvir um amigo que está sofrendo, para ajudar a fornecer comida ou roupas a alguém que não pode comprar. Estes tornam-se mais que simples atos bons; tornam-se a nutrição vital para sua alma e um meio de colocar seu corpo físico num bom uso espiritual. A verdadeira felicidade é a fusão do corpo e alma dedicados a uma causa maior, uma causa que beneficia a humanidade e dá significado e paz interior ao indivíduo neste processo.

http://www.chabad.org.br/biblioteca/artigos/ser_feliz/home.html

Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
Mário Quintana

http://pensador.uol.com.br/textos_aproveitar_a_vida/

E a Seicho-No-Ie é perita nisto:

MENTE ALEGRE ATRAI PROSPERIDADE

A partir de agora, você não terá pensamentos sombrios, negativos, destrutivos e agressivos. Só terá pensamentos alegres, positivos, construtivos e harmoniosos. Então, em conformidade com a lei mental segundo a qual “os semelhantes se atraem”, somente fatos auspiciosos, positivos e construtivo se aproximarão, e você prosperará infalivelmente. 

Livro: Mensagens de Luz

http://www.sni.org.br/#

Os versos 16 e 17 correspondem a um único parágrafo e o que o Coélet ensina é cantado em toda a Escritura.

Jó 5:9

“Ele faz coisas grandes e inescrutáveis e maravilhas que não se podem contar;

Jó 11

7 Porventura, desvendarás os arcanos de Deus ou penetrarás até à perfeição do Todo-Poderoso?

8  Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás fazer? Mais profunda é ela do que o abismo; que poderás saber?

Salmos 139:17

Ó Deus, como é difícil entender os teus pensamentos! E eles são tantos!

Salmos 40:5 

São muitas, SENHOR, Deus meu, as maravilhas que tens operado e também os teus desígnios para conosco; ninguém há que se possa igualar contigo. Eu quisera anunciá-los e deles falar, mas são mais do que se pode contar.

Provérbios 30:4

Quem subiu ao céu e desceu? Quem encerrou os ventos nos seus punhos? Quem amarrou as águas na sua roupa? Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? Qual é o seu nome, e qual é o nome de seu filho, se é que o sabes?

Isaías 55

8   O SENHOR Deus diz: “Os meus pensamentos não são como os seus pensamentos, e eu não ajo como vocês.

9   Assim como o céu está muito acima da terra, assim os meus pensamentos e as minhas ações estão muito acima dos seus.

Eclesiastico 18

1 – Aquele que vive eternamente criou todas as coisas juntas.

2 – Só o Senhor é justo.

4 – A ninguém foi dado o poder de anunciar suas obras e quem investigará as suas grandezas?

5 – Quem poderá medir a potência de sua majestade, e quem chegará a narrar suas misericórdias?

6 – Ai não há nada a tirar nem a acrescentar, e ninguém é capaz de investigar as maravilhas do Senhor.

Romanos
11.33   Como são grandes as riquezas de Deus! Como são profundos o seu conhecimento e a sua sabedoria! Quem pode explicar as suas decisões? Quem pode entender os seus planos?

E você ainda pode ver: Jó 11:9; Salmos 73:16 ; Salmos 104:24;  Provérbios 30:3 ; Isaías 40:28. Suficiente?

Mas vamos nos lembrar de que estes três últimos versos do capítulo oitavo de Eclesiastes está concluindo a sua refutação à tese da retribuição segundo as obras. Ou seja, ande nos caminhos de sua consciência, nas trilhas que sua religião ensinou serem agradáveis ao seu Deus, mas não espere que isto só lhe trará coisas agradáveis. Nós, cristãos, devemos ter em mente este ensino:

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”

Romanos 8.28

…conforme exposto em O SOFRIMENTO NOS PLANOS DE DEUS, neste Blog em 02 de março/2012.

ESPERO CONTINUAR

                                                                                                                                         Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

 

O destino é cego e implacável (nem o rei lhe poderá escapar) (8:1-9),

Bíblia de Jerusalém 8:

1 Quem se iguala ao sábio? Quem domina a ciência da interpretação das coisas? A sabedoria faz reluzir as feições do homem, abrandando a severidade do semblante.

2 Cumpre o mandato do rei, por causa do juramento de Deus;

3 não te apresses a afastar-te de sua presença, nem a ficar como testemunha de uma ação criminosa; porque o rei age a bel-prazer.

