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Segunda parte da décima sétima aula do CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden, em 30/08/1977.

Coexistência de Inteligência e Espírito

Só existem no universo inteiro duas potências grandiosas: a inteligência e o espírito. Ambos são do universo. A inteligência é o polo negativo, e o espírito é o polo positivo do universo. Elas são contrárias uma à outra? Não. Tanto a inteligência vem da Divindade como o espírito também vem da Divindade. Vamos tentar usar a linguagem dos filósofos para explicar isto: Diremos que a Divindade é a tese. Em contraposição à Tese temos duas Antíteses (anti = contra): uma contraposição positiva – o Espírito; e uma contraposição negativa – a Inteligência. E estas duas podem se unir em uma composição, ou seja, em uma síntese.

Quando consideramos o Espírito (antítese positiva) e a Inteligência (antítese negativa), separadamente, nós temos a impressão de que uma é contrária à outra. Que não há compatibilidade entre Inteligência e Espírito.

A Bhagavad Gita afirma que a Inteligência é a pior inimiga do Espírito, mas o Espírito é o melhor amigo da Inteligência. Inteligência também se chama Ego (Antítese negativa), e Espírito se chama EU (Antítese positiva), a nossa alma.

Então, a Bhagavad Gita diz: “o Ego intelectual é o pior inimigo do Eu espiritual”. E isto é verdade. “Mas, por outro lado, o Eu espiritual não é inimigo do Ego intelectual”. E por causa disto pode haver um tratado de paz entre as duas antíteses. O tratado de paz não pode partir da Inteligência. O Ego não vai fazer tratado de paz com o Eu. Mas o Eu, o Espírito, que é amigo da Inteligência (embora a Inteligência seja inimiga do Espírito), pode influenciar a Inteligência ao ponto desta se conciliar com o Espírito. Esta é a única esperança. O menor não pode fazer as pazes com o maior, mas o maior pode convidar o menor para fazer as pazes.

E quando os dois fazem a paz, então, se dá a Síntese.

Quando nós olhamos como míopes, só por um lado, dizemos: “Inteligência e Espírito são irreconciliáveis, não há possibilidade de Síntese”. Mas não é verdade. A divindade não creou coisas incompatíveis. Os dois polos são sempre polos complementares.

 

A bipolaridade no universo

Toda a natureza está cheia de bipolaridade. Toda a natureza é feita na base de bipolaridade. Não existe nada na natureza que não tenham dois polos: polo positivo e polo negativo. Nem no mundo físico, nem no mundo orgânico, nem na metafísica, nem no mundo espiritual. Um átomo tem dois polos: o positivo que denominamos próton, e o polo negativo que denominamos elétron. Os astros têm dois polos: atração e repulsão. Não pode haver atração sem repulsão, nem repulsão sem atração. A atração é positiva e a repulsão é negativa. O universo é todo baseado em atração e repulsão. Toda a eletricidade é positiva e negativa – a luz é bipolar, é uma síntese entre o positivo e o negativo. E toda natureza é assim.

E na humanidade, em todos os seres vivos também há positivos e negativos: a um se chama masculino e ao outro se chama feminino. Existem as amebas, mas que não são organismos, são células; as bactérias que não são organismo são células isoladas: aí não há dois polos. Não, neste sentido. Talvez em outro sentido haja, mas neste não. Mas se vocês vão ao plano superior dos vegetais… – todo vegetal se multiplica por dois polos, pelo masculino e feminino. Pelos órgãos masculinos e femininos, em síntese.

 

A não síntese entre Inteligência e Espírito

Onde não há síntese entre as antíteses, não acontece nada. Esta mesma regra também vale para o nosso caso. Aqui está o Espírito – um polo da antítese. E aqui está a Inteligência que é outro polo da antítese. Nós pensamos sempre que sejam eternamente incompatíveis. Mas, isto é miopia nossa. A tese, que é a Divindade, não iria crear duas coisas eternamente incompatíveis. Temporariamente incompatíveis sim – porque isto é necessário para a evolução. Eternamente incompatíveis – não existe nada no mundo.

Tudo é temporariamente contrário, mas realmente complementar. O polo positivo e o polo negativo da luz são polos complementares. Não são polos contrários. O masculino e o feminino são polos complementares. Não são polos contrários. O Próton (positivo) e o elétron (negativo) são polos complementares para formar o átomo completo. A atração e repulsão na astronomia são polos complementares para formar o universo. E assim também é aqui no mundo metafísico. Estamos aqui falando do mundo metafísico, fora da física.

Há uma possibilidade de síntese entre o positivo do Espírito e o negativo da Inteligência, porém, não é fácil de acontecer. E o primeiro casal, de que fala o Gênesis, não fez a síntese, ficou na antítese, estagnando. A inteligência cometeu uma sabotagem quando disse: ‘não vos deveis sintetizar com o Espírito’. O Espírito se chama o sopro de Deus, no Gênesis – é polo positivo, a antítese positiva. Deus aplicou o seu “sopro” no homem para que ele se tornasse a imagem e semelhança de Deus. O sibilo da serpente, a fala da serpente é a antítese negativa. A serpente é a Inteligência transcendente, que falou a Eva disse: “não, vós sois somente inteligência, não tendes nada que ver com o espírito”. Quer dizer, isolou a Inteligência do Espírito. Esta é a sabotagem e não é um ato individual, é uma tentativa de sabotagem cósmica.

O corpo do homem é animal – imagine isto como uma linha horizontal.

Mas, recebeu o espírito, o sopro de Deus. Imagine o sopro de Deus como uma linha vertical descendo perpendicular sobre a linha horizontal que significa o corpo animal do homem. É o sopro de Deus penetrando no corpo animal para iniciar uma evolução. Se a vertical se une à horizontal deve acontecer o início da evolução.

Só na horizontal não há evolução. Aqui há zero. Na linha vertical teremos 90º, que é o ângulo reto. Na horizontal do animal, grau zero. Mas entre 90º e zero, há muitos outros graus. A evolução começa então com 1º; depois sobe um pouco mais… 2º; sobe um pouco mais, 3º. vai subindo… rumo ao espiritual, ao vertical. O espiritual é o vertical. Isto é a trajetória da evolução do animal para o homem sob o impacto do espírito. Vocês podem representar isto geometricamente com muita facilidade. Se aqui está o espírito de Deus, que exerceu o seu impacto sob o corpo animal, deu ao corpo animal a possibilidade de sair do zero, que é pura animalidade e subir 1º grau, pelo menos, eu chamo isto hominal, em vez de humano.

Animal é zero. Deixando o zero e subindo até 90º na vertical, é o Hominal. Se um homem ainda tem 89º de animalidade e apenas um grau de hominalidade é um homem muito primitivo, apenas um pouquinho acima do animal. Mas existe a possibilidade dele chegar aos 90º de Espiritualidade; porque a evolução pode ir até vertical – O homem perfeito, o homem integral, vamos dizer, o homem cósmico.

Na horizontal está o homem animal. Quando atinge 45º de Espiritualidade já está a meio caminho da sua evolução definitiva. 45º é a metade de 90º. Então a evolução veio do zero, passou pelos 45º, e continuou subindo até chegar aos 90º. Este é o plano cósmico da divindade: o animal recebeu o sopro divino e deve começar a sua homificação, a sua humanização – se quiserem. Esta foi a ordem de Deus.

 

A Sabotagem

O que fez a inteligência? A inteligência em vez de fazer evolução, fez involução, para baixo. É evidente pelo texto do Gênesis. Todo o pecado da inteligência é que ela frustrou, sabotou a evolução espiritual e preferiu a involução, não animal, mas infra-animal. Se fosse apenas animal não seria involução, seria estagnação. Se o homem ficasse no plano do animal, então, estaria estagnado, ficaria parado na horizontal. Se ele fosse acima do animal ele faria uma evolução – a evolução é para cima. Mas se ele caísse debaixo do animal, então seria uma involução. E se o homem começa a fazer uma involução, quando é que ele vai começar a evolução?

