Category: Pierre Weil


Hoje é domingo. Como bom cristão eu diria: é dia de ir à missa (ao culto, sou protestante!). Como não fui, para compensar coloco aqui um texto que pode levar eu e você mais perto do Pai, ou melhor, como o Pai sempre está sempre pertíssimo de nós – Êle está em nós, Eu e Êle somos um -, coloco aqui um texto que pode nos ajudar a ter consciência – vivência -, desta realidade.

Fala-se muito neste fim de século nos meios já inspirados por um novo paradigma cujas vistas estão voltados para o terceiro milênio do “Desenvolvimento de uma nova consciência”…

Na realidade esta expressão é inadequada pois esta consciência não tem nada de novo, e por conseguinte não há nada para desenvolver.

Quando falamos em Consciência, do ponto de vista holístico, nós nos referimos a um espaço luminoso, cuja característica essencial é ser consciente.

Por isto demos a este artigo o título de “DESPERTAR” e não de “desenvolvimento”.

Espaço com conscencia constitui o SER a que muitos nomes de caráter divino se tem dado através dos tempos e das culturas, tais como Jahve, Deus Allah, Brahman, Tao, Natureza de Budha, e assim por diante. Mas recentemente se tem falado em Consciência Cósmica, Consciência Universal, Espaço primordial, Consciência Transpessoal, Super Consciência, entre outros termos.

Assim sendo esta consciência tem um caráter universal, onipresente, onisciente e onipotente.

Esta consciência, pelo seu caráter de onipresença, se encontra também no ser individual, isto é em cada um de nós, sem exceção. É o que chamamos de consciência individual. O termo é também usado como sinônimo de Espírito Universal e Espírito Individual ou mesmo alma Universal e Alma Individual. Por conseguinte, pelo seu caráter eterno ela não é nova.

Por esta razão demos aqui o título de despertar da consciência em vez de desenvolvimento, pois, mesmo no ser humano a consciência esta sempre aí.

Muitos vão perguntar porque não temos acesso a consciência individual, a esta presença em nós, se ela está sempre aí?

Embora sempre presente, ela está velada escondida por uma distorção dela mesma; a nossa mente, que emana dela, tende a criar uma miragem, uma ilusão, a da existência de um eu, separado dela e do mundo que se torna percebido como exterior. Cria-se então o que se chama, em filosofia, a dualidade sujeito-objeto.

Esta dualidade gera por sua vez o apego ou a rejeição de coisas, pessoas ou idéias que nos causam respectivamente prazer ou dor. Isto leva ao estresse, à doença, ao sofrimento, reforçando então o distanciamento da consciência.

Podemos sair deste círculo vicioso e recobrar a consciência?

A resposta é positiva. Sim, podemos despertar deste estado de sonolência. Como? Principalmente através da meditação. Esta consiste em sentar, em posição de coluna ereta, sem rigidez; concentrando-se sobre a respiração deixa-se os pensamentos aquietar-se, até aparecer o espaço consciencial, até despertar a plena consciência.

A plena consciência é acompanhada de um estado de Paz e de Plenitude e leva a verdadeira Sabedoria e Compaixão por todos os seres ainda no estado de inconsciência.

Pierre Weil

http://www.pierreweil.pro.br – Novas idéias para novos tempos.

Anúncios

 Me fez um bem danado conhecer uma análise dos sete principais chakras sob o ponto de vista da psicologia.  Vejam o que Pierre Weil disserta a respeito do quinto chakra.

               “Sob influência da caça aos prazeres relacionados aos três primeiros níveis, acirrada pela propaganda e manipulação de massa, próprias de nossa cultura industrial fundada na segurança, na sensualidade, na posse e nos poderes de classes sociais, o egoísmo e o egocentrismo, inerentes ao ego narcísico, são estimulados ao máximo. Daí resulta toda espécie de sofrimento e neurose: lutas, competições, agressões, medos e angústias; enfim, mortes em lutas interpessoais e guerras, frutos ainda do primeiro chakra.