4 A palavra do rei é soberana: quem lhe dirá: “Que fazes aí?”

5 Aquele que guarda o mandamento não sofrerá mal algum. O coração do sábio conhece o tempo e o julgamento,

6 pois para todo propósito há um tempo e um julgamento. Grande é a aflição que pesa sobre o homem,

7 porque não sabe o que vai acontecer e ninguém o informa como vai ser no futuro.

8 Ninguém domina o vento, e ninguém o retém; e ninguém tem poder sobre o dia da morte, e não há trégua nesta guerra. A maldade não deixa escapar aquele que a comete.

9 Tudo isso eu observei, atendendo a tudo o que se faz debaixo do sol, enquanto um homem domina o outro para seu mal.

Versículos bíblicos relacionados a estes.

Em relação ao Verso 8.1: “…A sabedoria faz reluzir as feições do homem, abrandando a severidade do semblante”(NTLH).  O livro do Atos dos Apóstolos narra a história de Estevão, o primeiro mártir cristão, que ilustra esta afirmação.

 Atos dos Apóstolos
6.8   Estevão, um homem muito abençoado por Deus e cheio de poder, fazia grandes maravilhas e milagres entre o povo.

6.11   Então eles pagaram algumas pessoas para dizerem: — Nós ouvimos este homem dizer blasfêmias contra Moisés e contra Deus!

6.12   Dessa maneira eles atiçaram o povo, os líderes e os mestres da Lei. Depois foram, agarraram Estevão e o levaram ao Conselho Superior.

6.15   Todos os que estavam sentados na sala do Conselho Superior olhavam firmemente para Estevão e viram que o rosto dele parecia o rosto de um anjo.

E, do Velho Testamento, é famosa esta passagem de Moisés:

Êxodo 34:29  Quando desceu Moisés do monte Sinai, tendo nas mãos as duas tábuas do Testemunho, sim, quando desceu do monte, não sabia Moisés que a pele do seu rosto resplandecia, depois de haver Deus falado com ele.

De forma alguma podemos esquecer esta passagem:

Mateus
17.1   Seis dias depois, Jesus foi para um monte alto, levando consigo somente Pedro e os irmãos Tiago e João.

17.2   Ali, eles viram a aparência de Jesus mudar: o seu rosto ficou brilhante como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz.

O Apóstolo Paulo disserta com maestria sobre o contido no versículo 8:2:        

Romanos
13.1   Obedeçam às autoridades, todos vocês. Pois nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas nos seus lugares por ele.

13.2   Assim quem se revolta contra as autoridades está se revoltando contra o que Deus ordenou, e os que agem desse modo serão condenados.

13.3   Somente os que fazem o mal devem ter medo dos governantes, e não os que fazem o bem. Se você não quiser ter medo das autoridades, então faça o que é bom, e elas o elogiarão.

13.4   Porque as autoridades estão a serviço de Deus para o bem de você. Mas, se você faz o mal, então tenha medo, pois as autoridades, de fato, têm poder para castigar. Elas estão a serviço de Deus e trazem o castigo dele sobre os que fazem o mal.

13.5   É por isso que você deve obedecer às autoridades; não somente por causa do castigo de Deus, mas também porque a sua consciência manda que você faça isso.

13.6   É por isso também que vocês pagam impostos. Pois, quando as autoridades cumprem os seus deveres, elas estão a serviço de Deus.

13.7   Portanto, paguem ao governo o que é devido. Paguem todos os seus impostos e respeitem e honrem todas as autoridades.

 

O verso 8.7:  “ é que não sabemos o que vai acontecer amanhã, e não há ninguém que possa nos contar”, é praticamente repetido em outras porções deste mesmo Livro de Eclesiastes: 6:12, 9:12; 10:14.

E afirma categoricamente:


14.5   Tu já marcaste quantos meses e dias cada um vai viver; isso está resolvido, e ninguém pode mudar.

Compartilho com vocês uma parte da Introdução ao Capítulo oitavo de Eclesiastes de John Gill’s Expositor, a qual obtive na Bíblia “online” da Sociedade Bíblica do Brasil

O pregador começa esse capítulo com o elogio da sabedoria, falando da sua excelência e utilidade (Ecl 8:1);

e aconselha os homens, se desejam viver tranquila e confortavelmente, a honrarem e obedecerem ao rei que os governa, e a não se rebelarem contra ele, pois que ele tem grande poder e autoridade (Ecl 8:2-5);

e não estar muito preocupados com as coisas que virão, já que há um tempo definido para tudo, e as coisas futuras não podem ser conhecidas, nem evitadas e, particularmente, não há como evitar a hora e o golpe da morte (Ecl 8:6-8).

