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Real e Irreal

 

Primeira parte da aula 16 – CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden em 23 de agosto de 1977

 

Realidade e facticidade

O marido de uma das nossas alunas perguntou à esposa o que acontece na meditação:

– “Não acontece nada”.

“Bem”, ele disse, “se não acontece nada então vocês perdem o seu tempo”.

“Não”, disse ela, “nós não perdemos nosso tempo na meditação, porque há experiências íntimas, acontecimentos dentro de nós, em nossa consciência, de que não se podem fazer estatística”.

-“Bem”, ele insistiu, “estes ‘acontecimentos íntimos’, podem ser verificados, podem ser controlados, podem ser provados cientificamente?”

“Não”, ela disse, “isto não se pode, porque não pode chamar o computador e dizer: faça o favor de computar a que grau de espiritualidade eu estou. Isto o computador não pode fazer”.

Então aquele senhor disse:

“Bem, então não é real aquilo que acontece”.

“É real, mas não são fatos” – ela completou.

Ele não entendeu nada, porque muitos confundem a realidade com as facticidades. O homem profano só considera como real aquilo que se pode ver, ouvir e apalpar. Mas as experiências espirituais não se podem ver, nem ouvir, nem apalpar. Ele diz, “então não é real”.

Muitos pensam assim. Mas temos que distinguir nitidamente entre realidade e fatos externos. Os fatos podem ser verificados pelos sentidos. São facticidades. O conjunto dos fatos é as facticidades, mas os fatos não são reais.

Joel Goldsmith, no livro ‘A arte de curar pelo espírito’, faz uma nítida distinção entre realidades e facticidades. Ele pergunta: “as nossas doenças são fatos ou não são?” E responde – “doenças, infelizmente, são fatos”. Depois pergunta: “Então, as doenças são reais ou não são reais?” Ele mesmo responde,”não são reais mas foram realizadas”.

O que é realizado é um fato, mas não é real. “Real”, diz Goldsmith, “é somente aquilo que foi creado por Deus. Aquilo que nós fazemos é ‘realizado’, mas não é real”.

Os fatos são realizados. A doença é um fato – o câncer, a tuberculose, são fatos, fatos realizados – por quem? Deus não fez câncer, Deus não creou tuberculose. Quer dizer, estas coisas não são reais. Vamos chamar real só aquilo que o Creador fez.

O Creador não creou câncer, não creou tuberculose, não creou nenhuma doença, mas se estas doenças existem, quem as creou? É claro, alguém as creou. Será que nós também não somos creadores?

 

Os homens são creadores[i]

É claro que somos! Somos como dizem os gregos, demiurgos: Demi quer dizer meio; urgo quer dizer creador. Demiurgo = semicriador. O nosso ego humano é semicreador, é um demiurgo. Quer dizer que nós podemos produzir coisas – negativas, via de regra – pelo nosso ego, mas, as coisas positivas, benéficas são creações de Deus.

“Tudo era bom”, diz o Gênesis. No Gênesis, no fim do 1º período da creação, os Elohim viram que “era bom”; no fim do 2º período viram que “era bom”. E no 6º período, quando apareceu o homem, viram que era “muito bom”. A creação do homem era “coisa muito boa”. As outras coisas eram todas boas, e nenhuma vez se diz que Deus creou o câncer, a tuberculose… – isto seria o mal. Mas estas coisas ruins não foram creadas.

 

O que é REAL e o que é IRREAL

Vamos distinguir nitidamente entre aquilo que é real, creado por Deus (todas as coisas boas são reais e são creadas por Deus). E vamos distinguir entre aquilo que é apenas realizado pelo nosso ego humano, mas não são iguais às coisas reais que são positivamente boas. As coisas realizadas às vezes são boas. Mas nós realizamos, pelo poder do nosso ego humano, muitas coisas negativas. Portanto, não são reais.

Há certas orientações – também nos Estados Unidos isto é difundido – que dizem que as doenças são irreais. Que é simples ilusão. Não existe nenhum câncer, não existe nenhuma lepra, não existe tuberculose. Isto não é verdade.

Estas coisas não são irreais. Não vamos chegar a este ponto de dizer que não existe nenhum câncer, que não existe tuberculose, que não há lepra, que não há nem dor de cabeça. Estas coisas não são reais, mas também não são irreais. Há uma 3ª coisa que não é nem real, nem irreal. Isto é o que nós fazemos. O poder da nossa mente humana é demiurgo. É semicriadora. Nós, pelo poder do pensamento, podemos criar coisas negativas. Infelizmente nós criamos muitas doenças porque as mentalizamos, sem saber.

Alguém está doente, então, nós temos a impressão que nós também temos que estar doentes algum dia. E temos que envelhecer antes do tempo porque acreditamos que isto é regra geral: então, entramos na regra geral e mentalizamos coisas negativas. Se nos habituássemos a nunca mentalizar coisas negativas, moral ou fisicamente negativas… As maldades são moralmente negativas. Crimes são moralmente negativos. Doenças são fisicamente negativas. Se nós nunca mentalizássemos coisas negativas nem na zona moral, nem na zona material – o mundo seria completamente diferente. Mas o nosso ego tem a mania de inventar coisas negativas. E pela força da mentalização nós realizamos coisas negativas.

Então, os fatos nem sempre são realizados por Deus… Fatos positivos são realizados por Deus, mas fatos negativos são realizados por nós. Não são irreais, mas também não são reais. São apenas “realizados”.

O que realizamos na meditação é real, mas não é uma facticidade, que se possa provar por meio de computador ou de que se possa fazer estatística.

 

Fatos e Valores – Ciência e Consciência

A humanidade está começando a fazer a distinção entre fatos e valores.

Essa distinção é de Einstein: “o mundo dos fatos não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores, porque os valores vêm de outra região”.

Que são valores? Os valores são creações da nossa consciência. A nossa consciência pode crear valores positivos.

A ciência pode apenas descobrir fatos. A ciência não pode crear valores porque a ciência não crea nada. Ela somente descobre coisas que já existem. As leis da natureza podem ser descobertas pela inteligência através da ciência. Isto a ciência pode fazer. Agora, o que não pode fazer é crear valores.

Valores são da consciência[ii]. Fatos são da ciência.

A ciência é transitiva, a consciência é reflexiva.

Isto é o melhor meio de exprimir a diferença entre ciência e consciência: Na ciência eu estou ciente do objeto, duma pedra, duma planta dum átomo, dum astro (Eu tenho ciência disto, mas isto não é consciência); Consciência sempre é partir do sujeito e faz do próprio sujeito o seu objeto. Na consciência o sujeito é o seu próprio objeto.

Na ciência há diferença entre sujeito e objeto.

A consciência pode crear valores[iii], a ciência não crea valores, mas descobre fatos.

Do mundo dos fatos, diz Einstein, não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores – porque os valores vêm de outra região. Os valores são creados por nós. Onde não há consciência não há creação de valores. Existem valores positivos e existem valores negativos. Verdade, amor, justiça são valores positivos. Mas também existe o contrário: existe o erro em vez da verdade, injustiça em vez de justiça e maldade em vez de bondade. Então, há valores positivos creados pela consciência e há valores negativos, também creados pela consciência.

Somente uma creatura consciente pode ser boa ou pode ser má. Aqui na terra nós, os chamados humanos, somos as únicas creaturas que podem ser boas ou podem ser más. O animal não pode ser bom nem mau. A planta não pode ser boa nem má, uma pedra não pode ser boa nem má. Moralmente falando, é claro.