                Todo processo de conscientização levam a um descondicionamento dos apegos do ego vinculados aos papéis. São esses apegos que criam o medo de não possuir, de perder ou de não reaver objetos ou pessoas, os quais, como vimos, são apenas formas mais densa de energia. Querendo possuir outros objetos ou pessoas, o ego é uma forma de energia que pretende a posse de outras posses de energia. E isto é bastante ilusório. Vimos também que tal ilusão se cria por outra forma de energia: a mente nos obriga a ver tudo de forma dual. Então, sob o efeito da frustração que resulta da presença de um obstáculo na realização de um desejo com relação aos três primeiros níveis, nascem as tensões ligadas ao stress provocado pela multiplicação das frustrações.

                Quanto mais os processos de conscientização (terapias ocidentais e métodos orientais) conseguem dissolver as dualidades ilusórias, tanto mais estas aproximam o homem da unidade fundamental do Ser, e mais fácil se torna para a energia a ascensão aos níveis superiores ao chakra do coração. À medida que se dissolvem as dualidades e conflitos associados ao prazer e à dor, ao bem e ao mal, ao masculino e ao feminino, à dominação/submissão, a energia se torna disponível para ser aproveitada em outros níveis. Tal disponibilidade se torna patente quando as pessoas em evolução começam a se dedicar uma à outra, começam a amar. É o que caracteriza o quarto nível do coração. A energia potencializada nos três níveis inferiores se atualiza no nível cardíaco.

                O ato de doar, de amar, torna a pessoa progressivamente receptiva e disponível. Essa disponibilidade e abertura são próprias do quinto nível energético.

                O quinto chakra, situado na altura da garganta, tem como característica principal o vácuo. Por isso é simbolizado pelo quinto elemento, o éter. É um lugar de passagem, de recebimento da alimentação, da água, do ar. É também o lugar de vibração sonora, da palavra e do canto, e por isso mesmo considerado o centro de recepção das idéias criativas e, em geral, da aceitação daquilo que vem de cima, a ‘inspiração’ aérea e criativa. Os aspectos alimentares correspondem ao estágio oral da primeira infância, que permanecem ativos em casos neuróticos ou psicóticos assinalados pela psicanálise. Mas, segundo Rama (Ballentine e Ajaya), este chakra se refere sobretudo ao segundo aspecto: o da disponibilidade em receber inspiração dos níveis superiores, entrega e confiança nas forças criativas provenientes dos últimos chakras. A psicanálise tem demonstrado que esta disponibilidade pode ser aniquilada ou seriamente perturbada pela desconfiança esquizoparanóide de origem frustrativa oral deste mesmo nível, mas com origem defensiva do primeiro chakra. O importante é estar disponível para uma ‘alimentação’ psicológica, de origem ‘transpessoal’, que transcende o ego dos três primeiros chakras e se diferencia muito daquilo que chamamos ‘pseudofusão’, característica de regressões psicóticas. Aqui se situa a aceitação de viver, do ritmo respiratório e da mensagem que lhe está subjacente. Efetivamente, podemos sustar voluntariamente a respiração e nos expor à morte, fechando os músculos da garganta de tal modo que o ar não passe mais. A mensagem que a respiração nos dá é a seguinte: se paramos de respirar com os pulmões cheios, morreremos, pois pretendemos guardar para nós o que não nos pertence. Em outras palavras, tudo o que recebemos terá de ser devolvido mais cedo ou mais tarde. De nada adianta ser possessivo. Se, ao contrário, nos recusarmos a inspirar o ar trancando a passagem da garganta, depois da expiração, também correremos o risco de morrer. A natureza, portanto, nos obriga também a receber. Se deixarmos de receber, não poderemos viver. O mesmo se diga da recusa oral de alimentação ou da recusa possessiva de evacuação anal, que, aliás, lembra muito a relação da analidade com certos mutismos observados nas psicoterapias e enfatizados pela psicanálise.

