Tag Archive: Aprendendo a Viver


 

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Quando sentires da vida o cansaço

e tiveres vontade de chorar…

Quando conheceres a dor do fracasso

e teu coração de tristeza penar…

 

Quando não vires estrelas no céu

a brilhar na escura amplidão,

e notares que a dor, como um véu,

obscurece o teu coração…

 

Lembra que alguém pensa em ti

Com saudade, enlevo e amor

e ajudar-te deseja, aqui,

à esqueceres das mágoas a dor.

 

APRENDENDO A VIVER, STOPATTO, Siléa, Rio de Janeiro, RJ: Eclesiarte Bureau de Edição Ltda, 2013, pg. 35.

 

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Cobramaçã2                                                                                             www.centraldobarreiro.com

Primeira parte da décima sétima aula do CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden, em 30/08/1977.

 

SABOTAGEM LUCIFÉRICA

Considero Moisés e Jesus como os maiores homens da história. Moisés no Antigo Testamento e Jesus no Novo. Dois homens que deixaram grandes mensagens, mas todas elas completamente deturpadas por nós: O Evangelho e o Gênesis. Completamente deturpadas! O que nós fazemos do Gênesis é uma vergonha. O que nós fazemos do Evangelho é outra vergonha. Então, vamos retificar um pouco os erros que estamos comete

Todo o mundo sabe que Jesus deixou a maior mensagem da humanidade. Ele não escreveu, mas alguns discípulos escreveram, e nós sabemos pelos Evangelhos o que Jesus disse. O que é que nós fizemos dos Evangelhos? E o que é que nós fizemos do Gênesis? Dois livros magníficos, mas completamente deturpados. Por isto eu estou tentando aqui retificar pelo menos o que se ensina sobre Gênesis. Quanto aos Evangelhos já tratei de retificar também, anteriormente.

É uma verdadeira temeridade da minha parte, talvez uma presunção, querer retificar as coisas sobre o Gênesis, depois de 2000 anos de deturpação – mas eu tenho que fazer isto.

 

Interpretações infantis do Gênesis

Uma vez um doutor da lei perguntou a Jesus: “Mestre, qual é o maior mandamento da lei”, isto é, “qual é a coisa mais importante da vida humana?” O doutor da lei naquele tempo não era advogado, era um teólogo da Sinagoga. Era chamado doutor da lei de Moisés.

O que é que nós teríamos respondido? Uns teriam respondido: “a coisa mais importante da vida humana é confissão, comunhão e missa”. Outros: “a coisa mais importante da vida humana é ler a Bíblia e crer na redenção pelo sangue” ou a coisa mais importante na vida humana é fazer caridade e crer na reencarnação”.

Mas, Jesus não respondeu isto. Respondeu coisa muito diferente.

Se perguntado, Moisés também diria coisa completamente diferente do Gênesis, em relação aquilo que falamos hoje. Por exemplo: o que entendemos sobre o sentido do Gênesis? Duas opiniões:

1) O Gênesis é uma fábula mitológica. Havia uma maçã muito bonita no Paraíso e Deus disse: “Olhe, esta maçã é minha, vocês façam o favor de não comer”. E, contudo eles comeram e então foi amaldiçoada toda humanidade por causa disto. Deus foi tão rigoroso por causa duma maçã que havia reservado para si que lançou três maldições terríveis, que ainda nos afligem. Esta é uma interpretação do Gênesis, a mais ridícula de todas, uma mitologia infantil que continuamos a repetir.

2) Outra interpretação: o primeiro casal tinha ordem de não se acasalar, mas eles se acasalaram, e Deus disse: “Maldição sobre vocês”. Por isto Adão e Eva e todos os seus filhos, que somos nós, entram no mundo escravos de Satanás – filhos do Diabo. Somente quando recebem na cabeça um copo de água, então se tornam filhos de Deus.

Imaginem, que absurdidade! Nós entramos todos no mundo como filhos do Diabo. No ritual do batismo está: “sai desta criança, Satanás e dá lugar ao Cristo”. E por que o Satanás está dentro da criança? É porque um casal, ele se chamava Adão e ela Eva, há muitos milhares de anos, lá do outro lado do mar, tiveram ordem de Deus de não se acasalar – mas se acasalaram – e Deus disse: “Agora se acabou a minha paciência, malditos sejam vocês dois e todos os seus descendentes”.

Deus tinha dito, “multiplicai-vos” – mas, depois se arrependeu, parece. E viram que deram o primeiro passo para se multiplicar, acasalaram e Deus disse: “Não, não, isto é porcaria, vamos acabar com isto”. E lançou a maldição.

Isto nós ensinamos até hoje. Vocês têm alguma outra interpretação? Eu não conheço outra, nem no catecismo, nem na escola dominical.

Nós podemos aceitar em plena era atômica, no fim do século XX, estas infantilidades, estas coisas ridículas! Se Moisés soubesse o que nós estamos dizendo, se revoltaria contra todos nós. Jesus também se revoltaria contra nós, se ele soubesse o que nós estamos fazendo do Evangelho.

 

As três maldições

O Gênesis afirma de fato que as forças creadoras, os Elohim, como está lá, lançaram três maldições, mas, não por causa destas infantilidades. Não por causa duma maçã, e não por causa dum casamento ou acasalamento. Não havia casamento, mas havia acasalamento, naquele tempo. Hoje em dia há os dois – há acasalamento sem casamentos. Mas, naquele tempo não tinha casamentos legais. Havia acasalamento que é da natureza humana e de todos os animais também.