Os valores não existem na natureza. Só existem fatos, facticidades. Mas, é interessante, a palavra latina para fato, é “factum”, com ct, e o adjetivo de factum é factício… Pouco a pouco o ‘a’ passou para ‘i’, e deu fictício. Quando uma coisa é ilusória dizemos, isto é fictício. Isto não é real. Enfatizando: o adjetivo derivado de facto (ou fato) é factício. E factício quer dizer fictício. Ou seja, os fatos não são reais.

A própria palavra, a etimologia da palavra em latim prova que os fatos não são coisas reais. De ‘facto’  nós derivamos ‘fictício’. O radical é ‘facto’. Quer dizer, todos os fatos são fictícios. Os fatos não são reais.

Real não é fictício. Somente os valores são reais. Os valores são creações reais da nossa consciência ou da consciência cósmica.

A consciência infinita crea valores. Mas, a nossa consciência humana também pode crear valores.  Pela creação de valores positivos nós nos tornamos bons, e pela creação de valores negativos nós nos tornamos maus. Somos os creadores das nossas bondades e somos os creadores das nossas maldades.

Isto é único no ser humano. O animal não pode crear valores positivos, nem negativos. Um animal é apenas um facto, mas não é um valor. Valores são creações da consciência. Fatos são descobrimentos da inteligência.

 

Alorredenção e Autorredenção

Ultimamente nesta humanidade ocidental – mesmo na velha humanidade (estou fazendo distinção entre a velha humanidade, do EGO, e a nova humanidade, do EU) – está diminuindo cada vez mais a ideia de alorredenção. Alo, quer dizer o outro. Que o outro me possa redimir… Que o outro me possa salvar. Nas elites humanas – não nas massas. Está desaparecendo a ideia de que alguém me possa salvar. Isto está desaparecendo, graças a Deus. É um grande progresso.

E está aumentando cada vez mais o conceito de autorredenção. Autos quer dizer eu mesmo. E está aumentando o conceito, em todo o ocidente, na Europa e nas Américas, que eu sou o meu redentor. Eu sou o meu salvador, não existe um salvador fora de mim. O salvador está dentro de mim.

Esta questão de alorredenção e autorredenção já começou no princípio do cristianismo.

No século V dois grandes pensadores, um africano e outro inglês – Agostinho era africano, e o monge britânico Pelágio, que vivia em Roma – mantiveram acirrado certame.  Escreviam cartas um ao outro e publicavam livros. Santo Agostinho escreveu 103 livros dos quais 20 falam de autorredenção e de alorredenção. E estes livros argumentavam contra as teses de Pelágio, que afirmava que o homem pode redimir-se a si mesmo. O homem pode salvar-se por forças próprias, dizia Pelágio, e Santo Agostinho contrapunha-se “Não… só Deus me pode salvar. Eu não me posso salvar, eu só me posso perder”, e completavaeu posso cair no poço, mas não posso sair do poço”.

“Eu me posso perde”, dizia Santo Agostinho, “eu posso ser mau, crear valores negativos, não preciso de Deus para isto – isto eu faço por minha conta e risco”. E Pelágio dizia, “não, o homem tem o poder de crear valores positivos (salvação, redenção), e tem também o poder de crear valores negativos”.  Brigaram por mais de meio século. Nunca chegaram a um acordo.

Porque era tão difícil chegar a uma compreensão de autorredenção e alorredenção? Porque naquele tempo, no século V, não havia uma noção exata da natureza humana. Esta noção nós temos hoje. A psicologia nos deu grandes progressos para conhecermos melhor a nossa própria natureza. Dizem os cientistas que continuamos a ser um homem desconhecido. E Pascal diz que somos um misto de grandezas e de misérias. E Teilhard de Chardin diz que o homem é um fenômeno paradoxal. Isto é verdade. Porque nós não conhecemos ainda o nosso centro. Conhecemos as nossas periferias. O nosso ego é conhecido, mas o nosso EU ainda continua um X, uma incógnita.

Então, como Pelágio e Agostinho não tinham conhecimento exato da bipolaridade da natureza humana, eles não chegaram a um acordo. Pelágio afirmando autorredenção e Santo Agostinho afirmando alorredenção, Cristo-redenção: redenção pelo Cristo é uma alorredenção. A questão era se eu, dentro da minha natureza humana, eu me posso redimir, ou, se eu somente me posso perder. E Pelágio afirmava: “Eu me posso perder pela minha própria natureza humana, mas Eu também me posso salvar. Eu tenho o poder negativo de me perder, e tenho o poder positivo de me salvar”.

Hoje em dia a coisa é mais fácil e a humanidade, depois de mais de um século de psicologia, já aceita a ideia de autorredenção: Eu me posso redimir dos meus males e das minhas maldades.

[i] Na filosofia temos que distinguir entre crear e criar.
Crear é a transição da essência para a existência e criar é a transição de uma existência para outra existência.
Eu não posso crear pela inteligência, mas posso descobrir pela inteligência.
Eu posso crear pela consciência. Posso crear valores dentro de mim mesmo, e também posso crear desvalores, (valores negativos). Posso crear maldades, que é um desvalor, como posso crear bondade.
[ii] Etimologia – Lat. conscientia de consciens p.pres. de conscire = estar cientes (cum = com, partícula de intensidade e scire = sei)[1] .Também encontramos uma possível raiz formada de junção de duas palavras do latim; conscius+sciens :conscius(que sabe bem o que deve fazer) e sciens(conhecimento que se obtêm através de leituras; de estudos; instrução e erudição[2] .
Este esclarecimento foi encontrado em https://www.wikiwand.com/pt/Consciência. O texto sobre o assunto é bastante interessante. 
[iii] Encontrei interessante reflexão sobre “fatos e valores”
https://www.wikiwand.com/pt/Consciência
Um pequeno trecho:
Se dissermos: “Está chovendo”, estaremos enunciando um acontecimento constatado por nós e o juízo proferido é um juízo de fato. Se, porém, falarmos: “A chuva é boa para as plantas” ou “A chuva é bela”, estaremos interpretando e avaliando o acontecimento. Nesse caso, proferimos um juízo de valor.
Juízos de fato são aqueles que dizem o que as coisas são, como são e por que são. Em nossa vida cotidiana, mas também na metafísica e nas ciências, os juízos de fato estão presentes. Diferentemente deles, os juízos de valor – avaliações sobre coisas, pessoas e situações – são proferidos na moral, nas artes, na política, na religião.
Juízos de valor avaliam coisas, pessoas, ações, experiências, acontecimentos, sentimentos, estados de espírito, intenções e decisões como bons ou maus, desejáveis ou indesejáveis.

 

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A SEGUNDA POESIA DE SILÉA STOPATTO. SEI QUE IRÃO GOSTAR.

                                                                                                       Aprendendo a amar                                                                                                                  família.com.br

 

Fui, há tempos, aluna brilhante:

Não tinha rival que vencer me pudesse!

Sabia de cor a matéria estafante

E ninguém me seguia, embora quisesse!

Geografia aprendi, aprendi Português,

História eu li de muitas nações;

Escrevia francês, falava inglês

E sabia fazer multiplicações.

                                                                                           Homero citava, de Goethe falava;

                                                                                           Raiz extraía, frações dividia;

                                                                                           Redigir eu sabia, piano tocava.

                                                                                           “É a primeira da classe”, de mim se dizia.

                                 Não sou mais a mesma – o tempo passou –

                                 E parece que a Vida me fez esquecer

                                 O que cedo, na escola, alguém me ensinou,

                                 Pensando que assim me ensinava a viver.