                A emissão da voz se liga também à passagem do ar e à respiração. O grito de terror se associa ao primeiro chakra, o do gozo ao segundo, e o da raiva ao primeiro e ao terceiro chakras, enquanto o timbre de voz carinhosa depende do chakra do coração. A emissão da palavra é própria do quinto centro energético, que, através da palavra, liga este chakra ao pensamento, que nada mais é do que a interiorização da vibração sonora da linguagem. Linguagem, pensamento e respiração são realidades inseparáveis, como afirma Gaiarsa. Também é o centro de emissão da linguagem criativa, da poesia, da literatura, do pensamento filosófico, da expressão verbal, de toda espécie de criação. Voltamos aqui ao que já afirmamos mais acima, no que se refere à criatividade: a fonte da linguagem e a da criatividade ligadas ao penúltimo chakra. No ioga empregam-se certas palavras ou  ‘mantras’, para se chegar, numa viagem interior, à fonte das palavras e da linguagem, que é a fonte do Ser. Toda pessoa criativa deixa falar sua voz interior e se torna receptiva ao que vem de dentro dela. É o que faz o artista, o poeta, o escritor e o homem de ciência. A linguagem simbólica é o elo de comunicação com os dois últimos chakras. Estamos aqui em plena psicologia da escola de Carl Gustav Jung.”

AS FRONTEIRAS DA EVOLUÇÃO E DA MORTE -Os limites da transformação da energia no homem; III.Os níveis de realidade; 1. A realidade interior; Weil, Pierre; Petrópolis, RJ; Vozes, 1983; pg.s 62 a 64.

 

Abaixo as reflexões finais do livro AS FRONTEIRAS DA EVOLUÇÃO E DA MORTE – os limites de transformação da energia no homem, de Pierre Weil (Petrópolis, RJ; Vozes, 1983, 2ª edição, pg.s 123 a 127).

Você pode obter muito mais deste autor em seu Site: http://www.pierreweil.pro.br/Brazil.htm

“De uma determinada geração de homens e mulheres

bem poucos alcançam a finalidade suprema da vida

humana. A oportunidade de chegar ao conhecimento

 unitivo será, de uma forma ou de outra, oferecida,

até que todos os seres humanos compreendam, de fato,

quem eles são”

Aldous Huxley

                Estamos agora no fim de mais uma jornada, de mais uma viagem através da Realidade. Considero cada um de meus livros como tal.

                Neste fim de viagem, convém pararmos e tentarmos algumas reflexões complementares e sintéticas. Mostramos, antes de tudo, que nossa vivência da Realidade, interna e externa, depende do estado de consciência em que nos encontramos. E lançamos a fórmula:

VR = f(EC)

                A Vivência da Realidade VR é função f do Estado de Consciência EC. Esta fórmula permitirá, se convenientemente divulgada, dirimir inúmeros mal-entendidos entre os que falam da realidade dentro de um determinado estado de consciência e outros que se referem à mesma realidade, mas dentro de outro estado de consciência.

                Cada vez que uma pessoa se pronuncia sobre alguma coisa ou divulga alguma descrição da Realidade, deveria esta sua afirmação ser precedida de uma declaração quanto ao EC (Estado de Consciência) em que fala. O mesmo podemos dizer de todas as ciências que são na realidade ciências emitidas em determinado estado de consciência.

                Dentro do estado de consciência de vigília, predominam a dialética dos opostos, o princípio de contradição, a percepção da lei dos antagonismos da energia, pois os nossos cinco sentidos, a linguagem e a atividade mental nos levam fatalmente ao mundo da dualidade. A dialética é própria deste estado de consciência e faz parte do mundo pessoal do ego e da mente. A sua função é ajudar o homem a sobreviver e a evoluir, descobrindo aos poucos, através da eliminação progressiva, das contradições, o seu caráter ilusório. Assim se transpõem progressivamente as dualidades próprias a cada nível energético que descrevemos neste livro. Ao desmistificar a dualidade própria a cada nível evolutivo, o homem se desapega também das características próprias a este nível. Desfaz-se do medo de perder aquilo que ele já não valoriza mais até chegar, como a micro-física, aos confins das possibilidades de uso da linguagem e da mente, até que tenha que superar a última dualidade: eu/mundo. Ao transpor esta última fronteira, terá de abandonar toda veleidade de usar a mente, o pensamento, pois terá chegado à conclusão experiencial de que a partir daí a mente lhe prejudica a consecução da verdade.