(o verso 9, para este comentarista, faz parte de outro bloco)

Parece um bom resumo. Eu prefiro dividir a porção em estudo em duas partes: 1) versos 8:1 a 8:5 – A “sabedoria” e algumas de suas aplicações práticas; 2) versos 8:6 a 8:9 – A imprevisibilidade dos acontecimentos.

A sabedoria e algumas de suas aplicações práticas.

O primeiro verso faz o elogio da sabedoria e o verso 5, depois dos conselhos que compõem o miolo do texto, traz a afirmação solene: “O coração do sábio conhece o tempo e o julgamento”. Ou seja, obedecer ao Rei, portar-se adequadamente na sua presença, não se expor desnecessariamente, não praticar atos lesivos à Lei, são atos de Sabedoria.

O verso 2 – “Obedeça às ordens do rei porque você, na presença de Deus, jurou ser fiel a ele” -, reiterado pela Apóstolo Paulo – ” Obedeçam às autoridades, todos vocês. Pois nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas nos seus lugares por ele” – merece algumas considerações. Inicialmente, é bom lembrar como eram colocados à frente da nação israelita os seus Reis. Lembrem-se das histórias de Saul, Davi, Salomão – estas talvez as mais conhecidas? Eram homens escolhidos pelo Criador, através de seus Profetas. Vivia-se em uma Teocracia; logo, nada mais justo do que a orientação do Coélet.  Mas os tempos mudaram e os governantes passaram a se “elegerem” pela força das armas; mesmo assim, o Pregador e Paulo foram citados para validarem reinados e governos de déspotas. Hoje a maioria das nações vive sob regimes democráticos. Logo, se participamos das eleições, com menor ou maior “livre arbítrio”, vale a recomendação: Obedeçam às autoridades. Em que pese a advertência paulina: Pois, quando as autoridades cumprem os seus deveres, elas estão a serviço de Deus, ainda é bom ter em mente: nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus. É…, podemos reclamar, espernear, chorar etc., etc., mas “nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus. Observem o ensino do Nazareno:

Lucas
12.6   — Por acaso não é verdade que cinco passarinhos são vendidos por algumas moedinhas? No entanto Deus não esquece nenhum deles.

12.7   Até os fios dos cabelos de vocês estão todos contados. Não tenham medo, pois vocês valem mais do que muitos passarinhos!

Não há como se esquivar: alguém está mexendo os pauzinhos.  E a Cabala ensina: “Não há nada além do Criador”, em plena harmonia com os ensino do Cristo, do Coélet, e do Apóstolo.

Resta, pois, observar as conclusões de Paulo:

Romanos

13.8   Não fiquem devendo nada a ninguém. A única dívida que vocês devem ter é a de amar uns aos outros. Quem ama os outros está obedecendo à lei.

13.9   Os seguintes mandamentos: “Não cometa adultério, não mate, não roube, não cobice” — esses e ainda outros mais são resumidos num mandamento só: “Ame os outros como você ama a você mesmo.”

Mas há ainda no texto aos Romanos uma informação que não posso deixar de comentar: “então faça o que é bom, e elas o elogiarão” (o que bate com Eclesiastes 8:5: Aquele que guarda o mandamento não sofrerá mal algum). A própria história de Estevão acima referida deixa claro que está afirmação nem sempre tem validade – talvez seja a regra, mas as exceções abundam. E isto nos leva à segunda parte do texto: A imprevisibilidade dos acontecimentos, que, aliás, tem o mesmo significado do subtítulo dado ao texto pela Bíblia de Jerusalém: O destino é cego e implacável.

A história de Estevão, a história e asseveração de Jó, exemplificam a reiterada declaração do Coélet: “Grande é a aflição que pesa sobre o homem, porque não sabe o que vai acontecer e ninguém o informa como vai ser no futuro.

Este tema dá “pano pra manga” e é preciso cuidado para não nos afogarmos nele. Só pequenas ilustrações.