E a inteligência quis barrar e frustrar a evolução humana. Convidou os homens a involver em vez de evolver. Involver é para baixo. Evolver é para cima. Estagnar é no meio. Tudo que está no Gênesis é uma tentativa de involução. Isto é o grande crime cometido pela inteligência, seja inteligência transcendente, seja inteligência imanente, não vamos decidir isto agora. O certo é que um poder muito grande que é a inteligência se opôs à evolução espiritual e induziu os homens a uma involução infra-animal

Por que infra-animal e não estagnação animal? Porque se a inteligência aconselhasse a ficar apenas no plano animal, ainda havia perigo de poder subir para a evolução. Mas se a inteligência convida o homem a descer abaixo do plano animal, portanto, não estagnação, mas involução… (o Gênesis supõe uma involução) – então, não há nenhuma esperança do homem alcançar uma evolução. Se a inteligência apenas deixasse o homem na estagnação e dissesse: ‘vocês não precisam ser seres espirituais, não precisam ir rumo à vertical. Fiquem paradinhos aqui no plano animal, puro animal’. Isto já seria um crime. Seria uma rebeldia contra os poderes espirituais. Mas isto não aconteceu. Pelo que o Gênesis diz, a inteligência não convidou o homem para estagnar no ponto zero, no ponto do animal.

Convidou os homens a regredir, a decair. Ir abaixo de zero, abaixo da animalidade, para garantir a impossibilidade de subir até a espiritualidade. Ele dificilmente chegará aos 90º da Espiritualidade.

Quem começa uma involução dificilmente vai chegar à evolução. Porque entre a involução e a estagnação já há um espaço muito grande, e entre a estagnação zero e a evolução espiritual, há mais uma distância enorme. Então, o que a inteligência transcendente fez foi conduzir – ou seduzir, propriamente – o primeiro casal a passar da animalidade para a infra-animalidade, da estagnação para a involução, para que ele nunca chegasse à evolução.

Este é o tal crime. É a sabotagem, uma sabotagem luciférica.

 

O poder das trevas

A humanidade foi sabotada desde o princípio por um poder misterioso chamado serpente, de se afastar de seu verdadeiro destino; e regredir para baixo. Agora não pensem que eu tenha inventado isto. Vou citar as palavras do Cristo para comprovar isto.

O maior homem da história, Jesus o Cristo denomina a inteligência de ‘o dominador deste mundo’ e depois ele acrescenta, a inteligência é ‘o poder das trevas’. Porque o espírito é o poder da luz. O positivo é o poder da luz: “Eu sou a luz do mundo.” E o contrário de luz é as trevas. O contrário de positivo é negativo. Como a inteligência é treva, a inteligência domina o mundo, mas é o poder das trevas.

Jesus disse a seus discípulos: “O dominador deste mundo, que é o poder das trevas, tem poder sobre vós”. Ele declara que o poder das trevas que é o dominador deste mundo, que é a inteligência antiespiritual, tem poder sobre seus discípulos e sobre todo o mundo. Imaginem, no tempo de Jesus ainda o mundo está sobre o poder das trevas. Toda a humanidade está escravizada pelo poder da inteligência e não do espírito.

Depois Jesus acrescenta: “O poder das trevas tem poder sobre vós, mas sobre mim ele não tem poder, porque eu já venci este mundo”. Isto ele podia dizer, nós não podemos dizer isto. Nenhum de nós pode dizer que o poder das trevas que é a inteligência, contrária ao espírito, não tem poder sobre nós, porque nós somos todos escravizados pelo poder das trevas. A humanidade toda.

 

Nova tentativa de sabotagem

Depois, na tentação a que todos os Evangelhos se referem – a tentação de Jesus -outra vez o conflito entre as duas potências. Entre a inteligência e o espírito. Depois de 40 dias de jejum no deserto Jesus enfrenta o poder intelectual, que se chama satanás, que também se chama diabo. Diabo, satanás, inteligência, serpente, tudo isto é a mesma coisa. No Apocalipse se chama o dragão, que é a antiga serpente.

Então, na tentação aparecem as duas maiores potências do universo: a inteligência tentadora e o espírito tentado. Cristo é o espírito. E o anticristo, que o tenta, é a inteligência. Então, o que é que diz a inteligência ao espírito. O que é que, na tentação, a inteligência diz ao espírito; o que é que o intelectual diz ao espiritual. O que é que o poder das trevas diz à luz do mundo. Diz o seguinte: eu te darei todos os reinos do mundo e sua glória – é a inteligência que fala, talvez a inteligência transcendente. Eu te darei, Jesus, todos os reinos do mundo e sua glória, (porque a inteligência se interessa por isto) porque são meus. Vejam bem, quando eu ouvi isto pela primeira vez eu disse: ‘mas que mentira é esta. A inteligência afirmar que todos os reinos do mundo e sua glória são da inteligência’. Mas, é claro que são, quem fez tudo isto?

Não foi a inteligência que fez todos os reinos do mundo e sua glória? Não foi o espírito que fez. A inteligência é que faz isto. Então, a inteligência oferece ao espírito. O anticristo oferece ao Cristo todos os reinos do mundo e sua glória porque são meus, diz a inteligência. O tentador é a inteligência. E o tentado é o espírito. Todos os reinos do mundo e glória são meus e eu os dou a quem eu quero. Eu sou o dono do mundo. Eu dou o reino do mundo a quem eu quero. Portanto, é a inteligência que confirma o que Jesus tinha dito: “O dominador deste mundo, que é o poder das trevas, tem poder sobre vós”.

Mas, pela primeira vez a inteligência encontrou um homem sobre o qual ele não tinha poder. A inteligência não tinha poder sobre o Cristo, porque o Cristo já havia vencido o mundo. Lá estava um homem 100% espiritual. Um homem que está na vertical de Espiritualidade – o Cristo, sob o domínio absoluto do Espírito. Pela primeira vez a inteligência encontrou um homem que não a quis obedecer.

A inteligência convidou o espírito do Cristo: “prostra-te em terra e adora-me”. Porque a inteligência prometeu todos os reinos do mundo e sua glória, mas não de graça. A inteligência não dá nada de graça. Isto não é bom. Isto é impossível para a inteligência. A inteligência cobra caro. Se ela promete coisas grandes ela cobra muito e ela cobrou o maior preço que ela podia cobrar. “Jesus, tu estás de pé, faça o favor de ajoelhar diante de mim e dizer, inteligência, tu és a minha divindade”. Isto é o que ele queria. Que Jesus caísse de joelhos diante do tentador e adorasse o tentador como seu Deus. E pela primeira vez ela se enganou.

Quando ela faz isto conosco, nós aceitamos. Se a inteligência nos promete todos os reinos do mundo e sua glória, será que nós não vamos aceitar um negócio destes? Nós aceitamos um negócio muito menor. Não precisa ser todos os mundos e sua glória. Basta um farrapinho qualquer. Um farrapinho qualquer chega. Um pouquinho só. Não 100%, 10% chega, 1% chega. A nossa inteligência capitula com armas e bagagens diante de qualquer farrapinho deste mundo. É porque nós somos fracos. Estamos muito perto da animalidade.

Eu explico isto para vocês verem que eu não estou inventando que a sabotagem foi desde o princípio feito pela inteligência. Ela sabotou o primeiro casal, não conseguiu sabotar o Cristo. Porque já era outra coisa, Adão e Eva não eram homens altamente espirituais. Eles estavam rastejando próximos ao ponto zero da animalidade. Talvez tivessem 1º de evolução, talvez 2º de evolução. Mas, estavam perto da animalidade. Não estavam muito acima da animalidade.

 

A vitória final

Os nossos bons teólogos, nos querem fazer crer que Deus fez o homem perfeito. Fez um Cristo. Adão era um Cristo para eles – perfeitíssimo. E, contudo foi derrubado. Um homem que fosse da perfeição do Cristo, nunca podia ser derrubado pelo tentador.

Mas, Adão foi derrubado. Primeiro a mulher, e depois ele – o homem – através da mulher. Caíram os dois. Quer dizer que capitularam diante da inteligência antiespiritual. Isto eu chamo a sabotagem luciférica, que a inteligência quer fazer em todos os tempos e que ela conseguiu fazer no Gênesis, com os primeiros homens. Ela tentou pela segunda vez fazer isto com o Cristo, mas ela não conseguiu.