Então vieram três maldições terríveis. Vou citá-las. Estão lá no Gênesis. Três maldições terríveis, de uma insólita veemência. A maldição à serpente, a maldição à mulher e a maldição ao homem. A primeira maldição é em relação à serpente porque ela começou toda a história. A segunda maldição é à mulher, porque ela recebeu a mensagem da serpente. E a terceira maldição é sobre o homem, porque atendeu à mensagem da mulher. Assim está na ordem do Gênesis: serpente, mulher, homem.

A maldição à serpente é a seguinte: Os Elohim disseram, (quer dizer Deus, que Moisés chama ‘as forças creadoras’), Os Elohim disseram à serpente, ‘porque tu fizeste isto maldita sejas entre todo o animal da terra. Sobre o teu peito e sobre o teu ventre rastejarás e comerás do pó da terra a vida inteira’. Uma maldição terrível lançada a alguém que se chamava serpente, mas não a uma cobra. A cobra naturalmente não podia ser maldita. Não se tratava de nenhuma cobra, nós vamos ver isto depois. Mas a maldição é esta: “Maldita serás entre todos os seres vivos da terra e rastejarás sobre o teu peito e sobre o teu ventre, e comerás do pó da terra a vida inteira”.

A maldição lançada à mulher foi a seguinte: “Em dores darás a luz a teus filhos e terás muitos incômodos com a gravidez. Serás dominada pelo homem e apesar disto tens desejos dele”. Está lá, a maldição à mulher.

A maldição lançada ao homem é a seguinte: “porque atendeste a voz de tua mulher (porque ele não falou diretamente com a serpente, ele só ouviu através da mulher) maldita seja a terra por tua causa. Se a cultivares, só te produzirás espinhos e abrolhos, e comerás o teu pão no suor do teu rosto, até que voltes à terra, porque tu és pó e em pó te hás de tornar”.

Vocês podem imaginar maldições mais terríveis do que estas? Estão lá no Gênesis, e Moisés afirma que a maldição foi dada por Deus, à serpente, à mulher e ao homem.

Ninguém compreende a veemência destas maldições sobre aquele casal e sobre toda a humanidade.

Acabou com toda humanidade. Por quê? Não por causa de uma maçã, não por causa de um acasalamento. Isto é bobagem. Por causa de coisa muito séria.

Se tivessem comido uma maçã teriam sido amaldiçoado deste modo? Não, não é por causa de uma maçã.

E não é em razão de um ato sexual. Ele tinha mandado: “multiplicai-vos”. De que modo haviam de multiplicar-se? Não há nenhum outro modo de multiplicar até hoje, a não ser pelo sexo. Fizeram isto e acabou-se a história. O que eles fizeram? Deve ter sido uma coisa muito grave, muitíssimo grave, para merecer maldições desse teor tão terríveis. Havia outra coisa, coisa muito diferente e é sobre esta coisa diferente que nós nunca ouvimos nas igrejas. Eu nunca ouvi isto em nenhuma igreja, seja católica romana, ortodoxa, grega, nem igreja evangélica, nem sequer no espiritismo. Nunca ouvi uma explicação razoável sobre isto.

Por que não? Em 2000 anos? O que aconteceu? Deve ter acontecido uma coisa horrível para virem estas três maldições. Maldição sobre a serpente – que representa a inteligência, porque a inteligência sempre é representada pela serpente. Maldição à inteligência, maldição à mulher e maldição ao homem. E a terra inteira está maldita por causa daquilo que o homem fez. O que é que ele fez? Vamos ver se descobrimos o segredo.

Trata-se, na realidade, de uma sabotagem. Duma sabotagem luciférica que envolve toda a humanidade presente e futura. Uma sabotagem, quer dizer, uma adulteração das ordens de Deus, pela inteligência. É disto que se trata. E por isto é tão grave a situação. A inteligência luciférica inventou uma sabotagem, uma frustração, uma adulteração de toda obra de Deus quanto ao homem.

O homem foi creado no fim do sexto período da creação. Quando já todo o resto do mundo estava pronto, o Gênesis diz: e no fim do sexto período, (não ‘do dia’ – mas ‘período’ de milhões de anos) os Elohim disseram: ‘agora façamos o homem, segundo a nossa imagem e semelhança.’ Isto era o plano de Deus, que o homem fosse feito segundo a imagem e semelhança de Deus.


O saboteador

E agora vem a sabotagem da inteligência. A inteligência serpentina, a serpente intelectual se revolta contra esta mensagem de Deus. O homem deve ser feito segundo a imagem e semelhança de Deus, mas, eu, disse a inteligência, vou frustrar esta obra. O homem não vai ser imagem e semelhança de Deus.

Esta é a sabotagem da inteligência, que é representada pela serpente. A inteligência de quem? A inteligência de Eva? Não. A inteligência de Adão? Não. A inteligência cósmica. A inteligência astral.

Porque vocês devem saber, a inteligência existe em forma transcendente e também existe em forma imanente, assim como o espírito. O espírito também existe em forma transcendente e também existe em forma imanente. Cada um de nós tem espírito. A alma é o espírito. Mas, também existe espírito fora de nós. O que existe fora de nós se chama transcendente, além. O que existe dentro de nós se chama imanente.

