Category: Poesias


 

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Quando sentires da vida o cansaço

e tiveres vontade de chorar…

Quando conheceres a dor do fracasso

e teu coração de tristeza penar…

 

Quando não vires estrelas no céu

a brilhar na escura amplidão,

e notares que a dor, como um véu,

obscurece o teu coração…

 

Lembra que alguém pensa em ti

Com saudade, enlevo e amor

e ajudar-te deseja, aqui,

à esqueceres das mágoas a dor.

 

APRENDENDO A VIVER, STOPATTO, Siléa, Rio de Janeiro, RJ: Eclesiarte Bureau de Edição Ltda, 2013, pg. 35.

 

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Nascimento

                                                                              www.registrosaovicente.com.br

 

Ontem uma flor nasceu.

Nasceu botão pequenino,

Frágil, brotando a medo

Entre as folhas.

 

Ontem uma vida se iniciou,

Mesclada de dúvidas

E incertezas…

… foi apenas o início,

O brotar de uma esperança, como um raio

De sol de manhã

Ainda não rompida.

 

O botão vai se abrir em flor

E se cuidada com carinho, talvez

Tenha a possibilidade de uma curta vida.

Mas enquanto viver encantará quem puder cultivá-la.

 

Assim seja a vida

Que ontem se iniciou.

 

APRENDENDO A VIVER, STOPATTO, Siléa, Rio de Janeiro, RJ: Eclesiarte Bureau de Edição Ltda, 2013, pg. 17.

A SEGUNDA POESIA DE SILÉA STOPATTO. SEI QUE IRÃO GOSTAR.

                                                                                                       Aprendendo a amar                                                                                                                  família.com.br

 

Fui, há tempos, aluna brilhante:

Não tinha rival que vencer me pudesse!

Sabia de cor a matéria estafante

E ninguém me seguia, embora quisesse!

Geografia aprendi, aprendi Português,

História eu li de muitas nações;

Escrevia francês, falava inglês

E sabia fazer multiplicações.

                                                                                           Homero citava, de Goethe falava;

                                                                                           Raiz extraía, frações dividia;

                                                                                           Redigir eu sabia, piano tocava.

                                                                                           “É a primeira da classe”, de mim se dizia.

                                 Não sou mais a mesma – o tempo passou –

                                 E parece que a Vida me fez esquecer

                                 O que cedo, na escola, alguém me ensinou,

                                 Pensando que assim me ensinava a viver.

Aprendi muita coisa que o tempo levou

E que hoje, talvez, eu pretenda ensinar.

Mas a vida uma escola melhor me mostrou,

Que me diz quanto vale aprender a amar.

Não adianta saber diminuir ou somar,

Nem poetas citar, equações resolver.

É preciso, isto sim, aprender a amar,

Pois sabendo amar se aprende a viver.

 APRENDENDO A VIVER, STOPATTO, Siléa, Rio de Janeiro, RJ: Eclesiarte Bureau de Edição Ltda, 2013, pg. 11
Nota: O título original desta poesia é, como o título original do livro, APRENDENDO A VIVER.

Por aqui, hoje, amanheceu chovendo. Chuva calma, como se os céus derramassem, sob peneira fina, suas gotas de bênçãos sobre a terra (viu só – fiquei inspirado).

Folhei, mais uma vez, um livrinho que traz na capa a foto de uma linda mulher – minha querida prima Siléa Stopatto. E deu-me o repente (você prefere “insight”?) de colocá-lo inteirinho no meu blog. Se ela não gostar, é só gritar.

E começo de forma “nunca antes vista”: coloco aqui o prólogo – não o prefácio, que blogueio depois, pois também é lindo e foi escrito pela outra priminha. Lá vai:

Dream-Life

                                                           www.professoresdosucesso.com.br

A vida é um aprendizado constante.

Os pais ensinam desde o primeiro choro, ou mesmo antes.

Os irmãos ensinam em cada divergência ou concordância, estando perto ou longe.

Os parentes que vão chegando ensinam quando se fazem presentes, em qualquer momento de alegria ou tristeza.

Os AMIGOS – esses ensinam sem precisar nada fazer – são simplesmente AMIGOS.

Todos têm um ponto em comum: eles ensinam que é preciso amar para aprender a viver.

E o AMOR não tem limites. Por isso estou sempre

APRENDENDO A VIVER.