Aprendi muita coisa que o tempo levou

E que hoje, talvez, eu pretenda ensinar.

Mas a vida uma escola melhor me mostrou,

Que me diz quanto vale aprender a amar.

Não adianta saber diminuir ou somar,

Nem poetas citar, equações resolver.

É preciso, isto sim, aprender a amar,

Pois sabendo amar se aprende a viver.

 APRENDENDO A VIVER, STOPATTO, Siléa, Rio de Janeiro, RJ: Eclesiarte Bureau de Edição Ltda, 2013, pg. 11
Nota: O título original desta poesia é, como o título original do livro, APRENDENDO A VIVER.

Por aqui, hoje, amanheceu chovendo. Chuva calma, como se os céus derramassem, sob peneira fina, suas gotas de bênçãos sobre a terra (viu só – fiquei inspirado).

Folhei, mais uma vez, um livrinho que traz na capa a foto de uma linda mulher – minha querida prima Siléa Stopatto. E deu-me o repente (você prefere “insight”?) de colocá-lo inteirinho no meu blog. Se ela não gostar, é só gritar.

E começo de forma “nunca antes vista”: coloco aqui o prólogo – não o prefácio, que blogueio depois, pois também é lindo e foi escrito pela outra priminha. Lá vai:

Dream-Life

                                                           www.professoresdosucesso.com.br

A vida é um aprendizado constante.

Os pais ensinam desde o primeiro choro, ou mesmo antes.

Os irmãos ensinam em cada divergência ou concordância, estando perto ou longe.

Os parentes que vão chegando ensinam quando se fazem presentes, em qualquer momento de alegria ou tristeza.

Os AMIGOS – esses ensinam sem precisar nada fazer – são simplesmente AMIGOS.

Todos têm um ponto em comum: eles ensinam que é preciso amar para aprender a viver.

E o AMOR não tem limites. Por isso estou sempre

APRENDENDO A VIVER.

APRENDENDO A VIVER, STOPATTO, Siléa, Rio de Janeiro, RJ: Eclesiarte Bureau de Edição Ltda, 2013.

 

Univ_Estrelado

                                                                                                                           ideafixa.com

Primeira parte da aula 14ª ministrada por Huberto Rohden em 9/ago/1977, esclarecendo alguns importantes conceitos filosóficos.

 

Hoje, depois da televisão, alguém me disse: O senhor anunciou na televisão que ia dar aula de Filosofia sobre autoconhecimento e auto-realização. Não vai continuar sobre a Nova Humanidade?”

 Eu disse: “Exatamente, tanto uma como a outra coisa – porque é o mesmo. Não existe nenhuma Nova Humanidade sem autoconhecimento e sem autorrealização, porque a Nova Humanidade não é massa, é apenas elite. A Nova Humanidade não vai começar com o 3º milênio, como alguns disseram por aí. Nem com o 4º milênio. Nem com o 10º milênio ou no 20°. Isto nada tem que ver com massa, massificação. Cada um de nós pode iniciar a Nova Humanidade dentro de si, porque a Nova Humanidade nunca existirá como massa. Nunca existirá 50% da Nova Humanidade, nem sequer 20%, nem talvez 10% – porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos.”

Traduz assim: Muitos são os vocados e poucos os evocados. Os vocados são massas, os evocados, uma elite. Portanto, autoconhecimento e autorrealização são a mesma coisa que  Nova Humanidade, a qual começa dentro de cada um de nós. Mas se houver muitas pessoas autorrealizadas, então também se vai notar uma diferença na humanidade coletiva, lá fora, na massa; mas isto depende dos indivíduos. Não depende da massa. Os indivíduos produzem a massa, mas a massa não produz os indivíduos. Não se pode inverter a frase.

Hoje na televisão eu falei sobre Einstein… sobre a sabedoria de Einstein. Não a sabedoria das palavras dele, mas a sabedoria da vida dele. E no fim eu citei uma frase dele que diz assim. “A matemática é absolutamente certa enquanto ela ficar no abstrato. Mas ela perde da sua certeza na razão direta que ela se concretiza”.

E D. Xênia que estava ao meu lado disse: “É…, já fundiu a minha cuca”.

Por que ela disse isso?

Quer dizer que ela não compreendeu nada. Eu creio que com vocês  vai acontecer a mesma coisa. Muitos vão fundir a cuca; porque nós usamos uma linguagem muito exata, matematicamente certa, lógica de alta precisão, e muitos não estão habituados a esta linguagem. Confundem ser com existir. Confundem Deus com a Divindade, confundem o ego com Eu. Confundem tudo. E por isso vão fundir a cuca quando eu falo em termos de alta precisão.

Então, o principal, em um curso de filosofia, não é saber uma porção de coisas. O principal é saber pouquíssima coisa, mas com absoluta clareza. É melhor saber 10 coisas com clareza do que 100 com confusão. E é difícil para quem não está habituado a pensar corretamente, compreender uma linguagem de precisão matemática como nós usamos aqui.

As revistas (são muito superficiais) a cada momento questionam se o universo é finito ou infinito. Então discutem que alguém descobriu que o universo é finito; outro descobriu que o universo é infinito. Assim discutem nas revistas,mas não tem nenhum sentido. Pura confusão! Outros querem saber se o homem é mortal ou se é imortal. Não tem nenhum fundamento discutir isto. Outros querem saber se a vida neste mundo é eterna ou não é eterna. Tudo isto é bobagem. Isto é linguagem de jornal, é linguagem de revista ilustrada que não usa uma linguagem de precisão. Usa a linguagem bagunceira de cada dia.

Se alguém me perguntasse: “o Sr aceita que o universo é eterno?” Ou, “se é infinito ou finito?” Eu diria: “ele é finito e também é infinito. Não é ou – é finito E infinito.” Se alguém me pergunta, “o Sr aceita que o homem é mortal ou imortal?” Eu digo, “ele é tanto mortal como imortal.

Como é que pode ser as duas coisas ao mesmo tempo? É claro que pode ser. E se alguém me perguntasse: “a vida neste mundo é eterna ou temporária?” Eu diria “ela é eterna e também é temporária.

Por quê? Porque na essência tudo é eterno, na existência tudo é temporário.

Agora, quem não sabe distinguir entre essência e existência, ou afirma que é eterno, ou afirma que é temporário; ou afirma que é infinito ou afirma que é finito. Ou afirma que é mortal ou afirma que é imortal. Por causa da confusão.

Na filosofia temos que compreender que todas as coisas deste mundo – não somente os homens – são eternos e também são temporários. Em que sentido? A essência é uma só em todos os seres. Nas pedras, nos vegetais, nos animais, nos homens, nos anjos, em outras entidades. É a essência do ser – não existem essências, no plural.

No vidros de cosméticos existem “essências”, no plural. Este é o significado físico da palavra “essência”. Mas não existe “essências”, no plural, na filosofia. Na filosofia usamos a palavra “essência” no seu sentido metafísico. O ser é a essência. O ser é absoluto. Não tem plural, não há seres. O ser é eterno. Em resumo: todas as coisas são eternas no seu ser, na sua essência, no seu absoluto; mas não são eternos na sua existência.

Agora já temos a célebre divisão entre essência e existência, entre ser e existir, entre realidade e facticidade. É preciso fazer esta acrobacia mental.

Eu chamo isto acrobacia mental. Fazer uma ginástica mental até chegar a uma perfeita clareza. D. Xênia hoje fundiu a cuca porque eu disse: Einstein disse que “a matemática é absolutamente certa enquanto ela ficar no abstrato.