Quer dizer, assim como o espírito de Deus existe em forma transcendente, também existe em forma imanente. Do mesmo modo, a inteligência que é outra faculdade, existe em forma transcendente, cósmica, univérsica, ou astral talvez. Existe fora de nós. Existe uma entidade cósmica chamada inteligência e esta entidade cósmica chamada inteligência pode contaminar o homem. Nós recebemos a inteligência, mas, nós não somos a inteligência. Assim como nós recebemos o espírito, mas nós não somos o espírito.

Ser o espírito é transcendente. Ter o espírito é imanente. Ser inteligência é transcendente, ter inteligência é imanente.

Aqui no Gênesis se trata de uma inteligência transcendente que contaminou o primeiro casal. Eles se deixaram contaminar. E quem foi contaminado em primeiro lugar foi a mulher. Porque a inteligência transcendente viu que o lugar mais fácil para atacar a humanidade era através da mulher. Ela se serviu da mulher para transmitir as suas ordens.

A inteligência transcendente se torna imanente primeiro na mulher. E depois a mulher passou para o homem. Então, a primeira maldição é lançada à inteligência, à inteligência transcendente e também à inteligência imanente.

A creatura humana não devia deixar-se contaminar pela inteligência. Podia e devia resistir à inteligência transcendente e não se deixar contaminar por esta.

Quando os Elohim se dirigem à mulher e lançam a maldição sobre ela, eis o que diz: “Eu fui enganada pela serpente. Eu fui enganada pela inteligência”. Ela foi enganada pela inteligência transcendente e por isso a inteligência transcendente se tornou imanente nela.

Logo, aqui há uma sabotagem. A inteligência transcendente que se tornou imanente em Eva e depois em Adão, sabotou o plano de Deus. Fez uma tentativa de suborno, uma tentativa de frustração, uma tentativa de adulteração.

Em vez de aceitarem a mensagem de Deus, aceitaram a mensagem da inteligência. E esta inteligência transcendente existe em toda parte e por todos os tempos. É paralela ao espírito.

 

 

Nascimento

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Ontem uma flor nasceu.

Nasceu botão pequenino,

Frágil, brotando a medo

Entre as folhas.

 

Ontem uma vida se iniciou,

Mesclada de dúvidas

E incertezas…

… foi apenas o início,

O brotar de uma esperança, como um raio

De sol de manhã

Ainda não rompida.

 

O botão vai se abrir em flor

E se cuidada com carinho, talvez

Tenha a possibilidade de uma curta vida.

Mas enquanto viver encantará quem puder cultivá-la.

 

Assim seja a vida

Que ontem se iniciou.

 

APRENDENDO A VIVER, STOPATTO, Siléa, Rio de Janeiro, RJ: Eclesiarte Bureau de Edição Ltda, 2013, pg. 17.

 

Gandhi

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Segunda parte da aula 16 – CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden em 23 de agosto de 1977

 

O EGO e EU

Vamos falar das maldades morais agora, e não dos males físicos por enquanto. Eu me posso redimir das maldades morais, dos meus pecados. Repetindo: de todas as maldades não físicas, mas morais.

Mas, quem é que faz isto? O meu Ego ou o meu Eu?

Na época de Agostinho e Pelágio não se sabia distinguir nitidamente entre os dois polos da nossa natureza. Era conhecido melhor o Ego do que o EU.

A totalidade da natureza humana pode ser representada por uma cruzinha no centro de uma ou várias circunferências. As circunferências, que chamaremos de periferia, representa o Ego. E a cruzinha, no centro, representa o Eu. Não havia uma noção clara sobre os dois polos da natureza humana, isto é, sobre o polo Ego – a periferia, e o polo Eu – o centro. Por isso nunca chegaram a um acordo.  Pelágio dizia “eu me posso salvar”; agora, se ele chamava “eu” a cruzinha no centro ou a periferia, nós não sabemos. Não sabemos se Pelágio tinha entendimento sobre o Ego ou Eu…

Agostinho só conhecia o Ego. Tinha sido muito derrotado pelo seu ego na juventude, até os trinta e tantos anos, e devido às derrotas sofridas pelo poder do seu ego, não acreditava que o homem pudesse salvar-se a si mesmo. Identificava o homem com o seu ego.

Eu creio que Pelágio não falava do Ego, mas ele nunca afirmou isto. Creio que se referia ao Eu verdadeiro. E dizia: “eu, pelo meu Eu divino – interno –  (pelo meu Cristo interno,diríamos hoje), me posso redimir e salvar de todas as maldades”.

Naturalmente, Agostinho não conhecia este Eu central, ele conhecia muito bem o Ego periférico. Tinha sido derrotado por ele. E quando se converteu, atribuiu a conversão a Deus e não a si mesmo. “Eu não me converti, dizia, Deus me converteu”. Ele nunca aceitou que ele mesmo se pudesse converter; que se pudesse fazer bom. “Eu só me posso fazer ‘mau’, só Deus me faz bom”.

Agostinho só entendia da natureza humana o ego. E Pelágio parece que entendia tanto o Eu central positivo, como também o Ego. Por isso dizia: “sim, eu posso ser mau por minha conta e risco, mas eu também posso ser bom, posso fazer-me bom. Posso redimir-me dos meus pecados e das minhas maldades”. E neste caso ele não se referia ao seu Ego externo, porque o Ego é muito negativo.

O Ego, de fato, é o nosso pecador – o Ego é o que nos perde. O Eu é quem nos salva.