1)Trecho de pequeno artigo – IMPREVISIBILIDADE – do Site

 http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=49580

Este é a maior questão do futuro que nos aguarda, o imprevisível que alguns excita e outros assusta, pois se trata do fracasso ou sucesso. A bem da verdade é que nos requer um proveito melhor do tempo em preparação para as possibilidades. Com o passar do tempo mais é solicitado em menos tempo. A capacidade de cada um é posta a prova constantemente, e o inesperado nos surpreende de forma inusitada, principalmente quando os desafios são totalmente imprevistos, e os perigos ignorados para que a alternativa seja a melhor possível.

 

2) O libanês Nassim Nicholas Taleb, doutor em probabilidade e uma das maiores autoridades mundiais em gestão de riscos, é o autor de A Lógica do Cisne Negro: o impacto do altamente improvável. Os cisnes negros eram tidos como inexistentes, antes de terem sido descobertos na Austrália, daí a metáfora. Em palestra realizada em 2008 faz algumas afirmações esclarecedoras:

                “Os modelos que preveem o futuro jamais se mostraram eficazes”

                “Ame o risco quando você pode perder pouco, e odeie o risco quando você pode perder muito”.

http://alfredopassos.wordpress.com/2008/11/14/a-imprevisibilidade-do-futuro/

3) No Yahoo encontrei o texto A religião nos faz esquecer aquilo que não queremos lembrar? atribuído a H. Bergson, do qual extraí:

“…a inteligência faz perceber claramente ao homem a imprevisibilidade do futuro e, portanto, o caráter aleatório de todos os seus empreendimentos.”

H. Bergson
Religião estática e religião dinâmica.

E ‘nóis’, os leigos, até que não precisaríamos destes alertas para aceitar (a contra gosto, é verdade) a verdade da imprevisibilidade dos acontecimentos. Basta lembrar o Katrina (Nova Orleans) em 2005, as enchentes em 2008 no Vale do Itajaí (SC), aqui no Brasil em 2010, enchentes catastróficas em Angra dos Reis (RJ), Ilha Grande (RJ), São Luiz de Paraitinga (SP), o maremoto no Japão em 2011, com o consequente desastre nuclear de Fukushima, alagamento de Teresópolis em jan/2011… Chega? Em outras áreas: a crise financeira originada nos EUA (subprime) em 2008; a atual crise do Euro (ou da Europa?) que está em curso, tendo a Grécia em evidência hoje, mas com muito desemprego altíssimo em outros Países, com manifestações e protestos a todo dia; a chamada “primavera árabe”; a possibilidade de conflito armado entre Israel e Irã e deflagração da 3ª (e última?) guerra mundial. Basta! E os nossos dissabores pessoais? Ha! Deixa pra lá.

Talvez isto ajude:

                Não fique remoendo os acontecimentos negativos de sua vida – coisas ruins acontecem sempre. Ainda que você esteja em uma situação difícil, olhe para os aspectos positivos, e você irá encontra-los.

Rufus Riggs
The five secrets you must discover before you die, pg. 154

  É bom que a gente enfie na cuca, de uma vez para sempre: “Ninguém domina o vento, e ninguém o retém”. Resta-nos viver cada dia com o coração agradecido pelas bênçãos recebidas do Criador (graças a ELE, os benefícios superam em quantidade e qualidade os infortúnios, a começar pela contagem do ar que respiramos); implorar misericórdia para enfrentarmos as aflições; e luz para entender as adversidades, visando a nossa correção e elevação acima da “Samsara”.

ESPERO CONTINUAR

 

Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

 

Os fatos são inexplicáveis, e a realidade é um mistério insondável.

 

ECLESIASTES:

Bíblia de Jerusalém:

23 Tudo submeti à prova da sabedoria, pensando chegar a ser sábio, e, no entanto, a sabedoria ainda está bem longe de mim.

24 Longe está, o que aí está, e muito profundo: quem o achará.

…….

29 Eis porém, a única conclusão a que cheguei: Deus fez o homem reto, e este procura complicações sem conta.

 

 Nova Tradução na Linguagem de Hoje


7.23
   Eu usei a minha sabedoria para examinar tudo isso. Estava resolvido a ser sábio, mas não conseguia alcançar a sabedoria.

7.24   Como é que alguém pode descobrir o sentido das coisas que acontecem? Isso é profundo demais para nós e muito difícil de entender.

7.25   Mas eu resolvi estudar e conhecer as coisas. Estava decidido a encontrar a sabedoria e a achar as respostas para as minhas perguntas; queria saber por que a maldade e a falta de juízo são loucura.

……..