Na linguagem comum, quando dizem “abstrato”, pensam em algo que é irreal. É só uma coisa pensada, imaginada, mas que não é real. Isto geralmente se considera “abstrato”. Concreto e o que julgam ser real é aquilo que se pode ver, pode-se ouvir, e até pode-se tanger. E pensam que este concreto é a realidade. O abstrato, neste caso, é mais ou menos irreal – é utópico, longínquo, mas não é muito sólido; é muito vaporoso e muito aéreo.

Mas Einstein usa a palavra ‘abstrato’ no sentido de puríssima realidade.

Quando dizemos que o homem é ao mesmo tempo abstrato e também é concreto, entendemos que abstrato é a realidade, eterna, infinita, absoluta do homem. E por concreto entendemos o seu corpo, as suas facticidades, o seu ego. O seu ego é concreto, mas o seu eu é absolutamente abstrato. Por isso, na nossa linguagem, abstrato é a puríssima realidade. E concreto não é a realidade. As coisas físicas são concretas, mas a metafísica é absolutamente abstrata. As coisas físicas não são reais. As coisas metafísicas são reais.

Usamos linguagem matematicamente certa. A mesma linguagem que se usa na matemática, usamos na filosofia. Afirmamos, pois, que o nosso ser, a nossa essência, o nosso eu, é abstrato… Ou seja, não podemos ver, não podemos ouvir, não podemos tanger, nem podemos analisar o nosso EU verdadeiro. O nosso eu verdadeiro é transcendental, é além da física, metafísico. Mas o transcendental, o abstrato, o metafísico é que é a realidade.

Temos que inverter completamente os nossos conceitos diários.

A madeira é real, para o homem comum; o papel é real… Esta é a linguagem comum. Mas nada disto é real. Porque o que se pode perceber pelos cinco sentidos, ou por um dos cinco sentidos, e o que se pode analisar mentalmente não é real. Também não é irreal. Então, o que ele é? Apenas realizado. Realizado é muito menos que o real, mas não é irreal. Nós não podemos dizer que esta madeira é irreal. Este metal é irreal. Não é verdade, mas também não é real. Veja como é necessário clarificar os conceitos: as coisas que podemos perceber com os 5 sentidos e analisar com a nossa inteligência, não são coisas reais. Mas também não são irreais.

A filosofia oriental chama isto maia, quando quer dizer que é realizado, mas que não é real. Real, a filosofia oriental diz, é somente Brahman. Brahman eles chamam a essência, a realidade infinita, a realidade absoluta, a realidade eterna. Na filosofia da China, o Eterno, o Infinito, a Realidade, o Absoluto se chama Tao. Entre os hebreus, a Realidade Infinita se chamava Yahve, falsamente pronunciada Jave, ou Jeová. Mas a pronúncia hebraica é Yahve, com y no princípio. Isto eles chamavam a realidade.

Alguns pensam que se pode chamar a Realidade de Deus, mas não está muito certo. Devemos chamar a Realidade de Divindade. A Divindade é abstrata. A Divindade é realidade, a Divindade é absoluta, é infinita, é eterna. Isto nós podemos substituir por Realidade. Mas na filosofia nós não usamos muito o termo “Divindade” – usamos os termos Realidade, Absoluto. O contrário de absoluto é relativo. O contrário de eterno é temporário. O contrário de infinito é finito.

Logo: Todas as coisas que nós podemos ver, ouvir, tanger, analisar mentalmente, são coisas finitas, são coisas temporárias e são coisas relativas; Mas não podemos ver o Absoluto – nem ouvir, nem tanger. Os nossos cinco sentidos não atingem a realidade, atingem as facticidades.

Aquilo que é derivado da realidade chamamos as facticidades, os fatos. As coisas concretas são os fatos. A coisa abstrata é a realidade. Podemos até dizer que a alma do universo é a realidade e o corpo do universo é as facticidades. Esta é a linguagem de Spinoza, o grande pensador do século XVII. Ele chama Deus a Alma do universo – e isto que nós vemos, ela chama o corpo de Deus. Deus como Deus ninguém pode ver. Nunca ninguém viu Deus com os olhos. Nunca ninguém ouviu a Divindade. Nunca ninguém tangeu a realidade, porque isto não é objeto dos sentidos. Isto não é objeto nem do pensamento. Isto é além de todos os sentidos e além de todos os pensamentos. Isto é a realidade.

Portanto, na vida comum nós nunca chegamos à realidade. Na vida de cada dia nós só lidamos com fatos, com facticidades. Lidamos com derivados, com relativos, com coisas temporárias. Lidamos com coisas finitas e erradamente chamamos isto de “ real”. Nada disto é real. Tudo isto é apenas realizado. O efeito da realidade se chama o realizado. A causa é a realidade. Os efeitos são o realizado. Quando uma coisa sai da realidade invisível, eterna, absoluta, transcendental e entra na zona dos realizados, então se torna perceptível para nós e analisável. Podemos, então, perceber, ver, ouvir, tanger e até analisar cientificamente as coisas realizadas. Toda ciência trata disto. A ciência não trata da realidade.

É claro que os cientistas não gostam que se diga isto. Mas é pura verdade. Nenhuma física, nenhuma química, nenhuma biologia, nenhuma eletrônica, nenhuma ciência atômica trata da realidade. Tratam de fatos, tratam de facticidades, tratam de derivados, tratam de efeitos, mas não tratam da causa. Não tratam da realidade.

Então, na filosofia nós temos que ver qual é a relação entre a realidade e as facticidades. Alguma ponte que possa unir a realidade com as facticidades, que possa unir o Absoluto com os relativos, que possa unir o infinito com os finitos, que possa unir o eterno com os temporários, que possa unir o Creador com as creaturas.

Aqui estão os dois polos. O polo da realidade e o outro, o polo das facticidades. E estes 2 polos juntos se chama universo – Uni – verso.

Neste diagrama, há um ponto central, e muitos raios que partem dele. O ponto central seria o que chamamos de “Realidade”. E os raios são as facticidades. O centro seria o Eterno, o Infinito, o Absoluto, a Divindade, Brahman, Tao, Yahve, a alma do universo.

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O ‘UNIVERSO’ seria o todo. Os raios seriam os VERSOS e o centro seria UNO.

É claro que isto é um símbolo, muito imperfeito. Mas dá mais ou menos uma ideia. Tudo vem do centro, tudo vem da Alma do universo, mas a Alma do universo não é visível. A Alma do universo nunca foi vista. E nunca foi ouvida e nunca foi tangida por ninguém. Nem foi pensada. Ninguém pode pensar a realidade. Ninguém pode pensar o infinito. Então, praticamente parece que estamos eternamente separados da realidade; que  nunca podemos saber o que é a realidade. No princípio a gente entra em desespero – tem vontade de jogar tudo fora e não fazer mais nada; porque se não posso atingir a realidade, eu vivo eternamente nas facticidades, eu vivo numa eterna ilusão. Porque os fatos, as facticidades não são a realidade.

Estamos, assim, numa espécie de pessimismo universal. Mas graças a Deus podemos nos salvar do pessimismo universal. Apesar de não podermos ver, nem ouvir, nem tanger, nem sequer pensar a realidade – contudo podemos ter plena certeza da realidade.

De que modo? Porque o homem comum pensa que a certeza vem do ver, do ouvir, vem do tanger – para o homem comum… Para o cientista, a certeza vem do analisar, do demonstrar na física, na química, na eletrônica. A certeza é do laboratório.