Jesus não caiu de joelhos diante da inteligência e disse: “Eu te adorar? Eu o Espírito, te adorar, Inteligência?”. Não, ficou de pé e disse: “Vai à minha retaguarda, tu pões-te na vanguarda? Na vanguarda vou eu, o Espírito. A Inteligência tem que ir à retaguarda”. A tradução é muito infeliz, eles dizem: “Vai-te embora”. O espírito não pode mandar a inteligência embora. Ele só pode mandar a inteligência para a retaguarda. “Vá de retro” – em latim. Retro é o radical de retaguarda. Inteligência põe-te na retaguarda e não te ponhas na vanguarda. Na vanguarda vou eu. Esta foi a resposta do Cristo.

Mas, a resposta do primeiro casal não foi esta. O primeiro casal adorou a inteligência e se deixou derrotar pela inteligência antiespiritual. “Porei inimizade entre ti e a mulher” – disseram os Elohim. Entre ti serpente e a mulher. Não esta mulher que agora caiu vítima da inteligência. A mulher futura. “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre teu descendente e o descendente dela”.

Ele – a Vulgata diz “ela”, mas em grego está “ele”, Ele, o descendente da mulher, Ele, o descendente da futura mulher, não desta mulher Eva, mas da futura mulher, é o Cristo. “Ele te esmagará a cabeça”. Isto está na Vulgata, mas no texto grego não tem. Em toda Vulgata está – ele, o Espírito sujeitará a Inteligência. Ele esmagará a cabeça, o Espírito será mais poderoso que a Inteligência. O Espírito não vai adorar a Inteligência; a Inteligência tem que adorar o Espírito.

Estou explicando isto para vocês verem que a razão das 3 maldições terríveis não é uma razão ridícula. É uma razão muito séria. Porque a tentativa que se fez é estragar toda a história da humanidade. O tentador não queria que o homem chegasse a sua evolução, mas o convidou para fazer o contrário, a involução.

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Gandhi

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Segunda parte da aula 16 – CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden em 23 de agosto de 1977

 

O EGO e EU

Vamos falar das maldades morais agora, e não dos males físicos por enquanto. Eu me posso redimir das maldades morais, dos meus pecados. Repetindo: de todas as maldades não físicas, mas morais.

Mas, quem é que faz isto? O meu Ego ou o meu Eu?

Na época de Agostinho e Pelágio não se sabia distinguir nitidamente entre os dois polos da nossa natureza. Era conhecido melhor o Ego do que o EU.

A totalidade da natureza humana pode ser representada por uma cruzinha no centro de uma ou várias circunferências. As circunferências, que chamaremos de periferia, representa o Ego. E a cruzinha, no centro, representa o Eu. Não havia uma noção clara sobre os dois polos da natureza humana, isto é, sobre o polo Ego – a periferia, e o polo Eu – o centro. Por isso nunca chegaram a um acordo.  Pelágio dizia “eu me posso salvar”; agora, se ele chamava “eu” a cruzinha no centro ou a periferia, nós não sabemos. Não sabemos se Pelágio tinha entendimento sobre o Ego ou Eu…

Agostinho só conhecia o Ego. Tinha sido muito derrotado pelo seu ego na juventude, até os trinta e tantos anos, e devido às derrotas sofridas pelo poder do seu ego, não acreditava que o homem pudesse salvar-se a si mesmo. Identificava o homem com o seu ego.

Eu creio que Pelágio não falava do Ego, mas ele nunca afirmou isto. Creio que se referia ao Eu verdadeiro. E dizia: “eu, pelo meu Eu divino – interno –  (pelo meu Cristo interno,diríamos hoje), me posso redimir e salvar de todas as maldades”.

Naturalmente, Agostinho não conhecia este Eu central, ele conhecia muito bem o Ego periférico. Tinha sido derrotado por ele. E quando se converteu, atribuiu a conversão a Deus e não a si mesmo. “Eu não me converti, dizia, Deus me converteu”. Ele nunca aceitou que ele mesmo se pudesse converter; que se pudesse fazer bom. “Eu só me posso fazer ‘mau’, só Deus me faz bom”.

Agostinho só entendia da natureza humana o ego. E Pelágio parece que entendia tanto o Eu central positivo, como também o Ego. Por isso dizia: “sim, eu posso ser mau por minha conta e risco, mas eu também posso ser bom, posso fazer-me bom. Posso redimir-me dos meus pecados e das minhas maldades”. E neste caso ele não se referia ao seu Ego externo, porque o Ego é muito negativo.

O Ego, de fato, é o nosso pecador – o Ego é o que nos perde. O Eu é quem nos salva.

Hoje em dia a humanidade já abriu os olhos para os dois sentidos da palavra Eu, mas muitos ainda entendem por Eu, o Ego. O grosso da humanidade ainda pensa como Santo Agostinho. E nós também, hoje em dia, em pleno século XX, repetimos: ‘eu estou doente’. Eu, o quê? O meu Eu central está doente? Não, o Espírito de Deus em mim não pode estar doente. Isto não é possível. O meu Cristo interno não pode estar doente. Repetimos a palavra Eu – sem distinguirmos o que é que entendemos por Eu. Nós nos referimos geralmente ao nosso corpo, ao nosso Ego.

Chamamos o nosso corpo – Eu, o que é um modo de falar muito inexato. Mas, não temos outro modo. Não podemos dizer Ego, como em latim. Em latim, ‘Eu’ é ‘Ego’, mas só usamos o Ego latino para a parte negativa da nossa natureza. Dizemos: ‘eu vou morrer’ – eu quem? Não o Eu verdadeiro, o nosso centro, não vai morrer – este não vai morrer. O que vai morrer é o nosso corpo, a nossa periferia. O nosso EU central não está sujeito à morte. O nosso Eu central não tem câncer, não tem tuberculose, não pode sofrer acidentes e não morre.

Quando dizemos: ‘eu sou inteligente’, o ‘eu’ a que nos referimos faz parte do nosso Ego. A inteligência é uma faculdade do nosso Ego, relacionada com o Eu, é verdade. Mas ainda tem sede no ego. Quando dizemos: ‘eu fui ofendido; fui tratado com ingratidão; fui vilipendiado’, a que “eu” nos referimos? Ao nosso Ego emocional, ao nosso Ego afetivo, que sofre com ingratidão ou injustiças. É claro – é o nosso Ego que sofre. O nosso Eu não sabe nada disto.

Às vezes aparece um homem que não se identifica mais com o seu ego. Mahatma Gandhi, em nosso tempo, chegou a este ponto. É o máximo a que um homem pode chegar. Ele tinha esquecido o seu ego e só se lembrava do seu Eu. Os homens avançados fazem do seu Eu uma coisa muito maior do que seu Ego. E o seu ego vai desaparecendo pouco a pouco.

Quando perguntaram a Gandhi se perdoava as ofensas que havia recebido em grande quantidade em toda a sua vida, respondia: “eu não perdoei nenhuma ofensa porque nunca ninguém me ofendeu”.

O homem, quando é mau, procura vingança. O homem quando é bom, perdoa as injustiças. Mas os dois são imperfeitos. Também aquele que perdoa não é perfeito – é melhor do que aquele que vinga, é claro. É melhor perdoar do que vingar, não há dúvida nenhuma. Mas por que ele perdoa? Porque se sente ofendido. E por que se sente ofendido? Porque ainda está na zona do seu Ego.

O nosso Eu não pode ser ofendido. O nosso Eu é inofendível. O nosso Eu é absolutamente inofendível. A minha alma não pode ser ofendida por ninguém. O meu Cristo interno não pode ser ofendido por ninguém. Deus em mim, o Pai em mim, que é o meu Eu, não pode ser ofendido. Logo, o meu Eu não tem que perdoar nada a ninguém. Porque o meu Eu não foi ofendido, o meu Eu é invulnerável, inatingível.

Mas, não temos a consciência da nossa invulnerabilidade.

Gandhi chegou à consciência da sua completa invulnerabilidade. O meu Eu não pode ser atingido pelos outros. Ninguém pode fazer mal ao meu Eu central. Todos podem fazer mal ao meu Ego periférico. E de fato fizeram. No fim o mataram. Um hindu o matou com 3 tiros de revólver. Mas, as últimas palavras de Gandhi ao cair ferido, baleado, foram: Namastê. Ainda fez a saudação ao seu assassino. Deus esteja contigo. O Deus em mim saúda o Deus em ti, como os hindus interpretam esta saudação bonita.