APRENDENDO A VIVER, STOPATTO, Siléa, Rio de Janeiro, RJ: Eclesiarte Bureau de Edição Ltda, 2013.
MAIS UM TEXTO DE DRUMOND DE ANDRADE. AGORA SEM NENHUMA “palhinha” MINHA.
ESTIMO QUE TENHA ESCRITO POR VOLTA DE 1969, MAS PARECE QUE ELE ESTÁ PAPEANDO CONOSCO EM NOSSA SALA DE ESTAR.

 

O SOBREVIVENTE

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                                                                                                                  http://www.dreamstime.com

Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.

Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.

 

O último trovador morreu em 1914.

Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.

 

Se quer fumar um charuto aperte um botão.

Paletós abotoam-se por eletricidade.

Amor se faz pelo sem fio.

Não precisa estômago para digestão.

Um sábio declarou a O Jornal que ainda

falta muito para atingirmos um nível

razoável de cultura. Mas até lá, felizmente,

estarei morto.

 

Os homens não melhoraram

e matam-se como percevejos.

Os percevejos heroicos renascem.

Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.

E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

(Desconfio que escrevi um poema.)

 

DRUMOND de Andrade, Carlos – NOVA REUNIÃO, 23 livros de poesia, volume 1, Alguma Poesia, pg. 35.

Brasileiro

TAMBÉM JÁ FUI BRASILEIRO

DRUMOND de Andrade, Carlos – NOVA REUNIÃO, 23 livros de poesia, volume 1, Alguma Poesia, pg. 11.

 

Eu também já fui brasileiro

moreno como vocês.

Ponteei viola, guiei forde

E aprendi na mesa dos bares

que o nacionalismo é uma virtude.

Mas há uma hora em que os bares se fecham

E todas as virtudes se negam.

 

Eu também já fui poeta.

Bastava olhar uma mulher,

pensava logo nas estrelas

e outros substantivos celestes.

Mas eram tantas, o céu tamanho,

minha poesia perturbou-se.

 

Eu também já tive meu ritmo.

Fazia isto, dizia aquilo.

E meus amigos me queriam,

meus inimigos me odiavam.

Eu irônico deslizava

satisfeito de ter meu ritmo.

Mas acabei confundindo tudo.

Hoje não deslizo mais não,

não sou irônico mais não,

não tenho ritmo mais não.

 

 

NÃO SOU POETA E NÃO PRETENDO FAZER POESIA.

NEM COMPLETAR O QUE FOI DITO PELO DRUMOND DE ANDRADE.

MAS ME OCORREU UNS PENSAMENTOS, QUE VÃO ABAIXO EXPOSTOS.

 

Não na mesa dos bares

foi que aprendi

que o nacionalismo é uma virtude.

 

Milhões de brasileiros,

como eu, aprenderam

sobre esta e outras virtudes

no lar de gente humilde.

 

Hoje, querendo estão

fechar os lares de gente humilde,

e outros lares também.

Almejando, desconfio,

acabar é com a virtude.

Mais que isto,

querem a Pátria arreada

e a alma de meu povo.

Querem tudo de mão beijada,

Pra entregá-las, sem disputa,

pras comunas socialistas.

Bom dia!

Bom dia, Pai.

Vamos tomar juntos o café da manhã?

Temos pendentes tantos assuntos!

(O pão está fresquinho,

o café bem quente).

Ainda que só um minutinho,

nós precisamos conversar:

o mundo desandou de tal jeito,

que nada mais parece ter efeito.

Nem ciência, nem teoria,

nem fórmula, nem maestria

conseguem colaborar.

Cada qual briga pelo seu bocado

sem nenhuma decência, sem qualquer restrição.

Perdeu-se nas cinzas o espírito cristão.

Por isso, a minha ideia

(por favor, passe a geleia)

de recorrer a uma ajuda;

sem você, a situação não muda.

A ambição vem engolindo a Terra;

a sociedade, cada vez mais dissoluta.

E fique atento, pois andam procurando uma fé substituta.

Os governantes estão cegos;

que tal devolver-lhes a visão?

Carregam pregos nas mãos, crucificam o povo.

Não quero que Você morra de novo!

Meus Jesus, multiplique o pão.

Perdoe esse bate-papo,

(à sua frente tem um guardanapo)

é que estou aflita!