Mas, para a filosofia a certeza não é dos sentidos, a certeza não é dos ouvidos, a certeza não é do tato, a certeza não é da inteligência, e apesar disto podemos ter certeza.

Existe alguma coisa em nós além dos sentidos, além da inteligência? Aparentemente não; realmente, sim. Se fôssemos apenas sentidos e inteligências, viveríamos eternamente na ilusão e nunca chegaríamos a perceber a realidade. Mas podemos ter plena certeza da realidade, não através dos sentidos, não através da visão, não através da audição, não através do tato, não através do pensamento, da inteligência. Estes caminhos não nos levam à realidade. São preliminares, provisórios, mas não chegam até o fim.

Então, estamos diante deste estranho impasse: Se os sentidos e a inteligência não nos revelam a Realidade, o Absoluto, o Eterno, a Divindade, Brahman, Tao, Yahve, como é que vamos descobrir a realidade? Estamos diante deste impasse. E no princípio nos tornamos pessimistas e céticos universais. Dizemos: Bem, é inútil querer ter certeza sobre a realidade, porque a realidade não é um objeto dos sentidos, e não é nem sequer um objeto da inteligência. De que coisa a realidade é objeto?

Aparentemente de nada, porque o homem comum não sabe nada fora dos seus sentidos e fora da sua inteligência. Ele pensa que o mundo todo é do sentido e da inteligência. E nós negamos que a Alma do universo possa ser descoberta pelos sentidos, nem sequer pela inteligência. Ela não pode ser descoberta fisicamente, nem mentalmente. Se não pudermos ultrapassar os sentidos e a mente, estamos perdidos. Nunca teremos certeza de coisa nenhuma. Tudo é duvidoso. Tudo que os sentidos nos dizem não é a verdade. O que a inteligência nos diz não é a verdade.

E nós queremos a verdade.Novo Universo

Reforma Política

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Gostaria de contribuir com algumas sugestões para a reforma política do Brasil. Estão abaixo algumas sugestões minhas para consideração e, se julgarem conveniente, divulgação.

Esclareço, inicialmente, meu apreço ao ideal do Partido Federalista (ao qual já me filei). Mas enquanto não se consegue seu registro, vou pensando em alguns remendos para o que existe atualmente. Se você quiser dar uma olhada no que pensa o Partido Federalista vá ao Site http://www.federalista.org.br/site/links.php.

 

Vamos lá (estas são as primeiras sugestões):

1 – Nenhum político eleito para quaisquer cargos terão direito a qualquer privilégio em relação à Previdência Social, isto é, deverão continuar contribuindo regularmente para a Previdência Social que o Pais oferece a seus trabalhadores e, quando dela necessitarem, receberão o mesmo atendimento, com direito às mesmas filas .

2 – As atuais regras da chamada Lei da Ficha Limpa deverão ser observadas com o máximo rigor no preenchimento de cargos eletivos.

3 – A absoluta necessidade de cargos chamados comissionados, em quaisquer dos poderes, serão estabelecidos em lei, com expressa indicação de sua duração. A aprovação desta lei e sua eventual modificação dependerão de aprovação plebiscitária.

4 – A remuneração, incluindo o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos não poderão exceder a remuneração mensal do Presidente da República, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador.

Os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo;

Nenhuma categoria ou poder poderá criar qualquer tipo de remuneração adicional. Não serão permitidos os proventos, pensões ou qualquer outra espécie remuneratória, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza percebidos cumulativamente ou não. Tais casos, se houver, serão submetidos ao Congresso e só entrará em vigor com aprovação plebiscitária.

5 – O foro privilegiado de quaisquer funcionários da administração pública, eletivos (Presidente da República, Senadores Deputados, Governadores, Prefeitos, Vereadores…); nomeados (Ministros, Secretários de Estado e quaisquer outros);  ou concursados,  de qualquer dos poderes, só será admissível para as questões inerentes ao cargo exercido. Qualquer outra questão será julgada pelo foro comum

6 – Os cargos de Presidente da República, Governadores e Prefeitos terão duração de 6 anos, não sendo permitida a reeleição, salvo se ocorrer 12 anos após o último mandato.

7 – Deputados Estaduais ou Estaduais, Vereadores terão mandato de 4 anos, admissível uma  única reeleição (8 anos).

8 – As leis de âmbito federal que interferirem na autonomia estadual ou municipal, assim como, toda e qualquer emenda constitucional aprovadas em Congresso Nacional deverão ser ratificadas por pelo menos 2/3 dos Estados para entrarem em vigor. Esta aprovação será dada pelas Assembleias Legislativas de cada Estado, ou por Plebiscito estadual, se assim o decidir sua Assembleia ou for solicitado por 1/3 de sua população votante.

Haverá decadência de prazo para esta aprovação, fixado no próprio projeto, com previsão de prorrogação de 15 dias se houver Plebiscito em pelo menos 1 Estado.

 

MAIS UM TEXTO DE DRUMOND DE ANDRADE. AGORA SEM NENHUMA “palhinha” MINHA.
ESTIMO QUE TENHA ESCRITO POR VOLTA DE 1969, MAS PARECE QUE ELE ESTÁ PAPEANDO CONOSCO EM NOSSA SALA DE ESTAR.

 

O SOBREVIVENTE

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                                                                                                                  http://www.dreamstime.com

Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.

Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.

 

O último trovador morreu em 1914.

Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.

Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.

 

Se quer fumar um charuto aperte um botão.

Paletós abotoam-se por eletricidade.

Amor se faz pelo sem fio.

Não precisa estômago para digestão.

Um sábio declarou a O Jornal que ainda

falta muito para atingirmos um nível

razoável de cultura. Mas até lá, felizmente,

estarei morto.

 

Os homens não melhoraram

e matam-se como percevejos.

Os percevejos heroicos renascem.

Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.

E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.

(Desconfio que escrevi um poema.)

 

DRUMOND de Andrade, Carlos – NOVA REUNIÃO, 23 livros de poesia, volume 1, Alguma Poesia, pg. 35.

Brasileiro

TAMBÉM JÁ FUI BRASILEIRO

DRUMOND de Andrade, Carlos – NOVA REUNIÃO, 23 livros de poesia, volume 1, Alguma Poesia, pg. 11.

 

Eu também já fui brasileiro

moreno como vocês.

Ponteei viola, guiei forde

E aprendi na mesa dos bares

que o nacionalismo é uma virtude.

Mas há uma hora em que os bares se fecham

E todas as virtudes se negam.

 

Eu também já fui poeta.

Bastava olhar uma mulher,

pensava logo nas estrelas

e outros substantivos celestes.

Mas eram tantas, o céu tamanho,

minha poesia perturbou-se.

 

Eu também já tive meu ritmo.

Fazia isto, dizia aquilo.

E meus amigos me queriam,

meus inimigos me odiavam.

Eu irônico deslizava

satisfeito de ter meu ritmo.

Mas acabei confundindo tudo.

Hoje não deslizo mais não,

não sou irônico mais não,

não tenho ritmo mais não.

 

 

NÃO SOU POETA E NÃO PRETENDO FAZER POESIA.

NEM COMPLETAR O QUE FOI DITO PELO DRUMOND DE ANDRADE.

MAS ME OCORREU UNS PENSAMENTOS, QUE VÃO ABAIXO EXPOSTOS.

 

Não na mesa dos bares

foi que aprendi

que o nacionalismo é uma virtude.

 

Milhões de brasileiros,

como eu, aprenderam

sobre esta e outras virtudes

no lar de gente humilde.

 

Hoje, querendo estão

fechar os lares de gente humilde,

e outros lares também.