                Do nível de consciência pessoal terá ele chegado ao nível transpessoal. É o que aconteceu com Lupasco, que tentou trilhar os caminhos do uso da mente, isto é, da lógica formal até as suas últimas conseqüências. Lupasco chegou aos limites a que pode chegar a dialética.

                A dialética, produto da mente que vivencia a realidade dentro do estado de consciência de vigília, tem uma função precípua, a mesma que este estado de consciência: permitir ao homem sobreviver dentro do mundo da energia densa que é a matéria. Por isso mesmo sente-se ela à vontade dentro dos primeiros níveis energéticos descritos neste livro.

                Os níveis transpessoais de consciência, ao contrário, permitem uma vivência da Realidade, da mesma realidade, diferente da dialética. Eles levam a uma vivência holística, molar, unitiva.

                Quer isto dizer que a dialética é desprezível? Certo que não. Ela é válida para o estado de consciência de vigília e sua utilidade não se coloca em questão aqui. Apenas ela chega a certos limites que foram justamente transpostos por Lupasco, quando descobriu que existe dentro do homem a afetividade que escapa à lei do antagonismo da energia. E chegou a isso depois de ter estado todas as possibilidades da lógica formal de não-contradição e criado uma nova lógica de contradição.

                Lupasco teve o mérito de verificar a validade dos seus princípios energéticos em todos os níveis do universo e em todas as ciências das partículas subatônicas até as nebulosas, da célula até a vida psíquica. Em todos os níveis e em todas as ciências que os estudam, encontrou ele a mesma lógica do antagonismo.

                Mesmo na vida psíquica, o próprio conceito não escapa a esta lógica. Efetivamente, um conceito é resultado de um equilíbrio T entre heterogeneização e homogeneização que procuram se atualizar e só chegam a meio caminho entre atualização e potencialização. Por exemplo, falar de um homem consiste, ao mesmo tempo, colocá-lo dentro de uma categoria homogênea, afirmando que todos os homens são iguais e, no entanto, discriminar este homem dos outros, tornando-o heterogêneo pela cor dos cabelos, sobrenome, tamanho, etc. O sono, o sonho, a memória e a imagem, obedecem à mesma lógica.

                Lupasco notou apenas uma exceção que o levou a inferências muito importantes: afetividade não obedece a nenhuma das leis enunciadas aqui. Ela aparece e desaparece sem haver nenhuma potencialização ou atualização do homogêneo ou do heterogêneo dentro dela.

                No nível orgânico ela surge sem ter nenhuma ligação com o sistema em que aparece como um sinal de alteração do equilíbrio. É ela que constitui o sinal de consciência da necessidade de se restabelecer o equilíbrio. A consciência é a sede da afetividade orgânica, da dor assinala o desequilíbrio e do prazer de restabelecer o conflito antagônico. A consciência é também a sede da afetividade psíquica, da emoção e do sentimento. O próprio amor é a manifestação de um princípio unitivo, pois o amor leva à união, à eliminação do desequilíbrio. A afetividade surge quando há desequilíbrio entre as forças. E aparece como tendo ua natureza própria e diferente da energia. Todo sistema energético, intelectual, orgânico ou molecular é uma relação. Uma coisa, um sistema, só existe em relação a outra coisa ou a outro sistema. A afetividade existe por si só. Ela é porque é. Aparece na consciência na potencialização, como produto de uma atualização desequilibrante.

                Qual a razão de sua existência dentro da consciência? Tudo indica que a afetividade e a consciência fazem parte ou são a manifestação de um princípio unificador, pois surgem justamente quando o conflito dos antagonismos se dissolve, isto é, aparecem para restabelecer um equilíbrio de forças.

                Cada desequilíbrio de forças obriga, pela dor que desperta na consciência, a restabelecer o conflito, isto é, a restabelecer uma unidade que contém os antagonismos, pois não pode haver um sem dois. Mas não pode haver também um sem zero. É do zero que provém a energia simbolizada pelo um que implica a dualidade antagônica do dois.