7.29   Tudo o que aprendi se resume nisto: Deus nos fez simples e direitos, mas nós       complicamos tudo.

Parece que estes versos formam um único bloco e a conclusão encontra apoio em outras porções bíblicas.

 

:
11.7   “Você pensa que pode descobrir os segredos de Deus e conhecer completamente o Todo-Poderoso?

11.8   O céu não é limite para Deus, mas você não pode chegar até lá; Deus conhece o mundo dos mortos, mas você não conhece.

Este pedaço do elogio à sabedoria, feito por Sofar, é muito bonito:

Jó:
28.12   Mas onde pode ser achada a sabedoria? Em que lugar está a inteligência?

28.13   Os seres humanos não conhecem o valor da sabedoria e não a encontram neste mundo.

28.14   O Oceano afirma: “Aqui não está”, e o Mar diz: “Aqui também não.”

28.15   Ela não pode ser comprada com ouro, nem trocada por prata.

28.16   Não se compra a sabedoria com o ouro mais puro, nem com pedras preciosas, como a ágata ou a safira.

28.17   Ela vale mais do que o ouro ou o vidro; não se pode trocá-la por joias de ouro puro.

28.18   Do coral e do cristal nem se fala; a sabedoria é mais valiosa do que as pérolas.

28.19   O topázio da Etiópia não se compara com ela; e ela não pode ser comprada com o ouro mais puro.

28.20   De onde vem, então, a sabedoria? Em que lugar está a inteligência?

28.21   Nenhum ser vivo pode vê-la, nem mesmo as aves que voam no céu.

28.22   Até a Destruição e a Morte dizem: “Nós apenas ouvimos falar dela.”

28.23   Só Deus conhece o caminho; só ele sabe onde está a sabedoria

………

28.28   E ele disse aos seres humanos: “Para ser sábio, é preciso temer o Senhor; para ter compreensão, é necessário afastar-se do mal.”

E o apóstolo Paulo também ensina:

1 Coríntios 1.20:   Então, o que poderão dizer os sábios e os instruídos? O que vão dizer os grandes oradores deste mundo? Deus tem mostrado que a sabedoria deste mundo é loucura.

Romanos 11.33:   Como são grandes as riquezas de Deus! Como são profundos o seu conhecimento e a sua sabedoria! Quem pode explicar as suas decisões? Quem pode entender os seus planos?

E os filósofos que não conheceram a Tora ou a nossa Bíblia também chegaram à mesma conclusão. Para representá-los o sábio Sócrates:

Eu sei que nada sei.

 Eu é que não vou contestá-los. Pelo contrário. Esta conclusão é sugestiva: “Deus nos fez simples e direitos, mas nós complicamos tudo.” Sabe qual é a maior dificuldade das pessoas mais “vividas” em trabalhar com o computador? É tudo tão complicado! E, muitas vezes, é só a questão de um clique, de apertar a tecla “enter”.

Os primariamente “entendidos” são mestres em complicar. Tive um pequeno contratempo na Internet: o amigo que tentou ajudar despendeu mais de 2 horas e o remendo ficou pior que o soneto; chamei o entendido que explicou que era apenas alimentar dois campos com a nova informação – em 2 minutos fez a alteração (mais 1 hora acertando as complicações).

Quantas vezes, diante de situações simples, enfrentamos em pessoas de quem dependemos, decisões que nos levam a um velho dito popular:”se dá para complicar, por que facilitar?”

Ilustra bem a afirmação do Coélet uma deliciosa narrativa de Sérgio Stopato, meu querido tio, postada em 03 de março/2010, intitulada Chefe demais atrapalha, sob as etiquetas “Eta vida boa!”, “Outros Autores” e “Cotidiano”. Dê uma olhadinha lá – e não diga que é difícil achar, não complica.

Cristo ensinou que a base de seu pensamento era: “Amar o próximo como a si mesmo”. E o que as religiões cristãs conseguiram complicar encima disto! Aliás, este ensino, já se encontra nos ensinos da Torá – e como conseguiram recheá-lo de “sabedoria”!

um aparte misógino[i]

(Nos perdoem as meninas…)

Eclesiastes:

25 Dediquei-me ao estudo para investigar e descobrir os critérios de saber qual seja a pior tolice e a insensatez mais absurda;

26 e descobri que mais amarga que a morte é a mulher, porque ela constitui uma cilada, seu coração uma rede e seus braços cadeias. Quem agrada a Deus livrar-se-á dela, mas o pecador será colhido por ela.