Almejando, desconfio,

acabar é com a virtude.

Mais que isto,

querem a Pátria arreada

e a alma de meu povo.

Querem tudo de mão beijada,

Pra entregá-las, sem disputa,

pras comunas socialistas.

 

images                                                                                        notícias.gospelmais.com.br

Cá estou eu para falar deste espinhoso assunto.

De início devo declarar que, como Sr. Aécio e Sra. Dilma, entendo que a desigualdade social no País deve ser reduzida e a pobreza eliminada. A minha formação é cristã e, consequentemente, tenho um respeito enorme pelo ser humano de sorte que ver uma pessoa passar por necessidades básicas é inaceitável; também não aceito a exploração de uma pessoa por outra, em quaisquer circunstâncias. Pobreza e desigualdade social sempre existiram no Brasil, desde a chegada por cá do Sr. Cabral. Sempre foram, desde que me conheço por gente (e faz tempo!), plataforma política de nossos políticos – uns, quem sabe, com boas intenções, outros simplesmente para enfeitar seus objetivos. Getúlio Vargas abordou o tema quando instituiu o Salário Mínimo, pensando em reduzir a exploração de trabalhadores por seus patrões. Recentemente o PSDB no poder iniciou o enfrentamento do problema mas, a meu ver, pode fazer muito pouco, certamente em razão das circunstâncias vigentes. A eliminação da inflação galopante ajudou, sem dúvida, a população mais pobre, mas considero que tenha sido mais uma imposição econômica. O PT, navegando em mar calmo graças ao excelente governo de FHC, pode trazer outros benefícios à gente carente, mas o fez de forma totalmente descontrolada, visando tão somente a solução do problema imediato, sem qualquer objetivo de médio/longo prazo, como, por exemplo, permitir/exigir/dar condições para esta gente superasse, pelo próprio esforço/compromisso, a sua situação degradante. Foi, a meu ver, mais um dos golpes baixos deste partido comunista, islâmico, totalitário, para permanecer no poder, por enquanto legalmente, para lançar as seus alicerces de poder total.

 

Aqui tenho que falar alguma coisa do PT e seus mentores. Tudo leva a crer que este partido hoje está nas mãos da ala mais radical do comunismo, estreitamente associado ao maoismo chinês, tendo por elo o Foro de São Paulo (por que os investimentos em Cuba, Venezuela…). Sentem-se muito à vontade com o Socialismo já vigente (veja Olavo de Carvalho) e se preparam para o golpe de misericórdia para a transição do comunismo (veja a proposta dos Conselhos Populares e a lei que acaba com a propriedade privada). Desejam uma “democracia” do tipo cubana, venezuelana, ou chinesa. Os grandes chefes do partido, entre eles José Dirceu, Genuíno, Delúbio etc. e outros talvez mais importantes mas que preferem o ostracismo político, e que dizem que lutaram pela “democracia”, na verdade, como a Dilma, participaram de movimentos guerrilheiros altamente belicosos que assaltaram bancos, o cofre do Ademar, praticaram sequestros, colocaram bombas em locais públicos etc., etc. e se chegassem ao poder eliminariam todos os “inimigos”, como fez Fidel em Cuba. A sua atuação pregressa demonstra que, de forma alguma, receberam qualquer influência da cultura cristã brasileira. São ateus da pior espécie, que não têm qualquer consideração pelo ser humano – aliás, o namoro com o Islamismo radical seria para erradicar o cristianismo, depois…

Vitimas do terror vermelho 2                                                                                    imagohistoria.blogspot.com

O que já acontece na educação, por exemplo, demonstra o que pretendem. Os textos para nossas crianças que a partir de 3 nos serão obrigadas a ir para a escola, acabam com os valores da família – as constituídas de pai e mãe (macho e fêmea) serão excreções; desde cedo são incentivadas ao homossexualismo. Qualquer menção à religião será proibida na escola, pois estamos em um estado laico. Os vultos de nossa história pátria serão substituídos por Che Guevara, Fidel Castro, Zé Dirceu… Todo este trabalho é só para acabar com as resistências sociais – não existem valores, não existe história, só existe o Estado. As ideias socialistas/comunistas serão introduzidas de forma que a nova geração seja absolutamente concorde com o novo regime.

Crianças robô                               apaginavermelha.blogspot.com

As dificuldades econômicas atuais são apenas passos para a transição. Ainda necessitam de algum capitalismo para sobreviver. Depois é só distribuir cupons de alimentação para se buscar o que ainda existir. Vale lembrar que o comunismo stalinista não deu certo na Rússia, o comunismo acabou com Cuba e está acabando com a Venezuela (e com o Brasil). Os países “não alinhados” (Colômbia e Peru) da América do Sul estão hoje em muito melhores condições que o Brasil.

Fome na Venezuela                                                                                                    homemculto.com

Você há de concordar que o PT sempre reclamou da mídia. Ultimamente sente-se perseguido pela imprensa que relata os depoimentos dos réus das Petrobras, reclamaram (e reclamam) quando se fala do Mensalão. Dilma jura que irá punir quem tiver praticado “mal-feitos”, mas não tomou ainda qualquer providência contra denunciados que continuam como chefes do partido e ocupando cargos em sua administração. Se eleita, dirá que “tudo é mentira”, punirá o juiz que cuida do caso, tchau e bênção… Afinal, eles trabalhavam para o partido e o dinheiro desviado era necessário para os seus objetivos. Jornalistas que ousam falar contra o PT já são ameaçados de morte.

cale-a-boca
                                                                 andradetalis.wordpress.com

Se me perguntarem se considero o capitalismo um sistema econômico justo – direi que não e, como tudo que existe, precisa de muita revisão e muito melhoramento. Gostaria de ter encontrado algo que o substitua. Segundo Karl Marx, o socialismo será a transição para um comunismo sem classes e sem governos. Tentaram praticá-lo, mas não funcionou – deturparam-no. Seus defensores se dizem cientistas e, como tal, rejeitam qualquer forma de religião. Mas eu ainda entendo que a sociedade ideal só surgirá com a transformação do homem em “humanos” (na definição de Rohden) – aí, qualquer regime econômico serve – servirá à sociedade. Se o PT continuar no poder, você acredita que terá liberdade de falar qualquer coisa parecida com isto?

Somos humanos                                                                  pensamentoslucena.blogs.sapo.pt

Gostei quando Aécio botou o dedo no nariz da Dilma e a chamou, inúmeras vezes, de MENTIROSA. Há 4 anos atrás eu já dizia que ela o era. Mas não foi especificado ainda o perigo que representa o PT no poder por mais tempo – o comunismo stalinista no Brasil. Este problema, você há de concordar, é maior que a corrupção perpetrada pelo PT.

Já estou com 77 anos. Não sei quantos anos de existência ainda tenho. Mas e os filhos, os netos? Vou ficar feliz em deixá-los em mãos erradas?

E você?

 

moises_dezmandamentos

                                                          luterano-religar.blogspot.com

ESTA É A PARTE FINAL DA Décima Terceira aula do curso NOVA HUMANIDADE, ministrado por HUBERTO ROHDEN em 21 de junho de 1977. Refere-se a Moisés e nos dá informações valiosas, muitas das quais desconhecia, sobre este grande vulto bíblico. Ao final, retorna ao tema das duas árvores do Jardim do Éden para enfatizar, com a própria história de Moisés, o objetivo da evolução da humanidade de concepção pela hominalidade. 