E foram as últimas palavras de Gandhi ao seu assassino. Meu querido inimigo, o Deus em mim saúda o Deus em ti. Isto está além da ofendibilidade. Não pôde ser ofendido nem com 3 tiros de revolver, nem com a morte. E ele ainda pediu, quando já estava morrendo, que não permitissem que seu assassino fosse punido. Eu não sei, mas o governo da Índia provavelmente o enforcou, como era costume lá. Mas Gandhi pediu que não o punissem porque o que ele necessitava era instrução e não punição. Porque ele tinha agido por ignorância. É claro, é pura verdade. Ele ignorava o seu Eu verdadeiro. Não ignorava o seu ego que agiu e matou. Mas, a verdadeira sabedoria não é do ego. Então Gandhi disse: é preciso instruir este homem porque ele agiu por ignorância, matando-me.

Quer dizer, hoje em dia aqui no ocidente, nós já estamos em grande parte passando da velha ideia da alorredenção para a nova ideia da autorredenção. Aliás, não é nova esta ideia. Está no Evangelho, 2000 anos atrás. As obras que eu faço, diz o Cristo, Jesus – naturalmente as obras boas, porque ele não fazia obras más – as obras que eu faço, não sou eu que as faço, é o Pai que está em mim que faz as obras. Porque de mim mesmo eu nada posso fazer.

Quando falava assim, se referia a isto: ao seu Eu positivo, ao seu Eu central. As obras que eu faço através do meu ego, mas, nascidas do meu Eu divino, as obras que eu faço não sou eu, o meu ego que faz estas obras, mas o meu Eu divino que faz estas obras. E o seu Eu divino ele sempre chama o Pai. O Pai está em mim e eu estou no Pai. O Pai também está em vós, ele diz a seus discípulos. O Pai também está em vós, e vós estais no Pai.  Quer dizer, Pai, ele chama isto: o Deus interno, o Cristo interno, muito mais poderoso que o seu ego. O ego nunca desaparece completamente porque faz parte da natureza humana. Mas, o ego pode ser menor que o Eu. Eu posso aumentar a tal ponto a consciência do meu Eu real, do meu Eu divino, do meu Eu espiritual, do meu Cristo interno, que praticamente esqueço do meu ego humano. E quando alguém tem 99% de consciência do seu Eu verdadeiro e apenas 1% de consciência do seu ego ilusório, então, ele se sente completamente liberto. Ninguém o pode ofender porque ele não é mais ego, deixou de ser ego praticamente e se identificou com seu Eu. E por isto Gandhi podia dizer: eu não preciso perdoar a ninguém porque ninguém me ofendeu.

Nós falamos muito autorredenção hoje em dia, mas os dogmas, as teologias, ainda não entraram nesta zona de conhecimento. Ainda pensam que há um fator externo que me faz mau, a que chamam de diabo. E também há um fator externo que me faz bom, ao que chamam de Cristo. Mas não entendem o Cristo interno do Eu. Entendem do Cristo lá do outro lado do Mediterrâneo, que viveu há 2000 anos. Entendem que a salvação vem de longe, vem de fora para dentro.

Pouco a pouco nós nos convencemos: Toda a redenção, toda a salvação, todo o melhoramento moral, espiritual não vem de fora de mim. Também as maldades não vêm de fora. A bondade vem de dentro e a maldade vem de dentro. Pergunta-se: ‘dentro de quê?’ Dentro de minha natureza. Mas eu sou tanto ego como Eu. Na minha periferia eu sou ego e daí podem vir os males, as maldades, os crimes, os pecados; todos vêm do meu ego, mas fazem parte de mim; fazem parte da minha natureza, do meu ego.

Mas se eu cultivar o meu Eu central, então o meu ego praticamente fica eclipsado. Ele continua a existir, é claro, faz parte de mim, mas ele não pode dar ordens, ele não pode dominar a minha vida. E então eu posso dizer: eu me faço bom porque eu quero e o ego não me faz ‘mau’, porque o meu Eu não deixa o meu ego funcionar. Ele dá ordens ao meu ego e o meu ego não dá ordens ao meu Eu. É uma grande vantagem.

Suponha que alguém tenha 90% no seu Eu central e apenas 10% no seu Ego. Se ele está com 90% de consciência do seu Eu, sobra apenas 10% de consciência do seu ego. Então, praticamente ele está livre. Ele não tem mais obrigação de ser mau porque 90 dominam 10. Mas, se o contrário acontece, se ele é 90% no ego e apenas 10% no Eu – então o seu ego dá ordens ao ego e ele se torna ‘mau’. Mas, a culpa não é do diabo, é minha. A culpa é do meu ego humano. Mas o contrário também acontece e o merecimento é da minha natureza humana, do meu Eu humano; também faz parte da minha natureza.

Estamos chegando pouco a pouco a esclarecer as nossas ideias. Mas as igrejas e as teologias, geralmente não aceitam ainda que o homem possa passar por uma autorredenção. Ainda se aferram na alorredenção. E quando dizemos que a autorredenção é possível, entendem que nos referimos a uma ego-redenção.

Não há ego-redenção, só há ego-perdição. Mas há Eu-redenção. O Eu é autos, em grego. Há autorredenção, mas também há ego-perdição. Mas nós somos responsáveis pelos dois. Porque quem disse que o meu ego devia ser mais forte que o meu Eu? A culpa é minha. Se eu não desenvolvi o meu Eu bom, e desenvolvi por demais o meu ego negativo a culpa é minha, porque eu não me eduquei devidamente para ser bom.

Mas é claro, estamos entrando numa nova zona de compreensão pouco a pouco, de  que tudo está dentro de nós, tanto o bem como o mal; tanto o positivo como o negativo; tanto a redenção como também a perdição. Está tudo dentro de cada um de nós e nós somos responsáveis por isto.

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Resumo da 15ª aula (segunda parte) do CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrado por Huberto Rohden em 16/08/1977.

 

Jesus, um dos maiores representantes da nova humanidade… Ele falava a um doente e o doente não estava mais doente. Ele falava até a um morto de três ou quatro dias, e a vida voltava para o morto. Ele curava a qualquer distância porque para a essência divina não há distâncias. A distância é para a existência, Mas a distância não é para a essência.

Isto é um tipo avançado da humanidade, em indivíduos, mas não nas massas. A massa nunca será da nova humanidade.

Eu não sou tão otimista que possa acreditar que dentro de mil anos, 2.000 ou de 10.000 anos os analfabetos espirituais de hoje, embora doutores em letras, sejam capazes de enxergar Deus em tudo. Não é fácil. Isto supõe uma evolução de milhões e milhões de anos. E talvez uma evolução apenas parcial. Não uma evolução total da humanidade. A massa não passa por evolução rápida. O indivíduo às vezes passa por uma evolução rápida, mas as grandes massas… – milhões e milhões vão com passos mínimos em espaços máximos. A evolução progride um milímetro em mil anos. Nem tanto, às vezes até atrasa e em vez de evolução sofremos uma estagnação, parando – ou uma involução, regredindo.

É possível uma evolução para cima. Apenas uns poucos corajosos estão na evolução, porque a subida é a única coisa difícil.

É possível uma involução para baixo e muitos estão na involução, isto é, em piores situações. Deixar-se cair não é difícil; a gente cai por si mesmo, sem nenhum esforço.

Ou uma estagnação – no meio. O grosso da humanidade está na estagnação. É o “deixa como está para ver como fica”, é não fazer nada.

Em resumo, há poucos que fazem evolução; há muitos que vivem na estagnação; e há muitíssimos que vivem na involução. E o grosso da humanidade é isto.

É difícil encontrar uma pessoa que goste das coisas difíceis. Milhões gostam das coisas fáceis. Um ou dois têm a coragem de fazer as coisas difíceis. O fácil é para os covardes. O difícil é para os heróis. Mas será que há muitos heróis por ai?

Quantas vezes eu ouço dizer: “Ah! Mas isto é muito difícil, fazer meditação de meia hora cada dia e entrar na cosmo-consciência, sair da egoconsciência. Isto é muito difícil”. Ou como diz o nosso caipira: “isto puxa muito pela ideia”.