27 Eis o que encontrei – diz Coélet – ao tirar concluso das mais diversas coisas

28 que estive indagando sem chegar a um resultado: se entre mil encontrei só um homem, entre todas a mulheres não encontrei uma sequer.

Nova Tradução na Linguagem de Hoje:

7.26   Eu encontrei uma coisa que é mais amarga do que a morte — um certo tipo de mulher. O amor que ela oferece é uma armadilha ou uma rede para pegar você; os seus braços são correntes para prendê-lo. O homem que agrada a Deus consegue fugir dela, mas o pecador, não.

7.27   Eu descobri isso pouco a pouco, quando procurava respostas para as minhas perguntas.

7.28   Procurei outras respostas, mas não encontrei nenhuma. Entre mil homens encontrei um que eu poderia respeitar, mas entre as mulheres não achei nem uma.

Até que a tradução na linguagem de hoje (as de Almeida também) é um pouco menos dolorida, pois faz uma restrição “um certo tipo de mulher”. A tradução da Bíblia de Jerusalém qualquer hora será barrada pelo PT com base na Lei Maria da Penha (é este mesmo o nome?). Mas fico com minha decisão: Recuso-me a comentar.

ESPERO CONTINUAR


[i] Aurélio, Misoginia:  [Do gr. misogynía.], Substantivo feminino.
1.Desprezo ou aversão às mulheres.
2.Psiq. Repulsa mórbida do homem ao contato sexual com as mulheres. [Antôn.: filoginia. Cf. ginecofobia.]

 


Setenta anos é o tempo de nossa vida,

oitenta anos se ela for vigorosa;

e a maior parte deles é fadiga e mesquinhez,

pois passam depressa, e nós voamos.

Salmo 90:10.

FIM DA REPUTAÇÃO

…Quanto à reputação, já não tem significado algum. 

Eclesiastes 7:19-22

19 A sabedoria torna o sábio mais forte que dez chefes numa cidade.

20 Não há no mundo ninguém tão honrado que faça o bem e não peque.

21 Não faças caso de tudo o que se diz, para não ouvires teu servo que te amaldiçoa,

22 pois sabes muito bem que tu mesmo maldisseste a outros muitas vezes.

A afirmação do verso 19 volta a ser repetida neste mesmo Livro, no capítulo 9:

Eclesiastes
9.16   Eu sempre achei que a sabedoria é melhor do que a força; mas ninguém acredita que uma pessoa pobre pode ser sábia e ninguém presta atenção no que ela diz.

9.17   É melhor ouvir as palavras calmas de uma pessoa sábia do que os gritos de um líder numa reunião de tolos.

9.18   A sabedoria vale mais do que armas de guerra, mas uma decisão errada pode estragar os melhores planos.

O autor do Livro de Provérbios também advoga a mesma tese:

Provérbios
21.22   O sábio escala a cidade dos valentes e derriba a fortaleza em que ela confia.


24.5   Mais poder tem o sábio do que o forte, e o homem de conhecimento, mais do que o robusto.

Um acontecimento bíblico exemplifica o valor da sabedoria, mais especificamente, a sabedoria feminina:

2 Samuel
20.15   Os soldados de Joabe chegaram e cercaram a cidade. Eles construíram rampas de terra encostadas nas muralhas e também começaram a cavar debaixo da muralha para fazê-la cair.

20.16   Havia na cidade uma mulher muito esperta. Ela gritou do muro: — Escutem! Escutem! Digam a Joabe para vir aqui, que eu quero falar com ele!

20.17   Joabe foi, e ela perguntou: — Você é Joabe? — Sim, sou! — respondeu ele. — Escute, senhor! — disse ela. — Estou escutando! — respondeu ele.

20.18   Então ela disse: — Antigamente costumavam dizer: “Vão e peçam conselhos na cidade de Abel”; e era assim que resolviam os problemas.

20.19   A nossa cidade é grande e uma das mais pacíficas e leais de Israel. Por que você está tentando destruí-la? Você quer arrasar o que pertence a Deus, o SENHOR?

20.20   — Nunca! — respondeu Joabe. — Eu nunca destruirei, nem arrasarei a sua cidade!

20.21   O nosso plano não é esse. Um homem da região montanhosa de Efraim, chamado Seba, filho de Bicri, começou uma revolta contra Davi, o nosso rei. Entreguem só esse homem, e eu irei embora. — Nós jogaremos a cabeça dele por cima da muralha para você! — disse ela.