Escutem! O que é que vocês pensam de Moisés? Quem foi ele? O que sabemos pela Bíblia e por outras fontes de Moisés? Onde é que ele nasceu?

– No Egito, no tempo dos faraós.

Sabemos que nasceu no Egito, e durante os primeiros 40 anos, onde ele esteve?

Foi educado na corte real do Faraó – um dos faraós, não sabemos quem foi – educado, segundo a Bíblia, pela princesa real que o teria tirado das águas. Isto é o texto bíblico, e todos pensam que é das águas do Nilo. Mas há outra mensagem muito esotérica que não é da Bíblia, mas, muito profunda, diz que Moisés nasceu no Egito, mas, nasceu das águas astrais. Não nasceu das águas físicas. Não foi encontrado no Nilo, porque os livros sacros usam a palavra astral em vez de água. Muitas vezes usam água quando quer dizer, no mundo astral. Nascer de água e espírito – palavra de Jesus a Nicodemos – “deveis nascer de água e de espírito”. Ele fala do nascimento não material, mas do nascimento humano. De água e espírito. E quando ele fala com a samaritana, da água viva, outra vez se refere ao mundo astral. Se considerarmos isto, podíamos dizer que Moisés possivelmente também nasceu do astral. Porque nada sabemos de um pai de Moisés, nada sabemos duma mãe de Moisés.

Bem, isto são hipóteses que eu não quero afirmar, nem negar – mas é bom saber que tais suposições são possíveis. No corpo de Jesus nós sabemos que isto aconteceu. Lá está claramente, em Mateus, em Lucas e na profecia de Isaías. Que não foi concebido de um modo material e físico, mas, humanamente. O corpo de Jesus, como veremos mais tarde, era um corpo perfeitamente humano. O corpo humano precisa de pai e de mãe, senão ele não é humano. Se o corpo tem só mãe, não é humano. Se ele não tivesse pai verdadeiro, não seria um homem completo. Mas, é claro que Jesus era um homem completo, verdadeiro como nós. Então, ele tinha um verdadeiro pai humano, mas Isaias nega, Mateus nega e Lucas nega que tenha tido um pai físico. Que não foi concebido fisicamente, mas foi concebido humanamente. Logo, ele supõe a possibilidade duma concepção humana astral, que na humanidade atual, praticamente é desconhecida, mas que é possível numa humanidade mais aperfeiçoada.

De Moisés não sabemos nada realmente, como ele nasceu. Sabemos apenas que foi encontrado e educado na corte do faraó. Lá esteve 40 anos, e foi educado em toda sabedoria dos egípcios, que era sobretudo magia mental, em alto grau. Os egípcios faziam coisas que nós hoje nem sabemos. Como eles construíram as pirâmides, ninguém compreende hoje em dia. Com nossos maiores guindastes modernos, nós não somos capazes de fazer, de levantar aqueles pesos, aquelas pedras que estão nas pirâmides. E o cálculo matemático que eles fizeram na posição relativamente ao sol, é uma coisa fantástica. O que estes homens sabiam sobre matemática e mecânica, e tudo isto. E como é que carregaram aquelas pedras lá para cima. É provável que eles não tenham carregado as pedras lá para cima. Eles tenham materializado aquelas pedras, porque os egípcios conheciam o segredo da materialização do mundo astral e da desmaterialização também.

Quando Josué, que foi o sucessor de Moisés, entrou na Fortaleza terrível de Jericó (na fronteira da Terra Santa havia uma fortaleza, Jericó) – não se podia tomar pelas armas, aquela fortaleza. Josué disse: “Nós não podemos destruir a fortaleza e sem destruir a fortaleza, não podemos entrar”. Como é que eles destruíram a fortaleza de Jericó? Está escrito no livro de Josué. Diz que mandou tocar hinos rodeando a Fortaleza uma semana inteira, produzindo vibrações aéreas pela música. E no sétimo dia ele mandou tocar o hino do Jubileu – nós não sabemos que hino era este. E quando tocaram o hino do Jubileu, com a banda de música deles, todas as fortalezas de Jericó ruíram por terra e virou areia pura. Ficou só areia, não tinha mais pedra. A pedra se transformou em areia!.. Como é que vamos explicar este fenômeno? Uma desmaterialização molecular, não atômica, mas molecular. Uma alta vibração pode produzir uma destruição material. Uma alta vibração de certo tipo pode quebrar vidros, pode desmoronar um muro. A matéria pode ser desmaterializada pelo som. Sobra areia. Parece que eles já conheciam esta magia mental de destruir pedras transformando-as em areia.

Se, podiam destruir, também podiam construir. É uma suposição que as pedras das pirâmides, que são de um peso enorme, não tenham sido carregadas lá para cima, mas tenham sido materializadas lá em cima. Primeiro, não eram pedras visíveis… Pedras astrais – e o astral não tem peso. Materializaram. Há documentos antigos que fazem crer que os egípcios conheciam materialização e desmaterialização. E Moisés foi instruído em tudo isto. Quando ele lançou as pragas sobre o Egito, nove falharam. Produziu doenças horríveis, que os magos do Egito neutralizaram todas. Mago contra mago. Mas, quando ele fez a décima praga da morte dos primogênitos, ninguém conseguiu neutralizar.

Quer dizer, 40 anos ele foi um mago, poderoso. Nos outros 40 anos ele virou místico. 40 anos no deserto, na solidão, teve muito tempo para escrever, para pensar. E provavelmente escreveu o Gênesis no deserto da Arábia, porque no Egito ele não estava em condições de fazer tais coisas.

Agora, no deserto da Arábia, entre 40 anos e 80 anos, ele tinha muita oportunidade, um ótimo ambiente para meditar, para intuir e para escrever. Isto foi nos últimos anos. Isto deve ter sido mais ou menos 1500 aC. Mais ou menos 1500 AC deve ter sido escrito o Gênesis no deserto da Arábia, onde Moisés viveu 40 anos. Nos últimos 40 anos ele andou peregrinando entre o Egito e Canaã. Isto tem que ser devidamente compreendido porque são discussões que se fazem em toda parte.

 

Voltando à ideia do homem… então havia no paraíso 2 árvores. A arvore do conhecimento do bem e do mal, quer dizer, as coisas puramente físicas não deviam ser usadas pelos primeiros homens. Eles deviam iniciar uma evolução do mundo físico, horizontal, rumo ao mundo mais espiritual.

 

EspiritualFísico

 

Vamos representar o físico pela linha horizontal, e vamos representar o espiritual pela linha vertical. Entre a linha horizontal e a vertical há muitos graus, segundo a nossa geometria há 90 graus . Quer dizer, a evolução partiu daqui e foi subindo, subindo, lentamente… – chegou até o meio – 45o aqui, e podia finalmente atingir o máximo da vertical. Quando o homem ainda está pertinho aqui, ainda quase 90% animal e apenas 10% homem, então ele tem apenas 10%, humano. Ainda é 90 graus animal, aqui ele vai diminuindo a sua animalidade e aumentando a sua hominalidade. Aqui ele já está no meio. Ainda é meio animal e já meio hominal.

E se ele avançasse na sua evolução rumo a vertical e se ele aproximasse aqui da vertical ele seria 80 hominal e apenas 10 animal. Já seria um homem de alta perfeição. Isto deve ter sido João Batista, porque Jesus diz: “Dentre os filhos de mulher ele é o maior de todos”. Tudo que está entre zero e 90. Pode haver mais graus ou menos graus de animalidade ou hominalidade, mas ele chama isto, filho de mulher, quer dizer, de uma concepção física, que á igual à do animal. Isto ele chama filho de mulher. Concepção humana, mas de corpo a corpo.