Hoje em dia a humanidade já abriu os olhos para os dois sentidos da palavra Eu, mas muitos ainda entendem por Eu, o Ego. O grosso da humanidade ainda pensa como Santo Agostinho. E nós também, hoje em dia, em pleno século XX, repetimos: ‘eu estou doente’. Eu, o quê? O meu Eu central está doente? Não, o Espírito de Deus em mim não pode estar doente. Isto não é possível. O meu Cristo interno não pode estar doente. Repetimos a palavra Eu – sem distinguirmos o que é que entendemos por Eu. Nós nos referimos geralmente ao nosso corpo, ao nosso Ego.

Chamamos o nosso corpo – Eu, o que é um modo de falar muito inexato. Mas, não temos outro modo. Não podemos dizer Ego, como em latim. Em latim, ‘Eu’ é ‘Ego’, mas só usamos o Ego latino para a parte negativa da nossa natureza. Dizemos: ‘eu vou morrer’ – eu quem? Não o Eu verdadeiro, o nosso centro, não vai morrer – este não vai morrer. O que vai morrer é o nosso corpo, a nossa periferia. O nosso EU central não está sujeito à morte. O nosso Eu central não tem câncer, não tem tuberculose, não pode sofrer acidentes e não morre.

Quando dizemos: ‘eu sou inteligente’, o ‘eu’ a que nos referimos faz parte do nosso Ego. A inteligência é uma faculdade do nosso Ego, relacionada com o Eu, é verdade. Mas ainda tem sede no ego. Quando dizemos: ‘eu fui ofendido; fui tratado com ingratidão; fui vilipendiado’, a que “eu” nos referimos? Ao nosso Ego emocional, ao nosso Ego afetivo, que sofre com ingratidão ou injustiças. É claro – é o nosso Ego que sofre. O nosso Eu não sabe nada disto.

Às vezes aparece um homem que não se identifica mais com o seu ego. Mahatma Gandhi, em nosso tempo, chegou a este ponto. É o máximo a que um homem pode chegar. Ele tinha esquecido o seu ego e só se lembrava do seu Eu. Os homens avançados fazem do seu Eu uma coisa muito maior do que seu Ego. E o seu ego vai desaparecendo pouco a pouco.

Quando perguntaram a Gandhi se perdoava as ofensas que havia recebido em grande quantidade em toda a sua vida, respondia: “eu não perdoei nenhuma ofensa porque nunca ninguém me ofendeu”.

O homem, quando é mau, procura vingança. O homem quando é bom, perdoa as injustiças. Mas os dois são imperfeitos. Também aquele que perdoa não é perfeito – é melhor do que aquele que vinga, é claro. É melhor perdoar do que vingar, não há dúvida nenhuma. Mas por que ele perdoa? Porque se sente ofendido. E por que se sente ofendido? Porque ainda está na zona do seu Ego.

O nosso Eu não pode ser ofendido. O nosso Eu é inofendível. O nosso Eu é absolutamente inofendível. A minha alma não pode ser ofendida por ninguém. O meu Cristo interno não pode ser ofendido por ninguém. Deus em mim, o Pai em mim, que é o meu Eu, não pode ser ofendido. Logo, o meu Eu não tem que perdoar nada a ninguém. Porque o meu Eu não foi ofendido, o meu Eu é invulnerável, inatingível.

Mas, não temos a consciência da nossa invulnerabilidade.

Gandhi chegou à consciência da sua completa invulnerabilidade. O meu Eu não pode ser atingido pelos outros. Ninguém pode fazer mal ao meu Eu central. Todos podem fazer mal ao meu Ego periférico. E de fato fizeram. No fim o mataram. Um hindu o matou com 3 tiros de revólver. Mas, as últimas palavras de Gandhi ao cair ferido, baleado, foram: Namastê. Ainda fez a saudação ao seu assassino. Deus esteja contigo. O Deus em mim saúda o Deus em ti, como os hindus interpretam esta saudação bonita.

E foram as últimas palavras de Gandhi ao seu assassino. Meu querido inimigo, o Deus em mim saúda o Deus em ti. Isto está além da ofendibilidade. Não pôde ser ofendido nem com 3 tiros de revolver, nem com a morte. E ele ainda pediu, quando já estava morrendo, que não permitissem que seu assassino fosse punido. Eu não sei, mas o governo da Índia provavelmente o enforcou, como era costume lá. Mas Gandhi pediu que não o punissem porque o que ele necessitava era instrução e não punição. Porque ele tinha agido por ignorância. É claro, é pura verdade. Ele ignorava o seu Eu verdadeiro. Não ignorava o seu ego que agiu e matou. Mas, a verdadeira sabedoria não é do ego. Então Gandhi disse: é preciso instruir este homem porque ele agiu por ignorância, matando-me.

Quer dizer, hoje em dia aqui no ocidente, nós já estamos em grande parte passando da velha ideia da alorredenção para a nova ideia da autorredenção. Aliás, não é nova esta ideia. Está no Evangelho, 2000 anos atrás. As obras que eu faço, diz o Cristo, Jesus – naturalmente as obras boas, porque ele não fazia obras más – as obras que eu faço, não sou eu que as faço, é o Pai que está em mim que faz as obras. Porque de mim mesmo eu nada posso fazer.