Nós gostamos do fácil e não gostamos do difícil, por isso não saímos da horizontal e não subimos para a vertical, nem sequer para a ascensional. Subir da horizontal para a vertical são 90 graus – segundo a geometria. Para se chegar do ponto zero, que está na  horizontal, para o ponto 90, é necessário se passar por muitos pontos intermediários: 10º,  20º…45º – isto é ascensional – até 90º, que já está na vertical.

Mas enquanto eu não estou na vertical, a prumo, portanto, eu não estou seguro. Enquanto eu estou na ascensional, eu posso recair para horizontal. Quando eu estou na vertical, acabou o perigo da recaída. Porque todo engenheiro sabe, se coloco um poste na vertical, não há perigo de cair, mas se o poste, ou o edifício, está meio inclinado – se não está bem a prumo, bem na vertical – ele vai cair pouco a pouco, vira torre de Pisa.

Então, quando o indivíduo subiu todos os degraus, já está bem na vertical – é o que  chamamos “iniciação” e enquanto alguém não chegou à iniciação, ele está sempre em perigo de recair. Sem esforço ele recai, com esforço ele sobe. É evidente! É pura geometria.

Quando alguém chega à iniciação, então vê a essência divina, a essência infinita, em todas as existências finitas. Ou, em linguagem comum, ele vê Deus em todas as creaturas. Nós usamos esta linguagem de teologia. Dizemos: “ele vê o infinito em todos os finitos”. O infinito está presente em todos os finitos e todos os finitos estão dentro do infinito. Isto é absolutamente certo. Isto é um fato, é uma realidade, mas isto não é a nossa experiência. A nossa experiência é muito vagarosa. A realidade já existe. A presença de Deus é um fato certo em todas as creaturas, mas até eu enxergar a presença de Deus em todas as creaturas, quanto tempo eu levo?

Paramahansa Yogananda (ele era um grande iniciado), no livro “Autobiografia de um yogue”, diz: “muitos me perguntam quanto tempo eu levo para chegar à consciência cósmica, ou para intuição cósmica – será que vou alcançar isto em 50 anos, em 100 anos, em 200 anos ou em 1000 anos?” E ele respondia: “isto não é questão de tempo, é questão de intensidade e não de tempo”. Porque o homem comum pensa que ele tem que levar tanto tempo e tantas reencarnações para alcançar isto. Mas os iniciados sabem que não depende de tempo. Não depende de 1 século, nem de 2 séculos, nem de 1 milênio. Depende de quê? Do esforço de consciência.

Intensificar a consciência pode levar muito mais do que mil anos. Daqui a mil anos, ou um milhão de anos, quem não intensifica a consciência não está iniciado. Mas, ele pode estar iniciado hoje, amanhã ou daqui a uma semana, se ele intensificar a sua consciência.

Paramahansa Yogananda diz: “nós podemos fazer em 20 anos aqui na terra o que outros não fazem em 20 séculos”.

Nós podemos fazer … mas depende da intensidade da consciência. Logo, não é questão de extensidade. É questão de intensidade. Extensidade é tempo – uma enorme extensão de séculos ou de milênios. Com o extenso nós não podemos alcançar nada. Com o intenso nós podemos abreviar a nossa evolução por milhares e milhões de anos. É questão de intensidade.

Que quer dizer intensidade? Chegar até o ponto central da sua própria consciência. Porque geralmente andamos na periferia da nossa consciência. E é difícil entrar para o centro. E custa um esforço muito grande – uma meditação prolongada e intensa para chegar até o centro do ser.

No centro do meu ser eu me encontro com a essência divina. Na periferia do meu ser eu só me encontro com as minhas existências humanas, cheias de misérias, cheias de doenças, de maldades … Está tudo na periferia. Se eu chegar até o centro, eu não saberia nada destas maldades, nem desses males, porque na essência não há maldades e não há males. Não há doença, também não há morte. Tudo isto: doenças, maldades, morte, são da periferia, são da existência finita.

As existências finitas podem ser más, podem ser doentes, podem ser infelizes. Podem sofrer morte. Tudo isto é da existência.

Agora, quando alguém chega em contato com a sua própria essência, que está em cada um de nós, adeus. Adeus a tudo isto que me atormentava na existência. E o interessante é que a própria existência muitas vezes melhora com a consciência da essência.

Por que é que Jesus nunca esteve doente? Porque a existência humana dele estava permeada pela consciência da essência divina. E quando alguém está plenamente permeado, completamente permeado pela luz da essência divina, como um cristal é permeado pela luz, então acabou tudo isto.

Por isto ele nunca precisou de médico e nunca esteve doente – porque a existência humana de Jesus estava permeada pela consciência da essência divina do seu Cristo.

Com Moisés aconteceu uma coisa parecida Creio que Moisés foi o maior iniciado antes de Jesus: viveu 1500 anos antes de Jesus, no Egito e na Arábia. Nunca se fala numa doença de Moisés. Ele viveu 120 anos. E a Bíblia diz que quando tinha 80 anos estava em plena juventude. Como é que está em plena juventude com 80 anos?

Depois, antes de contar o fim de Moisés diz: e Moisés, quando tinha 120 anos estava ainda em plena juventude – e não morreu. Transformou o seu corpo material num corpo astral. E o corpo astral se vai embora, não se vê. Isto é sinal de grande iniciação e de grande consciência cósmica.

Mas isto supõe intensidade, intensificação da consciência.

Nós temos uma consciência extensa pelos sentidos e pela inteligência, mas não temos uma consciência intensificada pelo espírito. Se conseguíssemos intensificar a nossa consciência, a nossa essência divina – porque a consciência é a essência divina em nós – então, nós veríamos o mundo com outros olhos. Teríamos mais medo de ser maus do que de sofrer o mal. Hoje em dia todo mundo tem medo de sofrer males mas não tem muito medo de ser mau.

Uma vez encontrei um homem que parecia já estar iniciado. Ele me contou: “Olhe,esta noite eu fui roubado, um ladrão arrombou a minha porta e roubou tudo que eu tinha em casa,mas quem saiu pior foi ele”. Indaguei: “Por que ele saiu pior?” Respondeu: “Porque ele roubou, eu só fui roubado”.

Quem pode falar assim já deve estar perto da iniciação. “Ele roubou e eu só fui roubado.” Roubar é ser mau. Ser roubado é apenas sofrer o mal.

Ser mau é muito pior do que sofrer o mal – para quem tem intuição cósmica, não para os outros. Para o homem comum sofrer o mal é muito pior do que ser mau. Isto é muito atraso e muito analfabetismo espiritual, é claro.

Quer dizer, nós estamos sempre num jogo de duas coisas: essência e existência – a realidade invisível e as facticidades visíveis. O infinito invisível e os finitos visíveis. O absoluto eterno e os relativos temporários. Depende o que vai prevalecer. Vai prevalecer o finito ou infinito em nós.

Mas quem enxerga o infinito dentro de todos os finitos já está bem avançado. Não precisa ser dentro de si mesmo. Também pode ser dentro de outros. Quem enxerga o infinito dentro de qualquer creatura, dentro de uma pedra, dentro de uma planta, dentro dum animal e dentro de seus companheiros já está com uma visão cósmica. Já ultrapassou a miopia da egoconsciência e entrou na visão larga da cosmoconsciência.

Isto depende do nosso livre arbítrio. Isto não nos vai acontecer. Isto nós temos que fazer. Outras coisas nos acontecem sem nosso merecimento, nem nossa culpa. Mas ninguém pode ser iniciado por alguém.

Não acredite nestas histórias de iniciação que andam por aí: “Fulano iniciou sicrano”. Bobagem! Ninguém pode iniciar alguém. Ninguém me pode iniciar, e eu não posso iniciar ninguém.

Eu me posso auto-iniciar e cada um pode se auto-iniciar. Isto está certo. Só existe autoiniciação. Não existe alo-iniciação.

O guru pode mostrar o caminho para o outro. Isto pode. E deve até.

O mestre que pensa que pode iniciar alguém é um contrabandista. Nenhum mestre pode iniciar alguém. O mestre pode mostrar o caminho para alguém se auto-iniciar.