20.22   Aí ela foi dar o seu conselho ao povo da cidade. E eles cortaram a cabeça de Seba e a jogaram por cima do muro para Joabe. Ele tocou a corneta, reuniu os homens, e todos deixaram a cidade e voltaram para casa. E Joabe voltou para perto do rei Davi, em Jerusalém.

O dito no verso 20  também encontra respaldo em toda escritura:

Provérbios
20.9   Será que alguém pode dizer que tem a consciência limpa e que já se livrou dos seus pecados?


20.9   Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou do meu pecado?

1 Reis (Crônicas 6.36 repete a mesma coisa)
8.46   Quando pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra eles, e os entregares nas mãos do inimigo, para que os que os cativarem os levem em cativeiro à terra do inimigo, quer longe ou perto esteja;

1 João
1.8   Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.

Romanos
3.23   Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus.

Com relação aos versos 21 e 22, vou contar-lhes uma história: Em 2 Samuel, no capítulo 16, é relatado que um cavalheiro chamado Simei se aproxima de Davi e seus homens e amaldiçoa o Rei, ficando um bom tempo o acompanhando e dizendo seus impropérios. No capítulo 19 este mesmo Simei aparece dando apoio a Davi e, em razão deste apoio, não é punido. Mais tarde, após a morte de Davi e posse de seu filho Salomão, ocorre o seguinte:

1 Reis

2.36   Depois o rei Salomão mandou buscar Simei e disse: — Faça uma casa para você aqui em Jerusalém. Fique morando nela e não saia da cidade.

2.37   E fique sabendo que, no dia em que você sair e atravessar o ribeirão Cedrom, você será morto, e a culpa será somente sua.

2.38   — Está bem, ó rei! — respondeu Simei. — Eu prometo fazer o que o senhor está mandando. E ele ficou morando em Jerusalém por muito tempo.

2.39   Acontece que, três anos depois, dois escravos de Simei fugiram e foram procurar refúgio com o governador da cidade de Gate, que era Aquis, filho de Maacá.

2.40   Simei ficou sabendo; por isso, selou o seu jumento e foi até Gate falar com Aquis a fim de procurar os seus escravos. Ele os achou e os levou de volta para casa.

2.41   Quando Salomão soube do que Simei havia feito,

2.42   mandou buscá-lo e disse: — Eu fiz você jurar em nome do SENHOR que não sairia de Jerusalém. Eu lhe avisei que, se fizesse isso, você certamente morreria. Você concordou com isso e disse que me obedeceria.

2.43   Então por que é que você quebrou o seu juramento feito em nome do SENHOR e desobedeceu à minha ordem?

2.44   Você sabe muito bem de todo o mal que fez a Davi, meu pai. O SENHOR Deus fará com que a sua maldade caia sobre você mesmo,

Viram só! Falou mal do outro e depois se arrependeu, mas o castigo chegou. De fato, este acontecimento não exemplifica perfeitamente o que diz o verso 21, pois ali a recomendação é não dar ouvido às fofocas, porém enfatiza o verso 22, mostrando o que acontece, ou melhor, deveria acontecer, a quem diz bobagens.

O subtítulo dado este trecho das Escrituras – versos 19 a 22 de Eclesiastes -, baseado na indicação dada pela Bíblia de Jerusalém, faz-nos reportar ao que já dissemos nos SERMÕES… XXXVIII e LX. De forma que, para ilustrar o que é dito e repetido pelo Coélet vamos apenas algumas frases sobre o assunto encontradas em

http://www.rivalcir.com.br/frases/reputacao.html

“A boa reputação é um segundo patrimônio.” (Publílio Siro)

“Aquele que perde a reputação pelos negócios, perde os negócios e a reputação.” (Francisco de Quevedo)

“A boa reputação não é dada pelas riquezas, mas pelo próprio caráter.”
(Dionísio Catão)

“Desprezada a reputação, desprezam-se as virtudes.” (Tácito)

“Consciência e reputação são duas coisas diferentes. A consciência deve-se a ti, a reputação deve-se ao teu vizinho.” (Santo Agostinho)

“Uma reputação vacilante é sinal de doença.” (Lucrécio)

“A vida e a reputação do homem caminham a passo igual.” (Publílio Siro)

“Preocupa-te com tua reputação, pois ela será para ti um bem mais estável do que mil tesouros preciosos e grandes.” (Vulgata)