Quando falava assim, se referia a isto: ao seu Eu positivo, ao seu Eu central. As obras que eu faço através do meu ego, mas, nascidas do meu Eu divino, as obras que eu faço não sou eu, o meu ego que faz estas obras, mas o meu Eu divino que faz estas obras. E o seu Eu divino ele sempre chama o Pai. O Pai está em mim e eu estou no Pai. O Pai também está em vós, ele diz a seus discípulos. O Pai também está em vós, e vós estais no Pai.  Quer dizer, Pai, ele chama isto: o Deus interno, o Cristo interno, muito mais poderoso que o seu ego. O ego nunca desaparece completamente porque faz parte da natureza humana. Mas, o ego pode ser menor que o Eu. Eu posso aumentar a tal ponto a consciência do meu Eu real, do meu Eu divino, do meu Eu espiritual, do meu Cristo interno, que praticamente esqueço do meu ego humano. E quando alguém tem 99% de consciência do seu Eu verdadeiro e apenas 1% de consciência do seu ego ilusório, então, ele se sente completamente liberto. Ninguém o pode ofender porque ele não é mais ego, deixou de ser ego praticamente e se identificou com seu Eu. E por isto Gandhi podia dizer: eu não preciso perdoar a ninguém porque ninguém me ofendeu.

Nós falamos muito autorredenção hoje em dia, mas os dogmas, as teologias, ainda não entraram nesta zona de conhecimento. Ainda pensam que há um fator externo que me faz mau, a que chamam de diabo. E também há um fator externo que me faz bom, ao que chamam de Cristo. Mas não entendem o Cristo interno do Eu. Entendem do Cristo lá do outro lado do Mediterrâneo, que viveu há 2000 anos. Entendem que a salvação vem de longe, vem de fora para dentro.

Pouco a pouco nós nos convencemos: Toda a redenção, toda a salvação, todo o melhoramento moral, espiritual não vem de fora de mim. Também as maldades não vêm de fora. A bondade vem de dentro e a maldade vem de dentro. Pergunta-se: ‘dentro de quê?’ Dentro de minha natureza. Mas eu sou tanto ego como Eu. Na minha periferia eu sou ego e daí podem vir os males, as maldades, os crimes, os pecados; todos vêm do meu ego, mas fazem parte de mim; fazem parte da minha natureza, do meu ego.

Mas se eu cultivar o meu Eu central, então o meu ego praticamente fica eclipsado. Ele continua a existir, é claro, faz parte de mim, mas ele não pode dar ordens, ele não pode dominar a minha vida. E então eu posso dizer: eu me faço bom porque eu quero e o ego não me faz ‘mau’, porque o meu Eu não deixa o meu ego funcionar. Ele dá ordens ao meu ego e o meu ego não dá ordens ao meu Eu. É uma grande vantagem.

Suponha que alguém tenha 90% no seu Eu central e apenas 10% no seu Ego. Se ele está com 90% de consciência do seu Eu, sobra apenas 10% de consciência do seu ego. Então, praticamente ele está livre. Ele não tem mais obrigação de ser mau porque 90 dominam 10. Mas, se o contrário acontece, se ele é 90% no ego e apenas 10% no Eu – então o seu ego dá ordens ao ego e ele se torna ‘mau’. Mas, a culpa não é do diabo, é minha. A culpa é do meu ego humano. Mas o contrário também acontece e o merecimento é da minha natureza humana, do meu Eu humano; também faz parte da minha natureza.

Estamos chegando pouco a pouco a esclarecer as nossas ideias. Mas as igrejas e as teologias, geralmente não aceitam ainda que o homem possa passar por uma autorredenção. Ainda se aferram na alorredenção. E quando dizemos que a autorredenção é possível, entendem que nos referimos a uma ego-redenção.

Não há ego-redenção, só há ego-perdição. Mas há Eu-redenção. O Eu é autos, em grego. Há autorredenção, mas também há ego-perdição. Mas nós somos responsáveis pelos dois. Porque quem disse que o meu ego devia ser mais forte que o meu Eu? A culpa é minha. Se eu não desenvolvi o meu Eu bom, e desenvolvi por demais o meu ego negativo a culpa é minha, porque eu não me eduquei devidamente para ser bom.

Mas é claro, estamos entrando numa nova zona de compreensão pouco a pouco, de  que tudo está dentro de nós, tanto o bem como o mal; tanto o positivo como o negativo; tanto a redenção como também a perdição. Está tudo dentro de cada um de nós e nós somos responsáveis por isto.

Real e Irreal

 

Primeira parte da aula 16 – CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden em 23 de agosto de 1977

 

Realidade e facticidade

O marido de uma das nossas alunas perguntou à esposa o que acontece na meditação:

– “Não acontece nada”.

“Bem”, ele disse, “se não acontece nada então vocês perdem o seu tempo”.

“Não”, disse ela, “nós não perdemos nosso tempo na meditação, porque há experiências íntimas, acontecimentos dentro de nós, em nossa consciência, de que não se podem fazer estatística”.

-“Bem”, ele insistiu, “estes ‘acontecimentos íntimos’, podem ser verificados, podem ser controlados, podem ser provados cientificamente?”

“Não”, ela disse, “isto não se pode, porque não pode chamar o computador e dizer: faça o favor de computar a que grau de espiritualidade eu estou. Isto o computador não pode fazer”.

Então aquele senhor disse:

“Bem, então não é real aquilo que acontece”.

“É real, mas não são fatos” – ela completou.