Que bom receber Sua visita logo de manhã

Devo Lhe contar um segredo:

quero sair de casa, mas tenho medo,

preciso segurar a Sua mão.

Ainda falta agradecer tanta graça!

O girassol que nasce na calçada,

o rosa amarelo da alvorada,

o pedaço de céu que pinga na vidraça,

na gota de orvalho que cai.

Daqui pra frente, eu sigo meu caminho

e Lhe entrego todo meu afeto.

Você é mesmo meu amigo predileto!

Bom dia, Pai.

Flora Figueiredo

http://www.mensagenscomamor.com/categoria/poemas-e-poesias

VIVEMOS DIAS DIFÍCEIS. SUGIRO ALGUMAS POESIAS BEM MODESTAS – Haikai’s – PARA RELAXAR.

 

Lúbrica ou santa?

Viçosa, a manga-rosa

parece que canta.

Um cacho de uva

retém e faz sua refém

a gota de chuva.

O luar perfura

sem medo do arvoredo

a mata escura.

http://alfredorossetti.com/wp/?cat=11

 

No bico do pássaro,
se o sol  leva a escuridão,
vaga-lume é inseto.

Ninho de colibri,
no cantinho da varanda,
no vaso de avenca.

Traças nos armários,
destroem qualquer passado,
roendo o inútil.

ANGELA TOGEIRO   –   http://www.sumauma.net/haijins/haicai-angela.html

 

caminho de terra,
o mato à margem exala
perfumes silvestres

o sapo, num salto,
cresce ao lume do crepúsculo
buscando a manhã

as nuvens vermelhas,
o sol sumindo no rio
– silêncio noturno

ZEMARIA PINTO – http://www.sumauma.net/haijins/haicai-zemaria.html

 

Ao redor do hibisco

Pavoneia o beija-flor:

Reproduz-se a flor.

Céu – nasceu azul;

Sol – está rubro como a rosa.

Estamos no inverno?

Ouvi dizer que hoje é o Dia Nacional de Poesia. Apreciem, pois , estes versos delicados de SANDRA SOUZA, disponíveis em http://sandrasouzabh.wordpress.com/

 

 

IN certo IN

 

Não me peça certezas,

pois isto não há nas profundezas.

Não me peça respostas,

Pois isto não há

Nem aqui  ou noutro lugar.

 

Não se alimente da ilusão

Pois é lá que mora a solidão.

 

Na incerteza reside a clareza

Com toda a certeza,

De que estamos juntos,

Em uma grande nação.

 

Risco

Se não me arrisco,

Não existo,

Sou apenas um rabisco,

Desenho bonito,

Mas inacabado,

Num papel esquecido

Usado e amassado.

Presença

Pela frente o incerto,

Para traz o deserto

Mais seguro que o aqui,

Somente o profundo aqui,

Visto com o olhar

do intenso e imenso agora.

 

Enquanto eu coletava as bagas de prata da estrela lacrimejante, demorei-me no caminho, procurando descansar.

O vale derramou o vento perfumado sobre o campo, e eu quase não percebi.

Saíra fascinado pela noite, buscando a paz; e, embora a quietude, eu sentia minha agitação, sacudindo o panorama deslumbrante

Antes, eu supunha que a felicidade fosse uma donzela adornada de gemas e, desejando-a, fiz-me ladrão. Reuni moedas, guardei pedrarias, e minha ansiedade roubou-me a paz.

Pensei que a ventura viesse com o amor, e quando lhe fruí os anelos, descobri que perdera a serenidade

Desejei o monte, sem vencer a várzea.

A fortuna escorregou pelos meus dedos, como as águas do rio pelas frinchas das rochas, e o amor partiu, ligeiro, buscando novas emoções.

Fiquei só, dentro da noite, com a noite dentro de mim. . .

Peço à estrela solitária que me entenda, e ela, com lágrimas de prata, me diz:

– Segue adiante. . . Segue adiante. . .

Enamoro-me da esperança, tomo o arnês do trabalho, e sigo adiante, buscando no silêncio do dever a paz que eu perdi. . .

 

FILIGRANAS DE LUZ – TAGORE, Rabindranath (pelo espírito de), FRANCO, Divaldo Pereira, Salvador, Livraria Espírita Alvorada Editora, 1986, 3ª edição, pg 70.