                A pergunta que agora se impõe é esta: quem restabelece o conflito necessário para a unidade? Só há uma resposta possível: é este princípio unificador ao qual se deu o nome de self.

                O self hoje já não é um princípio abstrato e produto de meras deduções lógico-metafísicas. Pode ser experimentado dentro de cada um de nós, tal como se pode vivenciar e constatar um sonho, um pensamento, uma lembrança ou emoção.

                Através de métodos próprios, como a psicossíntese de Assagioli, do sonho acordado de Désoille, de técnicas de meditação do ioga ou do za-zen, do cosmodrama criado por nós e que se inspira na psicanálise do psicodrama, da gestalt-terapia e dos outros métodos que acabamos de citar, conseguimos experienciar o self.

                O self PE o princípio, dentro de cada um de nós, que nos faz superar os desequilíbrios da dualidade própria das percepções do ego. O ego é dual, é produto da identificação do self com a vida mental, emocional e física. Nós o descobrimos através da desidentificação, do afastamento, da tomada de distância dos nossos próprios sistemas e subsistemas. Se temos corpo e mente, não somos este corpo e esta mente. Podemos servir-nos deles para cumprir nossa tarefa de existir que consiste justamente em consolidar, fortalecer a formação desta consciência maior da existência deste self. Isso se dá passando-se de um nível de consciência a outro, de um estado de consciência a outro, ou, melhor ainda, mudando progressivamente de nível de sistema dentro da hierarquia que descrevemos. Cada nível obedece à lógica do antagonismo, mas a passagem de um nível a outro nos permite chegar gradativamente à realização do self como parte integrante do self universal.

                É esta realização que constitui a finalidade última de todos os seres humanos. Uns vivem mais conscientes disso do que os outros. Mas todos procuram, a maioria sem saber, reencontrar o “paraíso perdido”. A tendência mais comum é procurá-lo no mundo exterior, nos prazeres efêmeros propiciados pela nossa civilização de consumo. O presente livro mostra que este “paraíso perdido” se encontra dentro de cada um de nós. Cabe a nós mesmos e só a nós mesmos reencontrá-lo. Ninguém mais pode fazer isso por nós. O que fizemos aqui é apontar as etapas, as fases. Demos o mapa. Fornecemos a cartografia. Cabe ao leitor seguir a rota traçada. Só ele poderá fazê-lo, se assim o desejar, da forma que o desejar e puder, com ou sem mestre exterior, mas sempre com a força interior.

                O homem é um potencial, uma grande semente que precisa se abrir, crescer, dar flor, desabrochar: em suma, atualizar o self, o seu ser interior. Esta é a sua tarefa essencial. Enquanto não tiver atingido esta experiência sublime e aprendido a se reerguer de sua queda adâmica adquirindo plena consciência de si mesmo, enquanto o homem inteiro não se tiver desenvolvido a partir dos animais da esfinge, enquanto não tiver adq2uirido a plena consciência de si mesmo e de sua unidade com o universo, ele sentirá que está lhe faltando algo. Sentirá uma saudade interior. Haverá uma sereia a cantar e a lhe dizer que ele  não atualizou o seu potencial.

                Mesmo que tenha atualizado todos os seus potenciais, realizado todos os seus desejos de riqueza, fama, poder e sexo, ele estará sentindo que algo lhe falta. Ver-se-á como um potencial não atualizado. E se alcançar essa realização, nesta sua existência, a própria morte adquirirá um significado diferente para ele, como é o caso experienciado por todos os que passaram para este novo e mais real estado de consciência. Longe de uma alienação da realidade, como muitos o concebem, quem alcança esta realização verdadeira está mais em paz consigo mesmo e com os outros, mais integrado e sensível à vida social, mais disponível e aberto para acabar com o sofrimento humano de toda espécie.

                Mas, querendo ou não, o Homem morre e renasce a si mesmo no plano físico, emocional e mental, a toda hora. Cabe a ele, e só a ele, tomar consciência desse fato relevante da sua existência. Será este o começo de sua maior realização.”