Quando alguém chega aos 90, superou tudo que é de filho de mulher. Então ele diz, filho do homem. Filho do homem é para ele o máximo da hominalidade e o mínimo da animalidade. Porque se eu chegar 90 – aqui a animalidade é zero e hominalidade é 100%. Esta a terminologia que se usa. Então os homens começaram aqui, no grau mais baixo. Foram subindo, subindo… e estão subindo. E onde a humanidade está agora nós não sabemos. Alguns estão aqui, alguns talvez estejam aqui; é muita coisa. Pouca animalidade e muita hominalidade.

Quem sabe se alguém está pertinho, aqui. Então, acontece como alguns destes que desmaterializam o seu corpo; têm o poder de desmaterializar o seu corpo, astralizar o seu corpo. Porque chegaram ao máximo da hominalidade, embora não tenham chegado até 90 graus. Vamos dizer, aqui já se pode desmaterializar o corpo material e substituí-lo por um corpo imaterial, que é o mesmo, mas em outra forma: Corpo astral.

A Bíblia conta que Enoc, Elias, Moisés…se desmaterializaram, não morreram. Moisés subiu ao Monte Nebo e nunca voltou. Foram procurá-lo, nunca encontraram seu cadáver, e nunca o enterraram. Diz o livro do Deuteronômio, no fim. Subiu ao Monte Nebo aos 120 anos, em perfeita juventude, olhou para a Terra Santa e não entrou e nunca voltou. Foram lá – nunca foi encontrado o corpo dele, e nunca ninguém o enterrou. Provavelmente ele é um dos astralizados.

Também em nossos dias ainda acontecem. Na Índia há diversos casos em que um yogue se desmaterializa, se astraliza e de vez em quando ele volta para se materializar temporariamente. Reúne seus discípulos, desaparece outra vez. Isto deve ser um alto grau de evolução humana. Um afastamento muito grande da animalidade. Pode ser neste setor aqui, a astralização. E quando alguém chega ao ponto 90, pode fazer mais do que astralizar-se.

Pode-se dizer: “Bem, eu estou aqui, tenho 33 anos. Vocês me podem matar, se quiserem”. Ele não se matou, não se suicidou, mas permitiu que outros o matassem, “mas não adianta nada. Eu vou ressuscitar o meu corpo morto. Destruí este templo do meu corpo, que em 3 dias eu vou reconstruir”. Ele o fez. Isto é o máximo. Só o filho do homem, talvez possa fazer isto. É mais do que transformar o corpo. Porque transformar é um poder muito grande, mas deixar se matar em plena vida, aos 33 anos, e dizer, “não adianta nada, eu vou ressuscitar depois de três dias, eu vou continuar a viver…” e ele o fez – durante 40 dias aparecia em corpo material para poder ser visto e apalpado. Aparecia em corpo astral quando não queria.

Quer dizer, materializar, desmaterializar, astralizar, desastralizar – é tudo um problema da evolução humana. Todo o Gênesis focaliza este problema. A evolução começa no ponto zero e pode culminar no ponto 90, que é o ângulo reto.

 

 

MAIS UM TRECHO DA AULA Nº 13 DO CURSO “NOVA HUMANIDADE” MINISTRATO EM 21 DE JUNHO DE 1977, POR HUBERTO ROHDEN.

 

 

Jardim do Edem

reflexaodoutrinaria.blogspot.com

Há outra pergunta: O é que Moisés entende com as duas árvores do Éden, do Jardim de delícias – do Jardim do gozo como está em hebraico e em grego? Éden. A tradução latina é Jardim de delícias. O que é que significam as duas árvores que Moisés manda colocar no meio do Jardim de delícias? O que é que significam em nossa linguagem, sem parábolas?

– A árvore do bem e do mal é uma, e qual é a outra?

– A árvore da vida.

                          Árvore co Conhecimento    Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal               –          pecado.original-300×239.jpg                                                               
                                                                                       Árvore da Vida                       Árvore da Vida (Espiritualidade)    –     uniãoglobaldeatitudes.blogspot.com  

A árvore do conhecimento do bem e do mal é guardada pela serpente, ele diz, pela inteligência. E a árvore da vida é guardada pelos Querubins, com a espada flamejante, vibratória. Muito misterioso!.. que não é fácil entrar na árvore da vida, porque ela está terrivelmente defendida pelos Querubins, com suas espadas flamejantes, vibratórias.

Aí Moises define a natureza dupla do homem. Porque todos nós sabemos – não é novidade – que a nossa natureza humana tem os seus dois polos. O polo negativo que chamamos o ego, e o polo positivo que chamamos o Eu. São os dois polos da natureza humana, que ele chama “as duas árvores”.

O polo do ego se manifesta principalmente pelos sentidos, pela inteligência e pelas emoções. Porque o nosso ego é físico, é mental, e é emocional; e nosso eu é espiritual.

Podemos relacionar a árvore da vida do Gênesis, perfeitamente com a filosofia oriental, e é muito provável que Moisés tenha estado na Índia. Ou pelo menos, que tenha tido contato com a filosofia mais antiga do mundo, que é da Índia. Porque na Índia se fala da coluna vertebral que é uma serpente – e também podemos dizer que é uma árvore. E os hindus distinguem 6 centros cósmicos dentro da coluna vertebral. Os 3 centros inferiores que seria a árvore do conhecimento do bem e do mal, e os 3 centros superiores que seriam a árvore da vida. E termina no sétimo centro na base da testa, que eles chamam o olho de Shiva. E assim teríamos os sete chakras da filosofia oriental. É um perfeito paralelo ao que Moisés entende pela árvore do conhecimento do bem e do mal e pela árvore da vida.

chacras                                                                                            holisticocromocaio.blogspot.com

O que é que a sagrada escritura entende muitas vezes, quando ela usa a palavra conhecer?

– Contato sexual.

Também usa a palavra conhecer em sentido mental. Conhecer uma ciência. Mas muitas vezes a Bíblia usa a palavra conhecer para relações sexuais. E Adão conheceu sua mulher e ela concebeu. E Maria diz: “– Eu não conheço homem” – ela conhecia muito bem José. Mas ela diz: “eu não tenho relações sexuais.” Então, a árvore do conhecimento, aqui, neste sentido, conhecer não é mental, é físico. E o bem e o mal é o nascer e o morrer. Porque tudo o que é concebido fisicamente, nasce e morre. A concepção física não pode dar imortalidade ao corpo.

E então Moisés entende que há um outro modo de nascer que não é o modo físico, material; e que não é pelos sentidos, mas é pelo espírito. Mas, como o espírito está dentro de nós, também em nós está a árvore da vida… o que ele quer dizer, porque é defendido pelos Querubins. Os Querubins são os anjos mais altos da imortalidade… E pela espada flamejante (podemos traduzir, espada ou lâmina) ou pela lâmina flamejante, vibratória – que está em alta vibração.

Se quisermos voltar outra vez na filosofia oriental… toda filosofia oriental diz que os chakras inferiores da coluna vertebral têm pouca vibração. O chakra mais baixo está quase parado. E o segundo tem um pouco movimento. O terceiro tem mais movimento, mas o último chakra que está na base da testa está em altíssima vibração. Possivelmente Moisés falou em espada vibratória no sentido dos centros de consciência. Porque quanto mais consciência há, maior é a vibração do chakra, e o mais alto seria vibração espiritual. O olho de Shiva, ou olho simples, do Evangelho…ou olho do Cristo, como nós chamamos.