Jesus mostrou o caminho aos seus discípulos. Mas não iniciou ninguém. É fantástico: no Evangelho nunca lemos que Jesus tenha iniciado um só dos seus discípulos. Nunca. Ele mostrou o caminho do reino de Deus. “Vai por este caminho e te iniciarás”. E eles se iniciaram no dia do Pentecostes, quando veio o Espírito Santo sobre eles. 120 pessoas, diz Lucas nos atos dos apóstolos, naquela manhã de domingo foram auto-iniciadas.

Não havia nenhum guru por ali, mas 120 pessoas, homens e mulheres, foram auto-iniciadas no Cenáculo de Jerusalém, no dia de Pentecostes. Por quê? Porque durante três anos tinham andado com o maior dos mestres e tinham ouvido e observado o que ele dizia para se iniciarem. Percorreram o caminho mostrado por Jesus – e se auto-iniciaram. Isto se pode fazer.

Outros podem nos mostrar o caminho, mas outros não nos podem iniciar.

A minha consciência me inicia se eu a intensificar bastante.

 

Univ_Estrelado

                                                                                                                           ideafixa.com

Primeira parte da aula 14ª ministrada por Huberto Rohden em 9/ago/1977, esclarecendo alguns importantes conceitos filosóficos.

 

Hoje, depois da televisão, alguém me disse: O senhor anunciou na televisão que ia dar aula de Filosofia sobre autoconhecimento e auto-realização. Não vai continuar sobre a Nova Humanidade?”

 Eu disse: “Exatamente, tanto uma como a outra coisa – porque é o mesmo. Não existe nenhuma Nova Humanidade sem autoconhecimento e sem autorrealização, porque a Nova Humanidade não é massa, é apenas elite. A Nova Humanidade não vai começar com o 3º milênio, como alguns disseram por aí. Nem com o 4º milênio. Nem com o 10º milênio ou no 20°. Isto nada tem que ver com massa, massificação. Cada um de nós pode iniciar a Nova Humanidade dentro de si, porque a Nova Humanidade nunca existirá como massa. Nunca existirá 50% da Nova Humanidade, nem sequer 20%, nem talvez 10% – porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos.”

Traduz assim: Muitos são os vocados e poucos os evocados. Os vocados são massas, os evocados, uma elite. Portanto, autoconhecimento e autorrealização são a mesma coisa que  Nova Humanidade, a qual começa dentro de cada um de nós. Mas se houver muitas pessoas autorrealizadas, então também se vai notar uma diferença na humanidade coletiva, lá fora, na massa; mas isto depende dos indivíduos. Não depende da massa. Os indivíduos produzem a massa, mas a massa não produz os indivíduos. Não se pode inverter a frase.

Hoje na televisão eu falei sobre Einstein… sobre a sabedoria de Einstein. Não a sabedoria das palavras dele, mas a sabedoria da vida dele. E no fim eu citei uma frase dele que diz assim. “A matemática é absolutamente certa enquanto ela ficar no abstrato. Mas ela perde da sua certeza na razão direta que ela se concretiza”.

E D. Xênia que estava ao meu lado disse: “É…, já fundiu a minha cuca”.

Por que ela disse isso?

Quer dizer que ela não compreendeu nada. Eu creio que com vocês  vai acontecer a mesma coisa. Muitos vão fundir a cuca; porque nós usamos uma linguagem muito exata, matematicamente certa, lógica de alta precisão, e muitos não estão habituados a esta linguagem. Confundem ser com existir. Confundem Deus com a Divindade, confundem o ego com Eu. Confundem tudo. E por isso vão fundir a cuca quando eu falo em termos de alta precisão.

Então, o principal, em um curso de filosofia, não é saber uma porção de coisas. O principal é saber pouquíssima coisa, mas com absoluta clareza. É melhor saber 10 coisas com clareza do que 100 com confusão. E é difícil para quem não está habituado a pensar corretamente, compreender uma linguagem de precisão matemática como nós usamos aqui.

As revistas (são muito superficiais) a cada momento questionam se o universo é finito ou infinito. Então discutem que alguém descobriu que o universo é finito; outro descobriu que o universo é infinito. Assim discutem nas revistas,mas não tem nenhum sentido. Pura confusão! Outros querem saber se o homem é mortal ou se é imortal. Não tem nenhum fundamento discutir isto. Outros querem saber se a vida neste mundo é eterna ou não é eterna. Tudo isto é bobagem. Isto é linguagem de jornal, é linguagem de revista ilustrada que não usa uma linguagem de precisão. Usa a linguagem bagunceira de cada dia.

Se alguém me perguntasse: “o Sr aceita que o universo é eterno?” Ou, “se é infinito ou finito?” Eu diria: “ele é finito e também é infinito. Não é ou – é finito E infinito.” Se alguém me pergunta, “o Sr aceita que o homem é mortal ou imortal?” Eu digo, “ele é tanto mortal como imortal.

Como é que pode ser as duas coisas ao mesmo tempo? É claro que pode ser. E se alguém me perguntasse: “a vida neste mundo é eterna ou temporária?” Eu diria “ela é eterna e também é temporária.

Por quê? Porque na essência tudo é eterno, na existência tudo é temporário.

Agora, quem não sabe distinguir entre essência e existência, ou afirma que é eterno, ou afirma que é temporário; ou afirma que é infinito ou afirma que é finito. Ou afirma que é mortal ou afirma que é imortal. Por causa da confusão.

Na filosofia temos que compreender que todas as coisas deste mundo – não somente os homens – são eternos e também são temporários. Em que sentido? A essência é uma só em todos os seres. Nas pedras, nos vegetais, nos animais, nos homens, nos anjos, em outras entidades. É a essência do ser – não existem essências, no plural.

No vidros de cosméticos existem “essências”, no plural. Este é o significado físico da palavra “essência”. Mas não existe “essências”, no plural, na filosofia. Na filosofia usamos a palavra “essência” no seu sentido metafísico. O ser é a essência. O ser é absoluto. Não tem plural, não há seres. O ser é eterno. Em resumo: todas as coisas são eternas no seu ser, na sua essência, no seu absoluto; mas não são eternos na sua existência.

Agora já temos a célebre divisão entre essência e existência, entre ser e existir, entre realidade e facticidade. É preciso fazer esta acrobacia mental.

Eu chamo isto acrobacia mental. Fazer uma ginástica mental até chegar a uma perfeita clareza. D. Xênia hoje fundiu a cuca porque eu disse: Einstein disse que “a matemática é absolutamente certa enquanto ela ficar no abstrato.

Na linguagem comum, quando dizem “abstrato”, pensam em algo que é irreal. É só uma coisa pensada, imaginada, mas que não é real. Isto geralmente se considera “abstrato”. Concreto e o que julgam ser real é aquilo que se pode ver, pode-se ouvir, e até pode-se tanger. E pensam que este concreto é a realidade. O abstrato, neste caso, é mais ou menos irreal – é utópico, longínquo, mas não é muito sólido; é muito vaporoso e muito aéreo.

Mas Einstein usa a palavra ‘abstrato’ no sentido de puríssima realidade.

Quando dizemos que o homem é ao mesmo tempo abstrato e também é concreto, entendemos que abstrato é a realidade, eterna, infinita, absoluta do homem. E por concreto entendemos o seu corpo, as suas facticidades, o seu ego. O seu ego é concreto, mas o seu eu é absolutamente abstrato. Por isso, na nossa linguagem, abstrato é a puríssima realidade. E concreto não é a realidade. As coisas físicas são concretas, mas a metafísica é absolutamente abstrata. As coisas físicas não são reais. As coisas metafísicas são reais.

Usamos linguagem matematicamente certa. A mesma linguagem que se usa na matemática, usamos na filosofia. Afirmamos, pois, que o nosso ser, a nossa essência, o nosso eu, é abstrato… Ou seja, não podemos ver, não podemos ouvir, não podemos tanger, nem podemos analisar o nosso EU verdadeiro. O nosso eu verdadeiro é transcendental, é além da física, metafísico. Mas o transcendental, o abstrato, o metafísico é que é a realidade.

Temos que inverter completamente os nossos conceitos diários.

A madeira é real, para o homem comum; o papel é real… Esta é a linguagem comum. Mas nada disto é real. Porque o que se pode perceber pelos cinco sentidos, ou por um dos cinco sentidos, e o que se pode analisar mentalmente não é real. Também não é irreal. Então, o que ele é? Apenas realizado. Realizado é muito menos que o real, mas não é irreal. Nós não podemos dizer que esta madeira é irreal. Este metal é irreal. Não é verdade, mas também não é real. Veja como é necessário clarificar os conceitos: as coisas que podemos perceber com os 5 sentidos e analisar com a nossa inteligência, não são coisas reais. Mas também não são irreais.