Ele não entendeu nada, porque muitos confundem a realidade com as facticidades. O homem profano só considera como real aquilo que se pode ver, ouvir e apalpar. Mas as experiências espirituais não se podem ver, nem ouvir, nem apalpar. Ele diz, “então não é real”.

Muitos pensam assim. Mas temos que distinguir nitidamente entre realidade e fatos externos. Os fatos podem ser verificados pelos sentidos. São facticidades. O conjunto dos fatos é as facticidades, mas os fatos não são reais.

Joel Goldsmith, no livro ‘A arte de curar pelo espírito’, faz uma nítida distinção entre realidades e facticidades. Ele pergunta: “as nossas doenças são fatos ou não são?” E responde – “doenças, infelizmente, são fatos”. Depois pergunta: “Então, as doenças são reais ou não são reais?” Ele mesmo responde,”não são reais mas foram realizadas”.

O que é realizado é um fato, mas não é real. “Real”, diz Goldsmith, “é somente aquilo que foi creado por Deus. Aquilo que nós fazemos é ‘realizado’, mas não é real”.

Os fatos são realizados. A doença é um fato – o câncer, a tuberculose, são fatos, fatos realizados – por quem? Deus não fez câncer, Deus não creou tuberculose. Quer dizer, estas coisas não são reais. Vamos chamar real só aquilo que o Creador fez.

O Creador não creou câncer, não creou tuberculose, não creou nenhuma doença, mas se estas doenças existem, quem as creou? É claro, alguém as creou. Será que nós também não somos creadores?

 

Os homens são creadores[i]

É claro que somos! Somos como dizem os gregos, demiurgos: Demi quer dizer meio; urgo quer dizer creador. Demiurgo = semicriador. O nosso ego humano é semicreador, é um demiurgo. Quer dizer que nós podemos produzir coisas – negativas, via de regra – pelo nosso ego, mas, as coisas positivas, benéficas são creações de Deus.

“Tudo era bom”, diz o Gênesis. No Gênesis, no fim do 1º período da creação, os Elohim viram que “era bom”; no fim do 2º período viram que “era bom”. E no 6º período, quando apareceu o homem, viram que era “muito bom”. A creação do homem era “coisa muito boa”. As outras coisas eram todas boas, e nenhuma vez se diz que Deus creou o câncer, a tuberculose… – isto seria o mal. Mas estas coisas ruins não foram creadas.

 

O que é REAL e o que é IRREAL

Vamos distinguir nitidamente entre aquilo que é real, creado por Deus (todas as coisas boas são reais e são creadas por Deus). E vamos distinguir entre aquilo que é apenas realizado pelo nosso ego humano, mas não são iguais às coisas reais que são positivamente boas. As coisas realizadas às vezes são boas. Mas nós realizamos, pelo poder do nosso ego humano, muitas coisas negativas. Portanto, não são reais.

Há certas orientações – também nos Estados Unidos isto é difundido – que dizem que as doenças são irreais. Que é simples ilusão. Não existe nenhum câncer, não existe nenhuma lepra, não existe tuberculose. Isto não é verdade.

Estas coisas não são irreais. Não vamos chegar a este ponto de dizer que não existe nenhum câncer, que não existe tuberculose, que não há lepra, que não há nem dor de cabeça. Estas coisas não são reais, mas também não são irreais. Há uma 3ª coisa que não é nem real, nem irreal. Isto é o que nós fazemos. O poder da nossa mente humana é demiurgo. É semicriadora. Nós, pelo poder do pensamento, podemos criar coisas negativas. Infelizmente nós criamos muitas doenças porque as mentalizamos, sem saber.

Alguém está doente, então, nós temos a impressão que nós também temos que estar doentes algum dia. E temos que envelhecer antes do tempo porque acreditamos que isto é regra geral: então, entramos na regra geral e mentalizamos coisas negativas. Se nos habituássemos a nunca mentalizar coisas negativas, moral ou fisicamente negativas… As maldades são moralmente negativas. Crimes são moralmente negativos. Doenças são fisicamente negativas. Se nós nunca mentalizássemos coisas negativas nem na zona moral, nem na zona material – o mundo seria completamente diferente. Mas o nosso ego tem a mania de inventar coisas negativas. E pela força da mentalização nós realizamos coisas negativas.

Então, os fatos nem sempre são realizados por Deus… Fatos positivos são realizados por Deus, mas fatos negativos são realizados por nós. Não são irreais, mas também não são reais. São apenas “realizados”.

O que realizamos na meditação é real, mas não é uma facticidade, que se possa provar por meio de computador ou de que se possa fazer estatística.

 

Fatos e Valores – Ciência e Consciência

A humanidade está começando a fazer a distinção entre fatos e valores.

Essa distinção é de Einstein: “o mundo dos fatos não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores, porque os valores vêm de outra região”.

Que são valores? Os valores são creações da nossa consciência. A nossa consciência pode crear valores positivos.

A ciência pode apenas descobrir fatos. A ciência não pode crear valores porque a ciência não crea nada. Ela somente descobre coisas que já existem. As leis da natureza podem ser descobertas pela inteligência através da ciência. Isto a ciência pode fazer. Agora, o que não pode fazer é crear valores.

Valores são da consciência[ii]. Fatos são da ciência.

A ciência é transitiva, a consciência é reflexiva.