“Nunca se curam as feridas da reputação desonrada.” (Dionísio Catão)

“A reputação não deve ser desprezada.” (Cícero)

Mas qual a razão para se considerar que os 4 versos que estão sendo analisados conduzem ao entendimento de que “a reputação já não tem significado algum”. O verso 19 fala de uma consequência extraordinária da Sabedoria, mas, em relação aos demais versos, me parece deslocado, a não ser que tenha o propósito de indicar que se precisa de muita força,  disposição e sabedoria para enfrentar os encastelados no poder, como informamos nos Sermões retro indicados, e que gozam de muito má reputação. 

O verso 20 fala de nossa propensão a, de vez em quando – consciente ou inconscientemente -, cometemos delitos. Os versos 21 e 22 abordam um costume corriqueiro em todas as camadas sociais: a fofoca, isto é, os bate-papos informais sobre a vida alheia, hoje mais fáceis de praticar graças à Internet. Vamos raciocinar assim: se cada um de nós está sujeito a cometer erros, enganos, por que se preocupar com a reputação? No passado já se disse que “A boa reputação é um segundo patrimônio.” (Publílio Siro), mas hoje há maneiras muito mais eficientes de granjear patrimônio (por pouco não me contenho e falo novamente de nossos homens públicos). Acrescente-se a isto a advertência dos dois últimos versos: não fale nada de mim que eu não falo nada de você. Que adorável convivência. E a reputação, serve para que?

É, parece que estou começando a entender o que os sábios tradutores da Bíblia de Jerusalém visualizaram no ensinamento do Coélet: se a sabedoria é melhor quando acompanhada de patrimônio e a boa reputação não tem valor, então é difícil aceitar a doutrina da retribuição segundo as obras. Bem que eu gostaria que ela valesse, mas os fatos do tempo do Pregador e dos dias atuais parecem que não a confirmam. Uma coisa é certa: cá em nossa terra, os “grandes” já enterraram a reputação faz algum tempo. Vejam isto:

O Covil de Bandidos paga nos seus podres poderes salários que deveriam inibir, na teoria, a prática da corrupção. Mas o inverso é o que está acontecendo e a ambição não tem mais limites fruto da vergonhosa impunidade que permite que partidos políticos fiquem ao sabor de ameaças e contra ameaças em um jogo de poder que já esqueceu o verdadeiro papel do poder público e da verdadeira essência da prática da política.

Vocês ficarão corados, deprimidos, envergonhados, mas vale a pena ler o artigo todo:

http://lilicarabinabr.blogspot.com/2012/01/tudo-do-mesmo-vaso-sanitario.html

Mas considerem mais isto:

http://www.youtube.com/watch?v=R8hjx4gBgvE&feature=player_embedded

Para que façam uma avaliação quanto à correta classificação do texto, transcrevo abaixo o rodapé da Bíblia de Jerusalém relativo aos versos 7:8 de Eclesiastes, até o verso 8:15:

A Lei tinha formulado o princípio da retribuição coletiva: se Israel for fiel, será feliz; se for infiel, será infeliz (cf. Dt. 7:12s; 11:26-28; 28:1-68; Lv. 26). Os Sábios aplicaram esse princípio ao destino individual de cada pessoa: Deus retribui a cada um segundo as suas obras (Pr. 24:12; Sl. 62:13; Jó 34:11). Disso tiraram a conclusão de que a situação presente do homem era proporcional ao seu mérito. Se, pelo contrário, a experiência desmentia a validade desse princípio, afirmava-se que a felicidade do ímpio é efêmera, e passageira a infelicidade do justo (cf. Sl. 37 e os amigos de Jó).

Coélet refuta essa tese. À doutrina tradicional (7:8) Coélet responde com ceticismo (7:9-12).

Tudo o que acontece deve ser aceito, sem procurar uma explicação (7:13-15).  Embora a vida e a morte estejam mal distribuídas (7:15), é inútil fazer esforços sobre-humanos (7:16-18).

Quanto à reputação, já não tem significado algum (7:19-22). Os fatos são inexplicáveis, e a realidade é um mistério insondável (7:23s, seguido por um aparte misógino[i], 7:25-28).  O destino é cego e implacável (nem o rei lhe poderá escapar) (8:1-9), e é motivo de revolta (8:10-14). Conclusão (8:15).

ESPERO CONTINUAR.