A filosofia oriental chama isto maia, quando quer dizer que é realizado, mas que não é real. Real, a filosofia oriental diz, é somente Brahman. Brahman eles chamam a essência, a realidade infinita, a realidade absoluta, a realidade eterna. Na filosofia da China, o Eterno, o Infinito, a Realidade, o Absoluto se chama Tao. Entre os hebreus, a Realidade Infinita se chamava Yahve, falsamente pronunciada Jave, ou Jeová. Mas a pronúncia hebraica é Yahve, com y no princípio. Isto eles chamavam a realidade.

Alguns pensam que se pode chamar a Realidade de Deus, mas não está muito certo. Devemos chamar a Realidade de Divindade. A Divindade é abstrata. A Divindade é realidade, a Divindade é absoluta, é infinita, é eterna. Isto nós podemos substituir por Realidade. Mas na filosofia nós não usamos muito o termo “Divindade” – usamos os termos Realidade, Absoluto. O contrário de absoluto é relativo. O contrário de eterno é temporário. O contrário de infinito é finito.

Logo: Todas as coisas que nós podemos ver, ouvir, tanger, analisar mentalmente, são coisas finitas, são coisas temporárias e são coisas relativas; Mas não podemos ver o Absoluto – nem ouvir, nem tanger. Os nossos cinco sentidos não atingem a realidade, atingem as facticidades.

Aquilo que é derivado da realidade chamamos as facticidades, os fatos. As coisas concretas são os fatos. A coisa abstrata é a realidade. Podemos até dizer que a alma do universo é a realidade e o corpo do universo é as facticidades. Esta é a linguagem de Spinoza, o grande pensador do século XVII. Ele chama Deus a Alma do universo – e isto que nós vemos, ela chama o corpo de Deus. Deus como Deus ninguém pode ver. Nunca ninguém viu Deus com os olhos. Nunca ninguém ouviu a Divindade. Nunca ninguém tangeu a realidade, porque isto não é objeto dos sentidos. Isto não é objeto nem do pensamento. Isto é além de todos os sentidos e além de todos os pensamentos. Isto é a realidade.

Portanto, na vida comum nós nunca chegamos à realidade. Na vida de cada dia nós só lidamos com fatos, com facticidades. Lidamos com derivados, com relativos, com coisas temporárias. Lidamos com coisas finitas e erradamente chamamos isto de “ real”. Nada disto é real. Tudo isto é apenas realizado. O efeito da realidade se chama o realizado. A causa é a realidade. Os efeitos são o realizado. Quando uma coisa sai da realidade invisível, eterna, absoluta, transcendental e entra na zona dos realizados, então se torna perceptível para nós e analisável. Podemos, então, perceber, ver, ouvir, tanger e até analisar cientificamente as coisas realizadas. Toda ciência trata disto. A ciência não trata da realidade.

É claro que os cientistas não gostam que se diga isto. Mas é pura verdade. Nenhuma física, nenhuma química, nenhuma biologia, nenhuma eletrônica, nenhuma ciência atômica trata da realidade. Tratam de fatos, tratam de facticidades, tratam de derivados, tratam de efeitos, mas não tratam da causa. Não tratam da realidade.

Então, na filosofia nós temos que ver qual é a relação entre a realidade e as facticidades. Alguma ponte que possa unir a realidade com as facticidades, que possa unir o Absoluto com os relativos, que possa unir o infinito com os finitos, que possa unir o eterno com os temporários, que possa unir o Creador com as creaturas.

Aqui estão os dois polos. O polo da realidade e o outro, o polo das facticidades. E estes 2 polos juntos se chama universo – Uni – verso.

Neste diagrama, há um ponto central, e muitos raios que partem dele. O ponto central seria o que chamamos de “Realidade”. E os raios são as facticidades. O centro seria o Eterno, o Infinito, o Absoluto, a Divindade, Brahman, Tao, Yahve, a alma do universo.

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O ‘UNIVERSO’ seria o todo. Os raios seriam os VERSOS e o centro seria UNO.

É claro que isto é um símbolo, muito imperfeito. Mas dá mais ou menos uma ideia. Tudo vem do centro, tudo vem da Alma do universo, mas a Alma do universo não é visível. A Alma do universo nunca foi vista. E nunca foi ouvida e nunca foi tangida por ninguém. Nem foi pensada. Ninguém pode pensar a realidade. Ninguém pode pensar o infinito. Então, praticamente parece que estamos eternamente separados da realidade; que  nunca podemos saber o que é a realidade. No princípio a gente entra em desespero – tem vontade de jogar tudo fora e não fazer mais nada; porque se não posso atingir a realidade, eu vivo eternamente nas facticidades, eu vivo numa eterna ilusão. Porque os fatos, as facticidades não são a realidade.

Estamos, assim, numa espécie de pessimismo universal. Mas graças a Deus podemos nos salvar do pessimismo universal. Apesar de não podermos ver, nem ouvir, nem tanger, nem sequer pensar a realidade – contudo podemos ter plena certeza da realidade.

De que modo? Porque o homem comum pensa que a certeza vem do ver, do ouvir, vem do tanger – para o homem comum… Para o cientista, a certeza vem do analisar, do demonstrar na física, na química, na eletrônica. A certeza é do laboratório.

Mas, para a filosofia a certeza não é dos sentidos, a certeza não é dos ouvidos, a certeza não é do tato, a certeza não é da inteligência, e apesar disto podemos ter certeza.

Existe alguma coisa em nós além dos sentidos, além da inteligência? Aparentemente não; realmente, sim. Se fôssemos apenas sentidos e inteligências, viveríamos eternamente na ilusão e nunca chegaríamos a perceber a realidade. Mas podemos ter plena certeza da realidade, não através dos sentidos, não através da visão, não através da audição, não através do tato, não através do pensamento, da inteligência. Estes caminhos não nos levam à realidade. São preliminares, provisórios, mas não chegam até o fim.

Então, estamos diante deste estranho impasse: Se os sentidos e a inteligência não nos revelam a Realidade, o Absoluto, o Eterno, a Divindade, Brahman, Tao, Yahve, como é que vamos descobrir a realidade? Estamos diante deste impasse. E no princípio nos tornamos pessimistas e céticos universais. Dizemos: Bem, é inútil querer ter certeza sobre a realidade, porque a realidade não é um objeto dos sentidos, e não é nem sequer um objeto da inteligência. De que coisa a realidade é objeto?

Aparentemente de nada, porque o homem comum não sabe nada fora dos seus sentidos e fora da sua inteligência. Ele pensa que o mundo todo é do sentido e da inteligência. E nós negamos que a Alma do universo possa ser descoberta pelos sentidos, nem sequer pela inteligência. Ela não pode ser descoberta fisicamente, nem mentalmente. Se não pudermos ultrapassar os sentidos e a mente, estamos perdidos. Nunca teremos certeza de coisa nenhuma. Tudo é duvidoso. Tudo que os sentidos nos dizem não é a verdade. O que a inteligência nos diz não é a verdade.

E nós queremos a verdade.Novo Universo

Finalmente volto a postar mais alguns textos relativos ao CURSO NOVA HUMANIDADE, ministrados em 1977 por ROHDEN. Agora chegamos a 13ª aula. Pelo que se deduz, estavam chegando a um período de férias e nesta última aula o mestre faz uma revisão. Não tentarei fazer qualquer resumo ou condensação da palestra. Vou postá-la em partes. Apreciem.