Isto é o melhor meio de exprimir a diferença entre ciência e consciência: Na ciência eu estou ciente do objeto, duma pedra, duma planta dum átomo, dum astro (Eu tenho ciência disto, mas isto não é consciência); Consciência sempre é partir do sujeito e faz do próprio sujeito o seu objeto. Na consciência o sujeito é o seu próprio objeto.

Na ciência há diferença entre sujeito e objeto.

A consciência pode crear valores[iii], a ciência não crea valores, mas descobre fatos.

Do mundo dos fatos, diz Einstein, não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores – porque os valores vêm de outra região. Os valores são creados por nós. Onde não há consciência não há creação de valores. Existem valores positivos e existem valores negativos. Verdade, amor, justiça são valores positivos. Mas também existe o contrário: existe o erro em vez da verdade, injustiça em vez de justiça e maldade em vez de bondade. Então, há valores positivos creados pela consciência e há valores negativos, também creados pela consciência.

Somente uma creatura consciente pode ser boa ou pode ser má. Aqui na terra nós, os chamados humanos, somos as únicas creaturas que podem ser boas ou podem ser más. O animal não pode ser bom nem mau. A planta não pode ser boa nem má, uma pedra não pode ser boa nem má. Moralmente falando, é claro.

Os valores não existem na natureza. Só existem fatos, facticidades. Mas, é interessante, a palavra latina para fato, é “factum”, com ct, e o adjetivo de factum é factício… Pouco a pouco o ‘a’ passou para ‘i’, e deu fictício. Quando uma coisa é ilusória dizemos, isto é fictício. Isto não é real. Enfatizando: o adjetivo derivado de facto (ou fato) é factício. E factício quer dizer fictício. Ou seja, os fatos não são reais.

A própria palavra, a etimologia da palavra em latim prova que os fatos não são coisas reais. De ‘facto’  nós derivamos ‘fictício’. O radical é ‘facto’. Quer dizer, todos os fatos são fictícios. Os fatos não são reais.

Real não é fictício. Somente os valores são reais. Os valores são creações reais da nossa consciência ou da consciência cósmica.

A consciência infinita crea valores. Mas, a nossa consciência humana também pode crear valores.  Pela creação de valores positivos nós nos tornamos bons, e pela creação de valores negativos nós nos tornamos maus. Somos os creadores das nossas bondades e somos os creadores das nossas maldades.

Isto é único no ser humano. O animal não pode crear valores positivos, nem negativos. Um animal é apenas um facto, mas não é um valor. Valores são creações da consciência. Fatos são descobrimentos da inteligência.

 

Alorredenção e Autorredenção

Ultimamente nesta humanidade ocidental – mesmo na velha humanidade (estou fazendo distinção entre a velha humanidade, do EGO, e a nova humanidade, do EU) – está diminuindo cada vez mais a ideia de alorredenção. Alo, quer dizer o outro. Que o outro me possa redimir… Que o outro me possa salvar. Nas elites humanas – não nas massas. Está desaparecendo a ideia de que alguém me possa salvar. Isto está desaparecendo, graças a Deus. É um grande progresso.

E está aumentando cada vez mais o conceito de autorredenção. Autos quer dizer eu mesmo. E está aumentando o conceito, em todo o ocidente, na Europa e nas Américas, que eu sou o meu redentor. Eu sou o meu salvador, não existe um salvador fora de mim. O salvador está dentro de mim.

Esta questão de alorredenção e autorredenção já começou no princípio do cristianismo.

No século V dois grandes pensadores, um africano e outro inglês – Agostinho era africano, e o monge britânico Pelágio, que vivia em Roma – mantiveram acirrado certame.  Escreviam cartas um ao outro e publicavam livros. Santo Agostinho escreveu 103 livros dos quais 20 falam de autorredenção e de alorredenção. E estes livros argumentavam contra as teses de Pelágio, que afirmava que o homem pode redimir-se a si mesmo. O homem pode salvar-se por forças próprias, dizia Pelágio, e Santo Agostinho contrapunha-se “Não… só Deus me pode salvar. Eu não me posso salvar, eu só me posso perder”, e completavaeu posso cair no poço, mas não posso sair do poço”.

“Eu me posso perde”, dizia Santo Agostinho, “eu posso ser mau, crear valores negativos, não preciso de Deus para isto – isto eu faço por minha conta e risco”. E Pelágio dizia, “não, o homem tem o poder de crear valores positivos (salvação, redenção), e tem também o poder de crear valores negativos”.  Brigaram por mais de meio século. Nunca chegaram a um acordo.

Porque era tão difícil chegar a uma compreensão de autorredenção e alorredenção? Porque naquele tempo, no século V, não havia uma noção exata da natureza humana. Esta noção nós temos hoje. A psicologia nos deu grandes progressos para conhecermos melhor a nossa própria natureza. Dizem os cientistas que continuamos a ser um homem desconhecido. E Pascal diz que somos um misto de grandezas e de misérias. E Teilhard de Chardin diz que o homem é um fenômeno paradoxal. Isto é verdade. Porque nós não conhecemos ainda o nosso centro. Conhecemos as nossas periferias. O nosso ego é conhecido, mas o nosso EU ainda continua um X, uma incógnita.

Então, como Pelágio e Agostinho não tinham conhecimento exato da bipolaridade da natureza humana, eles não chegaram a um acordo. Pelágio afirmando autorredenção e Santo Agostinho afirmando alorredenção, Cristo-redenção: redenção pelo Cristo é uma alorredenção. A questão era se eu, dentro da minha natureza humana, eu me posso redimir, ou, se eu somente me posso perder. E Pelágio afirmava: “Eu me posso perder pela minha própria natureza humana, mas Eu também me posso salvar. Eu tenho o poder negativo de me perder, e tenho o poder positivo de me salvar”.