Recomendo a todos que façam muitos exercícios de Yoga integral, não só Hatha-Yoga, mas também de Yoga integral. Eu já disse isto ontem na meditação; nós, ocidentais, somos terrivelmente extra-vertidos por natureza. Os orientais são introvertidos. Os ocidentais são extrovertidos. E devido à nossa extroversão tradicional aqui no ocidente, muitas pessoas não conseguem ficar 5 minutos imóveis e silenciosos, na meditação.
Ora, enquanto alguém não consegue ficar silencioso e imóvel, durante 5 minutos, ou durante meia hora, não pode fazer concentração mental. A concentração mental depende da disciplina corporal. Onde não há perfeita disciplina corporal não é possível concentração mental e meditação espiritual. Estas são coisas correlativas conhecidas. Se alguém consegue 100% de disciplina corporal, não se mexendo durante meia hora, não tossindo, não produzindo nenhum ruído durante meia hora, já está em condições de fazer concentração mental.
Nós vivemos na ilusão de que de vez em quando, nós devemos nos mexer. De vez em quando, temos que tossir. De vez em quando, temos que dar um sinal da nossa presença física. Pura ilusão! Não há necessidade. Vocês pensam que é necessário, que é inevitável, agora tossir. Se vocês fizeram exercício de yoga integral, vão verificar que nada disto é verdade. Nós podemos ficar horas inteiras, se quisermos, em completa imobilidade, como um cadáver, em completo silêncio. Isto, no princípio, parece impossível, mas, é questão de exercício.
Os yogues… – agora apareceu o artigo: OS PODERES SECRETOS DOS YOGUES numa revista daqui – eles conseguem coisas espantosas. Eles conseguem anestesia mental. Onde é que nós conseguimos anestesia mental? Nós fazemos anestesia por meio duma injeção, mas, eles fazem brincando, anestesia mental no oriente. Eles dão ordem a este braço, insensibilizar-se totalmente. Não sentir nada. Toma um punhal perfura um braço, não sentem nenhuma dor. Como é que eles conseguem isto? Concentração mental.
A nossa mente é terrivelmente poderosa. Não quando dispersa, derramado por todas as periferias…aí é fraca. Tudo que é derramado é fraco. Tudo que é concentrado é forte. Então, eles fazem uma concentração mental, eles estão habituados a fazer isto. Há 7000 anos na Índia se está praticando isto. Naturalmente, eles chegaram a perfeições extraordinárias de concentração mental. Dão ordens aos nervos do braço, daqui até aqui. Porque os nervos é que sentem. Sem os nervos nós não sentimos nada. Dão ordem aos nervos – não sentir nada durante 10 minutos. Não sentir nada durante uma hora. E os nervos obedecem.
Os nossos, não obedecem. Obedecem a uma injeção física- que é anestesia. Mas não obedecem a uma injeção mental. Para nós é um milagre. Mas, injeção mental é possível. Eles dão ordem aos órgãos do seu corpo para funcionar deste e daquele modo. Até suspendem a respiração por muito tempo, sem morrer. Até reduzem as pulsações do coração quase a zero. E, às vezes completamente a zero, durante muitas horas. E não morrem. Nós dizemos – é impossível.
Mas, nós vamos fazer um pouquinho de exercícios, cada um lá em sua casa, de yoga integral. Yoga integral é yoga física (Hatha yoga), é yoga mental (Raja yoga), é Bhakti-yoga também, é Gnani yoga e é até karma-yoga… Cinco tipos de yoga. Isto se chama yoga integral. Se alguém reuniu tudo e fizer exercício, vai ver. Chega a criar dentro de si um poder milagroso. É perfeitamente natural. Porque milagres não existem, no sentido de ‘contra a natureza’. Existe milagre no sentido fora do conhecimento que nós temos da natureza. Mas não existem milagres fora da natureza. Nenhum milagre é contra as leis da natureza.
Agora, nós não conhecemos 10% das leis da natureza. E dentre 10% dizemos que é natural, e 90% dizemos que é milagroso. Que é sobrenatural. Não existe nada sobrenatural. Sobrenatural é pura ilusão. Deus não é sobrenatural. Deus é infinitamente natural, e nós somos finitamente naturais. Por isto o natural finito não pode compreender o natural infinito. Então nós inventamos que Deus está além da natureza, que Deus não faz parte da natureza. Mas, os grandes iniciados sabem que Deus é a alma da natureza, como disse Spinoza, e repetia Einstein.
Eu me lembro de quando eu estava em Princeton, com Einstein, ocorreu pelos jornais dos Estados Unidos, a notícia de que Einstein era ateu. Que Einstein não aceitava Deus. E o rabino da Sinagoga judaica de Nova York, o Sr. Herbert Goldstein, que eu conheci muito bem, mandou um telegrama a Einstein, à Universidade de Princeton: “Favor dizer se você aceita Deus”. Sabeis o que Einstein respondeu telegraficamente, ao Sr. Herbert Goldstein? Respondeu: “Eu aceito o mesmo Deus que o nosso grande Spinoza,” porque Spinoza também era judeu, “chamou, a Alma do Universo. Este Deus eu aceito.”
E Einstein acrescentou: “Não aceito um Deus pessoal que se preocupa com as nossas necessidades de cada dia”. É claro que nós pensamos que Deus é nosso empregado, número 1. Quando nós estamos doentes, ele tem que vir para nos curar. Quando não temos dinheiro, ele tem que arranjar dinheiro. Quando estamos em apuros, tem que nos tirar dos apuros. Então, Deus é nosso empregado? Nós mandamos em Deus? Isto é bobagem.
Deus não se preocupa com as nossas necessidades pessoais de cada dia. Se nós tomarmos uma atitude certa em face da alma do universo todo o corpo do universo está a nosso favor. O ruim é que nós não entramos em sintonia com a alma do universo. Nós estamos sempre em desarmonia parcial ou total com a alma do universo. Então nos acontecem estas coisas desagradáveis. Se eu estou em sintonia perfeita com a alma do universo, todo o corpo do universo está a meu favor.
Spinoza disse: “Deus é a alma do universo e este mundo é o corpo de Deus”. Faz a comparação entre alma e corpo. A parte invisível do universo, isto é Deus; e a parte visível do universo, isto nós chamamos o mundo. Mas, o visível obedece ao invisível. O corpo obedece à alma.
Então, como dizia, não devemos imaginar que Deus seja uma coisa fora da natureza, sobrenatural. O mundo espiritual não é sobrenatural. Ele é natural, invisível e outras coisas são naturais, visíveis. Quanto mais nós nos concentrarmos e transmentalizarmos também na meditação, mais nós sintonizamos com o mundo invisível. E isto é a uma grande vantagem para nós.
Portanto, façam exercícios de yoga integral durante as férias até conseguirem pelo menos meia hora de absoluta imobilidade e de absoluto silêncio. O nosso ego físico não gosta de silêncio, gosta de barulho. Não gosta de imobilidade, gosta de movimento. Mas, quando nós nos esquecemos do nosso ego físico e nos concentramos no nosso ego mental, e, sobretudo no nosso eu espiritual, que é o último reduto da nossa natureza, nós podemos ficar completamente imóveis, durante quanto tempo quisermos, e completamente silenciosos. Estamos praticamente mortos. Praticamente… É uma morte provisória que nós praticamos durante a meditação. Uma morte de meia hora, ou uma morte de uma hora.
Os yogues fazem uma morte provocada de horas inteiras e depois voltam à vida. Nós temos que fazer um pouco de exercício, porque todo o poder consiste na concentração, e toda a fraqueza consiste na dispersão. A fraqueza é dispersão e a força é concentração. É vantajoso para todos efeitos. Não é só para o mundo espiritual. A concentração é útil para a ciência, é útil para a técnica, é útil para as finanças, é útil para a indústria, o comércio. É útil para tudo, porque a concentração dá força em tudo.
Bem, então façam um pouco de exercícios nas férias. Temos que chegar a um ponto de 100% de silêncio e de imobilidade física, porque do contrário o mental não funciona, e o espiritual não funciona sem a base do material. A disciplina material é a base para a disciplina mental e disciplina espiritual. É uma torre, sem alicerces não funciona. Não pode começar a torre pelo telhado, têm que começar a torre pelos fundamentos.

Reiterando: APROVEITO PARA INFORMAR QUE ESTE – E OUTROS CURSOS DE ROHDEN – PODEM SER OBTIDOS COM A SRA. IRIS GOMES, TANTO EM ÁUDIO (MP3), COMO TRANSCRITOS EM APOSTILAS. DOU A SEGUIR O E_MAIL DE CONTATO DA SRA. IRIS, BEM COMO DE SEU BLOG, ONDE PODERÃO APRECIAR MUITOS OUTROS TEXTOS DE ROHDEN: E_mail: ihgomes@hotmail.com
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