Hoje em dia a coisa é mais fácil e a humanidade, depois de mais de um século de psicologia, já aceita a ideia de autorredenção: Eu me posso redimir dos meus males e das minhas maldades.

[i] Na filosofia temos que distinguir entre crear e criar.
Crear é a transição da essência para a existência e criar é a transição de uma existência para outra existência.
Eu não posso crear pela inteligência, mas posso descobrir pela inteligência.
Eu posso crear pela consciência. Posso crear valores dentro de mim mesmo, e também posso crear desvalores, (valores negativos). Posso crear maldades, que é um desvalor, como posso crear bondade.
[ii] Etimologia – Lat. conscientia de consciens p.pres. de conscire = estar cientes (cum = com, partícula de intensidade e scire = sei)[1] .Também encontramos uma possível raiz formada de junção de duas palavras do latim; conscius+sciens :conscius(que sabe bem o que deve fazer) e sciens(conhecimento que se obtêm através de leituras; de estudos; instrução e erudição[2] .
Este esclarecimento foi encontrado em https://www.wikiwand.com/pt/Consciência. O texto sobre o assunto é bastante interessante. 
[iii] Encontrei interessante reflexão sobre “fatos e valores”
https://www.wikiwand.com/pt/Consciência
Um pequeno trecho:
Se dissermos: “Está chovendo”, estaremos enunciando um acontecimento constatado por nós e o juízo proferido é um juízo de fato. Se, porém, falarmos: “A chuva é boa para as plantas” ou “A chuva é bela”, estaremos interpretando e avaliando o acontecimento. Nesse caso, proferimos um juízo de valor.
Juízos de fato são aqueles que dizem o que as coisas são, como são e por que são. Em nossa vida cotidiana, mas também na metafísica e nas ciências, os juízos de fato estão presentes. Diferentemente deles, os juízos de valor – avaliações sobre coisas, pessoas e situações – são proferidos na moral, nas artes, na política, na religião.
Juízos de valor avaliam coisas, pessoas, ações, experiências, acontecimentos, sentimentos, estados de espírito, intenções e decisões como bons ou maus, desejáveis ou indesejáveis.

 

A SEGUNDA POESIA DE SILÉA STOPATTO. SEI QUE IRÃO GOSTAR.

                                                                                                       Aprendendo a amar                                                                                                                  família.com.br

 

Fui, há tempos, aluna brilhante:

Não tinha rival que vencer me pudesse!

Sabia de cor a matéria estafante

E ninguém me seguia, embora quisesse!

Geografia aprendi, aprendi Português,

História eu li de muitas nações;

Escrevia francês, falava inglês

E sabia fazer multiplicações.

                                                                                           Homero citava, de Goethe falava;

                                                                                           Raiz extraía, frações dividia;

                                                                                           Redigir eu sabia, piano tocava.

                                                                                           “É a primeira da classe”, de mim se dizia.

                                 Não sou mais a mesma – o tempo passou –

                                 E parece que a Vida me fez esquecer

                                 O que cedo, na escola, alguém me ensinou,

                                 Pensando que assim me ensinava a viver.

Aprendi muita coisa que o tempo levou

E que hoje, talvez, eu pretenda ensinar.

Mas a vida uma escola melhor me mostrou,

Que me diz quanto vale aprender a amar.

Não adianta saber diminuir ou somar,

Nem poetas citar, equações resolver.

É preciso, isto sim, aprender a amar,

Pois sabendo amar se aprende a viver.

 APRENDENDO A VIVER, STOPATTO, Siléa, Rio de Janeiro, RJ: Eclesiarte Bureau de Edição Ltda, 2013, pg. 11
Nota: O título original desta poesia é, como o título original do livro, APRENDENDO A VIVER.

Por aqui, hoje, amanheceu chovendo. Chuva calma, como se os céus derramassem, sob peneira fina, suas gotas de bênçãos sobre a terra (viu só – fiquei inspirado).

Folhei, mais uma vez, um livrinho que traz na capa a foto de uma linda mulher – minha querida prima Siléa Stopatto. E deu-me o repente (você prefere “insight”?) de colocá-lo inteirinho no meu blog. Se ela não gostar, é só gritar.

E começo de forma “nunca antes vista”: coloco aqui o prólogo – não o prefácio, que blogueio depois, pois também é lindo e foi escrito pela outra priminha. Lá vai:

Dream-Life

                                                           www.professoresdosucesso.com.br

A vida é um aprendizado constante.

Os pais ensinam desde o primeiro choro, ou mesmo antes.

Os irmãos ensinam em cada divergência ou concordância, estando perto ou longe.

Os parentes que vão chegando ensinam quando se fazem presentes, em qualquer momento de alegria ou tristeza.

Os AMIGOS – esses ensinam sem precisar nada fazer – são simplesmente AMIGOS.

Todos têm um ponto em comum: eles ensinam que é preciso amar para aprender a viver.

E o AMOR não tem limites. Por isso estou sempre

APRENDENDO A VIVER.

APRENDENDO A VIVER, STOPATTO, Siléa, Rio de Janeiro, RJ: Eclesiarte Bureau de Edição Ltda, 2013.